19.2.08

Pra inglês ver...e falar besteira.

Os ingleses foram os colonizadores mais perversos da história recente da humanidade e cometeram um sem número de atrocidades por onde quer que passaram nos últimos séculos. Até mesmo o processo de colonização e independencia dos EUA, hoje donos do planeta, foi marcado pela mão pesada dos ingleses.
Na época da Rio 92 chegaram a fazer uma campanha e distribuir camisetas em londres com os seguinte dizeres: Preserve a natureza, mate um brasileiro.

Fiquei abestado, por tanto, quando li nos jornais de hoje, ou ontem, sei lá, sobre o artigo publicado na segunda-feira no jornal inglês The Guardian, pelo "defensor dos Direitos Humanos" Conor Foley, excomungando o filme brasileiro "Tropa de elite". Me pareceu o poste mijando no cachorro.

O que me deixou pasmo nem foi o artigo do sujeito em si, mas a repercussão do mesmo em terras brasileiras. Cada vez estou mais convicto de que a subserviência intelectual de nossas eleites aos estrangeiros é algo assustador.

O sujeitinho inglês, assim como alguns membros de nossa gloriosa elite zona-sul, impõe ao filme de José padilha a pecha de fascista. Nada mais grotesco. Já até escrevi aqui no blog sobre isso e repito: passamos os últimos 30/40 anos recebendo doses industriais de violência na veia, violência essa estrelada por Charles Bronson, Van Dame, Shuarzeneguer - nem sei se é assim mesmo que se escreve - Stalone, e tantos outros mais, sem um mínimo de questionamente por parte de ninguém.

Todos os filmes desses elementos, empurrados por nossa goela abaixo desde a década de setenta, criaram aqui a idéia do herói matador. Do lobo solitário que cumpre sua vingança ao arrepio de todas as leis vigentes.

Nenhum deles no entanto questionou o interesse dos poderosos no processo de violência urbana importado por nós. Na verdade essa gente não ataca o filme brasileiro por conta do teor de violência exposto no filme, mas por sua abordagem responsabilizando a classe média e as elites pelo gigantesco negócio em que se tornou o tráfico de drogas. É, como diria Nelson Rodrigues, o óbvio ululante.

Vários outros filmes abordando a violência ja foram produzidos no Brasil, mas nunca com tal abordagem.

Acusar o filme de fazer apologia da violência é uma falácia. Trata-se na verdade de uma obra realista. Só isso. Pode ser até que uma parcela da sociedade, a mais bem aquinhoada, claro, nunca tenha se dado conta de como a polícia age, mas a grande maioria, moradora das favelas, dos subúrbios e da Baixada Fluminense, sabe muito bem como a coisa funciona. O filme esfrega na cara do espectador a realidade. Nada mais que isso.

Nossa polícia, desde a sua concepção, nunca teve como viés principal defender o cidadão, mas o patrimônio. Essa é uma herança recebida por nós desde o processo da colonização e só repensada, no caso do Rio de Janeiro, à cerca de 25 anos atrás, época em que o Coronel Nazaré Cerqueira, no 1º Governo Brizola, assumiu o comando da PM. Tornou-se inesquecível uma foto publicada pela imprensa da época com políciais conduzindo pessoas pobres com cordas amarradas nos pescoços, motivadora da indignação do então Governador.

Fascista na verdade é a concepção das nossas elites, por adotar a lógica de guetos segregados e repressão do Estado contra os mais pobres ( é bom lembrar que no começo do século passado a polícia prendia pobres pelo simples fato de serem sambistas. Eram considerados vagabundos).

Dizer que Tropa de Elite é fascista é o mesmo que afirmar que a condenação da extrema violência policial contra pessoas de bem significa proteger bandidos. Uma tolice.

O inglês, autor do artigo, ( provavelmente um genérico local do Gabeira ), diz que os Brasileiros deveriam ter vergonha pelo sucesso do filme. Opinião capciosa. O brasileiro tem todos os motivos para se envergonhar sim, mas de suas elites, que patrocinam drogas e depois fazem passeatas hipócritas pela paz. Assim como, aliás, a inglaterra, patria mãe de Conor Foley, deveria se envengonhar de seu histórico de atrocidades.


OBS: Já havia publicado essa foto aqui no blog, mas publico de novo e esclareço que não é cena do filme Tropa de Elite. Trata-se de uma ação real da PM do Rio de Janeiro no início dos anos 80.


14.2.08

Difícil de se ler....

O hábito da leitura dos jornais do dia, pra quem o tem, anda se tornando uma coisa cada vez mais inglória. Nem tanto por todos os veículos se limitarem às mesmas notícias - isso a gente até se acostuma - Mas pelas notícias em si. De um modo geral não há rigorosamente nada que preste. A impressão, em alguns casos, é que estamos lendo as centúrias de Nostradamus. Tragédia, tregédia e mais tragédia.

Um amigo publicitário me disse certa vez que a tendência é piorar. O povo adora tragédia e os jornais, é claro, querem vender cada vez mais.

Eu, que gosto, por exemplo, de política, por mais absurdo que isso possa parecer ao meu caro prestimoso leitor, me sinto prejudicado. Alguns jornais, como O Globo, já até aposentaram sua editoria política faz tempo, prestigiando a editoria de economia. Ou seja, não importa quem manda, nem quem paga, mas sim quanto custa. Isso na verdade tem até uma certa lógica. Nossos "líderes" políticos em verdade raramente tem algo concreto para nos dizer. E como o "Estado" virou uma abstração que só serve para, vez por outra, atrapalhar os planos de exercício de poder do Governante, a medida se mostra mais acertada ainda.

Não faz muito tempo, para exercer dignamente um mandato, o sujeito tinha que conhecer pelo menos a estrutura do poder público. Fosse ele de esquerda, direita, centro ou muito pelo contrário. Hoje não. Basta ter dinheiro para a campanha eleitoral. Isso faz com que este pobre escriba compreenda cada vez mais a síntese do regime democrático: qualquer um pode chegar ao poder. E o poder, como se sabe, corrompe mesmo.

Mas voltando as notícias...o que me chamou mais atenção nos jornais de hoje foi o caso da ALERJ. Um grupo de funcionários da casa ganhou na justiça o direito de receber algo entre 300 e 400 milhões em indenização por conta de cortes salariais feitos na década de noventa. Qualquer pessoa sensata que tenha acompanhado o caso na época já sabia desse desfecho. Direito adiquirido é, como o nome diz, adiquirido. Não pode ser retirado. Mas poucos governantes resistem aos apupos da vaidade. Aliás, quanto mais vaidosos, mais são cegos, (ou pelo menos míopes) surdos e obtusos em relação a coisa pública. Vira e mexe nossa estrutura pública é assumida por algum Chapolim Colorado que adora posar para a patuléia como um verdadeiro super herói, e como no final das contas o dinheiro em questão, em caso de prejuízo, não lhes pertence, jogam pra galera o tempo todo amparados pelos fantásticos holofotes da mídia. Esses casos de heroísmo, é claro, custam caríssimo. Mas é sempre a gente quem acaba pagando a conta. É como disse Nostradamus, não tem jeito, o mundo vai acabar acabando mesmo.
Detalhe: Quando vier o fim do mundo o povo certamente vai apaludir nas ruas. Finalmente teremos sacramentado o fim da corrupção.

6.2.08

Beija flor campeã de novo....É isso aí, BICHOOOOO

Resolvi rever meu comportamento. Deste momento em diante estou aderindo, de mala e cuia, ao senso comum. Passei pro lado do povaréu. Faço isso usando como fundamentação a constituição brasileira: todo poder emana do povo e em seu nome será exercido. O 1° artigo original da lei magna era esse. Em 88 mudaram uns pedacinhos, mas a essência - o espirito da coisa -continua a mesma. Na vitória da beija-flor hoje, por exemplo, como bi campeã do carnaval do Rio de janeiro, fiquei emocionado com a alegria do povo. Toda aquela multidão que ama profundamente empurrar os carros alegoricos para a exibição das celebridades, vibrava de alegria na quadra da escola.
Não interessa se a Policia Federal descobriu recentemente que o "Capo" da agremiação compra os resultados. Isso é bobagem, afinal de contas é o povo quem paga a festa e tem todo o direito de ser massificado e manipulado quando bem entender.
Entre Município, Estado e União, via petrobás, a LIESA embolsou algo em torno de 30/40 milhões de reais. Grana que dá muito bem para pagar a "colaboração" dos jurados e ainda sobra um bom cascalho para investir em novas máquinas caça níqueis. As atuais, segundo consta, usam tecnologia já ultrapassada.
Na verdade, a vitória da escola de Nilópolis vem consagrar uma concepção tipicamente brasileira, a concepção do " que se dane o mundo que eu não me chamo Raimundo".
Só pra ilustrar podemos pegar os escândalos financeiros, políticos, jormalisticos, religiosos, etc, que explodem no Brasil desde sempre. Os políticos, por exemplo. Não há um só Deputado, Senador - ou qualquer mandatário que seja - envolvido em maracutaias, que não tenha sido rigorozamente eleito pelo povo. E não é com pouco voto não, é sempre com mais de 100 mil votos. Portanto, podemos concuir, o povo ama muito tudo isso.
O Brasil é e sempre foi um País peculiar. Ou surrealista, como disse De Gaulle.
Os EUA por exemplo, viveram a fase atual do nosso processo evolutivo nas décadas de 30,40 e 50 do século passado. O País era controlado por todos os tipos de máfias e o crime ditava as regras em todas as grandes cidade americanas. Hoje, com mais de 50 anos de defasagem, o Brasil também é assim. Mas com uma diferença crucial: aqui o povo gosta das máfias e os bandidos são idolatrados. Saúde, Educação, Imprensa, Esportes, Carnaval, Poders da república...enfim, não há uma só instituição brasileira imune a atuação das várias máfias tupiniqiuns. E o povo adora.
Desde muito jovem participei e assisti debates altamente acalorados a respeito de quais seriam os direitos e desejos do povo brasileiro.
Li uma infinidades de teses e ensaios defendendo este ou aquele ponto de vista com o objetivo de criar uma sociedade mais justa.
Marxistas, leninistas, socialistas, anarquistas, liberais, direitistas...vi todos os tipos de ideólogos se digladiando, inflamados, em busca de uma formulação intelectual benéfica ao povo.
Coitados. O povo históricamente sempre passou ao largo destas discussões.
Talvez o povo ache mais engraçado eleger um ladrão só para ter a quem xingar enquanto toma umas e outras no boteco da esquina.
- Deputado Fulano....aquilo é um ladrãoooo........Bota mais uma aí pra mim.
- Ué, mas você não votou nele?
- Votei......kakakaka
Creio que seja mais ou menos isso. O povo gosta de eleger os piores elementos possíveis pelo simples prazer de insulta-los depois. Vimos isso na cidade de Magé, na baixada Fluminense, dia desses. Aliás, aprendemos naquele episódio, como em uma lição ministrada por grandes mestres, que dinheiro público não tem dono. Vai ver não tem mesmo.
Diante dos fatos fiquei me perguntando: quem sou eu pra saber mais dos desejos do povo do que ele próprio? E então aderi ao senso comum... Nunca mais vou remar contra a maré.
Ja me decidi. Vou comprar um boteco pra vender cachaça na estrada. A foto do bicho está aí em cima.
Aí, meu Deus.....eita vidinha mais ou menos...

5.2.08

Relendo e aprendendo...Evoé Paulo César Pinheiro

Aproveitei o carnaval para ler um pouco. Na verdade a intenção era escrever. Trabalhar o próximo livro ou coisa parecida, mas nem sempre a coisa funciona como o planejado. Dando vazão ao vício acabei escarafunchando a internet em tenaz perseguição aos textos dos autores que gosto. Naveguei por Darcy Ribeiro, Henry Miller, Poe, Drumond, Quintana e mais um montão de autores responsáveis pela minha construção pessoal. Acabei, no entanto, baixando a âncora sobre os textos de Paulo César Pinheiro. É tão raro encontrar uma poesia como a do Paulo que agente acaba ficando bestificado diante de textos lidos e relidos, remoidos, deglutidos e processados através dos anos.
Conheci a mágica Pinheiriana ainda na adolescência. E digo mágica por que é isso mesmo. São poemas que enfeitiçam.

Há quem o chame de poeta do samba, mas a coisa vai muito além disso. Em um vasto universo de poetas fantásticos Paulo César Pinheiro se destaca com uma elegante simplicidade que chega a ser soberba. É algo que revolve o espírito humano da mesma forma, talvez, que as antigas lavadeiras faziam com as roupas: esfrega, torce e pendura ao sol para aquecer e absorver a luz. Fico com a impressão de que todo o poder das autoridades, o poder de impor regras, crenças e comportamentos, treme. Se abala. É acometido de uma febre terrivelmente mortal diante da retórica poética de Paulo César Pinheiro.

É bom que se tenha, ainda, acesso à autores assim. Do jeito que a coisa anda, em breve a arte será banida do nosso sistema. Proibida mesmo, em prol do entretenimento. Afinal de contas, aos olhos de quem pretende controlar o planeta e o comportamento humano, uniformizando ações e sentidos, não há nada mais subversivo que a reflexão humana.

Nesse ponto, felizmente, a internet ajuda muito. Os blogs, por exemplo, funcionam hoje como aquele velho guardanapo de bar onde muitos de nós escreviamos nossas odes a subversão. E esta continua sendo uma bela forma de reagir à tirania da mesmice, ao pensamento único e a robotização obrigatória. Nossos guardanapos agora estão no ciber espaço e vão para o mundo todo para serem usados por quem bem entenda.

A gente sabe que, como bem disse Vinícius, "a vida vem em ondas como o mar". Escrever é mais ou menos isso. A gente vai salpicando vida através da poesia em vários pontos do mar e ela acaba chegando a outras praias. Contaminando de paixão vital as pessoas que se banham nelas. A poesia de Paulo César Pinheiro é assim. Uma espécie de anti-vírus que nos "contamina" maravilhosamente com a essência da vida. Deixa nossa alma novinha em folha.

24.1.08

Nazismo e racismos em alta

Tem sido desanimadora a leitura dos jornais do dia. Os tradicionais - O Globo e O Dia, aqui no Rio de Janeiro - apesar das várias páginas manchadas de tinta resumem seu noticiário relevante à no máximo página e meia. Os outros, filhotes destes, criados especialmente para o grande público que os lê apenas para trocar de tédio na condução para o trabalho, nem valem apena citar.
"O Globo", por um motivo qualquer que me escapa, apaixonou-se tão perdidamente por temas do tipo aviação civil, Al Gore e coisas afins que é quase impossível encontrar uma matéria que possa se considerar relevante além do arroz com couve do dia-a dia. Já o "O Dia", talvez pra não ficar muito longe de seu concorrente, investe páginas e mais páginas nas futricas novelísticas e nas "Musas do carnaval". Ambos acabam tornando infinitamente mais interessante a leitura das publicidades do que das notícias propriamente ditas. Talvez seja uma maravilhosa estratégia de Marketing e a gente, que não entende nada de mercado, fica feito bobo achando que jornal é para publicar notícias relevantes. Deve mesmo ser importantíssimo noticiar que uma bandeirinha de futebol foi cortada do desfile do Salgueiro ou que uma modelo da moda "arrasou' na Viradouro. Enfim...fazer o que?

Outra coisa interessante na leitura dos nossos principais jornais - Um mais pra elite outro mais para o "povo" - é constatar que ambos vem aos poucos cumprindo o papel de diário oficial do Estado. Chega a ser curioso. Mas a ciência do marketing também deve explicar esse fenômeno. Como leigo, prefiro não meter minha colher nessa história.

Na verdade estou escrevendo isso tudo para dizer que hoje, 24/01, escarafunchando a internet, encontrei uma notícia realmente relevante nos nossos prestimosos jornais : Uma dondoca riquinha extravazou seu racismo na Barra da tijuca. A coisa foi tão aviltante que os próprios frequentadores do cinema onde ocorreu a agressão fizeram questão de tetemunhar contra a deslumbrada.

O grau de relevância dessa notícia reside exatamente na constatação do que vem sendo feito com o Brasil, pois esta é a consequência natural de uma sociedade que se recusa a evoluir, que se recusa a investir no binômio educação/cultura e que, finalmente, insiste em adotar a segregação como estilo de vida por acreditar, movida pela própria ignorância, ser essa uma demonstração de "status".

Dia desses uma empregada foi espancada por bandidinhos ricos na mesma região, o que confirma a anomalia comportamental de uma parcela da nossa sociedade, não por acaso a mais bem aquinhoada.

Tenho cá com meus botões que a coisa na Alemanha tenha começado mais ou menos assim, uma minoria caucasiana se considerando humanamente superior ao restantes dos mortais. Deu no que deu.

Numa época em que o poder estabelecido é disputado entre traficantes e milícias um comportamento desses é temerário.

As balas perdidas, por exemplo, atualmente nos acertando dentro de nossas próprias casas, como ocorreu com meu irmão no sábado passado, podem muito bem vir a ser consideradas um instrumento interessante de controle do crescimento populacional em benefício da raça "Ariana".

Felizmente, no entanto, a coisa ainda se resume à alguns poucos seres ainda despreparados para exercer a condição humana. Sérgio Porto, ou Stanislaw Ponte Preta, autor do FEBEAPÁ, em uma de suas máximas afirmava que um racista deveria ser amarrado às costas de outro racista até aprender a ser gente. É verdade. E de preferência o mais longe possivel da convivência com pessoas de bem.
Eu, particularmente, como palavra de ordem, grito: mais Drumond e menos BBBesta. Mais Chico e menos bate-estaca nos nossos ouvidos. Mais cultura e menos tolice. Enfim...Mais celebração à vida que pulsa em nossas veias.
Assim esses racistas um dia serão tão poucos que terão vergonha de existir.

17.1.08

Pobre Rio de janeiro...

A Cidade Rio de Janeiro tem sido vítima de um processo degenerativo. Algo até então inusitado: o apequenamento.

Dizem que antigamente, nas cidades do interior, oposição e situação nutriam entre si um ódio patológico e se o Prefeito, por exemplo, fosse quem fosse, plantasse mudas de palmeiras para embelezar a Cidade a oposição soltava cabras à noite pra comer tudo. Só pra aporrinhar o Prefeito.

O Rio, apesar de ser capital e históricamente caixa de ressonância cultural para o Páis inteiro, tem sido tratado mais ou menos assim. Na pratica estão apequenando o Rio de Janeiro.

Esse processo se evidenciou recentemente com essa patuscada do boicote ao IPTU. Qualquer criança percebe que trata-se de uma ação orquestrada, que inclusive chega mesmo a ser meio ridícula.

Curiosamente, a classe média que deveria ser formadora de opinião age como uma mera correia de transmissão dos interesses da mídia e reproduz de bom grado o discurso capicioso encrustrado nos edioriais e matérias dos veículos ligados ao sistema Globo. Os jornalistas da casa provavelmente cobram muito caro para prestar este desseviço, mas a classe média o faz de graça dando um tiro no próprio pé.

Na verdade trata-se de uma inversão de valores e de certa forma demonstra como a capacidade intelectual da classe média foi corroída nos últimos anos. Ou seja, aqueles que deveriam determinar a direção do processo social transformaram-se em mera massa de manobra. Em bonecos. Em marionetes manipulados pelo poderoso esquema da indústria da comunicação.

Praticamente todos os problemas enfrentados pelo cidadão carioca, seja quem for o governante, tem sua origem nos desgovernos da União e do Estado. O primeiro - União -por privilegiar banqueiros e impossibilitar que a evolução econômica do País chegue ao bolso do cidadão comum em forma de empregos e oportunidades e o segundo- Estado- pela incapaciade de administrar suas própias responsabilidades, tais como segurança, educação, saúde, lazer, cultura, etc.

A incapacidade de uma parcela importante da classe média de enxergar essa realidade faz com que todo o processo social fique reduzido à um imenso caldeirão de picuinhas. E quem perde com isso é a Cidade como um todo.

Na verdade, a sede pelo exercício do poder faz com que a mídia se defronte de maneira completamente desleal com o poder público estabelecido pelo voto, pois sem responsabilidade alguma definida cabe à ela apenas produzir o caos de acordo com seu interesse particular - O interesse do sistema e consequentemente da mídia.

Brizola enfrentou este mesmo ação estapafúdia aplicada contra o Estado em seus dois Governos. E o fez literalmente. Naquele tempo, entretanto, havia alguma reação e vira e mexe o povo estava na rua, cercando carros de reportagem, aos gritos de " O povo não é bobo, abaixo a Rede Globo". Quem tem mais idade lembra bem disso.

Seria infinitamente mais justo que a Rede Globo fundasse seu próprio partido e disputasse o poder. Até porque assim poderiamos saber se há realmente em seus representantes alguma capacidade e/ou interesse real em resolver os problemas da população. Apesar de seus indicados para o poder, como os muitos e muitos Ministros das telecomunicações nas últimas décadas terem contrubuído em muito para o atraso do País nesta área, creio que os eleitores até lhe dariam chances eventuais de provar suas teses.

Infelizmente, no entanto, a rede Globo insiste em permanecer apenas como manipuladora oficial de processos políticos, os mesmos que ja nos brindaram com figuras como Fernando Collor de Melo, pra citar apenas um. E o Rio de janeiro perde muito com isso.

Ainda existe, no entanto, alguma esperança no ar, pois a medida que sangra e apequena nossa cidade, seus veículos de comunicação também se tornam provincianos e desqualificados profissionalmente aos olhos do Brasil. Seus leitores vão rareando cada vez mais entre aqueles que dispoe de uma capacidade pessoal de formulação e acabarão ficando restritos aqueles que se sujeitam a ser vaca de presépio.

Na prática o Rio de Janeiro sobrevicerá a todas estas picuinhas, mas o Jornal O Globo e seus congêneres, espero, não terão o mesmo destino.

De qualquer forma é bom reagir desde já, antes que a Rede Globo nos imponha novamente algum de seus lacaios no poder. O Rio de Janeiro, tanto a cidade quanto o Estado, assim como o próprio Brasil, não merece ser refém dos interesses dessa gente pequena e obtusa.

5.1.08

O poema de Maria

A água secou na fonte
O peixe sumiu no rio
O pote ficou vazio
O tempo perdeu as contas

Maria sumiu na bruma
Foi-se embora a última escuna
Que tinha destino certo
Não se ficaram nem restos
Das coisas todas do mundo

Nenhuma moça risonha
Nenhum começo de tarde
Nem mesmo uma lua ao longe
De nada disso se sabe

Nem mesmo um chão havia
A noite era igual ao dia
E a pedra era igual a flor
Pois nada disso existia

E nem sequer a lembrança
De um mero sorriso humano
Isso também se evadira

O tempo, um redemoinho
Estranho e em desequilíbrio
Fundia as coisas futuras
As coisas todas de ontem
De tal forma que as guerras
Medievais de algum dia
Misturavam-se a poesia
Que não se tinha ainda escrito

- Meu Deus, que mundo esquisito...

Gritava inconseqüente
A moça bela e demente
Que nem sequer tinha nascido

Maria pariu um filho
Que ser algum concebeu
E a criança morreu
De sede, de raiva E frio

Mas Maria não havia
Tampouco concepção
Portanto inexistia
O parto, a moça e o varão
Pois Maria de antemão
Era estéril e o sabia
Assim como suspeitava
Que toda palavra dita
Morre logo ao dar entrada
Ao ouvido que acredita

Á noite
No céu escuro
Onde nada se repara
O infinito prepara
As cordas de uma armadilha.

21.12.07

A mágica revelada...

Recebi este vídeo de uma amiga, por email. Pode ser até meio cruel para com a arte da mágica, mas não deixa de ser interessante a revelação de como é feito o truque. Tudo muito simples e talvez exatamente por isso, mágico.

15.12.07

Nunca mais

O sol despenca
Com um ar calamitoso
No horizonte arbitrário
Da minha caverna escura

A noite chega
e sinto falta de mim

Lembro de Cecília
Pois eu também não tinha este sorriso feio

As cicatrizes se espalham pelo meu rosto
Mas nem lembro mais dos cortes
das feridas
do sangue, das tantas dores
Nem mesmo dos arredores
de onde perdi a vida

Já não me lembro mais dos parques
Nem jardins da Prefeitura
Nem mesmo, sequer, me ocorre
Em que vaga criatura
Abandonei os temores
Que me mantinham pregados
Ás coisas todas do mundo

Já não sei mais em que corpos maliciosos
extravasei meus amores,
E já nem sei se eram mesmo amores
Ou vícios da humanidade

Lembro vagamente dos meus sorrisos
espalhados pela cidade
Em cada porta havia
ao menos um sorriso meu

Amava em estardalhaço, eu sei
Berrando gozos fantásticos
Mas isso tudo se perdeu

A noite que chega agora
não me traz melancolia
E nem mesmo os fantasmas dos amores mais antigos

Tudo desaba
Mas é como
se nem tivesse existido
Um tempo qualquer
Anterior a esta noite
Em que o corvo boquirroto
Grita em meus ouvidos
A velha e triste sentença:

Ele me diz “Nunca mais”

Será mera coincidência
Ou o corvo da consciência
- Demônio ou ave preta –
Grita a todos os poetas
Este verso: nunca mais?

Volto ao vinho
para encarar
as tramas da noite eterna
que desce pelo horizonte
escuro da minha caverna

Fecho todas as janelas
Ignorando os umbrais

Conhecendo minhas mazelas
não preciso mais de um corvo
pra me dizer:
Nunca mais.


Vicente Portella

Motivo

Eu canto porque o instante existe
e a minha vida está completa.
Não sou alegre nem sou triste:
sou poeta.
Irmão das coisas fugidias,
não sinto gozo nem tormento.
Atravesso noites e dias
no vento.
Se desmorono ou se edifico,
se permaneço ou me desfaço,
- não sei, não sei.
Não sei se fico
ou passo.
Sei que canto.
E a canção é tudo.
Tem sangue eterno a asa ritmada.
E um dia sei que estarei mudo:
- mais nada.

Cecilia Meireles

A noite dissolve os homens - Drummond

A noite desceu. Que noite!
Já não enxergo meus irmãos.
E nem tampouco os rumores
Que outrora me perturbavam
A noite desceu. Nas casas,
Nas ruas onde se combate,
Nos campos desfalecidos,
A noite espalhou o medo
E a total incompreensão.

A noite caiu. Tremenda,
Sem esperança… Os suspiros
Acusam a presença negra
Que paralisa os guerreiros.
E o amor não abre caminho
Na noite.

A noite é mortal,
Completa, sem reticências,
A noite dissolve os homens,
Diz que é inútil sofrer,
A noite dissolve as pátrias,
Apagou os almirantes
Cintilantes nas ruas fardas.
A noite anoiteceu tudo…
O mundo não tem remédio…
Os suicidas tinham razão.

Carlos Drummond de Andrade

Cocktail Party

Não tenho vergonha de dizer que estou triste,
Não dessa tristeza ignominiosa dos que, em vez de se matarem, fazem poemas:
Estou triste por que vocês são burros e feios
E não morrem nunca…
Minha alma assenta-se no cordão da calçada
E chora,
Olhando as poças barrentas que a chuva deixou.
Eu sigo adiante. Misturo-me a vocês. Acho vocês uns amores.
Na minha cara há um vasto sorriso pintado a vermelhão.
E trocamos brindes,
Acreditamos em tudo o que vem nos jornais.
Somos democratas e escravocratas.
Nossas almas? Sei lá!
Mas como são belos os filmes coloridos!
(Ainda mais os de assuntos bíblicos…)
Desce o crepúsculo
E, quando a primeira estrelinha ia refletir-se em todas as poças d’água,
Acenderam-se de súbito os postes de iluminação!

Mário Quintana

14.12.07

Elomar no Rio, neste final de semana

Elomar Figueira Mello estará no Rio nos próximos 3 dias. Quem conhece, sabe a rara oportunidade que isso representa. Pra quem não conhece o Bode Véi... Na minha singela opinião, Elomar daqui a uns 30 anos será reconhecido como um dos maiores gênios da música mundial. Sua obra tem algo de mágico, atávico, árido e lírico, sei lá... Fora que o sujeito é um figura; não se deixa filmar, tem uma produção altamente rebuscada, toca pracarái, mora numa fazendo do interior da Bahia criando bodes (o bode Orelana, famoso personagem do Henfil é baseado em um bode dele). Ficou muito conhecido pela série de apresentações que percorreu o país e resultou em dois discos espetaculares, Cantoria 1 e 2, junto com Xangai, Vital Farias e Geraldo Azevedo. Ano passado conseguiram convencê-lo de que ele devia transforma sua fazenda numa fundação para, entre outras coisas, manter sua obra e editar as partituras de sua produção mais operística-erudita. Com isso, ele voltou a se deixar filmar e fotografar, coisa que a mais de 20 anos ele não deixava fazer... Rústico, com a cara curtida pelo sol da caatinga, contestador da cultura de massa, o sujeito é radical naquele sentido que o Marx dizia. Em épocas de banalização de tudo como a nossa, é um cara necessário, se não como um contraponto, pelo menos como uma bandeira lembrando a gente que existem muitos mundos possíveis. Uma história pra ter uma idéia de como o cabra é peculiar: recentemente teve uma pendenga com um vizinho. Saiu a cavalo e ficou uns dez dias sumido. Isso meu amigo Ricardo Harduim tentando contato com ele pra ver assuntos de agenda e coisa e tal. Quando finalmente conseguiram encontrá-lo, ele explicou o caso; disse que saiu para planejar uma defesa jurídica para o caso com o vizinho. Indagado porque não contratava um advogado, a resposta veio rápida: "como? esses advogados NEM FALAM LATIM!" Lá embaixo tem uns links do youtube pra dar uma olhada. Também tem o site, que aliás, fica hospedado comigo. Tem texto pra caramba, mas vale a pena pelo menos dar uma visita nas imagens do dia-a-dia do sujeito. E também a homenagem que a TV Cultura fará pra ele na próxima sexta.

http://www.elomar.com.br/

RIO DE JANEIRO - Projeto Pixinguinha sábado e domingo, dias 15, 16 e 17 de dezembro de 2007às 18h30min5 reais inteira (isso mesmo!) e 2,50 a meia.
Funarte - Sala Sidney MullerRua da Imprensa, 16Rio de Janeiro, RJTel.: 2215-1668 / 2240-5151
Homenagem na TV Culturasexta-feira, 21 dez, 2007, 21hEm 21 de dezembro próximo, às 21h, a TV Cultura apresentará no programa Mosaicos um especial em homenagem ao grande mestre Elomar, contando com a participação da grande intérprete paulista Monica Albuquerque, juntamente com Xangai, Vital Farias e Geraldo Azevedo.

Texto de Heraldo, HB

30.11.07

Arcos da Lapa - 1

ARCOS DA CARIOCA - Atualmente Arcos da Lapa

1- SÉCULO XVIII
O que conhecemos hoje como Lapa estava fora dos muros da cidade em meados do século XVIII. A cidade propriamente dita estava cercada por morros e alagadiços e sofria de um crônico problema de abastecimento de água potável.
Do alto da serra que circundava a cidade, nascia um rio de nome Carioca, onde os escravos iam buscar a escassa água de boa qualidade, mediante uma marcha de muitas horas. Nessas nascentes, em meados do século XVII, havia sido iniciada a canalização das águas em direção à cidade.
As obras se arrastaram por décadas e foram objeto de muita controvérsia acerca da melhor solução e do melhor trajeto. Em 1721, a canalização chegou até o morro do Desterro, onde viria a ser construído o Convento de Santa Teresa. Entre o morro e a cidade, entretanto, estendiam-se 300 metros de brejos e lagoas, a serem vencidos com a milenar técnica romana de construção de arcos, uma ponte para as águas.
Os Arcos da Carioca foram construídos por braço escravo, utilizando pedra, tijolos, areia, cal e óleo de baleia. O primeiro chafariz, inaugurado no Largo da Carioca em 1723, fez a alegria da população e abriu caminho para a expansão da cidade.
Para sair da cidade passava-se pelo Caminho de Matacavalos e por uma estrada que margeava a lagoa da Sentinela, indo pelo arraial de Mataporcos (hoje Estácio), pelo Engenho Velho dos padres jesuítas e seguindo para os sertões, em direção à Capitania de Minas Gerais. Por este caminho, seguiam viajantes, mascates e soldados, guiando tropas de burros, levando açúcar, carvão e todo tipo de mercadorias. Por ele também vieram as duas expedições francesas que invadiram a Rio no século XVIII.
Ao final do século, o Rio de Janeiro era uma cidade obscura. A cultura portuguesa apresentava ainda fortes traços herdados de dez séculos de dominação árabe. A mulher de então ocupava posição subalterna e desconhecia as cenas da cidade, a não ser aquelas que se passavam à frente de seu balcão. Faziam parte do cenário, os homens que iam pelas ruas, donos da cidade e da política, e uma multidão de escravos, pedreiros, barbeiros ou sem profissão definida, e as negras de ganho ou de casa, também com hábitos muçulmanos adquiridos, roupas coloridas, panos de cabeça e costa, balangandãs.

Arcos da Lapa - 2

2 – SÉCULO XIX

Em meados do século XIX, o Rio de Janeiro, capital do Império do Brasil, era um cidade majoritariamente negra: dos 130 mil habitantes estimados em 1838, pelo menos dois terços eram escravos. Mantinha também muitos de seus aspectos de atrasada cidade colonial: a limpeza pública era escassa, a iluminação se fazia por raras lâmpadas de azeite de peixe, os esgotos corriam por calhas no meio das ruas e os meios de locomoção limitavam-se a poucos carros, muitos cavalos e os primeiros ônibus de tração animal, as chamadas gôndolas.
Os arrabaldes da cidade iam sendo progressivamente ocupados, especialmente após o desembarque da Família Real portuguesa em 1808, fugindo da guerra na Europa e trazendo consigo inúmeros cortesãos e extensa burocracia governamental.
Nas antigas chácaras e quintas da Lapa, foram surgindo novos e aristocráticos sobrados. O caminho do sul que levava do Largo da Lapa até os bairros do Catete e Flamengo, disputava a preferência das elites com as ruas dos Inválidos, Lavradio e Resende, recém-abertas sobre o aterro do brejo de Pedro Dias, por trás dos Arcos.
A área, que se urbanizava rapidamente, havia triplicado no período entre 1838 e 1888 e, a esta altura, a antiga lagoa do Boqueirão, bolsão de mar que entrava pela várzea e que já permitira navegação para pequenas atracações, tinha-se transformado num pântano, razão pela qual em 1790, o então vice-rei Luis de Vasconcellos fez aterrar o que restava da lagoa, onde construiu o primeiro parque da cidade, o Passeio Público.
O largo da Lapa foi, desde que os padres carmelitas se mudaram para ali em 1810, um dos cenários principais da festa do Divino Espírito Santo, a mais importante da cidade no seu tempo. Durante cinco semanas, o povo se divertia nas barraquinhas armadas no Largo, iluminadas à noite pelo espetáculo dos fogos de artifício.

Arcos da Lapa - 3

3- NA PASSAGEM DO SÉCULO XIX PARA O SÉCULO XX

O Rio de Janeiro passou por uma radical reforma urbana no início do século XX. A administração Pereira Passos construiu avenidas e um moderno porto na antiga cidade colonial, proibiu a criação de vacas e porcos no perímetro urbano, vacinou a população e proibiu mendigos de esmolarem pelas ruas. Promoveu desapropriações e demolições, expulsando da área central inúmeros trabalhadores e despossuídos.
Nesse contexto, a Lapa teve também vários de seus casebres e cortiços demolidos em poucas semanas para a construção da avenida Mem de Sá, o que exigiu ainda o arrasamento do morro do Senado bem como o aterro do que ainda restava das antigas lagoas. Por esta avenida, circulou o mais significativo dos símbolos da modernidade – o bonde elétrico, que levava para os novos subúrbios os operários que o centro da cidade não mais abrigava.
Depois de desativado o antigo aqueduto da Carioca, em 1896, os Arcos passaram a ser utilizados como viaduto para uma linha de bondes para Santa Teresa. Durante a administração Pereira Passos, a Lapa ganhou ares afrancesados, com a arborização do Largo, a recuperação do Passeio Público e a construção do lampadário. É desses dias a última visão da praia da Lapa, engolida pelo aterro da avenida Beira-Mar que seguia por toda a orla, até Botafogo, destinada a receber os elegantes palacetes da burguesia da época.

Arcos da Lapa - 4


4- SÉCULO XX – PRIMEIRA METADE

No primeiro terço do século, a Lapa era chamada de “Montmartre carioca”, seus restaurantes e cabarés abrigavam a noite mais movimentada, as mulheres mais famosas, os malandros mais renomados. A vida noturna, ali, oferecia opções para todos os gostos, ostentando a mais absoluta diversidade. Se numa mesa de café reuniam-se políticos e empresários, ou então intelectuais como Villa-Lobos, Manuel Bandeira, Mário de Andrade ou Rubem Braga, na mesa ao lado, poderia estar uma roda de samba ou a fina flor da malandragem da época.
Antes que a decadência viesse, com a repressão aos bordéis e à malandragem promovida pelo Estado Novo e a proibição dos jogos de azar no pós-guerra, e antes da ascensão de Copacabana, a Lapa vivia noites de puro brilho. O malandro autêntico tornou-se, então, figura de folclore, e o próprio Wilson Baptista rendeu-se e cantou: “O bonde São Januário / Leva mais um operário / Sou eu que vou trabalhar”.
Por trás da aura mágica da boemia e da noite, a Lapa também era zona industrial de pequenos estabelecimentos nos ramos de móveis, confecções, alimentos e bebidas. Até os anos 70, na rua dos Arcos, funcionou o símbolo dessa indústria – a Fundição Progresso, de cofres e fogões.
Pela manhã, enquanto boêmios se dirigiam aos pontos de bonde, a Lapa já ia sendo tomada por caminhoneiros, carregadores, comerciantes que começavam a montar a feira livre na praça defronte aos Arcos. Ao meio-dia, começavam a chegar os chamados “xepeiros” e logo em seguida, a Lapa começava a se preparar para mais uma noite de glória.

Arcos da Lapa - 5

5- SÉCULO XX – O ADVENTO DA MODERNIDADE

No pós-guerra, em meio à decadência da boemia, teve início o arrasamento do morro de Santo Antônio, nos anos 50, com o objetivo de abrir espaços no centro da cidade para pessoas e veículos. A Lapa, era vizinha dos canteiros de obras dos grandes edifícios que surgiam na esplanada e por isso, entrou num processo de deterioração dos velhos centros urbanos. É neste contexto que algumas casas famosas mudaram-se para endereços próximos, como o Restaurante Capela e o Cabaré Casanova. Outras casas escaparam por pouco da extinção, como a Sala Cecília Meireles, que ainda funciona ali.
Na década de 60, surge um projeto governamental para a construção de uma grande avenida que cortasse o Centro de norte a sul, repetindo o feito de Pereira Passos e desafogando a sua antiga avenida Central. No meio do caminho estava a Lapa. O plano mais tarde foi abandonado, mas a Lapa por pouco não sumiu do mapa, pois em poucos anos quarteirões inteiros foram arrasados e inúmeros prédios foram demolidos.
Tal processo de renovação durou até os anos 70. A Fundição Progresso, que havia sido fechada em 1976, chegou a sentir o impacto das marretas antes que uma mobilização de artistas, intelectuais e moradores das vizinhanças a salvasse da demolição, transformando-a em símbolo de renascimento cultural.
Depois do cataclisma dos anos 70, a noite da lapa começou a esquentar de novo. A Sala Cecília Meireles assumiu o papel de principal casa de espetáculos da cidade para música instrumental, com acústica excepcional. O Asa Branca, com pista de dança e show ao vivo, é importante espaço de música popular, repetindo o estilo das antigas casa de espetáculos do lugar. Um circuito de bares e restaurantes de todos os cardápios indica o renascimento da vida noturna do centro da cidade.
Um dos pontos altos da noite da Lapa tem sido o Circo Voador, misto de gafieira e casa de espetáculos instalada numa praça atrás dos Arcos. Voltam a conviver sob os Arcos da Carioca as muitas faces da cidade. Nas mesmas calçadas caminham boêmios e catadores de papel, apressados comerciários lutando por um lugar nos milhares de ônibus que circulam diariamente onde, há dois séculos, pastavam vacas à beira de uma lagoa.
A Lapa foi urbana, suburbana e rural. Depois de nascer de novo sob o signo dos conventos e seminários, teve uma vida das mais atribuladas, de rainha da noite da cidade. Palco da obra mais ousada de seu tempo, os Arcos da Carioca chegam ao Século XXI, cheios de vitalidade, transformando-se novamente em coração noturno do centro da cidade.


Saiba mais
Adaptação do texto original constante da publicação “Arcos da Lapa 1755 a 1991- Um passeio no tempo” – Instituto de Planejamento Municipal – 4ª edição - 1991
Revisão e adaptação: Sônia Maria Queiroz de Oliveira e Natércia Rossi
Colaboração: Edwilson da Silva e Neide Carvalho Monteiro
A publicação "Arcos da Lapa 1755 a 1991 - Um passeio no tempo" está à venda na livraria do Instituto Pereira Passos - Rua Gago Coutinho, nº 52 - Laranjeiras - Rio de Janeiro - tel 2555-8083
e-mail: livrosipp@pcrj.rj.gov.br

29.11.07

O Meu País

Composição: Livardo Alves - Orlando Tejo - Gilvan Chaves Gravada por Zé Ramalho

Tô vendo tudo, tô vendo tudo
Mas, bico calado, faz de conta que sou mudo
Um país que crianças elimina
Que não ouve o clamor dos esquecidos
Onde nunca os humildes são ouvidos
E uma elite sem deus é quem domina
Que permite um estupro em cada esquina
E a certeza da dúvida infeliz
Onde quem tem razão baixa a cerviz
E massacra - se o negro e a mulher
Pode ser o país de quem quiser
Mas não é, com certeza, o meu país

Um país onde as leis são descartáveis
Por ausência de códigos corretos
Com quarenta milhões de analfabetos
E maior multidão de miseráveis
Um país onde os homens confiáveis
Não têm voz, não têm vez, nem diretriz
Mas corruptos têm voz e vez e bis
E o respaldo de estímulo incomum
Pode ser o país de qualquer um
Mas não é com certeza o meu país

Um país que perdeu a identidade
Sepultou o idioma português
Aprendeu a falar pornofonês
Aderindo à global vulgaridade
Um país que não tem capacidade
De saber o que pensa e o que diz
Que não pode esconder a cicatriz
De um povo de bem que vive mal
Pode ser o país do carnaval
Mas não é com certeza o meu país

Um país que seus índios discrimina
E as ciências e as artes não respeita
Um país que ainda morre de maleita
Por atraso geral da medicina
Um país onde escola não ensina
E hospital não dispõe de raio - x
Onde a gente dos morros é feliz
Se tem água de chuva e luz do sol
Pode ser o país do futebol
Mas não é com certeza o meu país

Tô vendo tudo, tô vendo tudo
Mas, bico calado, faz de conta que sou mudo

Um país que é doente e não se cura
Quer ficar sempre no terceiro mundo
Que do poço fatal chegou ao fundo
Sem saber emergir da noite escura
Um país que engoliu a compostura
Atendendo a políticos sutis
Que dividem o brasil em mil brasis
Pra melhor assaltar de ponta a ponta
Pode ser o país do faz-de-conta
Mas não é com certeza o meu país

Tô vendo tudo, tô vendo tudo
Mas, bico calado, faz de conta que sou mudo

O Brasil, o IDH da Onu e a revista MAD...

Certamente a ONU adotou critérios políticos para a inclusão do Brasil entre os 70 países do mundo com maior IDH. Nada, além disso, justifica tamanha falácia.
Nasci e me criei na Baixada, em Duque de caxias, e posso afirmar que em termos de IDH aquela região esta mais próxima da idade média que do século 21. Por incrível que pareça, no entanto, há muitas outras regiões no País com IDH muito abaixo da Baixada Fluminense

Trabalho com saneamento, e nossa estrutura, não apenas regional, mas nacional, em termos de coleta e tratamento de esgôto, elemento fundamental para o IDH, é sofrível.
No Rio de Janeiro, diga-se de passagem, ocorreram investimentos pesados nessa área no Governo passado. No resto do Brasil, não. Em São Paulo, por exemplo, preferiram estabelecer metas exclusivamente finaceiras para a SABESP, concepção atrasada do ponto de vista social que agora, infelizmente, foi adotada também no Rio de Janeiro. O que significa que o aspecto social, humano e salutar do saneamento foi abandonado.

A divulgação, e pior, qualquer comemoração pelo fato do Brasil ter sido incluido nesta lista é extremamente perigosa. Temo que os Governantes considerem que tenhamos chegado às portas do paraíso. Mas obviamente isso é uma grotesca inverdade.

Há uma canção chamada "O Meu País", gravada por Zé Ramalho, que em um de seus versos diz que o Brasil se recusa a sair do terceiro mundo. É mais ou menos isso. Quem deveria estar trabalhando para uma evolução real da qualidade de vida do povo brasileiro vai passar os próximos meses, ou quem sabe anos, comemorando esta vitória de Pirro. Algo lamentável e trágico.
Isso é coisa de maluco. Por isso vai, aí em cima, a foto do garoto com cara de retardado, Alfred E. Neuman, que era símbolo da antiga revista MAD. Dizem que la nos EUA esse garoto cresceu e acabou virando Presidente.

23.11.07

Portal do tempo

É o último dia de dezembro
Tu te perguntas se estás mesmo pronto
Pensa em quem vai
Dali
Sair correndo
Ou em quem vai
Ficar
Juntando escombros

Em como vão reagir os amigos
Os inimigos
Os desconhecidos
Pensa nos anos todos sucumbidos
E nas vitórias
Nos milhões de planos

E tu te sentas
Calmo
Na poltrona
Bebes de um gole só o desespero
Da esperança
Criada em cativeiro
Tira os suportes
Para próxima semana
Próximo mês
Talvez
Próxima era

Pra se molhar
Os dedos na quimera
E rabiscar na tela outros anos

E se uma bomba explodir
Aflita
Na tua rua ou na tua cama
Saber que a bomba
Mente
Traí
Engana
E que em momento algum ela te habita

Dentro de ti há árvores seculares
Flores diversas
Cores variadas
Texturas próprias
Fontes preparadas
Para fluir até o fim dos dias

E se a bomba parecer potente
Basta sabe-la vil
Covardemente construída
Para impedir a vida
De ampliar seus ramos
Pela nova estrada

Basta saber
Que não há de ser nada
Que os dias vem e vão
Indiferentes

Bombas e balas
Não são suficientes
Para impedir teu sonho em movimento

Abra o champanhe
Comemore a glória
De ver a vida abraçada à história
Atravessando o portal do tempo

Vicente Portella

19.11.07

Amores

Não quero mais te falar de amores
As dores e as cores das flores
Se adentram
Se fundem
Se encontram em um mesmo tom
Leia, amor, os príncipes
De Maquiavel e Exupéry
Um anjo é mau o outro é bom
Dê seus ouvidos aos loucos
Todas as flores do mundo são poetas mortos
Poetas são meros amontoados de amores vãos
Leia, amor, os cânticos
As odes
E os nobres poemas de um autor qualquer
Leia, amor, os Clássicos
Mas não vá se perder, por favor, na paixão dos românticos
Meu mal (eu não sei) me parece de amor
Pode ser vaidade
E vai a idade chegando e a coisa se agrava
(Perdão, eu roubei para mim este verso do Afonso)
- Um poema escrito pra ti com um verso roubado -
Eu sou mesmo um sonso
Mas você
Não será nunca a moça
Que está no portão
Assim como eu não serei
Jamais um menestrel
Nem Milton
Eu sou um qualquer indivíduo da plebe
Que ama, que chora, faz sexo, tem febre
E paga aluguel
Perdoe amor, sou fraco
Em geografia da fome Josué de Castro
Expõe menos dores que aquelas que trago no meu coração
Eu nunca mais te componho em poema ou canção
Não faço
Mais nenhum verso pra ti
Quando os amores acabam
Desabam
E não deixam rastros
Os padres (eu acho)
E os bispos de um modo geral
Não padecem de forma alguma deste estranho mal
Perdoe, amor sou prático
Meu lado lunático não mais me permite compor poesias pra ti
Adeus, amor, um abraço
Agora eu já disse à você quase tudo
Não tudo, mas quase
Meus versos me aprazem
Já posso partir



Vicente Portella

Teus

Dedos meus
De mãos, de pés
Que ao invés de serem de outros eus
São meus e andam de viés

Pelos meus
Cabelos
Que são teus por tantas vezes
Tanto quanto as veias
Falsas veias dos meus pés
Meio minhas
Montes
Tantas vezes tão sozinhas
Me parecem na verdade
Naufragando os olhos teus

Corpo meu
Tão meu, tão torto
Me parece mais
Teu corpo
Entre o porto e o mar que é teu

Marca, é teu
Os dedos, mãos e pés
Cabelos, pelos
Todos
Boca, corpo
Tudo
Mesmo o mar
A marca
O monte
A meia
A veia
E a lágrima do mar
E o ar
E os olhos meus

Marca, é teu
Pode levar



Vicente Portella

8.11.07

Covardia e insanidade

A insanidade e a covardia se apossaram mais uma vez do Rio de Janeiro. Ao contrário de outras vezes, no entanto, experimentei ambas hoje bem de perto. A vida de um amigo meu, Léo, foi roubada, tomada pela ignorância humana atualmente à serviço do caos.
O jovem cabo Leonardo Peterson de Freitas, além de amigo pessoal, era um policial sério, honrado e extremamente querido e respeitado por amigos e vizinhos do Bairro Olavo Bilac, em Duque de Caxias, onde nasci e fui criado. Conheci-o, inclusive, exercendo a nobre tarefa de auxiliar amigos em dificuldades, coisa rara no mundo em que vivemos hoje.

A história de seu assassinato pode ser lida nos jornais de hoje. Ou nos de ontem e, infelizmente, nos jornais também de amanhã: Um policial absurdamente morto por traficantes em uma favela do Rio. Desta vez, foi no Andaraí. E claro, agravou soberbamente a minha indignação por tratar-se de um amigo. Mas fico pensando quantos outros amigos ja choraram tantas outras mortes igualmente absurdas e insanas inspiradas na covardia? É inumano imaginar que um Estado ou um Páis, que um povo inteiro, possa viver assim. Refén da morte, do crime e principalmente do ente público que lhe cobra impostos em nome da organização social.

Amanhã certamente não haverá uma cruz nas areias de Copacabana para homenagear a memória do meu amigo, pois o movimento "Viva Rico" tem limitações tanto geográficas quanto sociais.

Mas tanto nós do Olavo Bilac, quanto seus companheiros de farda - que subiram o morro chorando para capturar seus assassinos - e até mesmo, certamente, as pessoas de bem moradoras daquela comunidade pobre que conheciam e conviviam com Léo, saberemos honrar sua memória.

Confirmado: na Suiça também tem ladrão

Deu no Blog do Garotinho...

PF revela interesse de bancos
suíços nas fortunas do Brasil

Não, a foto acima não é de um traficante perigoso capturado pela polícia e retratada nas páginas policiais dos jornais. Trata-se de Luc Depensaz, funcionário do banco Suíço UBS, acusado pela Polícia federal de colaborar com sonegadores brasileiros abrigando fortunas em seu país.

A Polícia Federal desencadeou ontem (07/11) a Operação Kaspar II na qual foram presas 20 pessoas, entre empresários brasileiros, doleiros e funcionários suíços das instituições bancárias daquele país suspeitas de envolvimento com a quadrilha.

O UBS nada mais é do que o líder mundial na gestão de fortunas. O banco informou num comunicado oficial que seu funcionário *Luc Depensaz) preso pela Polícia Federal é baseado na Suíça. Entretanto, o banco não soube explicar o que ele fazia no Brasil. O UBS é acusado, juntamente com o Clariden Leu, também de bandeira suíça, de envolvimento num esquema milionário, responsável por profundas perdas causadas ao Fisco brasileiro. Estima-se que o grupo sonegou algo em torno de R$ 1 bilhão em impostos.

Nos últimos tempos, os bancos suíços vêm montando grandes estruturas em seus escritórios em Genebra e Zurique para atender a clientes brasileiros. O UBS e o Credit Suisse contrataram funcionários brasileiros e outras instituições têm oferecido até aulas de português a seus executivos.

Nem parece que vivemos num país onde a miséria e a fome ainda insistem em povoar nossa realidade, contrastando com o alto padrão de vida ostentado por uma parcela irrisória da população.

( Reproduzido do blog do ex-governador Garotinho )

2.11.07

Autofágico

Preciso arrumar as coisas
A poeira, os CDs, as contas espalhadas
As Pagas e as não pagas
Coisas mortas e coisas avivadas
periodicamente
Na minúcia de cada gesto inútil

Preciso arranjar alguém para bater o tapete
Para abrir vez em quando a janela
E deixar entrar algum ar pela casa
Nem que seja só para reforçar a impressão
De que a mesma dispõe de habitantes vivos

Preciso trocar de lugar os livros
Tirar o pó da estante
Ligar a televisão
Fazer algum barulho
Por mais ínfimo que seja
Para que os vizinhos não percebam
O silencio da solidão

Preciso gritar
Chorar talvez
Ou dar gargalhadas
Para tentar passar a idéia
De que há gente zanzando
Bebendo e se divertindo
No apartamento vazio

Quiçá até seja prudente
Berrar pela janela aberta
Pro povo que anda na rua
- Traga pra cá mais cerveja
Mais coca, vodca e vinho
Vamos brindar a incerteza

Preciso limpar a casa
Tirar, lavar as cortinas
Degelar a geladeira
Jogar muita coisa fora

Por uns quadros na parede
E fugir do apavoramento
Que causa o espaço morto

Preciso enganar o vento
Abrir a porta e faze-lo
Passar por dentro da sala
Soprar sobre as coisas todas
E sentir-se aconchegado

Preciso ir ao mercado
Preparar comes e bebes
Montar uma mesa farta
Fingir extrema alegria
E esperar os convidados
Ouvindo antigas canções

E então sentar no sofá
Beber minha própria bebida
Olhando os prédios lá fora

A certeza mais amiga
No inverno esta no conhaque
E no verão na cerveja

É fato, se ninguém chega
Ninguém também vai embora.



Vicente Portella

28.10.07

Carlitos na Lapa

Fugindo da lembrança de nossos toscos governantes fui tomar um chope no Carlitos, na Lapa, um bar que fica exatamente no entroncamento entre a Rua do Riachuelo e a Mém de Sá. A frente do bar é escancarada para os Arcos da Lapa e o mesmo tem como vizinho o circo voador, que fica bem ao lado. O chope é bom e a comida é simples e muito boa. Mas acima de tudo a localização estratégica do bar agrada bastante.
De um lado, esquerdo ou direito, conforme a posição que se ocupa à mesa, tem-se a visão da Catedral metropolitana do Rio de janeiro, o que por si só é uma bela visão, além da Fundição progresso, inspirando naturalmente concepções artísticas e culturais. Bem à frente, como já disse, estão os arcos da Lapa, naturalmente monumentais, e um pouco mais adiante, fácil de perceber, está o belíssimo painel que ornamenta o paredão da escola de música da UFRJ. Um turista ficaria extasiado, mas o carioca se sente em casa.
O garçom, seu Abreu, é gente boníssima e nos informa que o bar funciona 24 horas aos fins de semana. Os boêmios agradecem, é claro. A Lapa respira cultura, e como boêmia e cultura caminham lado á lado, o Carlitos funciona como um de seus vários pulmões.
Quem conhece já sabe, mas pra quem não conhece posso afirmar: vale a pena tomar um chope no Carlitos. Vai lá que certamente você vai gostar.

Retrato brasileiro

Senti-me bastante angustiado com a postura nazi-fascista do Governador Sérgio Cabral Filho. Essa coisa de defender a esterilização em massa de mulheres pobres é muito cruel para a minha geração. A tentativa de entender tamanha boçalidade me levou a reflexões várias.
Vivemos hoje em um País completamente idiotificado tanto do ponto de vista cultural quanto do humano. Em um universo de 180/190 milhões de brasileiros, apenas cerca de 100 mil têm o hábito da leitura. Destes, a grande maioria lê e absorve cultura, de um modo geral, completamente alheia a sua própria identidade. Não temos de fato estruturas culturais. Nem de literatura, nem de cinema, nem de música... Não temos nada. Isso se da, por sua vez, por conta da inexistência de um projeto educacional que permita à nossas crianças aprender a ler e compreender um mínimo que seja de sua própria história enquanto ser humano e enquanto povo. Ou seja, nosso processo autofágico se arrasta há décadas e todos nós temos assistido a isso passivamente.
Se por um lado, entre as camadas pobres, essa inexistência de organização social satisfatória gera a miserabilidade, a desesperança e o crime, por outro, entre os ricos, o resultado que temos é uma casta de dirigentes políticos completamente despreparada para exercer qualquer cargo público. Mas o exercem por que a parcela maior da população, bestializada e sem referências, elege esta minoria igualmente desqualificada para o que se propõe.
Se fizermos uma análise superficial das nossas casas legislativas, desde as Câmaras municipais até o congresso nacional, passando pelas Assembléias Legislativas estaduais, poderemos perceber com facilidade que, pelo menos 70% de seus parlamentares, não tem a menor idéia do que signifique seu mandato. Um mandato eletivo, no Brasil de hoje, não representa nada além de uma possibilidade de bons negócios.
No poder executivo a coisa se repete. Municípios, Estados e Federação, salvo raríssimas exceções que apenas confirmam a regra, são dirigidos ou por déspotas nada esclarecidos, ancorados na falta de conhecimento geral da população no que diz respeito ao poder público, ou por espertos negocistas, ambos compromissados apenas com seus interesses pessoais, geralmente financeiros.
Como se não bastasse há ainda as grandes corporações industriais – principalmente na área de comunicação, mas não apenas nesta, sempre dispostas a intervir, seja financiando campanhas ou manipulando a opinião pública, para garantir a vitória de seus parceiros eventuais.
Esta é, por assim dizer, a receita do caos. É assim que nascem, ou como prefere o Governador, são fabricados, governantes tão nocivos à sociedade quanto qualquer traficante de favela. Gente que teu seu êxito sustentado pela desgraça absoluta da maioria das pessoas. Gente que não vale o ar que respira.
Estamos, enfim, atravessando um processo social complexo, mas vamos superá-lo. Certamente teremos a capacidade, em um futuro que espero bem próximo, de banir esta atual casta dirigente da história de nosso País, desde os Municípios até a Federação. Aí sim, vamos construir a organização social que nos é necessária.

25.10.07

Sérgio Cabral, o Herodes pós moderno

Creio que Sérgio Cabral esteja com algum problema grave. Deve ter batido com a cabeça em alguma pedra em uma das várias viagens que fez desde a posse. Só isso explicaria seu comportamento. Ou então foi o tal vírus que, dizem as más línguas, atacou seu cérebro há alguns anos, quando ainda era Deputado Estadual, graças à ingestão de carne de porco com procedência duvidosa.
Sinceramente, eu achei que, depois das declarações elitistas de "Biltrame", o governador fosse desautorizar seu Secretário publicamente e berrar, em alto e bom som, que todos os cidadãos são iguais perante a lei. O que, aliás, determina nossa constituição.
Ao invés disso, no entanto, Cabralzinho foi pra mídia, no melhor estilo Herodes, defender o extermínio de fetos gerados em úteros pobres em nome de um pseudo combate à violência. Trata-se de algo além do abominável.
Não há registro na história da humanidade de um governante qualquer que defendesse tamanha insanidade. O próprio Herodes, quando promoveu o extermínio de bebês o fez em nome do poder e não em nome da ordem social. Nem Hitler teve coragem suficiente para proferir um discurso nesse sentido, o que deixa Cabral a direita dos mais reacionários líderes que se tem notícia.
Não satisfeito em professar o extermínio de fetos, Cabral ainda se deu ao luxo de afirmar que os úteros das mulheres pobres são uma “Fábrica de produzir marginais”. Até Hitler e Mussolini, caso estivessem vivos, se chocariam com uma declaração destas.
No auge de sua aguda crise, uma verdadeira overdose fascista, o Governador chegou a comparar a taxa de nascimento da Lagoa Rodrigo de Freitas com a da Rocinha como justificativa básica para a esterilização em massa dos favelados. Qualquer teórico fascista se sentiria humilhado diante do discurso do chefe do executivo Fluminense.
Em nenhum momento ocorre a Cabral a necessidade de adoção de políticas públicas para resolver os problemas sociais, isso seria pedir muito. Promover educação, cultura, saúde, habitação, saneamento e um mínimo de dignidade aos cidadãos é tarefa difícil e, claro, onerosa. Mas os impostos que pagamos servem exatamente para isso.
Sérgio Cabral caminha à passos largos para se tornar o pior Governante da história brasileira e, infelizmente, meu voto no segundo turno me torna um pouco responsável por esta lástima.
Vou procurar algum amigo advogado e estudar a possibilidade de uma ação, nem que seja no Procon, exigindo meu voto de volta. Não quero ser conivente com a criação de um novo Estado nazista.

24.10.07

Chove chuva...chove sem parar

Tá chovendo muito por aqui, mas isso todo mundo sabe. O que ninguém sabe é do meu receio de que a Lapa se transforme naquela cidade submersa da música do Chico, Futuros amantes. Fiquei tão impactado com a chuva que, preso dentro de casa, tive a impressão de ter visto o Bar Brasil passar boiando pela minha janela.

Mas na verdade essa chuva é boa, muito boa. O sistema de abastecimento de água já estava quase comprometido por conta da estiagem. No interior já tinha rio sequinho. Só fico me perguntando se precisava cair toda a água disponível no planeta num dia só. Mas enfim, esse não é meu departamento e o nosso amigo lá em cima deve saber o que faz.

Há também outros pontos positivos nessa chuvarada. Pela primeira vez em muito tempo os jornais de TV não abrem e fecham suas matérias falando mal do Rio de janeiro, o que já é um avanço. No máximo estão dizendo que o Rio virou um rio, e isso, justiça seja feita, é verdade. O túnel Rebouças que o diga. Se caísse um pouquinho mais de terra no desabamento o túnel se tornaria obsoleto, pois a passagem entre zona norte e zona sul estaria finalmente desimpedida.

Achei engraçado o Prefeito maluquinho botar a culpa na Cedae. Chove de matar sapo afogado e o cara diz que a culpa é justamente da Cia. de águas. Se ele estivesse dando entrevista da Califórnia, diante dos incêndios que rolam por lá, culparia os bombeiros. Ou então o Arnold Shuarzeneger, por interpretar mal a situação. E ainda dizem por aí que o Marketing político é coisa de gente inteligente. Ledo engano. Política é cada vez mais a arte de por a culpa em alguém, e nisso César Maia é mestre.

Enfim, é isso. Amanhã o dia deve ser de sol e espero que o brilho se espalhe por todo o Rio de janeiro. E se o sol não vier amanhã vem depois e tudo certo. O Rio é solo sagrado. E se consegue sobreviver aos seus governantes não é a chuva que vai vencê-lo.

23.10.07

O extreminador de favelados

Como diria o Capitão Nascimento, esse tal de Beltrame, Secretário de segurança do Rio, é um fanfarrão. “Biltrame” provou que é mesmo um biltre, e faz jus ao nome, no seminário sobre segurança publica que rolou na FGV nessa terça, dia 23. A mula gaúcha disse com todas as letras: “Um tiro em Copacabana é uma coisa. Um tiro na Coréia (Zona Oeste) é outra.”
Trata-se, portanto, não apenas de um idiota, mas acima de tudo, de um elitista, moralmente incapacitado para o exercício de função pública em plena democracia.
Desde que esse Biltre assumiu a segurança mata-se adoidado no Rio, mas só em áreas carentes. É como se alguém tivesse determinado que pobre “tem mais é que morrer mesmo”, no melhor estilo fascista de Adolf Hitler. Parece que estamos em pleno 3° reich.
Na verdade Sérgio Cabral, seu chefe, vem cumprindo um papel dúbio e estranho. Pra zona sul é intelectual, sensível e progressista. Mas nas áreas pobres, permite uma política de segurança que o transforma em um carrasco das favelas. Até cassada humana Serginho já andou promovendo nestas regiões através de seu secretário “Biltrame”.
Sinto-me a vontade para dizer isso, pois votei em Cabral. Jamais imaginei, no entanto, que ele fizesse nossa polícia voltar aos tempos de Chagas Freitas, ou, pior ainda, aos tempos de Marcelo Alencar, que instituiu a gratificação faroeste para os policiais que mais matassem pobres em operações.
O Rio de janeiro não merece isso. Essa visão míope de segurança pública é incompatível com os espíritos Carioca e Fluminense.
Sérgio Cabral precisa entender que não pode ser levado pela Mídia, defensora destas ações. A Mídia não governa e nem tem responsabilidades, pois não é legitimada pelo voto. E no final das contas, aliás, a culpa vai ser só de Sérgio Cabral mesmo, pois além da mídia não ter legitimidade para governar, Biltrame não tem mandato e, teoricamente, apenas cumpre ordens.
O velho Sérgio Cabral, o pai, fez muito pelo Rio, principalmente na área da cultura, trazendo o samba das favelas para o asfalto. Seria lamentável que seu filho passasse para a história como um mero exterminador de favelados.

17.10.07

Bar novo na Lapa: o Bar das quengas

Abriu um bar novo na Lapa, o “Bar das Quengas”. Na verdade não é novo, mas quando mudei pra cá estava fechado, em reforma.
Então
pra mim é novo.

O ambiente é legal, tudo muito bem transado. Garçons, ao estilo Rio antigo, vestidos de malandro típico com chapéu e tudo. Chapéu panamá, se não me engano, e usando camisa listrada, como no samba genial de Assis Valente. Isso sem falar nas garçonetes, belíssimas, cujas roupas estilísticas não me ocorrem, pois o fato de estarem vestidas soou-me como uma terrível maldade. Fiz questão de apagá-las ( as roupas, não as meninas) da memória.

Passei lá dia desses, mas como já estava vindo de outras plagas a capacidade de observação já estava consideravelmente reduzida. Era uma terça-feira, e mesmo assim estava lotado. Bebi em pé umas duas ou três cervejas em um cantinho do bar que me pareceu cuidadosamente projetado para isso: beber em pé e sentir-se bem.

Do meu ponto de visão ( não necessariamente de equilíbrio aquela altura do campeonato) pude reparar a presença de muitas mulheres bonitas, o que faz com que qualquer bar se torne ainda mais simpático e atraente, principalmente atraente.

Vou voltar lá uma hora dessas... Cerveja gelada e mulheres bonitas são sempre um lenitivo no fim dos dias estranhos, chatos, individualistas e insensíveis atravessados por todos nós atualmente.

Pra quem quiser um oásis fugidio neste nosso imenso deserto existencial, o Bar das quengas fica entre a Men de Sá, a Washington Luiz e a Ubaldino do Amaral. Praticamente em frente ao Restaurante Nova República. Vale a pena.

15.10.07

Chegou a "Tropa de elite"

Como os amigos devem ter percebido, não ando com muita vontade de escrever. Por isso tenho postado textos alheios como forma de homenagear outros autores e ocultar minha preguiça intelectual. Confesso à vocês no entanto que minha preguiça advém do fato de as coisas estarem muito ruins no Brasil.
Mas enfim, como assisti hoje, no cinema, ao filme “Tropa de Elite”, resolvi fazer uma reflexãozinha.
Já tinha assistido à famosa cópia pirata do filme e as diferenças entre esta e a oficial são poucas. Fiquei intrigado, no entanto, com o vendaval de cacetadas que alguns "especialistas" reservaram para o filme nos veículos de comunicação. Teve até um blogueiro do "Globo", cujo nome não chega a me ocorrer nem de longe, que acusou o filme de ser reacionário. Curioso, muito curioso...
Na verdade trata-se de um filme de ação, tecnicamente bem feito, que aborda o tema social de uma maneira diferente daquela convencionalmente usada na arte brasileira.
O filme não é genial, mas impactante. Não é verdade que se trate de uma abordagem do ponto de vista de um policial, como defendem alguns de seus criadores, pois não creio, sinceramente, que a maioria dos policias do Rio de janeiro viva o conflito existencial experimentado pelo personagem principal, Capitão Nascimento. A mim me pareceu mais uma abordagem política e sociológica, bem ao estilo de Luiz Eduardo Soares, co autor do livro “Elite da tropa”. E com uma visão correta em vários aspectos, diga-se de passagem.
Outra coisa a me chamar a atenção foi a estratégia usada para a divulgação do longa de José Padilha, esta sim, genial. Espalhar cópias piratas "sem querer" entre os camelos da cidade certamente foi uma coisa fundamental até para garantir a chegada do filme às telas de maneira satisfatória. Seus criadores, é claro, já tinham plena consciência da capacidade polêmica do filme e agravaram isso.
Quanto às criticas publicadas contra o filme, uma coisa me intrigado: todos os anos assistimos a uma infinidade de filmes americanos apoiados em personagens bem próximos ao Capitão Nascimento. Charles Bronsom, Chuck Norris, Vam Dame, Steve Segal e tantos outros entulham nossas telas desde os anos 60/70 com personagens cujo perfil é moldado na referencia pessoal de mundo e na capacidade de infringir a lei em nome da própria justiça. Nunca vi, no entanto, alguém acusa-los de reacionários com tanta veemência. Será que a revolta é só porque o Capitão do Bope não é dublado?
Aliás, quanto ao Bope, o filme é completamente favorável à este. Chegando até mesmo à imputar ao batalhão uma referencia anti-corruptiva em meio ao caos absoluto. E à isso, realmente, não estamos muito acostumados.
Como se sabe, vivemos no País do caos e a cada trimestre precisamos de alguém transformado em Judas ou inimigo público número 1 para purgar nossas iras.
A bola da vez é o Senador Renan Calheiros, e devemos agradecer a nossa querida imprensa por esta terapia psicanalítica coletiva.
De resto é tocar a vida entre congressistas toscos, desgovernadores e desgovernantes, sempre tendo como referência o mais absoluto caos, característica maior do Brasil. Este sim, tão reacionário quanto qualquer País terceiro mundista.
Se der certo, poderemos eleger alguém decente um dia... Quem sabe?
Se der errado, a gente convoca o Capitão Nascimento pra resolver a questão.

17.9.07

FATO CONSUMADO: Djavan despetala a flor-de-lis e toca fogo no capim do Cerrado

Na segunda metade da década de 1970, com as gravações de Fato Consumado (75), Flor-de-Lis (76) e Cerrado (78), Djavan, um jovem negro da periferia de Maceió, AL, balançava as estruturas da música popular brasileira, trazendo para o seio da “flor amorosa” mais uma das muitas possibilidades do samba.

Era a sincopação dos anos 40 levada a extremos que nem a bossa-nova ousara. Era o samba entortado e ainda mais balançado que o do “balanço zona sul” de Orlann Divo e seu chaveiro – que, aliás, está de volta. Era, enfim, o samba feito para dançar. E os frutos dessa safra bendita são, até hoje, mais de 30 anos passados, presença obrigatória no repertório de qualquer bom baile (e não arrasta-pé) que se preze.

Mas esse samba radicalmente sincopado de Djavan parece que só agradava, pelo menos no Rio, àquela parcela da população que, por razões econômicas, de moradia e de oportunidades, permanece afastada do chamado “circuito cultural”, que vai dos aeroportos aos vernissages; dos teatros às livrarias; e que, da zona sul pra cá, chega no máximo até a Candelária. Enxergando, certamente, poucas possibilidades de mercado junto a esse público de “duros”, a indústria fonográfica transnacional, pelo que supomos, parece ter convencido Djavan a jogar seu irresistível sincopado fora para produzir uma obra mais alinhada com o pop-rock hoje hegemonicamente vigente em escala planetária. Aí, o Djavan internacionalizado chegou até Stevie Wonder, Carmen McRae, Al Jarreau e Manhattan Transfer. No que fez muito bem, também achamos. Só que nós aí, literalmente, perdemos o rebolado.

Agora, lançando um novo disco (ainda não ouvimos, mas temos certeza de que é bom), Djavan volta ao samba, saúda animadoramente a Cidade Maravilhosa numa letra de levantamento da auto-estima dos cariocas e, em entrevista a O Globo (09.09.07), dispara contra os detratores de sua estética:

“– A questão é que não admitem que um nordestino, negro, filho de uma lavadeira, nascido num gueto de Maceió, no segundo estado mais pobre do Brasil, possa ter um olhar amplo e pessoal das coisas.”

E arremata Djavan, do alto de suas já venerandas tranças, jogando na lata do entrevistador aquela pergunta que todos nós fazemos há muito tempo:

“ – Você já percebeu que não existem críticos negros nas redações? Seja de música, literatura, cinema, teatro... O Brasil avançou pouco nesse campo.; um exemplo como o de Joaquim Barbosa (...) é exceção entre nós”.

A afirmação e a pergunta de Djavan – aliás, lançadas no momento em que algumas colunas de amenidades tentam desqualificar o ministro Barbosa, mostrando-o como um “famoso” deslumbrado – ficam no ar. E suas respectivas respostas podem ser a chave para entendermos porque se procura também desqualificar todo samba que busca se renovar a partir da reprodução de suas próprias células e não beijando a mão do rap, do funk, da moda hip-hop enfim.

Através do que disse Djavan, podemos pelos menos intuir o porquê de o músico negro brasileiro, quando pensa e se posiciona criticamente, ser sempre tornado invisível pela mídia dominante. E podemos finalmente ter uma idéia, nesse caso específico, do quanto é importante termos, nas faculdades de Comunicação e correlatas, tantos afro-descendentes quanto aqueles que, nas redações, nos estúdios, nos espaços onde hoje se produz, comercializa e avalia a verdadeira Cultura Nacional, servem cafezinho, fazem faxina, levam mensagens, carregam equipamentos e fazem segurança.


http://neilopes.blogger.com.br/

10.9.07

Arte na veia: " o dia sem lei !"

O dia sem lei! celebra 1 ano na próxima quarta, 12 de setembro!

na poesia apresentamos

as clássicas e as inéditas de Tubarão!
a arte sensível de Barbarella Jovanholi & Carlitos do Novos Uivos
Sylvio Neto e suas baitas intervenções poéticas

nas artes visuais juntamos

a exposição de fotografias intitulada Feixe Confabulado de Fernanda Augusta
com o happening e a exposição de artes plásticas do Identidade Óbvia
mais a construção Perfis Provisórios(interferência - instalação - escultura) de Pilar Rocha com participação de Bia Pimenta

no teatro vislumbramos
a Cia.2EnCena com a montagem de "Oração", do espanhol Arrabal


na música temos
a esperta tradição do samba com a Velha Guarda Musical da Grande Rio
o rock anos 70 do Magia Elétrica
e canjas por todos os lados com os camaradas que fazem o dia sem lei! acontecer


A partir das 20h30 (mesmo!), no Ponto de Cultura Lira de Ouro que fica na Rua Sebastião de Oliveira, 172. Calçadão de Caxias.

espalha pra geral que vai sair um ônibus da lapa, bem debaixo dos arcos, por volta das 19h.
O retorno tá previsto pra 00h, mais ou menos.

poesia, beijos, música, abraços, performances e afagos dos catatônicos de o dia sem lei!