22.6.10

Nosso herói, Dunga, em: Um dia de fúria

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20.6.10

Taiguara:a música e o sonho de um grande artista


Fico me perguntando se no mundo "muderno", onde tudo é corrido, fugidio e estanque, as pessoas ainda param e ouvem música percebendo a beleza da melodia, dos acordes, dos instrumentos e a poesia das letras. Me refiro, é claro, às novas gerações, à essa garotada forte e bonita que vai conduzir o País amanhã.
Taiguara fazia música, mas além dos sons, dos acordes, das combibações belíssimas de notas, fazia poesia. Muita poesia. Era um tempo em que se acreditava nas coisas, na vida, no futuro e as canções do Taiguara nos ajudavam a construir este futuro.
Que ninguém se engane, o poeta cantor, dono de uma voz doce e bela, foi também um milatante político apaixonado. Taiguara sonhou, como todos nós, e lutou para realizar seus sonhos.
Andarilho, colheu estrelas e nos trouxe. Bebi o brilho delas com sofreguidão e acho que muita gente também bebeu. Essas estrelas ainda andam por aí, quem quizer beber seus brilhos pode ficar a vontade. Afinal de contas, na verdade, bem lá no fundo, nosso sonho não acabou nem vai acabar nunca.E a gente precisa cada vez mais um do outro.



Teu sonho não acabou

Hoje a minha pele já não tem cor
Vivo a minha vida seja onde for
Hoje entrei na dança e não vou sair
Vem eu sou criança não sei fingir

Eu preciso, eu preciso de você
Ah eu preciso, eu preciso, eu preciso muito de você

Lá onde eu estive o sonho acabou
Cá onde eu te encontro só começou
Lá colhi uma estrela pra te trazer
Bebe o brilho dela até entender

Que eu preciso, eu preciso de você
Ah eu preciso, eu preciso, eu preciso muito de você

Só feche seu livro quem já aprendeu
Só peça outro amor quem já deu o seu
Quem não soube à sombra não sabe à luz
Vem não perde o amor de quem te conduz

Eu preciso, eu preciso de você
Ah eu preciso, eu preciso, eu preciso muito de você
Eu preciso, eu preciso de você
Nós precisamos, precisamos sim, você de mim eu de você


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15.6.10

A revolução das vuvuzelas

O povo da África do sul descobriu, ainda que tardiamente, uma forma fantástica de se vingar dos séculos de sofrimento e exploração inglesa desenfreada: as vuvuzelas. 
A coisa começou com um jornalista inglês – provavelmente ainda se considerando proprietário do continente africano – reclamando do barulho das cornetas. Imediatamente os sul africanos disseram “ não gostou, vai embora. Aqui a casa é nossa e a gente faz o barulho que quizer”. 
Agora, em plena Copa do mundo, a aporrinhola sul africana está tirando do sério muita gente. Os europeus, principalmente, estão loucos com a barulhada, que faz com que os estádios pareçam constantemente sob ataque de um incomensurável bando de gafanhotos gigantes. 
Se descobrissem a mais tempo esse genial instrumento de aporrinhação, certamente Mandela não teria sofrido o que sofreu. Se na época do apartheid os sul africanos se juntassem na porta do parlamento inglês tocando vuvuzelas por alguns dias sem parar, os ingleses teriam aberto mão do território muito antes, economizando décadas de uma colonização profundamente cruel e racista. 
Se os africanos, alías, usassem esse poder para barganhar investimentos para acabar com a fome em seu continente, certamente a África teria hoje padrões europeus de desenvolvimento. 
Imaginem, se conseguirem, uns 500 mil africanos na porta da Casa Branca tocando vuzuzelas. Obama se renderia com menos de 15 dias, com certeza, e liberaria verbas opíparas para investimentos na África. 
A Grécia, que passa por um baita sufoco econômico, se fosse esperta, faria uma aliança imediatamente com a Áfica do sul e convocaria seus novos parceiros para tocar corneta no parlamento Europeu. Enquanto não liberassem toda a grana que os gregos precisam para sair da bancarrota, tome-lhe corneta. A crise seria resolvida em tempo recorde. 
No Brasil a gente também podia usar as vuvuzela, afinal trata-se de uma nova tecnologia africana que pode, em alguns casos, ser muito mais eficiente do que escrever 1 milhão daquelas cartas à jornais que eles nunca publicam. 
Se a gente fosse, por exemplo, para a porta do MP ou do TRE do Rio de Janeiro, munidos de muitas e muita vuvuzelas, duvido que eles continuassem se finjindo de mortos ou obedecendos as ordens do poder executivo. Cederiam aos apelos populares e talvez até passassem a fazer seu trabalho. 
E o Sérgio Cabral, com esse estilo de novo rico bôco môco? Com esse comportamento brega de idolatria a Paris... Será que resistiria à meia hora de vuvuzelas por dentro daqueles tímpanos deslumbrados? Certamente saíria gritando: 
Não! Não! Vuvuzela não! Isso coisa de africano, de gente pobre! Respeitem meus ouvidos parisienses. 
Enfim, os sul africanos podem ter descoberto o ovo de Colombo. Depois das vuvuzelas, caso elas sejam bem usadas, o mundo jamais será o mesmo. 
Ainda bem que as autoridades sul africanas barraram a pretensão dos europeus de proibirem as vuvuzelas nos estádios. É cultura popular e pronto. Quem não gostar, que volte pra casa. 
Trata-se de uma verdadeira revolução popular. 
Viva a África do sul! Viva as vuvuzelas! Viva eu, viva tu, viva o rabo do tatu! 

12.6.10

Coisas da Copa

Confesso que, ao contrário da grande maioria, não estou muito ligado nas coisas da Copa do mundo. Na verdade nem a formação dos grupos eu vi ainda. Assoberbado com tantas outras coisas, acabei ficando meio alienado em relação ao mundial da África do sul. Com exceção do finalzinho do jogo entre os anfitriões e o México, a única notícia que eu tinha visto até então, referente a Copa, se referia à uma tabela do mundial distribuída em algum canto por aí com a foto da Dilma e de um candidato a Governador. Os inspetores "Javert's" do MP, é claro, fazendo discursos indignados por conta de uma bobagem dessas.
Na verdade acho interessante essa coisa de eleição em ano de Copa. A competição nos permite uma pausa para reflexão. Durante um mês, pelo menos, as manipulações políticas da mídia ficam parcialmente suspensas e o cidadão comum ganha um quase descanso para se dedicar à tarefa de torcedor.
Outra coisa interessante nisso tudo é o fato de, pela primeira vez, estarmos lidando com Copa, eleições e internet razoavelmente ampla ao mesmo tempo. Digo razoavelmente porque ainda não temos acesso democratizado, mesmo assim, no entanto, já da pra dizer que a internet tem um peso considerável no Brasil.E mais que isso, que a internet demistifica a velha e oligárquica imprensa brasileira.
Dizem que antigamente, quando não havia televisão, os narradores de rádio faziam horrores na transmissão dos jogos em termos de manipulação e enganação dos ouvintes. Na ausência de imagens as pessoas só podiam acreditar no que era narrado, não tinha outro jeito. Com o advento da televisão novas técnicas de manipulação foram desenvolvidas pelos barões da mídia, cada vez mais concentrada em pouquíssimas mãos. Com o surgimento da internet, entretanto, por mais paradoxal que possa parecer, voltamos aos tempos libertadores de Gutemberg, que, ao inventar a imprensa democratizou a informação, nos permitiu ler com nossos próprios olhos, pensar com nosso próprio cérebro e gerou uma verdadeira revolução de comportamento. A informação nua e crua tem esse poder sobre as pessoas.
Se não fosse a Copa do mundo, certamente eu estaria aqui falando de um TRE que, como o do RJ, se alimenta dos restos caídos da mesa de um péssimo Governador chamado Sérgio Cabral, ou, talvez, estivesse falando dos royalties do petróleo perdidos graças a  mais pura incompetência e incapacidade política deste mesmo desgovernador. Mas estamos falando de Copa, então vamos lá.
Assim como a internet vem mudando a face do poder no planeta, o futebol também vem fazendo a sua revolução. África do sul e Coreia do Sul, por exemplo, pra citar apenas dois jogos deste incipiente campeonato, me impressionaram bastante. Certamente não será tão fácil assim manter o "poder" do futebol nas mãos - ou, no caso, nos pés - daquelas seleções tradicionais por muito tempo. Os emergentes, assim como na geo política mundial, estão crescendo e se desenvolvendo.
Aliás, a alegria do povo africano é contagiante. Aquelas cornetas barulhentas são algo simbólico. Eles não param. Tocam aquele troço o jogo inteiro. É como se dissessem: estamos aqui, a casa e nossa e queremos nosso quinhão do mundo.
Ao contrário do Brasil, o povo africano não coloca o futebol como valor maior e questão de honra, tanto que conseguiram se libertar dos ingleses e retomar seu País das mãos estrangeiras. Nelsom Mandela, que na atual festa é nome de estádio, está lá, como prova viva da capacidade de luta e recuperação daquele povo. 
Tenho certeza de que será uma bela festa e que logo após o apito final do último jogo os sul africanos estarão trabalhando duro para continuar a reconstrução do seu País. Seria bom se aqui fosse assim também. No dia em que o cidadão brasileiro tomar as rédeas do seu destino, nós também construiremos uma belíssima nação.
Não tenho dúvidas.

8.6.10

Um vermelho que vai ficando cada vez mais verde

Aconteceu, nos últimos dias de Maio, a 5° Conferência de Meio ambiente de Duque de Caxias, na qual tive a honra de ser eleito membro do Conselho Municipal do Meio Ambiente. 
Em tempos outros eu jamais participaria de algo assim. Minha formação pólítica foi no PCB, antigo partidão, e tudo era sério demais se comparado aos dias de hoje. Por isso, pessoas como eu nem arriscam participar de certos eventos nesta ingrata época de seriedade tão escassa. 
O Secretário de Meio ambiente de Duque de Caxias, no entanto, Samuel Maia, me garantiu que o processo se daria de forma correta e que ele próprio garantiria a lisura. Conhecendo-o bem, amigo de longa data, solicitei ao Presidente do meu sindicato que efetivasse a inscrição e participei da Conferência. 
Samuel cumpriu a palavra à risca, pois foram três dias de debates lúcidos, palestras importantíssimas e defesas transparentes de propostas embasadas no interesse coletivo. Bem diferente de outras esferas de atuação, onde, muitas vezes, as “deliberações finais” já estão definidas antes do começo dos trabalhos e indevidamente ensovacadas por algum mini-poderoso, podemos dizer que a Conferência do Meio ambiente foi algo realmente sério e transparente, coisa que nossos calejados olhos raramente vêm. 
Várias palestras importantíssimas foram proferidas na conferência, todas por profissionais altamente qualificados, mas uma delas me chamou especial atenção, pois tratava de um tema que nos é caro: o lixo. 
Como sabemos, entre outras animalidades, a ditadura militar brasileira – de 64 à 85 do século passado, impõs à nós, caxienses, o triste destino de sediar a lixeira da capital do Estado. E pior, com o estabelecimento de um lixão que até hoje nos traz transtornos graves e paira, eternamente, como uma grave ameaça para o meio ambiente da cidade, pois trata-se de uma estrutura iminentemente fadada ao acidente ecológico. 
Além de poluidor em sua essência, o lixão ainda tem como característica básica uma capacidade absurda de contaminar o solo, as água e tudo o mais que estiver a sua volta. E que volta. As áreas utilizadas pelos lixões são enormes, expandindo gravemente o drama das pessoas em seu entorno. 
Recentemente, em Niterói, um antigo lixão foi palco de uma terrível tragédia e muitos outros, brasil afora, estão causando agonias similartes. 
Tomamos conhecimento, no entanto, à partir da palestra do ambientalista Sérgio Ricardo, da OMA Brasil, intituição especializada em tratamento de resíduos sólidos, que há tecnologia disponível e soluções infinitamente mais sensatas para o problema do lixo. Usando uma área consideravelmente menor, investindo muito menos e qualificando e empregando pessoas, o nosso lixo urbano pode ser transformado em energia boa e limpa. 
Falando assim parece um absurdo que ninguém tenha pensado em nada assim antes. Pois bem, pensaram.Muita gente vêm trabalhando na busca de soluções para o problema do lixo, mas, infelizmente, a criação de lixões contaminadores do ar, da terra e das águas, ainda representa uma opção imensamente lucrativa para alguns governantes, tanto que há governadores que, desgraçadamente, oferecem incentivos fiscais aos Prefeitos para que estes adotem soluções nocivas à vida e a dignidade humana. 
Estaremos nos próximos anos trabalhando nisso. Na busca de soluções para o meio ambiente de nossa cidade. 
Eu, que nasci vermelho, estou ficando cada vez mais verde, é verdade. As paixões são mesmo assim, se renovam e se modificam. De minha parte, não tenho dúvidas de que está é a melhor maneira de que disponho, hoje, para melhorar o mundo em que vivo. Então, vamos à luta...

2.6.10

ANARKOPOEMA - Tubarão

Ando sem tempo para fazer muitas das coisas que gosto, atualizar o Blog é uma delas. Tudo tem sido muito corrido, e agora então, com essa coisa de Copa do mundo, minhas provas foram adiantadas em uma semana, complicando mais ainda minha vida.
Na semana que vem, por exemplo, dia 08/06, terça feira, tem o lançamento do ANARKOPOEMAS, livro do Tubarão, lá na editora Multifoco  - Av Mem de Sá, 126 – Lapa. É, provavelmente, o mais aguardado evento literário dos últimos tempos para toda uma turma ( na qual eu me incluo) que produz alguma forma de arte  em certos torrões cariocas e fluminenses e, no entanto, eu não vou poder estar presente. Algum gênio desses de dimenssões “globais” resolveu, como eu disse lá em cima, antecipar as provas justamente para a semana do evento. Se esse povo que dirige faculdades no Brasil lesse alguma coisa além de manuais financeiros eu diria que a coisa foi de caso pensado, só para me impedir de ir ao lançamento do livro do meu amigo. Mas não tem nada não... Tomara que todos os amigos vinguem minha desdita comparecendo em massa e transformando a festa em algo raro, belo e marcante.
Para quem não sabe, Tubarão é poeta com P maiúsculo. É dono de textos fortes e desafiadores, daqueles que sacodem quem lê, exigindo dele alguma atitude, alguma reação diante da tolocracia imposta ao planeta. Seus textos são tão poderosos que pode-se dizer com certeza que, independente da idade que tenha, a pessoa só perde realmente a virgindade depois que lê um poema do Tubarão. Creio que extamente por isso o nome do livro seja ANARKOPOEMAS. Os poemas do Tubarão são o fato; a expressão mais fidedigna da inquietação humana diante da ditaduras comportamentais “mudernas” o resto é tudo bobagem.