30.9.09

Caxias 2016 – Entre nessa campanha

Estou convicto de que o Rio de Janeiro não merece sediar as olimpíadas de 2016, e isso se dá por vários motivos. O principal deles é não termos, neste momento, Governantes que valham a pena e possam garantir algo de concreto nas esferas estadual e municipal. Cabral e Paes são patéticos. A simples presença deles no processo desmoraliza a candidatura do Rio. Lula é de longe mais confiável, mas não Governa Estado nem Prefeitura.
Na verdade tenho a nítida impressão que toda a grana que gira em torno dos projetos para 2016 vai ficar no bolso de meia dúzia de poderosos e no final das contas nada será construído. Aliás, pode ser até que Cabral alugue mis alguns contêineres milionários e arranje uma desculpa esfarrapada para “utiliza-los” nos jogos, como fez com as UPAS.
Eduardo Paes também pode aprontar das suas. De repente ele pode arrumar um modo de incrementar a indústria das multas mandando instalar placas nas nádegas dos turistas só para poder multá-los e angariar um cascalhinho extra.
No geral, repito, não é uma boa idéia trazer as olimpíadas para cá, onde tudo vira marketing e nada funciona de forma minimamente adequada.
Uma revista americana fez uma matéria recente, de 14 páginas, sobre a violência do Rio, mas isso não me assusta. Bandidos existem em todos os lugares, governantes ruins, porém, há pouquíssimos no mundo pior do que os nossos.
Considerando isso tudo, resolvi lançar a campanha Duque de Caxias 2016, pois a coisa teria muito mais chances de dar certo. Caxias é a segunda cidade do Estado, uma cidade rica com povo pobre. Nosso Governante local também está longe de ser uma Brastemp, mas pelo menos aqui há mais espaço para construir coisas grandes e muito mais necessidade de tê-las.
Estádios de futebol, por exemplo, não temos nenhum que seja uma jóia de arquitetura, mas tem terreno paca para construir quantos quiserem. Piscinas olímpicas, complexos esportivos, quadras de vôlei, basquete, peteca de rede, nada disso tem em Caxias e exatamente por isso merecemos sediar os jogos, para ganhar isso tudo de presente. E tem outra coisa, aqui não da pra enganar muito com aquelas mutretas comuns em obras públicas: se for construído algo, todos vêm. Se não, vão saber que rolou mutreta, pois os terrenos continuarão vazios aos olhos de todos.
Outro detalhe importante é o povo da Baixada, sem aquelas enormes preocupações burguesinhas de zona sul. Aqui, pau é pau e pedra é pedra, sem subterfúgio. E além do mais o povo é gente boa, hospitaleiro e tem um senso de humor fantástico. A gente chega as vezes a rir da nossa própria miséria, como aquela moça, Amélia, da música do Mário Lago.
Enfim, eu estou ganho para a idéia. E tem mais: Obama, que é o primeiro negro a sentar no trono do País mais poderoso do planeta, se sentiria em casa em Caxias. De repente ele até abriria mão da candidatura de Chicago em favor da velha e boa Duque de Caxias. Seria bom paca.

21.9.09

Tem gente com fome! Tem gente com fome!

Meu amigo Leonardo Oliveira me escreveu hoje perguntando se eu poderia escrever algo sobre Solano Trindade, um dos maiores poetas Brasileiros de todos os tempos. Claro que posso.
Solano foi para mim uma luz de brilho intenso não só pela sua poderosa e bela poesia, mas também pelo seu comportamento, pelo seu jeito de ser, de lutar e acreditar piamente nessa luta.
Lembro que sempre lamentava com Barbosa Leite o fato de não ter conhecido Solano pessoalmente, como Barbosa e outros amigos conheceram.
Naquele meados de anos 80, com a País ainda saindo de uma ditadura tenebrosa, era o exemplo poético e de comportamento de Solano que nos conduzia e nos orgulhava terrivelmente o fato de um poeta daquela dimensão ter escolhido nossa cidade para se estabelecer e cultivar suas lutas e sua arte.
Ainda hoje tenho Solano em um panteão particular, pois foi ele quem me mostrou que a arte vai muito além dos palcos instalados na áreas mais privilegiadas do País e que, acima de tudo, a arte está na veia, esteja a gente aonde estiver.
Enfim, posso dizer com orgulho que muita coisa de Solano chegou a mim de uma forma mais contundente do que aquela exposta em seus livros, pois chegou em forma de convivência com algumas pessoas que conheceram de perto e trabalharam com o grande poeta.
Certamente Solano os impregnou com vida e eles, por sua vez, impregnaram a mim.

Reproduzo aqui um texto sobre Solano escrito por Hernani Francisco da Silva em homenagem ao centenário do Poeta.

“Um negro que o protestantismo brasileiro esqueceu”

Nascido em 24 de julho de 1908, em Recife, filho de Manoel Abílio Trindade, sapateiro, e Merenciana de Jesus, doceira. O negro presbiteriano Francisco Solano Trindade, poeta, cineasta, pintor, homem de teatro e um dos maiores animadores culturais brasileiros do seu tempo, foi para vários críticos, o criador da poesia "assumidamente negra" no Brasil. As comemorações pelo centenário de Solano Trindade concentram-se nas três cidades em que ele viveu mais tempo. No Recife, onde fundou, em 1936, o Centro Cultural Afro-Brasileiro e a Frente Negra Pernambucana. Em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, onde sofreu perseguições, prisões e apreensão de livros durante o governo Dutra. E em Embu, município de São Paulo, que ele ajudou a batizar como Embu das Artes, onde fica a sede do Teatro Popular Solano Trindade comandado por sua filha e herdeira artística Raquel Trindade.

Solano Trindade foi um dos fundadores do que mais tarde se conheceria como movimento negro. Reconhecia a necessidade do negro brasileiro assumir orgulhosamente sua identidade e lutar contra a discriminação, achava que isso deveria ser feito valorizando a cultura popular brasileira de matriz negra, sem excluir os brancos. Por isso fundou, o Teatro Popular Brasileiro, o sucesso do Teatro Popular foi tão grande que era convocado a realizar espetáculos especiais para todas as companhias estrangeiras que passavam por aqui. Solano desenvolveu também carreira de ator, participou de peças teatrais e vários filmes.

No final da década de 1920, Solano Trindade torna-se protestante, onde conheceu Maria Margarida Trindade, que era presbiteriana, do seu casamento com Maria Margarida nasceram seis filhos, dois mortos prematuramente e um assassinado pela ditadura militar após o golpe de 1964. Solano teve uma ação importante na igreja, chegou a ser diácono da Igreja Presbiteriana, fazia poemas e citava trechos bíblicos com facilidade, voltado principalmente para o Gólgota e os apóstolos Pedro, Tiago e João evangelista. Foi ali que ele começou o legado da sua vida, seus poemas foram publicados na revista protestante do Colégio XV de Novembro, de Garanhuns, e em jornais do Recife. Só depois dessa fase começaria a nascer a sua poesia negra.

Decepcionado com o distanciamento do protestantismo com as questões sociais, incluindo a discriminação contra os negros, ele deixa a igreja, justificando sua saída com um versículo da própria Bíblia: "Se não amas a teu irmão, a quem vês, como podes amar a Deus, a quem não vês?"

Assim como Solano Trindade passaram também pelo protestantismo João Cândido, o marinheiro negro, membro da Igreja Metodista de São João de Meriti, que liderou a Revolta da Chibata um importante movimento social ocorrido, no início do século XX, na cidade do Rio de Janeiro. E também o líder camponês João Pedro Teixeira, negro, crente da Igreja Evangélica Presbiteriana, fundador da Liga Camponesa de Sapé na Paraíba. Retratado no filme “Cabra Marcado para Morrer” de Eduardo Coutinho, um marco qualitativo da cinematografia brasileira. Estes e muitos outros, negros e negras passaram por nossas igrejas e deixaram um legado para a humanidade.

Em 2008, ano do centenário do nascimento do "poeta negro" o "poeta do povo", é hora da Igreja Protestante Brasileira resgatar sua memória, dando o reconhecimento a Solano Trindade e muitos outros negros e negras, que contribuíram e contribui para o reino de Deus aqui na terra.

Centenário do Nascimento de Solano Trindade - Por Hernani Francisco da Silva

Aqui link para o site "negros e negras cristãos" , que publicou essa homenagem

15.9.09

Dependências e livro novo

Pretendo escapar razoavelmente ileso da crise econômica mundial e se o Brasil já está fora de perigo, para a tristesa de alguns poucos, me vejo também com grande chance de sobrevivência. Em função disso, é claro, ando fazendo planos adoidado. Todos dependentes, como sempre, das CNTP - condições naturais de temperatura e pressão.
Um dos planos mais concretos, no entanto, depende de alguns amigos.
O Robert, por exemplo, ainda não sabe, mas dependo dele para abrir a barriga do meu PC antigo e arrancar de lá alguns textos não tão recentes, presos desde que o bicho deu pau.
Dependo também do amigo Márcio Leandro, que, aliás, também ainda não sabe disso, para fazer o trabalho de programação visual do livro que pretendo fazer com tais textos aprisionados no velho PC e alguns outros mais recentes.
Esse livro novo deverá se chamar " Todas as mulheres e alguns outros textos".
Todas as mulheres é um texto longo, que a príncípio escrevi com a intenção de um monólogo mas estou trabalhando em algumas mudanças para deixa-lo mais com uma cara mais poética. Outros textos são outros textos mesmo. Literalmente. Coisas que andei escrevendo nesse último ano, período em que experimentei uma espécie de exílio em minha própria terra.
Bom exílio, diga-se de passagem.
Até ver o nada tomar forma, no entanto, dependerei ainda de muitas outras coisas e de muitas outras pessoas, todas amigas, para que o parto ocorra antes do fim do ano.
Enquanto isso estarei por aqui vendo o tempo passar e rindo das previsões dos muitos "especialistas" que deram com os burros nágua ao analizar a tal da crise mundial.

OBS: Ano que vem tem eleição, e como o Senado acaba de liberar a internet - e todos estão comemorando como se fosse algo fantástico - vou aproveitar o tempinho entre uma coisa e outra para falar bem dos meus candidatos, calar sobre os que não considero importantes e propor os rigores da lei àqueles a quem considero nocivos. Aprendi essa técnica com a "Grobo", detentora do monopólio ( exceto internet ) das comunicações no Brasil.

OBS2: Só pra registrar, em Países considerados avançados - e nós estamos avançando - não há Redes nacionais de TV, nem nos EUA, padrastos da "liberdade". E quem tem um canal de TV - todos são regionais- não pode ter uma rádio ou um jornal.
É uma boa sugestão para evitar os monopólios.

OBS3: Segundo a cobertura da TV - Grobo, é claro - uma das principais atrações da Bienal do Rio foi a Xuxa. É bom tomar cuidado, senão daqui a pouco novela vai ser matéria de vestibular e BBB vai ser considerado exercício intelectual.

8.9.09

Apotegma do Pré sal

Esse negócio de Pré sal, ao contrário do que muita gente imagina, é simples. Ou pelo menos era para ser. Minha amiga Atrevida, do Blog conversa atrevida, me pediu dia desses um texto falando sobre esse tema, então la vai...
A Petrobras encontrou no sub solo do mar brasileiro um baita campo de petróleo que vai do Espirito Santo a Santa Catarina – trata-se, portanto, de um petróleo duas vezes santo - com cerca de 800 km de extensão. Só isso já é uma coisa super impactante. A descoberta nos deixa praticamente em condições de igualdade com o Oriente Médio e nos torna, quando a exploração começar, o quinto produtor de petróleo do mundo, ou quase isso.
O campo é chamado de Pré sal porque esta localizado em baixo de uma gigantesca camada de sal à cerca de 7 km de profundidade, além do fundo do mar.
Mas até aí morreu o Neves. A grande questão é a exploração desse campo gigante que exige altíssima tecnologia e só quem tem essa tecnologia é a velha e boa Petrobras.
Ocorre no entanto que a coisa não se resume a isso. A grande pergunta que se faz nos meios financeiros da côrte é a seguinte: A quem caberá o espólio desta guerra?
A Petrobras, como se sabe, distribui seus dividendos para uma carrada de acionistas, ficando ela própria e o Estado brasileiro com uma pequena parte dos seus lucros, que são reinvestidos, naturalmente, para que a vaca dê cada vez mais leite e distribua aos sedentos bezerrões.
O Estado brasileiro atualmente, seja qual for o Governo, não tem qualquer controle sobre os lucros da Petrobras, o que dificulta na hora de determinar investimentos na área social e de infra estrutura. Se o Lula declarar amanhã que vai investir os lucros da Petrobras em saneamento, habitação, educação ou saúde uma matilha de ferozes burgueses sai às ruas imediatamente, com o apoio irrestrito da “Grobo”, para pedir o impeachment do barbudo. Eles consideram um absurdo gastar dinheiro público com o povaréu, até porque, desde Cabral – o outro – o dinheiro do Estado sempre esteve no bolso deles.
Diante desse “pequeno” impasse – dar aos pobres ou continuar dando aos ricos o que é dos pobres – Lula propôs a criação de uma nova Estatal - que não tenha obrigação de distribuir seu lucros com os endinheirados - para tratar exclusivamente do Pré sal. A direitalha enfureceu-se, é óbvio. O tucanato e os demos soltaram labaredas pelas ventas.
Agora, com o envio da proposta de regulamentação feita pelo Governo enviada ao senado com pedido de urgência, a guerra vai começar à vera. A oposição quer jogar a votação para as calendas grergas, já a situação quer tudo rapidinho.
O importante mesmo é que tudo ocorra o mais rápido possível e a exploração comece logo. Por menos que a direitalha admita, o Pré sal pertence a todos os brasileiros. É como o famoso tesouro do templo de Salomão: imensos demais para ficar em poucas mãos.

OBS: Mandei a folha fazer esse infográfico aí em cima especialmente para o nosso Blob.

7.9.09

A TPM pode causar arrependimentos terríveis

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O dia da criação e o bar do Zé Luiz

Abriram uma igreja de crente bem em frente a minha casa. Eu, particularmente, sou agnóstico e não tenho nada contra a religião em si. Pelo contrário, lembro de Lou Salomé falando para Nistche quando este sentenciou a morte de Deus:
- Então tá. Mas de que outra forma será possível algum controle?
Só acho, na verdade, que a coisa não precisava ser tão barulhenta.
Louvo, no entanto, a criatividade dessa turma, mesmo que a mesma seja utilizada em prol do meu tormento. Nessa igrejinha que fizeram aqui o pessoal resolveu misturar vários elementos de cunho religioso, inclusive afro. O resultado é que eles cantam seus hinos - alto pra caracas, é claro - espraguejam o demônio e gritam desesperadamente ao som de instrumentos de percussão. Pode-se ouvir o pandeiro nitidamente e algo parecido com o som de um atabaque.
Pode-se se dizer tudo, menos que não seja algo criativo.
Como no Brasil o que impera é a mistura de raças, eeses elementos devem tornar mais atrativa a pregação protestante, de origem tipicamente européia e, posteriormente, americana.
Mas , enfim, não cabe a mim ficar fazendo análise da composição sociologica das seitas atuais. Basta fechar portas e janelas, mesmo com um calor terrível, como forma de amenizar a barulheira celestial. Não sei se é melhor cozinhar vivo ou ir para o inferno logo de uma vez, mas o que se há de fazer?
Quando é possível, evidentemente, eu fujo. Ou melhor, retardo meu retorno ao ensurdecedor lar. Na maioria das vezes dou uma passada no bar do Zé Luiz, o Alvarenga, único lugar da cidade atualmente onde é possível encontrar alguns amigos para beber um chope e bater papo.
O público lá é variadíssimo. Nem sempre é possível se ater a reflexões alcoólicas referentes aos desígneos de Deus ou ao equilíbrio do universo, mas o chope é bom e os amigos idem.
O ambiente é barulhento também, é fato. Mas pelo menos nos é permitido papear sobre à quantas andam as artes, a política, os amores e "otras cositas más"...
Nada é perfeito, e enquanto Bethoven for cultuado as orações se darão aos gritos. Então, que seja. O bar do Zé continuará nos servindo como refúgio.