5.2.08

Relendo e aprendendo...Evoé Paulo César Pinheiro

Aproveitei o carnaval para ler um pouco. Na verdade a intenção era escrever. Trabalhar o próximo livro ou coisa parecida, mas nem sempre a coisa funciona como o planejado. Dando vazão ao vício acabei escarafunchando a internet em tenaz perseguição aos textos dos autores que gosto. Naveguei por Darcy Ribeiro, Henry Miller, Poe, Drumond, Quintana e mais um montão de autores responsáveis pela minha construção pessoal. Acabei, no entanto, baixando a âncora sobre os textos de Paulo César Pinheiro. É tão raro encontrar uma poesia como a do Paulo que agente acaba ficando bestificado diante de textos lidos e relidos, remoidos, deglutidos e processados através dos anos.
Conheci a mágica Pinheiriana ainda na adolescência. E digo mágica por que é isso mesmo. São poemas que enfeitiçam.

Há quem o chame de poeta do samba, mas a coisa vai muito além disso. Em um vasto universo de poetas fantásticos Paulo César Pinheiro se destaca com uma elegante simplicidade que chega a ser soberba. É algo que revolve o espírito humano da mesma forma, talvez, que as antigas lavadeiras faziam com as roupas: esfrega, torce e pendura ao sol para aquecer e absorver a luz. Fico com a impressão de que todo o poder das autoridades, o poder de impor regras, crenças e comportamentos, treme. Se abala. É acometido de uma febre terrivelmente mortal diante da retórica poética de Paulo César Pinheiro.

É bom que se tenha, ainda, acesso à autores assim. Do jeito que a coisa anda, em breve a arte será banida do nosso sistema. Proibida mesmo, em prol do entretenimento. Afinal de contas, aos olhos de quem pretende controlar o planeta e o comportamento humano, uniformizando ações e sentidos, não há nada mais subversivo que a reflexão humana.

Nesse ponto, felizmente, a internet ajuda muito. Os blogs, por exemplo, funcionam hoje como aquele velho guardanapo de bar onde muitos de nós escreviamos nossas odes a subversão. E esta continua sendo uma bela forma de reagir à tirania da mesmice, ao pensamento único e a robotização obrigatória. Nossos guardanapos agora estão no ciber espaço e vão para o mundo todo para serem usados por quem bem entenda.

A gente sabe que, como bem disse Vinícius, "a vida vem em ondas como o mar". Escrever é mais ou menos isso. A gente vai salpicando vida através da poesia em vários pontos do mar e ela acaba chegando a outras praias. Contaminando de paixão vital as pessoas que se banham nelas. A poesia de Paulo César Pinheiro é assim. Uma espécie de anti-vírus que nos "contamina" maravilhosamente com a essência da vida. Deixa nossa alma novinha em folha.

3 comentários:

Anônimo disse...

É isso aí parceiro. Salve Paulo César Pinheiro e sua "Anti-missa" a nos proteger da linha reta do "descartável" que chamam de cultura.

Valdelir Ferreira Couto

André de Oliveira disse...

Salve Vicente...
Nós resgate meu amigo

Juninho disse...

Vicente, parabéns gostei muito de seus escritos.
Me chamo Juninho e sou de uma cidadezinha no sul de minas, e tenho procurado sem sucesso dois poemas de Paulo César Pinheiro, e se você os tivesse gostaria de pedir que os enviasse pra mim, isso se não for pedir de mais. Os posmas chamam-se Quadro e Capitão. Desde já o meu muitíssimo obrigado! Meu e-mail e juninhopedralva@yahoo.com.br