5.10.09

Um certo clube de uma certa esquina do mundo

Quem me conhece sabe que a música tem um poder fantástico sobre mim. É algo subversivo, poderosíssimo e inexplicável. Ontem, domingo, quando soube da partida de Mercêdes Sosa, fiquei chateado pacas. Foi aquela voz argentina quem me apresentou à poesia de Violeta Parra e à um sentimento latino de vida e de arte. Fiquei pensando que, por mim, bem que se poderia dar um jeito de fazer coisas assim durarem para sempre, mas, me toquei logo em seguida, a verdade é que duram.
Sentimentos são eternos.
Hoje de manhã acordei cedo, por volta de cinco e meia, e fiquei vendo TV até dar a hora do trabalho. Meio assim, sem querer, descobri no canal Brasil (66 da Sky ) um baita documentário sobre o Miltom Nascimento chamado " A sede do peixe".
Para quem não conhece Milton, é fácil explicar. Trata-se de um garoto bem mais velho do que eu que tem os olhos tristes, o sorriso feliz e que compôs algumas das canções mais belas do nosso cancioneiro. Milton é universal, mas se alguém olhar atentamente para o mapa de Minas Gerais certamente perceberá os contornos do rosto de Milton Nascimento. Eles são indissociáveis.
No documentário estava a turma toda: Caetano, Nana, todo o comboio mineiro, de Lô Borges, Skank e Ronaldo Bastos ao inseparável parceiro Fernando Brant. Coisa bonita demais.
Falaram do Clube da esquina, é claro. Se o mundo reverencia o clube, porque os mineiros não o fariam. Mas falaram também de muitas outras coisas, inclusive, nas entrelinhas, sobre a poesia que escorrega naturalmente pelas montanhas de Minas para dentro dos violões de seus compositores.
Assistir ao programa me fez um bem terrível. Aliás, ouvir Milton sempre faz bem. Ouvi-lo cantado "Cais" com Nana Caymi, então, é algo fantástico demais.
É bom lavar a alma assim, de manhã cedinho. De certa forma funcionou pra mim como uma espécie de alento. Como se eu pudesse estar dizendo pessoalmente para Mercêdes Sosa para ela ir tranquila, pois a arte continuará para sempre impregnando a nossa América. E mais... Nesse pedaço especial da América latina chamado Brasil há um sentimento impregnado no ar. Um cheiro de arte se espalha por aqui dando à luz as novas gerações. Muitos são os pais e as mães e infinitos são filhos e filhas dos Miltons, Chicos, Elises e Mercêdes descobrindo a extraordinária aventura de sentir a vida pulsando em cada poro, pululando, se espalhando pelo universo da alma humana. Evoé artistas do planeta.

5 comentários:

Robert Sachsse disse...

O clube da esquina é algo fantásico. Tenho alguns cds do povo que vc citou no texto e não canso do ouvi-los.
Um fato interessante é que, em tempos de funk e de outros gêneros musicais horrorosos, vejo que as músicas dos "mineiros" são tocadas até hoje em rodas de violão por pessoas mais novas.
Infelizmente programas iguais a esse que você teve o privilégio de ver, Vicente, passam em horários impossíveis para certos mortais, rsrsrs. Voce lembra do nome do documentário?
Um abraço.

Vicente Portella disse...

Oi Robert...
O nome do documentário é " A sede do peixe". Está na grade do canal brasil.
Grande abraço

Beatriz Oliveira disse...

Se não fosse a arte... Não sei o que seria deste mundo.

Fabby disse...

Boa tarde

A um tempinho queria visitar o seu blog. E ao ler este texto em especial, senti que tu tens a alma na ponta da caneta, ou seja, em tempos modernos, nas teclas do computador! Um grande beijo! Fabby Lima

Vicente Portella disse...

Valeu Bia,

Valeu Fabby. Volte sempre:)