
30.10.09
Os talibãs da UNIBAM ou, a anti cultura da agressão

Minas

A dona dizia, amém.
E Deus perguntava,
a quem?
Alguém respondia
Ninguém.
O vento batia
E rodopiava
Jogando nos olhos
Areia molhada.
A jovem bonita
Também,
Só se perguntava,
A quem?
O amor exalava
Amém.
A boca secava
Ninguém,
Nunca reparava.
A dona e a moça
Perdidas na praça
Ninguém
Nem boca molhada
Nem trem
Nem hóstia sagrada
Nem bem
Nem mal avançava.
A moça e a dona
Que ressuscitava
Na praça molhada
De chuva e ninguém.
Amém.
De onde eu estava
Nem bem
Nem mal se entranhava.
A dona sentia a voz embargada
E um trem
Nas partes molhadas
Desdém
E a mão tremulava
Nem vem
A boca entregava
Meu bem...
A moça na praça
Se ajoelhava
Amém
A boca amargava
Desdém
O peito arfava.
E a moça secava
As partes molhadas
A boca entoava
Murmúrios pro além.
Ninguém
Sequer reparava
E o trem
Se distanciava.
Meu bem
Nós vamos pra casa.
Amém.
29.10.09
As entrelinhas das notícias

28.10.09
O Estado do caos

26.10.09
Alegre menina - Jorge Amado e Dori Caymmi
O que fizeste, sultão, de mim alegre menina?
Palácio real lhe dei, um trono de pedraria
Sapato bordado a ouro, esmeraldas e rubis
Ametista para os dedos, vestidos de diamantes
Escravas para serví-la, um lugar no meu dossel
E a chamei de rainha, e a chamei de rainha
O que fizeste, sultão, de minha alegre menina?
Só desejava campina, colher as flores do mato
Só desejava um espelho de vidro prá se mirar
Só desejava o sol calor para bem viver
Só desejava o luar de prata prá repousar
Só desejava o amor dos homens prá bem amar
Só desejava o amor dos homens prá bem amar
No baile real levei a tua alegre menina
Vestida de realeza, com princesas conversou
Com doutores praticou, dançou a dança faceira
Bebeu o vinho mais caro, mordeu fruta estrangeira
Entrou nos braços do rei, rainha mas verdadeira
Entrou nos braços do rei, rainha mas verdadeira.
Pindorama - Um texto esperando um parceiro

É nessa terra
Que essa mulata derrama
Seu sabor na minha boca
Alma louca
É Pindorama
Essa morena
Essa loirinha
Essa cigana
A nação dos meus amores
Minha fauna
Pindorama
Da minha Lapa
Mando sinais pro planeta
Nem careta, nem esteta.
Minha praia
É Pindorama
Cá no meu templo
Tem palmeiras e poetas
Corpos nus, mentes abertas
Bugigangas, porcelana
Beijos vermelhos
Taças, goles de Campary
E a negra rastafari
Seduzindo a alma humana
É o sabor, a cor, o som
A traprobana
É a alma alucinada
Lua bela
Pindorama
OBS: Escrevi esse texto quando morava na Lapa. Pode ser que eu esteja errado, mas me parece que não há pedaço de terra mais propenso à alegria nesse planeta. Minha intenção inicial era dar para algum parceiro musicar. Teria que ser uma música feliz e balançante,.. mas acabei não mostrando o texto à ninguém, pois só agora o reencontrei.
Gosto de indios, de palmeiras, de poesia, do circo,da Lapa e de brasil. Minha alma é meio Pindorama mesmo.
25.10.09
Clara canta Chico - Basta um dia

Pra mim
Basta um dia
Não mais que um dia
Um meio dia
Me dá
Só um dia
E eu faço desatar
A minha fantasia
Só um
Belo dia
Pois se jura, se esconjura
Se ama e se tortura
Se tritura, se atura e se cura
A dor
Na orgia
Da luz do dia
É só
O que eu pedia
Um dia pra aplacar
Minha agonia
Toda a sangria
Todo o veneno
De um pequeno dia
Só um
Santo dia
Pois se beija, se maltrata
Se como e se mata
Se arremata, se acata e se trata
A dor
Na orgia
Da luz do dia
É só
O que eu pedia, viu
Um dia pra aplacar
Minha agonia
Toda a sangria
Todo o veneno
De um pequeno dia
24.10.09
23.10.09
Soneto da devoção
Essa mulher que se arremessa, fria
E lúbrica aos meus braços, e nos seios
Me arrebata e me beija e balbucia
Versos, votos de amor e nomes feios.
Essa mulher, flor de melancolia
Que se ri dos meus pálidos receios
A única entre todas a quem dei
Os carinhos que nunca a outra daria.
Essa mulher que a cada amor proclama
A miséria e a grandeza de quem ama
E guarda a marca dos meus dentes nela.
Essa mulher é um mundo! uma cadela
Talvez... mas na moldura de uma cama
Nunca mulher nenhuma foi tão bela!
22.10.09
Replantando vidas
Estive ontem, 21/10, em um belíssimo evento – Replantando vida - no Espaço Cultural Tom Jobim, no jardim Botânico, assistindo à coroação de um belíssimo projeto que meu amigo Alcione Duarte vem desenvolvendo desde 2001. Trata-se da ressocialização da comunidade carcerária, uma ação profundamente relevante do ponto de vista da segurança pública.
No evento de ontem 40 apenados receberam o diploma de qualificação em agentes de reflorestamento outorgado pela UFRRJ – Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro, após freqüentarem o curso com mais de mil horas de carga horária.
Na pratica o projeto devolve ao convívio social com plena dignidade pessoas que cometeram erros graves no passado, deixando-se seduzir pela criminalidade.
Como já disse, essa história começa em maio de 2001, quando Alcione Duarte propôs ao então Governador Anthony Garotinho a celebração de um convênio entre a Cedae e a Fundação Santa Cabrini para a utilização da mão de obra de apenados dos regimes aberto e semi aberto. Ao mesmo tempo em que a Cedae supria parte de sua necessidade em mão de obra, propiciava a inclusão de detentos e trabalhava para impedir a reincidência criminal. Garotinho topou a parada e de lá para cá cerca de 2000 apenados foram beneficiados pelo convênio e muitos foram completamente recuperados, à ponto de, no último concurso da Cedae, vários deles que já haviam cumprido sua pena serem aprovados e tornarem-se profissionais da área de saneamento.
Alcione Duarte, grande responsável pela formulação do projeto, recebeu ontem a justa homenagem, não só dos formandos, mas também de vários companheiros da Cedae e das autoridades dos poderes executivo e judiciário presentes ao evento.
Para nós que estamos vivendo a tragédia da atual política de segurança pública, ficou a certeza de que o verdadeiro caminho para a pacificação continua sendo, mais do que nunca, o investimento em políticas sociais.
Amigo e companheiro de jornada desde meados da década de 80, apesar de nem sempre podermos estar do mesmo lado do tabuleiro político Fluminense, Alcione Duarte é um guerreiro que sem dúvidas merece esse reconhecimento público.
Todos nós sabemos que idéias nobres tem a capacidade de mudar o rumo das coisas, mas também sabemos que várias ações formuladas de boa fé são cotidianamente usurpadas por pessoas pouco éticas e utilizadas com fins destituídas de nobreza, por isso, é importantíssimo que saibamos reconhecer quem é quem nesses momentos e torcer para que esse reconhecimento público do “operário” Alcione Duarte se propague de forma devida e inequívoca.
OBS: A Charge acima é do amigo Adail, nosso homem na ABI.
20.10.09
A hipocrisia está no ar

Estava assistindo a cobertura da ação criminosa no Rio de janeiro pela GloboNews e cheguei a ficar assustado. A hipocrisia e a capacidade de manipulação dessa gente é algo sem limites.
Antes de qualquer coisa vou fazer um histórico, pois históricos não mentem:
No início da década de 80, quanto nossas capitais viviam em relativa paz, o Jornal Nacional, da Globo, dava a cotação das drogas todos os dias. Não havia ainda o “problema” do tráfico, mas era só ligar a TV às 8 da noite para ouvir Cid Moreira dizendo que haviam sido apreendidos tantos quilos de cocaína em algum lugar que ninguém sabia onde era no valor de X dólares. Bastava fazer as contas para se ter a cotação do dia.
Paralelamente fomos inundados por filmes americanos que faziam apologia da violência da forma mais grotesca possível. O herói preferido da Globo era Charles Bronson no papel de um psicopata carniceiro que promovia todo tipo de violência e agressividade possível, mas haviam muitos outros filmes propagando a carnificina urbana. Centenas deles.
Foi nessa época também que a Globo nos brindou com uma minissérie chamada “Bandidos da falange”, estabelecendo os critérios para as organizações criminosas no Rio de janeiro e, poeteriormente, no Brasil.
Depois de criar na mídia o clima propício a super violência ancorada pelo tráfico de drogas, curiosamente, a coisa começou a acontecer no mundo real.
As pessoas mais sensatas já diziam, naquele tempo, que havia algo no ar além dos aviões de carreira. Não havia no Rio grandes produções nem de drogas, nem de armas. Como poderia haver tanta violência sem uma coordenação profissional e minuciosamente trabalhada?
O enfoque da mídia, no entanto, preferia regionalizar a discussão e procurar culpados nos Governos que não lhe eram subservientes, fazendo de Leonel Brizola, por exemplo, uma de suas principais vítimas.
O fato é que em cerca de 20 e poucos anos nossas capitais foram transformadas em verdadeiro território livre para a milionária indústria do tráfico de drogas e a imprensa, minimizando a questão, apontava sempre um ou outro gerente de boca rastaquera como o “inimigo nº
Quando, já em 2000 e pouco
Na verdade, durante todos esses anos a Globo insistia em cobrar das polícias estaduais o combate a um crime que é constitucionalmente federal, o tráfico de drogas.
Agora, no entanto, tendo um aliado seu sentado no Palácio Guanabara – Uma imagem de retórica, pois o Governador se dedica muito mais a Paris do que a seu assento no Palácio – a cobertura da Globo resolveu, deliberadamente, apagar toda a responsabilidade do Governador sobre os conflitos. Hipocrisia pura.
De repente o crime passou a ser atribuição Federal e os Governantes locais se tornaram “vítimas” do processo. Na concepção da Globo a cidade e o Estado vivem as mil maravilhas e o tráfico de drogas é apenas um “fato isolado” como disse hoje na GloboNews um jornalista cozinheiro cujo o nome me escapa.
O tráfico de drogas é , inequivocadamente, o grande mal da sociedade moderna e assola todas as grandes cidades do Brasil, apesar de ter feito muitos milionária nos últimos anos, e para combate-lo é preciso seriedade. Certamente não é com a política de segurança marqueteira do nosso (des)Governador viajante que o problema será minimizado.
A globo, antes de mais nada, deveria fazer uma auto crítica. Quem implanta e propaga um negócio extremamente rendoso, embora nocivo, perde qualquer moral para combate-lo, mesmo que este combate seja só de fachada. O que vemos na verdade é a hipocrisia e a má fé sendo propagada em cadeia nacional com o intuito de manipular as pessoas de bem. Antes de qualquer coisa, isso é uma covardia.
18.10.09
Um poema para Ana
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Ana
Nua
Amua
Franze o cenho
E sua
Languidez
Ardor
Vontade
Arde
O lábio
A flor
A pétala
A base
da última vértebra
A língua
A boca
O corpo
Arde
Largo o afazer e venho
Dar-te
O amor
O beijo
Estabelecer em ti
a central do meu desejo
Explorando dobras
Furnas
Escaninhos...
Dou-te mil carinhos
Meu luxurioso enlevo
Abro-te inteira
e bebo
Em teu cálice sagrado
O sumo da vida eterna
Recôndito portal
Caverna
Por onde passeio impune
A fúria
A febre
O êxtase
Um deus gozador nos une
A imensidão nos integra
Vicente Portella
Beltrame: desinteligência ou ideia de jerico?

14.10.09
Uma inconfidência: Heraldo HB vai soltar o verbo...

8.10.09
Mercedes Sosa
Clique em play e ouça Joan Baez e Mercedes Sosa em "Gracias a la vida". Nossa homenagem.
Sérgio espanca o povo
