5.12.08

O que não tem governo, nem nunca terá...

No Brasil não há Governos, apenas máfias que se sucedem ou revezam no poder. Tudo, absolutamente tudo, em termos de poder público foi transformado em mero balcão de negócios independente de quais sejam os titulares dos cargos. Em função disso não temos nada que seja ao menos parecido com o que se possa chamar de civilização socialmente organizada.

Vivemos hoje, a grosso modo, o mesmo estágio que os EUA viveram nos anos 40/50. O estágio das máfias organizadas. Todo o sistema criminal brasileiro hoje tem alguma forma de penetração no Estado, seja em nível municipal, estadual ou federal. As milícias, por exemplo, têm várias faces. E o que assistimos hoje é uma guerra entre elas, pois a parte que detinha poder político antes está sendo atropelada pela que detém este poder agora.

As máfias, no entanto, não se resumem às milícias, elas estão em toda parte. Na saúde, na educação, no saneamento,... Em tudo. Inclusive na imprensa.

Li esses dia sobre as maravilhas operadas no Dona Marta, morro de Botafogo, e senti pena de quem lê o jornal acreditando ser algo sério. Não há oásis de paz em meio a guerra urbana, qualquer coisa dita diferente disso é uma mentira deslavada. Mas os jornais adotam a mentira e a pregam como se fosse verdade. Uma ação mafiosa.

Se alguém, ou algum Governante, quisesse realmente combater a criminalidade, chamada erroneamente de violência, precisaria agir de forma correta, atacando as causas ao invés das conseqüências. A origem do mal está nos vastos quilômetros de fronteiras desguarnecidas do Brasil, por onde as drogas entram, e não nas favelas.

 No comecinho da década de 90 escrevi um artigo sobre isso em uma revista e a realidade continua a mesma. A guerra urbana nasce lá, na complacência governamental com o tráfico de drogas. Mas ninguém liga pra isso. Mesmo porque essa máfia gera muito dinheiro e exerce poder nas três esferas republicanas no mundo inteiro, sendo um instrumento importantíssimo de controle da população e do comportamento geral. A Polícia Federal, no caso do Brasil, tem a tarefa legal de combater esse crime específico, mas tem sido muito mais produtivo para os donos do negócio esperar que a coisa chegue às grandes cidades, tipo Rio e São Paulo, transformando-as em um inferno, pois mata-se dois coelhos com uma só cajadada. Ganha-se dinheiro e impõe-se o medo. De resto, para dar uma satisfação à obtusa sociedade, coloca-se as desestruturadas e desaparelhadas PMs na linha de frente do combate para garantir que os negócios não sofram grandes perdas.

Aliás, a polícia Federal atualmente serve para tudo - inclusive como instrumento de perseguição política - menos para cumprir suas funções constitucionais. 

Se Ulisses fosse vivo certamente se arrependeria daquele discurso louvando nossa constituição. Ela foi abandonada, coitada, à sua própria sorte.

2 comentários:

Wagner disse...

Marx e Weber há pelo menos cem anos já diziam que o Direito é a forma que o Estado tem para garantir a elite (econômica e política), pois essa que financia a manutenção no Poder. Creio que a polêmica não se encerrará logo, pois o Estado tem a velocidade de um mastodonte manco, mas estimula a violência à velocidade da Luz. Parabéns, Vicente, pelo texto.

Vicente Portella disse...

É verdade, Wagner. O Estado tem sido cada vez mais um instrumento financiado por muitos mas à serviço de poucos.E o que é pior, oficialmente detentor do monopólio da violência.

Grande abraço