20.12.08

Chico Alencar, o escrotinho, e a demagogia de "esquerda"

O Deputado Chico Alencar quer transformar o Funk em cultura popular brasileira. Nota-se de longe que o parlamentar mais bobento do Rio de Janeiro não tem a menor idéia do que seja a cultura nacional.

Qualquer criança sabe que o Funk é um gênero tipicamente americano imposto aos favelados do Rio de Janeiro, e posteriormente de outros Estados, como opção única de "lazer". Na prática serve de instrumento para bestialização de massa na medida em que é usado para fazer apologia aos traficantes menores, às drogas e à banalização do sexo.

Independente disso, no entanto, seria um erro dizer que o movimento Funk, em si, é algo violento. Na verdade o uso político que se faz dele, devido à influência que este exerce no comportamento dos jovens carentes, é que o torna condutor de violência como forma de dominação.

Sem querer entrar no mérito da qualidade artística, pois minha má vontade e aversão natural ao funk não me permitiriam ser imparcial, me surpreende a demagogia da coisa. Na prática é como se alguém tentasse impor, por decreto, o rock ou o tango como culturas nacionais. Algo ridículo.

Na verdade, no entanto, não me surpreende que tal coisa tenha Partido de Chico Alencar. Este senhor fez carreira nos últimos anos surfando na demagogia e agarrando-se a um conceito muito próprio de ética parasitária que impressiona bastante a tola classe média carioca e o mantém sempre como paladino da moralidade, como, aliás, acontece com muitos parlamentares conservadores pelo Brasil afora.

Sujeito esperto, na acepção política da palavra, Chico deve ter percebido que o vazio existencial tem empurrado milhares de jovens da classe média carioca para os morros e bailes funks nos últimos anos. Então, independente dos dramas vividos pelas famílias desses jovens, o parlamentar deve ter percebido que esse “êxodo social” poderia lhe ser útil na captação de votos entre essa turma. Um comportamento escroto, mas que pode lhe garantir a sobrevivência política.

7 comentários:

conversaatrevida disse...

é....tema mais delicado do que falar de SEXO...rs

Eu confesso que acho sempre complicado isso de se definir ou colocar rótulo nas coisas... difícil saber o que é mesmo "cultura nacional"... Até porque o termo "cultura" também não é um tema unânime, normalmente tem muita relação com o "gosto" de quem faz a analise...e NACIONAL então...Com TANTAS misturas desde o nosso descobrimento (na alimentação, nas crenças, na música)AFINAL o que é puramente NACIONAL mesmo?

Bom...creio que eu não posso falar muito do Chico Alencar, mas aqui no interior do Paraná tem MUITOS políticos BEM parecidos com a "descrição" comportamental que vc fez dele...

Quanto ao Funk eu curto bastante...mas mais em casa mesmo, pra desestressar...O ritmo é ÓTIMO pra suar, dá pra perder algumas BOAS calorias.
As letras é que...Bom, precisava de outro texto do tamanho deste pra falar sobre elas...Então melhor deixar pra lá....rs

abraços moço

Vicente Portella disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Vicente Portella disse...

Oi Atrevida...

Concordo com vc, mas a questão não é essa. O que mais irrita é a carga de demagogia da ação do Deputado. Qualquer coisa pode ser boa ou ruim, dependendo do seu uso.
Essa coisa de cultura, por exemplo: se há dificuldade até, como vc mesma disse, de avaliar se um determinado fenômeno é ou não nacional, como é que se pode determinar, por lei, que um gênero qualquer se torne cultura popular brasileira? Nem com o samba isso é possível, pois ele veio da África.
E eu, particularmente, acho uma sacanagem a demagogia desses caras.


beijão

Beatriz Oliveira disse...

Acho que o nacional é o Choro, né? O samba veio depois e a Bossa tomou o lugar pelas mãos de Juscelino.
Vicente, a sua visão política é real e fantástica! Parabéns! Concordo plenamente com tudo que você disse.
Bjs

Vicente Portella disse...

O chorinho nasceu, sim, no Brasil, e teve Pixinginha como seu grande mestre. A Bossa eclodiu na época de Jucelino, que como presidente incentivou os artistas da época.
Esses gêneros hoje são universais, pertencem a raça humana, como toda boa arte que tem que ser.


Valeu, meu anjo.
Obrigado e um beijão.

Alexandre Figueiredo disse...

Concordo com você, Vicente. E digo mais: por trás dessa atitude "generosa" do sr. Chico Alencar, existe, além do interesse demagógico e populista, todo um lobby dos grandes empresários do "funk", os maiores interessados por toda essa armação pseudo-folclórica.

Sabemos que o "funk" não é mais do que uma grande armação das Organizações Globo, comparável ao Fernando Collor, e quem viu todos os veículos da OG, da Rede Globo ao Canal Futura (pasmem, o canal educativo tentou empurrar o MC Leozinho para seu público), passando por Quem Acontece, Multishow, 98 FM, Ego, Época etc. (além de programas como Caldeirão do Huck e até o Casseta & Planeta, que criou dois personagens funkeiros por encomenda da Rede Globo), sabe muito bem disso.

É lamentável que um ritmo descartável, de péssimo gosto, ter tanto lobby a ponto de usar toda uma retórica "socializante", que tente associar erroneamente o "funk" aos movimentos de vanguarda artística do país e do mundo. É como se o twist do início dos anos 60 pegasse carona na Contracultura e no movimento beatnik para se auto-promover.

É perversa também a campanha da chamada mídia de direita, sobretudo as Organizações Globo, que impõem o "funk" como uma pretensa unanimidade. Outros veículos, como a Bandeirantes, Folha, Caras, Isto É, Transamérica, Jovem Pan 2 e outros totens da mídia neoliberal brasileira, também são cúmplices em promover esse ritmo carioca, que para mim é sinônimo de "caô" (mentira) e "171" (corrupção).

A propósito: até agora o baião não virou patrimônio cultural e a Bossa Nova, patrimônio cultural carioca, aguarda a vez de virar patrimônio nacional.

Para terminar, sugiro ao Chico Alencar sair do PSOL e ir logo para o PMDB, mais na linha de seu projeto ideológico canhestro.

Vicente Portella disse...

Pois, Alexandre...

É a chamadaindustria cultural impondo uma pasteurização. Lamentável mesmo.