21.5.09

O sicário da cultura

Fui à Alerj ontem - 20/05/09- para conversar com o amigo Paulo Ramos sobre questões específicas da empresa em que trabalho - Um prefeitinho de meia pataca, de Teresópolis, no Rio de Janeiro, quer privatizar o saneamento no município - e acabei tendo uma surpresa fantástica. Ocorria na casa uma sessão solene, proposta e presidida pelo próprio Deputado Paulo Ramos, em homenagem aos 100 anos do Teatro Municipal.  Até aí tudo bem. Muitos artistas do Municipal presentes, inclusive a Bailarina Anna Botafogo, além de várias associações de profissionais da casa - Orquestra, balet, coro, etc - fizeram com que a solenidade se transformasse em uma emocionante denúncia de mais um ato gravissimo do Governo do Estado. Por mais difícil que seja acreditar, o fato é que Sérgio Cabral quer PRIVATIZAR não apenas o teatro Municipal, mas toda a área de cultura do Estado. Algo inacreditável.
Alguém precisa chamar a atenção do Governador, avisando-o que não se pode Governar com uma caixa registradora na mão, que nem tudo pode ser submetido à lógica do lucro pura e simples. Alguém precisa dizer ao Governador que existem valores que a sociedade precisa conservar, como a cultura, por exemplo.

O emocionado depoimento da Presidente da Associação do pessoal da orquestra do Municipal, Jesuína Passarto, deixou bem claro o momento de agonia que artistas e técnicos estão vivendo. Depois de tantos anos de dedicação profissional absoluta à causa da arte, vêm-se agora cercados por uma covarde lógica financista que pode dar fim a uma das casas de cultura mais importantes da America Latina, senão a mais importante. 
- Querem arrancar nossa alma e nosso ar - Afirmou a presidente.
Sergio Cabral, que agora se revela um sicário da cultura, tem todo o Direito de dançar o créu, o cráu e o diabo à quatro, mas não tem o Direito de destruir o que ele não construiu. O Teatro Municipal não pode virar uma casa comercial como tantas que existem por aí, pois sua função é resguardar e propagar um patrimônio cultural que pertence à muitas e muitas gerações de brasileiros. Não se pode transforma-lo em balcão de negócios.
Como se não bastasse ao Governador apartear classes sociais, criando guetos e campos de concentração, quer agora também destruir a Cultura. 
Isso me faz refletir todos os dias sobre o que vem acontecendo com o Rio de Janeiro nos últimos tempos. O que nos levou a eleger apedeutas, néscios e negocistas tão grotescamente compromissados com uma concepção mesquinha de Governo?

OBS: Fomos brindados, ao fim da sessão, com 3 bélissimas apresentações de artistas do Municipal . Um privilégio.

3 comentários:

conversaatrevida disse...

apedeutas, néscios

só pra eu ter que procurar o dicionário né?...........rs

Sabe...eu fico pensando no 'pecado' que é vc não morar em Brasília.

Se só com material carioca eu já adoro te ler, se tu escreve de Brasília com o monte de 'coisas de político' que acontecem por lá então.... eu LOVE YOU com certeza!!!

bjo....

Tu acredita que eu morei no Rio e NÃO fui ao municipal?
Muitas vezes passei por ele, mas nunca entrei.

Vicente Portella disse...

Deveria ter entrado, meu anjo. O Municipal é belíssimo.
Aliás, vc é de onde, Sampa?
Beijão pra vc.

ferafelina disse...

Humm... E que privilégio!
Nem me chamou =/ rsrs

beijokas