18.3.10

Um sonho quase real

Saí da passeata em defesa dos royalties completamente frustrado. Foi o ato político mais despolitizado da história da humanidade. Não houve discurso, marcação de posição, nada. Na prática ninguém teve a chance de defender os direitos, nem do Rio de Janeiro nem do Espírito Santo. A coisa se resumiu a um show de artistas contratados para o evento.
Na volta, cansado, peguei um ônibus pra casa, adormeci e acabei tendo um sonho estranho. Sérgio Cabral, no meu sonho, renunciou ao Governo do Estado alegando a necessidade de se dedicar a um novo negócio de família. Um circo que herdou de um parente distante falecido repentinamente, de desgosto.
Disposto a tocar o negócio, Cabral levou consigo uma parte de seus auxiliares no governo do Rio, o chamado núcleo duro. Aplicando no novo negocia a mesma lógica com que vinha dirigindo o Estado. No entanto, a coisa não deu muito certo.
Na tentativa de trazer mais público para o espetáculo resolveram investir em publicidade e inovação, por isso, numa ação que pretendia ser genial, rasparam a juba do leão alegando que os administradores passados eram incompetentes e não sabiam tratar do animal direito. Raspar a juba do bicho era, segundo propaganda distribuída, a forma mais moderna de se atrair público nos países europeus. Foi um fracasso, é claro. O leão ficou parecendo leoa e perdeu toda a sua auto estima. O público, por sua vez, ficou indignado e vaiou o domador. Mas os pelos da juba, vendidos no mercado negro, renderam um bom dinheirinho.
Em seguida, Cabral criou uma comissão para avaliar as condições do elefante, reservando, inclusive, uma boa quantia em dinheiro para investir em alimentação, banho e tosa. Mas a tal comissão passou tanto tempo discutindo outras comissões que se esqueceu de tratar do animal. A fera emagreceu terrivelmente e, por conta da fome, adquiriu uma fraqueza crônica, ficando impedido de desfilar pelo picadeiro.
Com o anão aconteceu algo ainda mais bizarro. Surgiu uma proposta financeira, de um laboratório americano que decidiu testar um novo hormônio usando o pobre anão como cobaia. O coitadinho cresceu, inviabilizando para todo o sempre qualquer possibilidade piadística para o público.
Aos poucos, cada uma das atrações foi ficando inviabilizada. A mulher barbada foi assediada por um poderoso membro da nova direção e resolveu fugir. O mágico ficou constrangido com a performance financeira dos novos chefes, muito melhor que a dele, e abandonou a profissão. O engolidor de fogo perdeu espaço quando começaram a surgir incêndios, nas áreas administrativa e financeira, com queima de documentos importantes, e o culparam pelo acidente. Foi demitido. O Homem bala, coitado, foi vendido aos traficantes de uma favela do Rio como inovadora e poderosa arma de guerra e quando os bandidos descobriram que não era nada disso, executaram o rapaz.
Uma parcela mais apaixonada do público ainda tentou salvar a instituição do fracasso absoluto. Se propuseram até a revezar no papel de palhaço, já que o profissional, por conta das vicissitudes, havia perdido completamente a graça.
Cabral, no entanto, não permitiu que o povo se metesse nisso. Já havia feito um acordo com uma milionária rede de TV para ele mesmo fazer o papel de palhaço.
Mas e se o público não gostar? Perguntou alguém da platéia.
- Que se dane – respondeu o ex governador às gargalhadas.
- Os contratos assinados já me garantem grana suficiente para uma boa temporada em Paris.
Acordei com o motorista do ônibus me chamando. Havia chegado meu ponto. Sonho estranho, né?

3 comentários:

Anônimo disse...

PORRA, GENIAAAALLL!!!!
:D

abraço
heraldo hb

Claudia Letícia disse...

Caramba, é assim que ele administra o estado, é?
Avé Maria !!!!!

Baixada Fluminense disse...

SE não fosse apenas um sonho!!!