26.3.09

Rio, uma enxurrada de balas

Quantas fábricas de fuzis, bazucas ou morteiros de guerra nos temos no Rio de Janeiro? Nenhuma. Quantas grandes plantios de cocaína ou laboratórios especializados na preparação da droga? Nenhum. Então o que ocorre conosco em termos de segurança pública?

Qualquer cidadão de bom senso sabe que a nossa criminalidade é oriunda do tráfico de drogas, armado até os dentes para garantir seu negócio. Se separarmos o crime comum dos crimes ligados ao negócio das drogas, talvez o Rio seja considerado uma das cidades mais tranquilas do planeta.

Nossa constituição prevê que os crimes ligados ao narcotráfico devem ser combatidos pela Polícia Federal,  no entanto, insistimos em  combate-los utilizando a PM. Há uma um contrasenso histórico e até uma grave irresponsabilidade nisso. Todas as armas  utilizadas pelo tráfdico são produzidas fora do País, assim como a própria droga negociada, e entram no Brasil graças a generosidade de nossas fronteiras. Exatamente por isso a constituição determina que a Polícia Federal seja a responsável pelo combate à esse crime. Enquanto nossas autoridades não entenderem que é necessário policiar as fronteiras o crime     ganhará espaço cada vez maior.

Na verdade, trata-se de uma grande covardia atribuir às PMs o combate ao narcotráfico, até pela diferença em termos de armamento pesado. Precisamos, na verdade, do exército. Mas não nas cidades e sim nas fronteiras. Agora que a ação dos bandidos definitivamente saiu da periferia e chegou à copacabana fica fácil perceber que se não agirmos rápido, e de maneira correta, acabaremos governados por traficantes. Oficialmente.


Texto publicado na página de opinião do Jornal  O Globo on line

3 comentários:

Torres disse...

Um dos seus leitores vai hoje comentar: concordo plenamente contigo, armas, drogas e secretários de droga são importações.
Acho que o atual secretário de Segurança(ou insegurança) já passou dos limites. Está colocando a população em polvorosa com sua "política" de insegurança. Promove verdadeiras guerrilhas sem nenhum resultado prático considerável. Será que o governador não está vendo a ineficiência do secretário e o pânico da população?

conversaatrevida disse...

é um tal de ' a responsabilidade é dele'...NÃO, ' é súa!!!' e continua nesse impasse...
Estava aqui pensando com o meu teclado:

A maioria que lê algo assim acha que essa violência só acontece em lugares como esse que ilustra o post...

Mas verdade seja dita: As favelas hoje em dia são apenas UM dos locais onde a violência mutila almas e tira a vida de pais, filhos, mães...Amores.

E é uma violência tão freqüente que perigosamente anda parecendo que virou comum.

Fico pensando que a continuar assim, daqui a pouco tempo teremos lojas como C&A, Pernambucanas e similares vendendo roupas blindadas...E com mudanças a cada estação.
é uma daquelas situações de 'seria cômico se não fosse trágico"

bjos...

Atrê

Vicente Portella disse...

Oi Torres,

Concordo plenamente com você. Não há politica de segurança, e sim de insegurança.
Grande abraço e obrigado pelo comentário.

Oi Atrê,

Por increça que parível, caminhams exatamente para isso. Uma espécie de fashion brutalidade.

Beijos imensos pra você.