28.3.09

Liberando a agressividade coletiva

Fantástico. Tem gente me xingando até agora lá no portal do Globo. O leitor padrão do jornal, geralmente muito inteligente e consciencioso, acredita piamente que meu artigo defende o Lula, mesmo que na prática eu tenha apenas condenado a agressividade gratuita e tergiversado sobre a essência particular de cada ser humano, mesmo quando no exercício do poder. Mas de qualquer forma é interessante colaborar para o fomento de paixões, especialmente em épocas de vazio existencial e tédio absoluto como a nossa.

Na prática, vivemos um momento tão pasteurizado da história que chega a ser surpreendente alguém reagir a alguma coisa e isso me faz entender perfeitamente, como qualquer monge tibetano, a indignação artificial e a auto afirmação retórica demonstrada por algumas pessoas.

É normal. O sujeito nasce, cresce e morre robô; graças à capacidade humana de reprodução, coloca no mundo mais e mais robôs. Nunca, em momento algum, consegue convencer alguém, por mais insignificante que sejam as pessoas com quem convive, de que sua parca existência sobre a terra tenha alguma utilidade real no vasto universo que o cerca. É claro que o sujeito tem que descascar em alguém, tem que liberar sua agressividade. E como eu estava ali mesmo, de bobeira, exposto aos sentimentos emanados da frustração coletiva, porque não em mim, certo?

Sinto-me, inclusive, orgulhosamente satisfeito, pois dei minha contribuição real para o estabelecimento de uma terapia coletiva que pode vir a ser o grande instrumento de ressurreição de um amontoado de almas mortas que vagam pastando pelo mundo. Freud, se vivo fosse, certamente me congratularia por servir de para raios para tantos néscios de uma só vez. Certamente isso ajuda no tratamento e deve ser bem menos agressivo que choque elétrico. Apesar de que alguns, talvez pelo atavismo cultural e religioso, prefiram o choque elétrico. Algo a ver com a purificação da alma através do sofrimento terreno, não sei explicar direito. Mas fazer o que, né? Alguns usam  drogas, outros lêem seu jornal preferido e outros se torturam enquanto esperam algum incauto para derramar sobre ele a culpa acumulada durante os anos de existência. No mundo moderno todos são viciados em alguma coisa. Talvez Freud explique.

3 comentários:

DESIRE disse...

Nada como agitar as águas e levar as pessoas a meditar!
Beijos prometidos

Vicente Portella disse...

Oi Desire,

É isso mesmo. Mas no final das contas sempre acaba valendo à pena...rs

Beijão pra você.

conversaatrevida disse...

sei não...mas acho que tem coisas que NEM Freud explica...

Sempre achei que ele tentasse tanto explicar os OUTROS pra fugir das próprias incompreensões...
Ou então tentava 'entender' o outro numa tentativa se se entender melhor...

Vai saber.............rs

bitocas Vicente

Atrê