11.11.08

O cheiro da madrugada

Tem dias, em que a noite confunde a gente.

O sujeito chega, puxa a mesa da bodega, se aconchega e, de repente, nem sabe mais por que águas a própria alma navega.

E a lucidez segue assim em interminável refrega com a pobre da insensatez.

O dia chega e diz não.

A noite, sopra um talvez.

Já a doida madrugada, feroz e destrambelhada, em completa embriaguez, diz: agora, meu amor.

E as pernas entorpecidas se arvoram em merecida e lúdica caminhada.

No meio da noite, a estrada, nem parece com a balbúrdia que se encontra de dia. 

É luz piscando nos olhos, botequins pelas esquinas, um certo ar de festejo, a boca aberta pro beijo, decotes, saias, meninas...

O cheiro delas escorrendo pelo brilho das estrelas, tomando o cérebro inteiro e impregnando as narinas.

A noite deveria ser algum tipo de canção dessas que nunca termina.

Com acordes absolutos penetrando pelos tímpanos e se apossando do espírito

ou algum tipo de verso majestoso e impenetrável. 

Algo assim inenarrável, um experimento empírico por sua essência, abstrato.

E a madrugada, não o dia, deveria ser seu quarto para acomodar os partos insanos da poesia.

2 comentários:

Anônimo disse...

fodaço!!
:D

abraço.
heraldo hb /.

Fera Felina disse...

Mto envolvente seu texto.

Bjinhos