6.10.08

Voltemos à poesia...

Nestes tempos atuais, tão bicudos, fico pensando cá com meus botões: será que ainda existe no mundo espaço para a delicadeza? Qualquer um que anda nas ruas de qualquer grande cidade do planeta tende a responder essa pergunta negativamente. São bandidos, traficantes, políticos, mau amados, maus amantes, é tanta coisa que explode diariamente por aí que a gente acaba desacreditando do belo. Fica no ar aquele texto do Rui Barbosa sobre o homem acabar por sentir-se envergonhado pela sua própria honestidade.
Mas na verdade, bem no fundo, a coisa não é tão feia quanto se pinta. Ainda há por aí muita gente bela de corpo e espírito tentando impor à vida uma condição de dignidade e beleza. E pasmem, essa gente é maioria. O problema é que as manchetes só dão espaços aos maus, aos repugnantes e aos corruptos e aí a gente acaba acreditando que  eles são maioria, mas isso não é verdade.  Isso pode até vender jornal e instaurar o pânico coletivo. Mas é só isso.
Hoje mesmo tive uma prova de que ainda há espaço para o sublime na alma humana. Almoçando com o amigo Beto Gaspari, no bar do Zequinha, dentro do mercado municipal, tive a grata surpresa de encontrar com Frascisco Buscácio, seguramente um dos poetas mais importantes da nossa cidade. No próximo dia 11 de outubro Buscácio estará completando 90 anos de idade e de poesia. Data que merece ser comemorada com avidez, pois, se os poetas são seres raros de um modo geral, Buscácio, em especial, é um ser ainda mais raro. Dono de uma vasta obra, da-se ao luxo de cultivar o parnasianismos em jarros de cristal, sendo fiel ao seu tempo e a sua vocação para a perpetuação do belo.
A obra de Buscácio é em si uma prova irrefutável de que ainda existe no planeta terreno fértil para se cultivar nobres sentimentos. Aliás, utilizando-se da poesia, estes sentimentos tem a tendência natural de se espalhar por aí contaminando jovens de todas as idades com o vírus do amor à arte. Ser inoculado com este vírus é uma maneira bastante interessante de comemorar os 90 anos de Francisco Buscácio no dia 11 de outubro. Afinal de contas, a arte pode ser tomada em doses homeopáticas ou ser diretamente injetada na veia. Não importa. O importante é o quanto de beleza isso gera.
 

2 comentários:

Atre disse...

olhando essa imagem me deu um SAUDADE do Rio de Janeiro, cidade onde vivi alguns anos atrás.
É que tirei uma foto fazendo uma pose assim, junto com umas estatuas representando essa imagem no Jardim Botânico...

Nem lembro agora onde está a foto...mas meio que te plagiando:
"Não importa. O importante é o quanto de alegria essa lembrança gera".

Atre disse...

ah, só pra constar:

E não é que eu ACHEI a tal foto?...rs

bjo