21.1.09

Quem é esse cara?

Antes de 2007, sinceramente, eu nunca tinha ouvido falar em Barak Obama. Esse homem americano, negro, inteligente e sério que surgiu como um furacão, atropelando líderes políticos históricos dos EUA e acabou se tornando o homem mais poderoso do planeta, era até bem pouco tempo um desconhecido para o mundo inteiro. No entanto, nunca, em momento algum da história recente, nenhum líder político cativou tantas pessoas e encheu de esperança tantos corações.

Na verdade nada anda tão desgastado quanto a credibilidade política, aqui e no mundo. Acostumamo-nos a tratar a política como algo que não é para ser levado à sério, até porque o cenário político mundial tem sido palco para fanfarrões, debilóides e picaretas de todos os tipos. No Brasil, por exemplo, temos um Presidente da República altamente popular e que, comparado a seus antecessores, pode ser considerado um bom Presidente, no entanto, nada mais escapa. Partidos medíocres no poder e na oposição, Ministros, Governadores e Prefeitos completamente despreparados e descompromissados com seus cargos e com a coisa pública, Senadores, Deputados e Vereadores que não servem nem como peso de papel, enfim, um cenário dantesco. E em outros países a coisa não tem sido diferente, inclusive no primeiro mundo. A Inglaterra de Tatcher à Blair cuspiu na cara do planeta, provando que imbecis podem exercer o poder. Os próprios EUA, com Bush, um Severino Cavalcante piorado, deixaram bem claro que, literalmente, qualquer um pode chegar ao poder em uma democracia sem precisar, para tanto, ser muito mais inteligente que um Dromedário. E creio que exatamente este cenário horroroso tenha sido o principal responsável pela ascensão de Obama.

Havia no ar, espalhado pelo globo, certo consenso de que nada mais poderia ser feito para dignificar o exercício da atividade política. Qualquer um de nós, quando perguntado, dava a causa como perdida.

Fazíamos isso por uma razão muito simples: descrença. Nada parecia ser capaz de nos dar expectativa. O “deus” mercado parecia ter substituído definitivamente o Estado, transformando-o, como em qualquer mercado, em um balcão de negócios.

Eis que de repente, não mais que de repente, surge uma nova mentalidade. Novamente torna-se a crer na política como uma atividade digna. E não me refiro especificamente a Obama. Não creio que ele seja nenhum Deus surgido para resgatar a dignidade no mundo, não é isso. Creio, na verdade, que Obama teve o mérito de acreditar. E mais que isso, nos fazer acreditar também. Seu mérito na verdade não é ser negro, nem jovem, nem inteligente, nem capaz. Seu mérito é nos faz acreditar que ainda é possível a existência de gente de bem na política e que nós podemos, sim, conforme seu slogan de campanha, fazer a diferença e mudar os rumos de uma história.

Talvez tenha pesado na convicção pétrea de Obama o fato de ter uma formação protestante, atividade que por lá costuma ser usada com instrumento de organização política e social, apesar de, como aqui, ser também um magneto atraindo embusteiros e exploradores.

O fato é que Obama é o cara que pode mudar o mundo. Basta que seu exemplo seja seguido, que pessoas consideradas do bem ocupem espaço real no cenário político, para que isso ocorra. Seria bom para o mundo e bom para o Brasil.

Em Brasília, por exemplo, temos 513 Deputados. Destes, apenas uns 30/40 podem ser considerados pessoas sérias e de bem. Imaginem se a proporção fosse invertida, o quanto seria bom para todos nós?

Pois é, creio que Obama teve esse mérito, declarar ao mundo que é possível ser melhor. E exatamente por isso ganhou credibilidade em escala planetária.

Pode ser que seu Governo, iniciado hoje, nem seja tão bom assim. Pode ser até que as altíssimas expectativas depositadas nele se frustrem. Pode ser que nada do que se espera venha a acontecer. Mas o fato é que espalhou-se pelo mundo a convicção de que se eles, americanos, podem, nós também podemos.

9 comentários:

conversaatrevida disse...

Vicente eu não vou estar exagerando se eu disser que seu comentário no meu blog, no post sobre Obama fez descer uma lágrima dos meus olhos.
E como retribuir essa emoção, se não postando aqui, num post sobre ele as mesmas palavras que reforçaram ainda mais a crença de que "sim, nós podemos"?

sonho impossível

Composição: Joe Darion, Mitch Leigh (versão em português de Chico Buarque)

Sonhar
Mais um sonho impossível
Lutar
Quando é fácil ceder
Vencer
O inimigo invencível
Negar
Quando a regra é vender
Sofrer
A tortura implacável
Romper
A incabível prisão
Voar
Num limite improvável
Tocar
O inacessível chão
É minha lei, é minha questão
Virar esse mundo
Cravar esse chão
Não me importa saber
Se é terrível demais
Quantas guerras terei que vencer
Por um pouco de paz
E amanhã, se esse chão que eu beijei
For meu leito e perdão
Vou saber que valeu delirar
E morrer de paixão
E assim, seja lá como for
Vai ter fim a infinita aflição
E o mundo vai ver uma flor
Brotar do impossível chão

E como sempre digo, sinto-me menos "tola" quando vejo que o que penso encontra boa companhia num obro de gente que não faz cara de paisagem e acha sempre que é "tudo, do mesmo...sempre"

Bjo

Atrê

Vicente Portella disse...

Oi Atrê,

Nós não somos tolos, os outros é que são acomodados ou tem preguiça de acreditar em coisas boas.
Mesmo sendo minoria, nós somos os normais nessa história.

Beijos meu anjo, repletos de sonhos impossíveis que precisam urgentemente ser realizados.

Valeu

Beatriz Oliveira disse...

Sei não... Não entendo muito de política, mas entendo muito de enganação! Tá difícil acreditar em alguma coisa, hoje em dia. Eu só acredito vendo. E assim mesmo, com a pulga atrás da orelha: muita gente se faz de boazinha pra se aproveitar dos outros. Por que ia ser diferente na América?

conversaatrevida disse...

oooooooooooooooiiiiiiiiiiiiiii....

Cadê esse meu parceiro de "sonhos impossíveis que precisam urgentemente ser realizados?????"

Até o OBAMA já tá trabalhando...e vc, volta a trampar no blog QUANDO????

bjo

Atrê

Fera Felina disse...

Yes, we can :)

O mais importante foi a mudança, que por aki, não acontece nunca.

Bjos

LNabuco disse...

Vicente!!!

Na verdade o que é sempre ensinado nas escolas é um atropelo de conhecimento.
O livre pensar,a crítica,meios de fazer com que uma sociedade se crie com uma unidade é piada nesse país( que eu amo...brasileiro gosta de sofrer? hehehehe)
Mas veja só a aberração do ensino particular...poucos privilegiados e que fazem realmente a divisão do país.
Enquanto não tivermos uma educação honesta e para todos,que brancos,mesclados,negros,ricos,fodidos,frequentem o mesmo espaço dele recolhendo a síntese do que é seu país vai continuar proliferando essa corja de bandidos que dominam nossas leis...O interesse de formar uma sociedade que saiba do seu valor e cobre seus direitos não interessa esses larápios!
Temos que discutir mais política e para de balançar a bunda..hehehehehe
Adorei seu post!!
E falei muito!!!
Beijos.

conversaatrevida disse...

Espero que a mudança seja pra MUITO melhor...
E que o problema da falta de conexão seja logo resolvido.

E enuanto seu post não muda... a gente ao invés daquelas músicas que vc posta vai se contentando com a "bundada do Obama"..........

Olha que depois dos bailes da posse eu gostei MAIS ainda do Obama.

Romântico dançando com a esposa, e cheio de swing dançando solto.

Vamos torcer que NÃO seja um sinal de que o governo dele vá dançar, mas sim de que o governo dele vai acertar no ritmo.

Prefiro SEMPRE pensar na melhor hipótese, mesmo não desconhecendo as outras possibilidades.

Bjos moço.

Vicente Portella disse...

Valeu Atrê,

Já estou de volta.Prontinho pra carregar, junto com vc, essa bandeira da convicção de que é possível fazer com que as coisas sejam melhores.

Beijão

Oi Luciana,

Falou demais não. Falou o que precisa ser falado.
Obrigado pela visita e volte sempre, a casa é sua.

Beijão

jacker disse...

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