3.6.09

Judiciário de boteco, ou, a nova Lei Teresoca

O que estão fazendo com esse menino, Sean,  é de uma covardia pavorosa. Uma temeridade.

Em nenhum lugar do planeta um padrasto tem prioridade em relação ao pai biológico na guarda de uma criança.

Marco Aurélio Mello erra terrível e conscientemente ao acatar o pedido de um partido político, no caso o PP do Senador Francisco Dorneles, amigo da família Lins e Silva,  e permitir a politização do drama desta criança.

Na prática, voltamos aos tempos da Lei Teresoca, feita sob encomenda para beneficiar única e exclusivamente o jornalista Assis Chateubriand, poderoso proprietário do, à época, temido Diários associados.

A diferença e que o Ministro Mello, primo do Senador Fernando Collor de Mello, aquele, nem mesmo esperou que alguma lei fosse inventada, ou tirada da cartola, para escolher o seu lado na contenda e optar por uma atitude teratológica, do ponto de vista  judicial.

É por causa de ações desse tipo que as instituições no Brasil são consideradas falidas. Não há segurança nem estrutura legal que resista aos interesses das elites, dos riquinhos, dos donos do poder.

É uma pena que mais uma vez o poder judiciário sirva de pasto para cavalos paraguaios.

Bem que o Brasil já anda merecendo autoridades, inclusive no poder judiciário, mais sérias e qualificadas.

3 comentários:

conversaatrevida disse...

'Em nenhum lugar do planeta um padrasto tem prioridade em relação ao pai biológico na guarda de uma criança'
Pois é... Pelo que eu sei, até estupradores tem direitos sobre os filhos...

Eu confesso que tenho lá minhas ressalvas nisso de 'pai biológico' ou padrasto.
Primeiro porque isso de sangue ser mais importante parece lei da máfia, segundo porque a vida (e os noticiários) estão cheio de exemplos de que as vezes laços de amor fazem muito mais bem as pessoas do que laços de sangue.

Eu não sei muita coisa sobre esse caso, só o que vi pela TV e confesso que, pelo que vi, eu acho que pra criança voltar pro pai biológico NÃO é a melhor opção não.
Até porque não é o caso dessa criança ter vindo há um mês pro Brasil e a mãe ter morrido.
Se é verdade que ela veio sem autorização do pai é OUTRA história (até porque não sei se a mãe não fez isso justamente porque era melhor manter o filho longe do pai...Em muitos casos é).
Confesso que aquilo do pai biológico vender avental e sei lá mais o quê com fotos dele eu acho 'o fim da picada'.
Acho que ele deveria ter feito MUITO barulho, inclusive na justiça e imprensa aqui quando essa criança foi trazida ao Brasil se foi contra sua vontade), mas tirar uma criança que está com avós e um padrasto por tanto tempo pra devolve-la ao pai biológico só porque ele é o pai biológico é tratar essa criança como mercadoria que deve retornar ao seu destino de origem.
Nem to dizendo que esse pai biológico não seja bom pai ou que não mereça ficar com o filho, mas acho que agiu errado até agora e se ele quer mesmo o filho por amor, se foi um bom pai, devia ser feita uma reaproximação, mas não tirando de imediato a criança daqui e mandada pra lá só porque ‘a lei manda’.
Talvez agora seja necessário que o pai biológico tente se aproximar do universo desse filho, não o contrário.

Enfim...Tu sabe que eu 'quase' love you né?
Embora a gente nem sempre concorde a conversa é sempre boa.

bjo

Vicente Portella disse...

Pois é Atrê,
Pelo que eu saiba o pai do garoto não é nenhum monstro oi coisa parecida. Apenas se separou da mãe e ela veio morar no Brasil com o filho. Com a morte da mãe, é natural que o filho vá morar com o pai.
Infelizmente,no entanto, o destino da criança esta sendo traçado por questões políticas e não familiares. A família Lins e Silva e poderosíssima e tem muitas conexões com o poder, daí todo esse imbróglio. A decisão de Marco Aurélio foi meramente política, atendendo ao pedido de um partido, O PP de Dorneles.
Uma das coisas que deveria caracterizar o poder judiciário é a isenção, que nesse caso, não existe. E o que é pior, pode tornar-se jurisprudência e deixar de existir, transformando o poder judiciário em uma mero aparelho de quem detém o poder político.
Trata-se de verdadeiro escárnio a constituição promovido por quem deveria protege-la.
Você, sendo uma mulher de boa vontade, faz a leitura emocional da coisa, mas na verdade tudo não passa de uma baita jogada política. A última coisa com que estão preocupados é com o futuro da criança.
O caso de Elian, o menino cubano, foi bem parecido com esse, só que ao contrário. Politicagem à serviço da deformação definitiva do poder judiciário.

conversaatrevida disse...

'Uma das coisas que deveria caracterizar o poder judiciário é a isenção, que nesse caso, não existe.'

bom, posso até estar errada...
mas creio que julgar uma propriedade (como quem tem direito a casa, ao carro) não é a mesma coisa de se julgar com quem fica uma criança, por exemplo.

E a minha visão não é a visão de uma 'mulher de boa vontade' é de alguém que entende que nem sempre a lei, da forma que é escrita, deva ser seguida a risca do que consta no papel quando se vê diante de uma situação como esta.

eu realmente não sei se ele vai estar melhor com o pai biológico ou com a família que está agora (acho que não é algo que se saiba sem investigar as duas situações) o que sei é que achar que alguém é melhor pai só porque tem o mesmo sangue é abolir o sentimento que move as pessoas e por sobre elas o dna que até onde eu sei, não é o que faz as pessoas boas ou más.

Se o governo daqui está agindo pelo bem da criança ou por motívos políticos eu não sei...
Mas também não vejo que seja o bem estar da criança que está movendo os americanos, inclusive os políticos lá, a serem favoráveis que a criança fique com o pai biológico.
O que vejo é o tal 'nacionalistmo acima de tudo' deles sendo posto em prática.

Enfim, não é porque a famíla daqui é poderosa, que tem ligações políticas que eu vou achar que estão agindo politicamente e não por amor e pelo bem estar dessa criança.

Aliás, nenhum de nós sabe NADA de real sobre essa historia, só fazemos 'deduções' a partir da nossa própria visão das coisas que nos chegam pela TV, pelas notícias, né não?

E aí nossa opinião sobre o caso vai ter sempre mais a ver com a nossa maneira de ver a situação do que a situação de verdade é.

Opinião minha, claro.

E apesar de vc NÃO ter me mandado, eu te mando BEIJOS...............rs