
30.4.07
Sucesso de público de volta em cartaz...

26.4.07
Lavradio, anjo meu...

Da-se ao luxo também de ser exótica, pois dispõe de um Mangue, aliás, um Mangue seco. Seco de água, mas inundado de cachaça da melhor qualidade. Mais de cem, pra quem aprecia uma boa privação de sentidos.
Em suas esquinas brilham imensas estrelas, porém, modesta apesar da majestade, divide com a Mem de Sá a Estrela da Lapa e, com a Rua do Senado, o Nova esperança. Porque a Rua do Lavradio é assim: gera espontaneamente os mais nobres e lúdicos sentimentos. Muito provavelmente carrega consigo o destino de ser assim pra sempre.
25.4.07

Jorge Coutinho, o ator, esta entre os favoritos para ser presidente da TVE, a TV educativa do Rio de janeiro, atualmente comandada por paulistas. Seria um presentão para o Rio, pois, além de artista, Coutinho é carioca e certamente abriria espaço para os nossos talentos na emissora.
Caso Lula tome essa decisão a cultura do Rio agradecerá penhorada.
24.4.07
E por falar em Sabiá

Algo absolutamente belo. Voz lindíssima, repertório rico e variado, um violão majestoso, enfim, coisa rara de se encontrar por aí.
Ainda não sei qual a agenda de shows da Juliana, mas assim que souber prometo publicar aqui para que vocês tenham a oportunidade de conhece-la. Desde já, afirmo, vale a pena. Juliana é a prova irrefutável de que a arte esta viva e de que há vida inteligente nesse planeta.
Exílio voluntário

Abri mão dos largos benefícios conferidos a mim por minha terra natal, a outrora velha e boa Duque de Caxias, e exilei-me na Lapa. Não exatamente Lapa, é verdade. Mas entre ela e o Bairro de Fátima.
Confesso aos amigos que os sacrifícios aqui são enormes, fantásticos, incomensuráveis...
Para se ter uma idéia, quase todas as noites sou obrigado a conviver com uma gigantesca estrutura cultural que espalha-se pelas ruas e invade indiscriminadamente casas, prédios, bares, lojas etc...algo terrível para quem havia se desacostumado destas práticas desde a ascenção do império Zitumano, quando a atividade cultural foi abolida em minha cidade natal, até os dias atuais.
Ver-me agora anexado novamente a toda uma gama de atividades artíscas causa pânico, paúra, desnorteamento. Para regozijo deste pobre escriba, no entanto, a sorte as vezes nos sorri. Não raramente temos encontrado outros refugiados vagando artísticamente pelas bares, becos e casas de shows dessa que é a terra que me serve como abrigo.
Jorge Bodart, vire e mexe empresta voz e violão ao Dom Lucas, na Men de Sá, e torna a vida de exilado algo plenamente suportavel, diria até interessante, ou mais, gratificante.
André Vianna e a troupe do Nosso Canto aportaram dia desses no Cais da Praça Máua, algo fantástico para quem ja não conta com a sombra proporcionada pelas palmeiras da boa terra, nem mais escuta o canto do sabiá, que, pelo visto, tambem abondonou a terra natal e se refugia por essas plagas.
Até mesmo o Mate com angú, do jovem e bom HB, novo libélo de resistência cultural duquecaxiense tem desfilado por aqui, no Circo Voador, coroando de exito uma ainda curta existencia povoada por criatividade, cultura e indignação.
Não. Não me limito às visitas patrícias, pois meu exílio é amplo, geral e completamente irrestrito.
Para adequar-me a nova terra sucumbo aos seus encantos, mesmo que para mim, as vezes seja um martírio. Imponho-me a frequencia ao Bar Brasil, não somente pelo prazer e muito menos por este oferecer, talvez, o melhor chope do mundo, mas pela busca da adaptação. Bebo um chope e os olhos lacrimejam pois vem-me a lembrança do meu segundo lar, o Mira Serra. Mas, mecanicamente, após um parco momento de angústia, sigo para o Nova República, um rodísio justo e quase perfeito. E depois, geralmente, vago pela Lapa, mais ou menos, creio, da mesma maneira que Chico vagava por Roma e Caetano por Londres. Acalanta-me, no entanto, o belo desfilar de beldades. Moças de todas as partes. Como diria Vinícius, umas difíceis, outras fáceis, exatamente da forma mais correta que há para se extrair toda a poesia da vida.
Como não sou Pero Vaz e a vida caminha, encerro aqui este relato que se trata do meu exílio. Voluntário, é bom que se diga, nesta terra em que se cantando, quase todas dão.
Abraço fraterno aos patrícios com os votos de que nossa terra um dia volte a ser governada por seres humanos normais. Se é que isso ja ocorreu em algum momento.
Sem mais, despeço-me
Da Lapa par o mundo, Vicente Portella