13.5.11

Nem sub nação, nem sub educação:Eu quero o meu Brasil de volta

Já faz um tempo, o Brasil, oficialmente, começou a adotar atalhos para resolver seus problemas, inclusive os sociais. Se os critérios para considerar alguém como classe média, por exemplo, são "rigorosos", mude-se os critérios e pronto. Com exceção dos sem renda, todos passarão a ser considerados classe média. Fizeram isso no Brasil.
Para o Governo é mais fácil contornar do que remover as pedras, mesmo que o contorno faça com que o caminho nos afunde nos pântanos mais variados.
Depois de levar esta concepção à vários níveis da economia, dos indicadores sociais, etc, a coisa chegou a educação. Oficialmente o Brasil não ensina mais suas crianças a falar certo, pois o MEC - Ministério da Educação - resolveu aderir aos erros, adota-los como método de trabalho, ao invés de corrigi-los, segundo matéria do portal  IG  .
Nossas doutas autoridades (ou otoridades?) educacionais, aquelas mesma que tentaram proibir Monteiro Lobato nas escolas, decretaram que o erro não é mais uma coisa errada e que, à partir de agora falar e escrever de forma correta passou a ser um erro.Mais inversão de valores, impossível.
A decisão do MEC não é apenas absurda, mas é também temerária. "Nunca antes na história deste País", como diria o doutor Lula, adotou-se uma visão tão APEDEUTA de Educação (ou educassão?). Trata-se de algo mais agressivo que um tapa na cara ou um chute nos países baixos, é algo grotesco.
Não sei se a intenção do MEC foi legitimar o discurso daqueles políticos que não sabem discursar, a tribo do "nós vai, nós foi", tão bem representada nos legislativos e executivos tupiniquins em todas as instâncias e que dão apoio crucial ao governo, ou se foi apenas uma forma de agradar ao ex presidente Lula, líder pródigo na arte de falar, pensar e agir errado. O fato é que nada justifica isso.
Por mais analfabetos que sejam os nossos governantes, não se pode oficializar o analfabetismo e decretar para o Brasil a condição de subnação.
Não é só porque os membros do atual governo são limitados que o país pode condenar nossas crianças à escuridão da ignorância eternamente, até porque, ao contrário dos quadros governantes, a maioria nas nossas crianças é inteligente e criativa. Aliás, talvez seja exatamente por isso que o governo tenta apequenar a educação. Quanto maior for o investimento em educação de qualidade e cultura, menor será a possibilidade dessa gente se manter no poder por muito tempo, dai a necessidade de nivelar por baixo, de obscurecer ao invés de iluminar o caminho dos estudantes, de desconstruir a nação inteira. Trata-se de auto defesa, medo de perder o poder. Só pode ser isso.
Daqui do meu canto só posso esperar que as pessoas reajam, pois os parâmetros da Educação são mundiais e não podem ficar restritos à concepções petistas. Nesse jogo, pelo menos, não se pode permitir mudança de regra. Não se pode transformar o erro em correção só para que líderes menores posem de pessoas cultas.
Para os petistas, ler pode até ser uma tarefa árdua, que provoque azia (1), mas para o Brasil, povo e sociedade, a coisa não pode ser assim. Não se pode nivelar um País inteiro pelo nível cultural e educacional de uma turma que chegou ao poder exatamente da mesma maneira que governa, se aproveitando dos atalhos.

(1) - Curiosamente, contar dinheiro público em suas contas particulares não causa tanta náusea à essa turma.

5 comentários:

Ricardo disse...

lamentável, uma coisa é popularizar, diminuir a erudição de uma língua, acrescentar palavras e expressões de uso popular, outra coisa é transformar o errado em certo, mas... esta é apenas mais uma das coisas na qual aplicam a inversão de valores, que parece ser a tônica atual...

há pouco tempo postei um comentário no meu blog falando destas "soluções" à moda brazil...
http://ricardo-barbieri.blogspot.com/2011/05/menores-abandonados-solucao-encontrada.html

reação??? não creio, infelizmente.

grande abraço.

Mary Jane disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Mary Jane disse...

(Por favor, exclua o post anterior que não foi revisado e adicione este)


Olá, Vicente! Você não me conhece, sou Mariana, namorado do Ricardo e adoro comentar blogs. =) Aliás, achei bem interessantes os seus blogs. Virarei sua seguidora em dois deles, se você aceitar. Juro que não sou nenhuma maníaca querendo angariar informações para terrorismo. Maníaca, não sou, mas doida, certamente, porque eu sou professora e lido exatamente com o que você comenta neste post tão bem escrito e pertinente.

Os políticos estão se utilizando de um conceito bastante comum na linguística: o preconceito linguístico. Neste conceito, os linguistas afirmam que comunicar é mais importante, grosso modo. Por exemplo, dizer "nós vai ao cinema" está ok porque a comunicaçào se efetivou apesar do desvio na norma culta. Agora, uma coisa que os políticos estão desconsiderando no discurso dos linguistas é que APESAR DE PRIORIZARMOS A COMUNICAÇÃO EM DETRIMENTO DA NORMA CULTA, ENFATIZAMOS QUE ESTA DEVE SER RESPEITADA EM DETERMINADOS CONTEXTOS (ESCOLAR, PROFISSIONAL, ALGUNS AMBIENTES SOCIAIS...) A FIM DE OBTERMOS ASCENÇÃO SOCIAL POIS QUERENDO OU NÃO, A NORMA CULTA AINDA PREVALECERÁ POR MUITO TEMPO).

Logo, um bom profissional entende que a comunicação é mais relevante, porém, não podemos esquecer que a norma culta existe e deve ser respeitada caso almejemos alcançar posições sociais.

Ps: Certamente que explicar isso para os alunos após a eleição do Lula ficou árduo, mas ainda insisto em citar a Fátima Bernardes nos meus exemplos. rs

É isso.

Outro hora leio outros posts e comento. =) Beijos

Vicente Portella disse...

Mariana,
nada contra a linguagem popular, só acho que não se pode implodir a norma culta em nome de uma pesudo informalização. A vida não se dá apenas com relações informais.

Barbieri,

Valeu, parceiro. Grande abraço pra você.

Mary Jane disse...

Concordo! A linguagem popular existe e é real, mas não é por isso que devemos esquecer a norma culta pelas razões que ~já escrevi aqui.