Recebi este vídeo de uma amiga, por email. Pode ser até meio cruel para com a arte da mágica, mas não deixa de ser interessante a revelação de como é feito o truque. Tudo muito simples e talvez exatamente por isso, mágico.
21.12.07
15.12.07
Nunca mais

Com um ar calamitoso
No horizonte arbitrário
Da minha caverna escura
A noite chega
e sinto falta de mim
Lembro de Cecília
Pois eu também não tinha este sorriso feio
As cicatrizes se espalham pelo meu rosto
Mas nem lembro mais dos cortes
das feridas
do sangue, das tantas dores
Nem mesmo dos arredores
de onde perdi a vida
Já não me lembro mais dos parques
Nem jardins da Prefeitura
Nem mesmo, sequer, me ocorre
Em que vaga criatura
Abandonei os temores
Que me mantinham pregados
Ás coisas todas do mundo
Já não sei mais em que corpos maliciosos
extravasei meus amores,
E já nem sei se eram mesmo amores
Ou vícios da humanidade
Lembro vagamente dos meus sorrisos
espalhados pela cidade
Em cada porta havia
ao menos um sorriso meu
Amava em estardalhaço, eu sei
Berrando gozos fantásticos
Mas isso tudo se perdeu
A noite que chega agora
não me traz melancolia
E nem mesmo os fantasmas dos amores mais antigos
Tudo desaba
Mas é como
se nem tivesse existido
Um tempo qualquer
Anterior a esta noite
Em que o corvo boquirroto
Grita em meus ouvidos
A velha e triste sentença:
Ele me diz “Nunca mais”
Será mera coincidência
Ou o corvo da consciência
- Demônio ou ave preta –
Grita a todos os poetas
Este verso: nunca mais?
Volto ao vinho
para encarar
as tramas da noite eterna
que desce pelo horizonte
escuro da minha caverna
Fecho todas as janelas
Ignorando os umbrais
Conhecendo minhas mazelas
não preciso mais de um corvo
pra me dizer:
Nunca mais.
Vicente Portella
Motivo

e a minha vida está completa.
Não sou alegre nem sou triste:
sou poeta.
Irmão das coisas fugidias,
não sinto gozo nem tormento.
Atravesso noites e dias
no vento.
Se desmorono ou se edifico,
se permaneço ou me desfaço,
- não sei, não sei.
Não sei se fico
ou passo.
Sei que canto.
E a canção é tudo.
Tem sangue eterno a asa ritmada.
E um dia sei que estarei mudo:
- mais nada.
Cecilia Meireles
Cecilia Meireles
A noite dissolve os homens - Drummond

Já não enxergo meus irmãos.
E nem tampouco os rumores
Que outrora me perturbavam
A noite desceu. Nas casas,
Nas ruas onde se combate,
Nos campos desfalecidos,
A noite espalhou o medo
E a total incompreensão.
E a total incompreensão.
A noite caiu. Tremenda,
Sem esperança… Os suspiros
Acusam a presença negra
Que paralisa os guerreiros.
Que paralisa os guerreiros.
E o amor não abre caminho
Na noite.
A noite é mortal,
Completa, sem reticências,
Completa, sem reticências,
A noite dissolve os homens,
Diz que é inútil sofrer,
A noite dissolve as pátrias,
Apagou os almirantes
Apagou os almirantes
Cintilantes nas ruas fardas.
A noite anoiteceu tudo…
O mundo não tem remédio…
Os suicidas tinham razão.
Carlos Drummond de Andrade
Carlos Drummond de Andrade
Cocktail Party

Não dessa tristeza ignominiosa dos que, em vez de se matarem, fazem poemas:
Estou triste por que vocês são burros e feios
E não morrem nunca…
Minha alma assenta-se no cordão da calçada
E chora,
Olhando as poças barrentas que a chuva deixou.
Eu sigo adiante. Misturo-me a vocês. Acho vocês uns amores.
Na minha cara há um vasto sorriso pintado a vermelhão.
E trocamos brindes,
Acreditamos em tudo o que vem nos jornais.
Somos democratas e escravocratas.
Nossas almas? Sei lá!
Mas como são belos os filmes coloridos!
(Ainda mais os de assuntos bíblicos…)
Desce o crepúsculo
E, quando a primeira estrelinha ia refletir-se em todas as poças d’água,
Acenderam-se de súbito os postes de iluminação!
Mário Quintana
14.12.07
Elomar no Rio, neste final de semana

RIO DE JANEIRO - Projeto Pixinguinha sábado e domingo, dias 15, 16 e 17 de dezembro de 2007às 18h30min5 reais inteira (isso mesmo!) e 2,50 a meia.
Funarte - Sala Sidney MullerRua da Imprensa, 16Rio de Janeiro, RJTel.: 2215-1668 / 2240-5151
Homenagem na TV Culturasexta-feira, 21 dez, 2007, 21hEm 21 de dezembro próximo, às 21h, a TV Cultura apresentará no programa Mosaicos um especial em homenagem ao grande mestre Elomar, contando com a participação da grande intérprete paulista Monica Albuquerque, juntamente com Xangai, Vital Farias e Geraldo Azevedo.
Texto de Heraldo, HB
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