16.5.13

João Urca Beach: O artista e a banda




O que é a Urca Beach? 

A banda Urca Beach é na verdade uma ficção, fruto de um sonho meu de criança. Desde os doze anos eu componho e desde então sinto que as canções nascem com arranjos, quase sempre. Tocá-las só ao violão me frustra. Por isso insisto em fazer-me acompanhar de bons músicos. 
O grupo Urca Beach foi uma busca minha, de encontrar uma sonoridade própria. Eu queria um disco que pudesse ser reproduzido ao vivo. E digo que andamos conseguindo isso. Também fizemos releituras magníficas de compositores conhecidos. É pena que não temos nenhum registro, ainda, dessas releituras. Mas a questão é meramente econômica, pois os músicos estão sempre coesos comigo. O problema é que três deles vivem de música e eu não consigo uma agenda de shows que garanta a sobrevivência de todos. Além do quê, você me conhece, sou mau vendedor, infelizmente. 
Meu negócio é tocar meu violão, compor e cantar (Risos). Preciso urgente de alguém que me venda. 


E o CD “Praia e luau” ? 

O CD "URCA BEACH: PRAIA BAR E LUAU", traz registros de oito anos juntos, com variações na formação. Membros fixos foram eu, Dida, Wagner (violão e guitarra) e o Osmar (bateria). Muitos outros músicos, no entanto, participaram. 


E porque você adotou o nome da banda? 

Como eu não tenho garantias de continuidade do trabalho com o pessoal, adotei o nome JOÃO URCA BEACH, para me fundir com a marca, que eu registrei. Assim, posso me apresentar sozinho, ao violão (e tenho começado a gostar disso), ou com um, ou mais membros da banda, que, por isso, acho mais conveniente chamar de "grupo" e não de banda.  



Qual o estilo do Urca Beach? 

Nosso estilo é MPB. Nossas influências, da nossa melhor música feita por negros: Claúdio Zóli, Djavan, Tim Maia, Seu Jorge, Jairzinho. Não é à toa que tocamos muito esses caras. 
Mas também tocamos os clássicos (Chico, Caetano, Gil). E também alguns clássicos do rock, como Eric Clapton, Guns and Roses, Pink Floyd. Na maioria, do nosso jeito. 


E como você vivencia esse processo? 

A convivência com bons músicos me ajudou a crescer no instrumento, o que tem refletido nas composições. 



Você já pensa em CD novo? 

Preciso divulgar este CD para poder pensar na viabilidade de outro. 
Espero que no próximo volte a ter parcerias nossas. Temos coisas engavetadas que precisam sair.


8.5.13

Fazendo um som com os amigo, em casa: Stanley Neto em Caxias


Stanley Neto é um artista da terra. Músico de vários talentos - Sax, flauta, gaita, violão, guitarra, entre outros instrumentos - Stanley é também poeta e compositor. 
Membro atuante do Projeto Conspiração, que fez história e marcou profundamente a criação literária e artística de Duque de Caxias, Stanley Neto atualmente corre o mundo levando sua canção e seu talento a todos os lugares possíveis.


Na próxima terça feira, dia 14/05, estará se apresentando na Praça de alimentação do PREZUNIC Caxias à partir das 18 horas. 
Quem gosta de boa música não pode perder a oportunidade. É arte rara, daquelas boas de se ouvir. 





Qual a sua perspectiva para essa apresentação em Caxias?

Stanley Neto - Sempre fico muito feliz e ansioso quando vou me apresentar em D. Caxias que é minha terra natal. Fico na expectativa de reencontrar velhos amigos que sempre me deram muita força e muito carinho e muitas e boas energias durante a minha carreira, principalmente em seu início. 

Por onde você anda tocando e com quem?

Stanley Neto - Ando (nos últimos 6 anos) excursionando como músico contratado (sax-barítono , flautista e gaitista) da Banda Roupa Nova. Eventualmente participo de shows de outros artistas, quando a agenda da banda permite, como Alex Cohen por exemplo, e sempre que posso, dou um pulo em D.Caxias para matar as saudades e fazer um (ótimo) som com o amigo e mentor musical Beto Gaspari.

Além disso, trabalho como músico de gravação (estúdio e/ou shows) de alguns artistas do País. Semana passada, por exemplo, tive a honra de gravar (pela terceira vez) em um cd do Cantor Agnaldo Timóteo, no penúltimo dvd do Grupo Bom Gosto(deixa eu cantar meu samba), e por aí vai...


É bom rodar o mundo fazendo arte? 

Stanley Neto - É ótimo rodar o mundo não somente fazendo arte, mas trabalhando com o que se gosta. É bacana, conhecer outras culturas e aprender com artistas das mais variadas vertentes artístico-culturais. 


Como foi o seu começo no mundo das artes? 

Stanley Neto - Bem, eu comecei participando de um grupo de poesia de D.Caxias chamado Projeto Conspiração, inicialmente idealizado pelo cara que considero o meu "Padrinho Musical", o Beto Gaspari. O contato com essa galera abriu não só a minha mente musical, como artística transformando para sempre toda a minha concepção no que diz respeito à expressão artística.

Essa raiz cultural adquirida graças a contatos criativos e expressivos com artistas como João de Deus, João Luiz, Cantídio José, Lello Alves, Chiquinho Maciel, Edinho do Samba, Edu Costa, Ricardo Barbieri, Beto Cavaco, Araken Álvaro, Vicente Portella, Marcelinho Ferreira, Beatriz Oliveira, entre muitos outros que a minha memória me impede agora de lembrar, foi de extrema importância para a minha formação não somente artística como humana, me proporcionando uma visão absolutamente ímpar de cultura, arte e por que não dizer, de vida.


Praça de alimentação do PREZUNIC Caxias. Terça, 14/05 às 18Hs

5.5.13

A arte itinerante de Paullo Ramos

Paullo Ramos é um artista inquieto, plural e generoso. Inquieto porque vive em constante movimento com sua arte desde sempre. Plural, porque aborda todos os sentidos do mundo e da vida. Generoso porque divide com a gente e com seus alunos o saber e o sentir artísticos acumulados em uma vida plena de fazeres e criações.
Atualmente Paullo Ramos está desenvolvendo o projeto "Arte itinerante", que leva as praças e locais públicos da cidade sua capacidade criativa.
Em poucas perguntas tentamos aqui decifrar e dividir com nossos leitores o pensamento e a ideia de criação de Paullo Ramos.


Como é esse projeto de arte itinerante?

- Um grande artista falou certa vez que “A arte tem que ir onde o povo está”, e a filosofia do atelier Arte e Fato é consolidar o projeto “Escola de Arte sem Paredes” que inicia a criança, o adolescente e o adulto no maravilhoso mundo das artes plásticas de uma forma muito livre. Então a maior propaganda é convidar o povo para conhecer o nosso atelier mostrando como e o que é feito ao vivo e em cores e em 5D 

Qual a intenção? 

- Mostrar a importância da arte como elemento interativo entre razão e emoção em nossa sociedade altamente agredida com a insensibilidade e a desumanização, de uma forma dinâmica e agradável.



Seus alunos participam do projeto? 

- O projeto trabalha o pensar coletivo e humanístico e isto torna o aluno um colaborador ativo. Mostramos também que ele é o protagonista quando fazemos exposições de suas obras ou quando ele vende. O aluno é também o nosso maior patrocinador. 


Há quanto tempo você faz arte na cidade? 

- A minha primeira participação em uma exposição “a vera” foi em 1969 no II Salão Duquecaxiense de Pintura, então são 44 anos de arte caxiense. Mas consegui fincar a bandeirinha de nossa Caxias em alguns pontos estratégicos, um do “outro lado do mundo”, em Tókio e outro no “fim do mundo”, em Ushuaia. Citei apenas os dois por serem extremos.



Como é fazer arte em uma terra embrutecida pela lógica do Deus grana?

- Por ser budista a minha base é politeísta e isto ajuda a capitalizar diversos valores, que são, humanos, afetivos, espirituais, mentais e outros que fertilizam culturalmente a minha Flor de Lótus. Mas não é fácil.



Resume um pouco a sua trajetória artística pra gente? 

- Nasci em 1950 na Rua das Laranjeira e com 8 anos mudamos para Duque de Caxias, sempre desenhando pelos cantos e ficando de castigo por ser “canhoto”, com 13 anos pintei o meu primeiro quadro à óleo (50 anos de vivências e convivências extraindo do branco as infinitas possibilidades pictóricas na tentativa de ver um mundo melhor), hoje posso afirmar sem nenhuma dúvida: Amo o que faço e sou apaixonado pela arte! Isto não foi um resumo e sim um convite para você, leitor, nos ajudar a difundir um pequeno espaço de arte em Duque de Caxias, pequeno fisicamente, mas grande em sonhos e realizações: 

Atelier Arte e Fato – Rua General Câmara 18 bairro 25 de Agosto – Duque de Caxias – (21) 2671-1758

29.4.13

Rede Sustentabilidade: Três perguntas para Samuel Maia

Samuel Maia é professor da rede estadual de educação e militante político desde os anos 80. Já foi dirigente do arquivo nacional e secretário de Meio ambiente de Duque de Caxias. Incumbido por marina Silva, tem a tarefa de organizar seu partido, o Rede sustentabilidade, em nossa Cidade e nos concedeu esta pequena, porém esclarecedora, entrevista.

Qual a sua avaliação sobre a reunião do Plano nacional de Cultura ocorrida no Teatro Raul Cortez?

SAMUEL MAIA - Foi mal convocada e esvaziada, creio que a SMC de Duque de Caxias, deveria ter chamado os militantes da área antes, fazer um debate e hoje apresentar as propostas aprovadas. Creio na democracia direta, não na obrigação burocrática, para cumprir tabela.

Cadê as lonas culturais que você anunciou quando era Secretário?

SAMUEL MAIA - As Empresas responsáveis pela instalação das mesmas estão a quatro meses sendo empurradas com a barriga pela Secretaria Municipal de Meio Ambiente, que quer receber as mesmas desmontadas, porém o contrato foi amarrado com elas instaladas, para não haver desvio das mesmas. Infelizmente das duas instaladas, a do primeiro distrito (Apoteose) Tiraram a Lona e só deixaram a estrutura. A do segundo distrito em São Bento (Museu Vivo) está lá funcionando e as duas do terceiro e quarto distrito estão esperando a vontade política do atual governo para serem instaladas. Estão pagas é só instalar.

Qual o compromisso do Rede Sustentabilidade com a Cultura?
SAMUEL MAIA - O Compromisso com a Cultura, por parte da #REDE Sustentabilidade é total, além do mais, temos uma massa crítica conosco, militam conosco milhares de pessoas que atuam na área cultural e temos figuras públicas como Gilberto Gil, Wagner Moura, Marcos Palmeira, Adriana Calcanhoto e outros que nos apoiam.

27.4.13

Os desígnios da Cultura


A questão cultural tem tomado ares interessantes nos últimos anos. Em movimento único, ao mesmo tempo a cultura deixa de ser cultura e a burocracia se torna elemento cultural.
O vício das chamadas “políticas sociais” invadiu a cultura de maneira definitiva e a partir disso, os valores vão se liquefazendo e escorrendo por entre todos os dedos que se possa imaginar.
De um modo geral a coisa se tornou caótica. O discurso adotado é aquele que põe na conta da cultura tudo aquilo que se move ou se modifica sobre o planeta, o que permite ao militante fazer um discurso profundamente amplo, politicamente correto e plenamente inexequível sem perder a aureola de “militante cultural” tomada emprestado do alheio.
Os interlocutores do processo cultural nos dias de hoje podem ser tudo, menos agentes culturais. Por mais que até disponham de imensa boa vontade.
Quem pinta, canta, produz, atua, escreve, desenha, dirige ou cria alguma coisa virou mero coadjuvante de um emaranhado técnico burocrático com requintes de altíssima tecnologia que, a rigor, não guarda qualquer semelhança com a ação cultural propriamente dita.
O compromisso dos “agentes culturais” está focado exclusivamente no cumprimento das tarefas determinadas pelos tecnoburocratas encastelados nas máquinas públicas. Só isso.
Daí vem um emaranhado de planos, conferências, portarias, editais e tudo mais que se possa inventar como obstáculo, para que o elemento criador seja impedido de montar o cavalo no pelo e realizar o que quer que seja. O meio se torna infinitamente mais importante que o fim; o processo é incomensuravelmente mais valorizado que o produto final... E o poder de obstacular se mantém intacto nas mãos dos mesmos elementos de sempre.
Os discursos, no entanto, são fantásticos e se utilizam até dos conceitos mais nobres de cultura, tipo o antropológico, como instrumento de inviabilização da capacidade de realizar. Tudo, rigorosamente, é posto na conta da cultura, menos a cultura propriamente dita, como se existisse alguma lógica nisso.
A necessidade de politizar e às vezes até partidarizar as ações abre o leque da militância numa abrangência assustadora. E assim as políticas sociais, de gênero, de raça, de Direitos humanos etc, ou seja, todo o manual do politicamente correto, é despejado sobre os ombros da “cultura” mesmo que cada uma delas tenha seu foro específico.
Na prática, quem não conseguiu palanque no seu movimento de origem se joga nos braços da cultura, mesmo não sendo do ramo, pois aqui cabe tudo.
Paralelamente aflora a orfandade de quem faz, quem realiza, quem atua realmente na área da cultura por capacidade, talento ou até mesmo por instinto criativo. Para estes, sobra a lei no sentido crasso daquele velho axioma que o poder dedica aos inimigos: “Aos inimigos, a lei”.
A consequência direta disso tudo é a aniquilação do processo cultural brasileiro, pois a industrialização, a burocratização e a submissão da criatividade à cartesiana mentalidade tecnicista reduz a cultura à pó.
O que sobra disso tudo são as tchutchucas, os breganejos, os pagonojos e os BBBs da vida. As Xuxas e os Faustões. Os crimes idolatrados na TV e a banalização da história de cada um, de uma sociedade e de um povo inteiro.
Na prática o que se vê é o discurso antropológico sendo corrompido por uma prática antropofágica, comedora de consciências, próprias e alheias.
Se servir como lenitivo podemos nos ufanar, nos regozijar, por ter inventado a intelectualidade de festim, aquela que faz barulho, mas não causa qualquer dano ao sistema. Quem sabe até, num futuro próximo, agachados sobre os escombros da cultura popular, e por que não dizer, também da cultura erudita, nossos bravos “interlocutores culturais” possam ler o livro do Afonso Celso – disponibilizado em meio digital por algum super nerd informático — e introjetar no seu próprio ego a sentença proposta pelo velho Conde:
 “Porque me ufano do meu país”.

Vicente Portella

14.3.13

O Papa Chico e a virgindade baiana

Governador da Bahia só quer delegadas virgens

Mais um Papa foi eleito e, segundo uma profecia de São Malaquias que rola na net , será o último. O Papa, quem diria, é argentino, o que gerou uma infinidade de piadas explorando a rivalidade futebolística entre Brasil e Argentina. Já disseram até que Maradona vai ser canonizado.
Talvez como forma de se vingar da escolha de um argentino, brasileiros já estão pegando no pé do Papa Chico. Até o Globo já estampou em sua primeira página – logo no segundo dia de papado – que o novo pontífice “colaborou” com a ditadura argentina. Pegou pesado.
Cá pra nós, quem em sã consciência espera de um Papa ou de um líder religioso qualquer semelhança comportamental com Chê Guevara? Isso não existe. Papa é um troço conservador. Não tem jeito. A igreja se baseia nisso, em seus valores dogmáticos. Esperar que um Papa defenda aborto e  casamento gay é o mesmo que esperar que um General consulte seus soldados sobre como ir a guerra. Não rola. Não é assim que a coisa funciona. Quem não está satisfeito que procure outra religião, pois o catolicismo é assim.
Mas vejam bem, não é só o catolicismo que é conservador, os governantes de “esquerda” também são. Na Bahia, por exemplo, governada pelo petista Jackes Vagner, um concurso para Delegadas, Inspetoras e Escrivãs exige, no edital, que as candidatas sejam virgens. Isso é mais que absurdo. É o absurdo multiplicado por dez e elevado a 36º potencia. Qual a lógica de se exigir virgindade em concurso público? Nenhuma, claro.
Considerando um sistema comparado de pesos e medidas, fico me perguntando: Quem é mais obtuso? O Papa, que se baseia em dogmas e conceitos seculares dos quais, com base na fé,  é um representante,  ou o governador, que tira essas grossuras de sua própria mentalidade atrofiada apesar de posar de “progressista” quando interessa?
Qual será o próximo passo do Governador petistas da Bahia? Exigir o teste da farinha para seus colaboradores diretos? E para seus companheiros de partido, vai exigir o que?
No contexto geral há um fato curioso... Ao mesmo tempo em que o Brasil tenta ressuscitar a ditadura militar, nossa vizinha Argentina tenta ressuscitar a guerra das Malvinas. Seguem os passos de Chavez, um Coronel do exército que usava Simon Bolívar com trampolim. Ou esse saudosismo é patológico, ou é estratégico. Como a imprensa graciosa, aliada do Governo, apoia, incentiva e faz o possível para reavivar os escabrosos tempos da ditadura, como o patrão mandou e pagou para que seja assim, creio que seja uma questão estratégica.

11.3.13

Renan, Feliciano e a cultura


Renan Calheiros, esse monstrengo que preside o Congresso nacional e acabou de dar uma punhalada nas costas do Rio de janeiro e do Espírito Santo, foi eleito. Tanto pelo povo de Alagoas, que já brindou o Brasil com uma nova eleição de Collor, quanto por seus pares no Senado que o fizeram Presidente.
O tal do pastor Feliciano, aquele que é homofóbico, racista e acabou de ser eleito para a CDH da Câmara, também foi eleito. Vários partidos, inclusive, abriram mão de suas representatividades para ceder espaço a esse sujeito na Comissão de Direitos Humanos.
Se a gente passar um pente fino no Congresso, encontraremos muitos personagens iguais a Feliciano e alguns poucos iguais a Renan, ambos com perfis nocivos à democracia Brasileira.
O que diferencia Renan de Feliciano não é apenas o fato de um ser Deputado e outro Senador , mas o papel de cada um deles nesse processo.
Renan manda. É poderosíssimo. Foi empoderado pelo próprio Zé Sarney, em pessoa, e dita as normas, determina o volume dos negócios feitos no congresso nacional em todos os níveis. Feliciano, ao contrário, apenas obedece. É um daqueles deputadinhos do baixo clero que passariam imperceptíveis se não ousassem botar a cabeça pra fora. É da estirpe dos que nasceram para obedecer e se alimentar, satisfatoriamente, com as migalhas que caem da mesa. Enquanto obedecer pode tocar os negócios de sua igreja à vontade, extorquindo, enganando e explorando a boa fé das pessoas. Renan, o chefe, garante suas atividades.
O que iguala Renan a Feliciano é, por incrível que pareça, a ignorância. Não a deles, mas a da sociedade que os elege.
Nos últimos anos o Brasil desenvolveu uma tradição na eleição de "péla sacos", de gente estúpida e incompetente, de gente incapaz, ignóbil, beócia e desonesta, mas espertas. Essa foi a opção no Brasil: Inverter a lógica da aristocracia e entregar o poder aos seus piores quadros.
E veja bem, isso se dá em todos os níveis – municipal, regional e nacional – tanto no executivo quanto no legislativo. E certamente se o Judiciário não fosse blindado contra o voto também faria parte desse contexto.
No fundo, a questão é cultural. Somos um país que não valoriza nem a própria cultura, nem a cultura geral e por conta disso vamos mergulhando cada vez mais na barbárie. Os próprios instrumentos públicos de cultura – Ministério, secretarias, etc – propagam a anti cultura sem qualquer pudor. O poder público adula a mediocrização e aí o cidadão vai perdendo sua identidade, suas referências e seu rumo. E a cultura passa a ser instrumento de pseudo intelectuais que promovem a massificação, transformando tudo em show da Xuxa, em entretenimento, em desumanização ampla, geral e irrestrita.
A consequência direta da nossa falta de cultura é o Congresso nacional, mas não apenas ele. Há os Ministérios, as assembleias regionais, câmaras locais e secretariados espalhados por aí. Em suma: somos governados por beócios porque escolhemos isso. Elegemos nossos próprios algozes. Talvez até isso seja algum complexo de inferioridade que nos induz a uma auto punição. Pode ser um troço de cunho religioso, filosófico ou até psicanalítico, sei lá. Mas o fato é que votamos mal e por isso somos roubados e ridicularizados o tempo todo.
É uma pena que o voto não seja facultativo. Pelo menos alguns deveriam ter o direito de não participar da farsa, né?

13.12.12

Leitura divina


Quando soube que Luiz Fernando Veríssimo estava doente Deus ficou preocupado. Chamou seus assessores e os anjos em geral para uma reunião de emergência e quis saber o que estava acontecendo.
- Quem foi que soltou esse vírus contra o Veríssimo? Quero saber agora.
São Pedro foi o primeiro a desconversar...
- Minha praia é só vigiar a porta, eu não me meto com a decisão sobre quem chega ou deixa de chagar na antessala. Não tenho nada com isso.
Santo Antônio também tirou o corpo fora.
- Eu só cuido de casamento. Se ele quisesse se casar com alguma das suas personagens, por exemplo, tudo bem. Eu daria o maior apoio. Mas esse negócio de vírus eu nem sei como funciona.
Deus olhou para Gabriel com ar de crítica, mas o mensageiro também negou sua participação no processo.
- Alto lá... Eu só entrego as mensagens, chefe. Não as escrevo e muito menos as dito. No caso do Veríssimo, inclusive, não faço uma coisa nem outra. Apenas leio.
Deus já estava ficando irado, por isso, com medo da famosa ira divina, Sarapatel, um anjo hierarquicamente inferior que, lotado na Bahia, ouvia a conversa de abusado, resolveu se manifestar.
- Oh senhor, me perdoe. Eu sou o culpado. Fui ao Rio por ordem do meu chefe, o Grabiel...
- Grabiel é o escambáu... Gabriel. Exijo respeito. Esbravejou o Arcanjo.
- Pois é... Eu fui cumprir uma ordem do chefe - continuou o anjo menor - ele me  mandou capturar o vírus influenza que estava fazendo um  estrago danado no Rio de janeiro. Foi quando eu vi o Veríssimo, ainda sentado dentro do avião, no Santos Dumont, rabiscando anotações num bloco de papel. Me empolguei, fui  tentar bisbilhotar os rabiscos e acabei deixando o vírus fugir. Foi sem querer, Senhor, eu juro.  Juro pelo Senhor. Foi coisa de fã... Eu não queria...
- Chega! - Gritou o pai celestial aparentemente irritado – Saiam todos. Que permaneça apenas o Sarapatel na minha sala.
Assessores, anjos, arcanjos e demais cambonos saíram cabisbaixos da sala do chefe e, porta fechada, ficaram esperando do lado de fora.
- Você trouxe as anotações do Veríssimo? Perguntou Deus à Sarapatel que apenas esticou o braço entregando ao supremo um chumaço de papel.
Sentado em sua solene poltrona impregnada de eternidade o criador sorria a cada texto lido, às vezes até gargalhava.
- Sarapatel – ordenou o supremo estampando um sorriso magnânimo no divino rosto – manda o Gabriel arranjar uma excelente equipe médica para cuidar do Veríssimo. Tô louco pra ver esse esboço acabado e publicado. Vai, vai, vai logo...




29.10.12

Confesso que perdi...


O resultado geral das eleições municipais, consolidado neste 2° turno, foi, para mim, digamos assim, tenebroso. Nem falo do ponto de vista partidário, já que o meu antigo PDT anda em crise existencial agudíssima. Falo mais como cidadão. E pior, um cidadão que ainda se dá ao luxo de conservar certo romantismo tolo mesmo depois dos 40... e tantos.
São Paulo elegeu um poste, uma ameba que anda e fala, o que deveria ser uma coisa constrangedora para qualquer cidadão. Mas a maioria dos paulistas sempre votou muito mal. De Maluf à Haddad, Sampa sempre foi assim. É verdade que Serra é o adversário que todo candidato pede a Deus, mas, mesmo assim, continua sendo coisa de maluco. É como se 55% dos paulistanos saíssem as rua gritando: Viva o mensalão! Viva o mensalão! Mas deixa pra lá. Paulista é assim mesmo.
Aqui no Rio a coisa já começou mal na capital, onde o povo votou claramente a favor da milícia e da lógica do “Rouba, mas faz”. É como se o Rio se paulistizasse e adotasse os padrões ademaristas da São Paulo dos anos 60. O Dono do TRE-RJ, seu Zveiter, ajudou bastante, é verdade. Mas aí é outro papo.
São Gonçalo é a única vitória que eu realmente contabilizo. Não moro em São Gonça e nem conheço o Mulim, mas, inapelavelmente, o segundo colégio eleitoral do Rio de Janeiro deu um “NÃO ROTUNDO” ao Governador, o que não é pouca coisa. Garotinho saiu mais fortalecido ainda para 2014 e apesar das bobagens e mentiras que Globo, dirceuzistas e cabralistas falam sobre o ex-governador, ele é o real contraponto a essa política negocista estabelecida no Estado do Rio de janeiro.
Em Petrópolis eu gostei da eleição do Bomtempo. É o PSB legítimo, de Eduardo Campos, que se descola de PT e PMDB para criar alternativas em 2014. Espero que dê certo.
Na Baixada a tragédia até que não foi tão grande. Apesar de terem elegido uma besta quadrada em Nova Iguaçu e outras tantas em municípios menores, o PMDB perdeu em vários cantos, então houve sobreviventes.
Em Duque de Caxias, minha santa e bela (menos, menos) cidade, a coisa foi mezzo calabreza, mezzo mussarela.
A vitória de Alexandre Cardoso fortalece Lindberg Farias, uma das maiores fraudes políticas da história recente do País, o ex- cara pintada que agora divide o poder com Collor e Sarney numa boa. Mas a culpa é menos do Alexandre que do próprio Lindberg, que colou na campanha, como um encosto, por puro oportunismo político (na pior acepção da palavra). Muito provavelmente Alexandre ganharia a eleição mesmo sem ele, mas se Lindinho apoiasse Washington Reis, Alexandre ganharia muito mais fácil.
É bom lembrar que Lindinho já passou por PCdoB e PSTU, está no PT e ameaça agora cravar seu punhal nas costas do PSB para ser candidato à Governador, pois seus asseclas petistas preferem continuar agarrados as boquinhas oferecidas por Cabral do que bancar sua candidatura. Na verdade Lindinho nem poderá ser candidato, pois é ficha suja. Foi condenado em segunda instância por mutretas portentosas praticadas quando brincava de ser Prefeito, em Nova Iguaçu.
Só me sinto derrotado em Caxias pelo fato de Alexandre Cardoso pregar a privatização da água, que é muito ruim para todos nós, principalmente para a população mais pobre que vai virar escrava da ODEBRECHT.
Mas nesse Brasil petista, onde o dinheiro sai direto do poder público para o bolso dos poderosos da iniciativa privada; nesse País idolatrado por Eike Batista e seus “parceiros”; nesse País dirigido pela governanta que virou mãe do PAC, é assim mesmo que as coisas funcionam.
O jeito é esperar as próximas eleições. Se eu saí vivo dessa, posso dar mais sorte e sair satisfeito da de 2014, né?

Vicente Portella

28.3.12



 1 - O bom de se formar é que você nunca mais precisa concordar com o professor.

2 - No Brasil os políticos tem razão em odiar os professores. É uma classe que geralmente chega ao poder sem nunca ter passado por uma sala de aula.

3 - Em terra de Reis, quem tem olho finge que não vê nada.

4 - Para a grande mídia o jornalista é o estafeta mais bem pago do mundo.

5 - Lembre-se: você só pode emitir sua opinião publicamente se elas forem completamente irrelevantes.

6 - Nunca se regozije por ler ou escrever bem. Isso pode ser considerado bullyng intelectual.

7 - Você pode até matar a cobra, mas jamais mostre o pau.

8 - No mudo dos ricos e poderosos a justiça brasileira se fundamenta na estatística. Age eventualmente e por amostragem.

9 - O ser humano, assim como outros animais, é um subproduto do sexo.

10 - O mundo anda tão estranho que se você sair nas ruas sem sentir um medo terrível  dos bandidos acaba se sentindo deslocado.

11- A honestidade é algo completamente fora de contexto na sociedade moderna. Diógenes desistiu faz tempo....

12 - No poder público a alternância geralmente é feita entre saqueadores e beócios. Raramente eles governam juntos, como ocorre atualmente.

13 - Nossos líderes nacionais são realmente obtusos de pai e mãe, mas, honra seja feita... Os líderes regionais e locais são muito piores.

14 - O poder é exercido pelo voto e o voto é exercido por qualquer um e de forma compulsória. Isso explica em grande parte a estupidocracia.

15 - O Deputado é um Vereador de segunda instância, tem alma menor e poder maior.




6.2.12

O PT vai destruir São Paulo, talvez por vingança.

Com exceção de Luiza Erundina, que logo abandonou a legenda, o PT nunca obteve êxito em São Paulo, nem na cidade, nem no Estado. Em conseqüência disso a facção de Dilma, Lula, Zé Dirceu e Cia sempre faz o possível para desestabilizar os governantes paulistas, sejam Prefeitos ou Governadores. Chegaram até a botar a furiosa militância na rua para espancar Mario Covas, um dos mais brilhantes estadistas que São Paulo já ofereceu ao Brasil.
Vira e meche, pra se vingar da população que se recusa a dar-lhes o voto, petistas organizam movimentos pra lá de suspeitos para forjar “manifestações” em Sampa. Na prática, apenas manobram os anseios dos miseráveis para obter seus intentos.
A facção petista governa o Brasil há quase 10 anos, então já teve tempo de sobra de oferecer terra para os sem terra, habitação para os sem teto e honradez para os sem vergonha, mas nada disso interessa ao comando petista. Cada miserável, na ótica do PT, é um aliado na tarefa de desestabilizar governantes que os derrotaram nas urnas. É vingança pura e simples.
Na prática, a existência desses movimentos desmente, por si só, o discurso ufanista de Lula e Cia. Se o Brasil está tão bom assim, tão maravilhoso que já superou até o Reino Unido, porque existem tantos miseráveis ainda? Tantos sem isso e sem aquilo?
Na verdade a pequenez petista troca o conceito de sustentabilidade pelo de miserabilidade, pois os miseráveis lhes são infinitamente mais úteis. 
Estas ações golpistas, quase todas concentradas em São Paulo, revelam um aspecto bastante interessante da concepção social e política petista, a adoração do demérito. Em qualquer nação civilizada do mundo, objetivos são determinados por planejamentos que incluem o acesso da população a qualificação profissional e acadêmica, mas aqui o PT propõe exatamente o contrário. Quanto mais despreparado, desqualificado e incompetente, mais facilitada será a ascensão do “quadro político” e, consequentemente, mais relevante serão estes aspectos na formação da sociedade. O discurso da pena, da piedade, da compaixão é usado como instrumento de Governo para transformar o País em uma nação de esmoleiros, carentes de tudo e declarados incapazes pelos dirigentes, pedintes oficiais que votam em quem lhes distribui favores.
E assim o Brasil vai ficando cada vez menor, cada vez mais incapaz de se libertar de seus dramas e cada vez mais mergulhados no caos.
A agressividade dos famintos liderados pelos “espertos” tem sido cada vez mais a tônica petista, e a principal vítima tem sido São Paulo. E que ninguém se iluda, se estas ações de desestabilização não ocorrem no Rio de Janeiro ou em outros Estados é porque seus governantes cederam a tese da boquinha petista, distribuídos cargos menores para os plantonistas do caos, para os “líderes” do comando petistas. Caso não o fizessem seriam também reféns de golpistas, de gente que faz apologia a miserabilidade.
A maioria dos “revoltosos” fabricados pelo PT pode até ser constituída de boas pessoas, gente manipulada pelo discurso fácil da picaretagem detentora do poder oficial, mas, independente de qualquer coisa, é gente que está sendo usada para o alcance de interesses escusos, algo que se tornou natural no Brasil, um País subgovernado, mas com governantes tão populares quanto aqueles da finada Alemanha nazista.

27.1.12

O Brasil, a Copa e as olimpíadas


Dia desses li na imprensa que o Brasil “superou” a economia do Reino unido e, estupefato, li e ouvi o comentário ufanista de vários “especialistas” garantindo que a economia brasileira irá superar também a da França em breve. Fiquei me perguntando: Deus meu, em que mundo nós estamos?
O Brasil, que pretende abrigar a próxima Copa do mundo de futebol e as olimpíadas de 2016 é um País que vive com um pé enterrado na idade média. Mais que isso, boa parte do corpo nacional está coberto pelo atraso humano, econômico, político e institucional.
O Rio de janeiro, que pretende abrigar os jogos olímpicos, é não apenas uma cidade abandonada, mas, acima de tudo, um Estado putrefeito. Não há por aqui condições elementares de vida digna em sociedade, exceto, é claro, no trecho entre o centro da cidade e a Barra da Tijuca, mesmo assim com graves distorções.
Na Cidade do Rio de janeiro as pessoas são reféns do crime, seja ele praticado por traficantes, bicheiros ou governantes. Quem se afasta da orla pode tranquilamente perceber o caos que se abate sobre a cidade outrora maravilhosa. A baixa qualidade de vida é gritante, explode diante dos olhos de quem passa. Um desavisado que ande pela zona norte ou zona oeste tem a impressão de estar em outro mundo, na Bolívia, talvez, ou na Guatemala.
Na região metropolitana, a população vive ao Deus dará. Questões básicas como saneamento, habitação, educação, saúde e infra estrutura são completamente ignoradas por governantes que na maioria das vezes não tem sequer discernimento intelectual, ou, em certos casos, moral, para compreender os complexos problemas de uma sociedade. Tudo, na Baixada Fluminense, por exemplo, funciona por combustão espontânea. Planejamento e metas são palavras ignoradas por quem detém o poder nas cidades, tanto legislativo quanto executivo.   Se considerarmos o IDH da Baixada teremos a impressão de estar no Haiti, em Angola ou na Etiópia, com a diferença crucial de que nossa região metropolitana não foi assolada, pelo menos ainda, por nenhuma guerra ou guerrilha urbana.
Diante de tudo isso – e nem falamos do Piauí ou do Maranhão – como pode o Brasil ser comparado ao Reino unido sob qualquer aspecto? Com que instrumentos a imprensa sustenta tal delírio? Será que estamos, em plena democracia, readotando a mentalidade ufanista da última ditadura? Sinceramente, não me surpreenderia se Governo, base aliada e mídia governista adotassem como slogam o velho “Esse é um País que vai pra frente” ou até mesmo o nefasto  “Brasil, ame-o ou deixe-o”.
O fato é que dinheiro em jogo, com perspectiva de Copa e olimpíada, vem em quantidades monumentais. O mesmo dinheiro que sempre foi negado para a infra estrutura nacional, para as demandas elementares da população, para os investimentos sociais, educacionais, culturais, etc, vão agora jorrar dos cofres públicos. Mais uma vez, porém, infelizmente, o dinheiro público não será utilizado para construir uma nação, mas apenas para uma baita maquiagem. Tá aí o Maracanã como prova disso: Uma reforma de um bilhão e o estádio nem será utilizado na Copa.
Sinceramente, não vejo motivos para, como o Conde Afonso Celso, dizer que “me ufano do meu País”. Seria melhor aprender com quem sabe e investir pesado em educação, cultura e qualidade de vida. Poderíamos fazer uma bela Copa no futuro... Bem alimentados, bem instruídos, saudáveis e orgulhosos de viver com dignidade. Mas por enquanto somos terceiro mundo. Nossos fúteis governantes cultivam essa chaga com paixão.

20.1.12

Duque de Caxias para iniciantes: um retrato 3X4 *

Como diria Jack, o estripador, vamos por partes… Para compreender (Duque de) Caxias é fundamental analisar sua formação, principalmente do ponto de vista sociológico e econômico, mesmo que rudimentarmente.
Nós não fomos colonizados, fomos ocupados e tudo se deu de forma anárquica e confusa, sem planejamento, sem objetivos definidos, sem distribuições de papeis, sem nada.
A Baixada Fluminense era um baita laranjal que foi sendo ocupado a partir do processo de evolução econômica. O Brasil saiu do mundo agrário para arriscar alguns passos na industrialização e com isso as necessidades da galera foram se modificando, se modernizando, metamorfoseando, sei lá… O fato é que fomos da figura A para a figura B.
O Rio era a capital do país e, por conta disso, o processo aqui se deu de forma acelerada. Alguém tinha que construir os prédios, praças, pontes, viadutos, panelas e caldeirões para a nova civilização que se formava, por isso veio gente de todo canto para o Rio, principalmente do Norte e do Nordeste. Por uma série de fatores inexplicáveis, acabamos nos tornando, felizmente, uma referência para o povo nordestino no Sudeste. Ataulfo Alves tinha um sítio em Xerém e o vendeu para Luiz Gonzaga, o Rei do Baião. Aquele pedaço de terra foi o embrião de todo um processo de herança cultural que nos influencia até hoje. Para muitos, tudo pode ter ocorrido por coincidência. Eu, particularmente, acho que foi uma benigna conspiração do universo.
Por outro lado, aquele povo que veio construir as coisas precisava de um lugar relativamente próximo à capital para morar. Como o Rio já era uma cidade bastante cara naquela época para o padrão dos imigrantes, boa parte do pessoal foi se assentando por aqui mesmo. A galera precisava de grandes espaços para viver com suas famílias vindas da terra natal, e isso a gente tinha de sobra.
Com o tempo, foi se formando uma incipiente estrutura de comércio e serviços. Coisa bem simples, o armarinho, a quitanda, a tendinha, depois as padarias, os açougues etc, agregando portugueses e outros imigrantes à nossa história.
A formação foi mais ou menos isso, meio na base da combustão espontânea, o que nos deu a riqueza da cultura nordestina e a angústia de uma economia filosoficamente baseada no lucro imediato e sem maiores preocupações sociais, filosóficas ou até mesmo estruturais.
Isso tudo evoluiu muito pouco com o passar dos anos e Caxias foi cada vez mais se tornando sombra da capital, a ponto de ser considerada uma mera cidade dormitório por muito tempo.
Na prática, mesmo com a vinda da indústria e com o crescimento da economia, a cidade nunca chegou a formar uma burguesia local, pois os comerciantes daqui nunca desenvolveram um espírito de grupo ou de apreço a coisas locais e os investidores da indústria, vindos de fora, não fincaram suas raízes em Caxias. A própria REDUC, apesar de gerar ganhos econômicos via royalties e impostos, não tem, a rigor, qualquer vínculo sociológico com o município. As pessoas trabalham aqui, ganham dinheiro aqui, mas gastam e investem em outras plagas, principalmente no Rio. Graças a isso ficamos sem escolas, sem instituições, sem cultura, sem noção de solidariedade, sem senso de preservação coletiva e sem mais um montão de sentimentos comuns aos povos de outras cidades. Somos a terra dos mandões. Quem ganha o tiroteio político exerce o poder durante algum tempo ao seu bel prazer, sem regras nem freios, e depois se manda. Vai embora. E o próximo mandão vem e faz o mesmo.
Isso tudo faz de Caxias uma cidade perneta. Tem gente talentosa em todas as vertentes, artistas fantásticos, profissionais capazes, etc, mas carece tanto de investidores quanto de público interessados na evolução da alma e do pensamento humano. É como uma pessoa que tem dinheiro para comprar o que precisa, mas não encontra vendedores do produto. Baixo interesse não gera mercado e a lógica atual é sempre a do mercado.
E aí, meu caro leitor pode estar se perguntando: tudo bem, isso todo mundo sabe, mas qual a solução? A solução é o poder, digo eu.
O poder em Caxias sempre foi exercido de forma isolada, sempre por um determinado grupo completamente dissociado da aspiração coletiva e isso se dá porque participação individual e coletiva é mínima. As pessoas tratam o voto como um ferro quente imposto à mão e que precisa ser jogado fora o mais rapidamente possível. Não há envolvimento. Quase ninguém vê um Vereador ou um Prefeito como representante seu. A participação política é sempre colocada na última prateleira de uma estante gigantesca e a consequência direta disso é a usurpação do poder, pois permite que pequenos grupos possam dividi-lo entre si.
Só para deixar claro, não me refiro a partidos, pois a coisa independe disso. Em todos os partidos há, certamente, ou pelo menos deveria haver, pessoas de bem. O partido, aliás, deveria ser simplesmente um agregador de correntes de pensamento, de filosofias, de concepções e de convicções, sejam estas à direita, à esquerda ou ao centro, se é que tudo isso ainda existe. Quando falo em participação me refiro ao verdadeiro conceito de cidadania. Saber o que alguém faz com o teu dinheiro e que regras serão criadas para o desenvolvimento da tua vida são coisas que deveriam interessar a todos, mas como não interessam, quem detem o poder e o dinheiro faz o que bem entende.
Se a gente reparar bem, percebe que esse desinteresse pela condução da vida na pólis reside tanto no individual quanto no coletivo. Pessoas inteligentíssimas detonam o conceito de participação política, e profissionais de todas as áreas abrem mão de conspirar a favor de seus mais legítimos interesses. Chega a ser engraçado perceber como pessoas e grupos convergem para a concentração do poder nas mãos de poucos e maus políticos. As pessoas de bem, infelizmente, recusam-se a construir possibilidades de evolução coletiva.
Curiosamente isso gera uma situação, além de desastrosa, confusa, pois, na cidade, não havendo exercício de poder nem da parte da burguesia, nem da parte do povo, como ocorre, de certa forma, em Caxias, o conflito de interesses é estéril, fazendo com que a estagnação seja a primeira dama do Município.
Resumindo a ópera, na falta de uma Geni de plantão, só o exercício consciente do poder pode vir a salvar nossa cidade. Todos os setores da sociedade Caxiense deveriam pensar nisso.
Quando o poder for exercido por trabalhadores, burgueses, artistas, pensadores, profissionais liberais, estudantes etc, todos convictos na defesa de seus interesses, seremos uma cidade de verdade. Dói menos e sai mais barato do que sustentar parasitas a pão de ló.
Tenho dito.


* Escrevi este texto originalmente para o Lurdinha , mas resolvi publicar aqui, passado um tempo, pra dividir com a galera por outros meios... :-)

26.12.11

Fazendo as contas da corrupção

No primeiro ano de Governo Dilma foram constatados desvios de 1,1 bilhão em 5 Ministérios, segundo O GLOBO, JB, etc. Sabe-se que ao todo as sinecuras Ministeriais são 39, o que daria, considerando 220 milhões de pilhagem por ministério, algo em torno de 9 bilhões, 580 milhões, em apenas um ano e somente na rubrica “Ministérios”.
Se desconsiderarmos todas as maracutáias envolvendo órgãos menores, como secretarias sem status, birôs de negociatas, DNIT, estatais como Correios, Petrobrás e etc, e arredondando a pilhagem para dez bilhões por ano, poderemos calcular, por baixo, que o Governo Dilma vai custar aos brasileiros, só em picaretagens do primeiro escalão, fantásticos 40 bilhões em corrupção.
Não entram nessa conta os esquemas montados nos Estados, como a ponte de 1 bilhão ou a reforma do Maracanã, também de 1 bilhão... Só nessas duas “obrinhas” o gato engorda pelo menos em 1,5 bilhões (Os outros 500 milhões fazem as duas obras tranquilamente).
Ainda faltaria contar também o teleférico superfaturado do Alemão, as casas de papelão do Minha casa, minha vida, os bolsa esmolas, bolsas mendigo e outros programas de manutenção eterna da miséria brasileira e mais uma infinidade de coisas, que, pelo tamanho do monstro, podem ser consideradas mixarias.
Por outro lado, há os esquemas internos, os oficiais, os por dentro... Aqueles que permitem a Sarney transformar o Senado em sua Disneylândia particular e multiplicam a nomeação de analfabetos aliados para cargos executivos de toda ordem, sempre brindados com salários opíparos, trinta  vezes maiores que o salário mínimo com que se brinda o Zé povinho.
Tirando isso tudo, ficam apenas as compras de materiais e as prestações de serviços contratadas pela União, sempre extremamente generosas e completamente descontroladas, envolvendo alguns bilhõezinhos consideráveis.
Nem vou falar dos cartões corporativos, dos esquemas de doações de estradas de graça, dos esquemas dos aeroportos, dos leilões de poços de petróleo... Até porque não adianta falar nada, o Brasil está anestesiado, e os brasileiros, não só permitem como também se sentem lisonjeados diante dessa roubalheira toda.
A única coisa que se pode afirmar concretamente é que, considerando a progressão geométrica, em breve – muito em breve – a capacidade de arrecadação do Brasil ficará aquém da gula petista. O Estado brasileiro será menor que a sanha corruptiva dos governantes e, fatalmente, entrará em colapso.
Os petistas, é claro, tentarão aumentar os impostos, mas não haverá mais capacidade de pagamento por parte de uma sociedade que já paga os maiores impostos do mundo. Então, quando tudo começar a ruir, o PT sairá às ruas, desesperado, procurando alguém em quem botar a culpa. Apontarão seus dedos podres para governos passados, de 20, 30, 40, 50 anos atrás; farão discursos delirantes defendendo teses subliminares para explicar a culpabilidade alheia... Mas nada disso adiantará nada. Seremos então uma nação de proporções africanas, uma imensa Angola em plena América do sul. Nosso povo se dividirá entre famélicos e guerrilheiros urbanos, pois, mesmo em cenário apocalíptico, eles quererão manter o poder.
Todos nós saberemos, na ponta da língua, o nome dos responsáveis. Mas este será um consolo vão. Não seremos mais nada. Nem nação, nem povo. Seremos apenas uma massa amorfa que servirá de exemplo para as sociedades futuras do que pode vir a acontecer com um grande País quando mergulhado, por anos a fio, no putrefeito caldo da corrupção.

Vicente Portella
Compre aqui o livro 'Todas as mulheres'

20.12.11

Incêndio em Caxias

O Fogo consumiu o depósito de uma loja de espumas e artigos de plástico e borracha na Rua José Veríssimo, próximo a esquina com Professor Henrique Gomes. As imagens são impressionantes e foram registradas por um profissional da Cedae, Carlos Alberto Black, que estava no local para dar apoio aos Bombeiros fornecendo caminhões pipa.

13.10.11

Um governo de punguistas

A reação às marchas contra a corrupção que vem ocorrendo a cada feriado, sempre mais encorpadas - embora ainda incipientes - revelou uma face escamoteada do Governo Brasileiro, a de punguista.
Como os antigos “trombadinhas”, que roubavam a carteira das vítimas e saiam gritando “pega ladrão”, para confundir as pessoas ao redor da cena do crime, os partidos alugados ao Governo espalharam pelas redes sociais centenas de empregados com a tarefa de desqualificar a reação popular. Chegam a comparar a indignação atual com as marchas da família com Deus pela propriedade, ocorridas nos anos 60 e que serviram de embrião para o Golpe de 64, que colocou a turma do Sarney no poder... Essa turma se mantém até hoje.
Nada pode ser mais desonesto do que tentar confundir a população para perpetuar a roubalheira. Nada.
O governo tenta na verdade criar uma cortina de fumaça, desqualificando qualquer ação que não venha para abonar a desfaçatez com que essa gente trata a coisa pública. Até mesmo o velho discurso direita/ esquerda foi ressuscitado pelos oficie boys do poder na internet, como se Sarney, Collor, Renan e demais aliados do PT fossem de “esquerda”. Agem como se fossem sérios e honestos, mas não são. Na verdade são apenas claques pagas com dinheiro público para defender sua boquinha a qualquer preço.
Diante de uma situação em que as instituições – sindicatos, associações, UNE, ABI, OAB etc – renderam-se as benesses patrocinadas pelas algibeiras governamentais e a população carente, coitada, passou a ser controladas com assistencialismos oficiais, a sociedade como um todo se sente completamente órfã, desamparada, carente de representatividade, e assim não restou outra alternativa à classe média que não fosse reagir nas ruas, gritar sua indignação e denunciar a roubalheira.
A coisa pode até ser mal organizada, despolitizada e feita na base da combustão espontânea, mas é legítima. Qualquer cidadão tem o direito de se recusar a ser roubado. E se o movimento é liderado pela classe média, isso se dá pelo fato de esta ser a única camada da sociedade que ainda não foi comprada pelo poder estabelecido. Na verdade, aliais, trata-se da parcela da população que mais vem sendo pisoteada, pois tem recebido, na prática, a tarefa inglória de pagar as contas da corrupção.
Em suma, o País vem sendo assaltado diariamente e o povo não tem condições de reagir. Os líderes de ontem, que resistiram à ditadura, não cumprem mais este papel, uma vez que a aproximação com o poder dissipou-lhes a dignidade intelectual e anulou em seus corações a capacidade de indignação. Todos são atualmente muito bem pagos e numa conta de chegada, pesando custos e benefícios, coisa que anda tão em voga na política brasileira, optam pela mudez absoluta mesmo diante do caos.
Isso quando não aderem a desfaçatez e advogam publicamente a roubalheira.

Você pode

Você pode construir o seu próprio destino, andar com suas próprias pernas e pensar com sua própria cabeça. 
Você pode se negar a aceitar a corrupção e a ganância dos governantes. 
Você pode atuar para que os seus filhos, os filhos dos seus vizinhos, dos seus amigos e até mesmo os filhos daquelas pessoas que você nem conhece, tenham um futuro digno, com educação em tempo integral, saúde, saneamento, habitação e direito a felicidade. 
Você pode de agir pelo bem estar social da sua comunidade, do seu bairro, da sua cidade, do seu Estado e do seu País. 
Você pode lutar contra as injustiças e contra os interesses mesquinhos dos donos do poder. 
Você pode usar o seu voto como uma arma em sua própria defesa. 
Você pode escolher o melhor candidato; aquele que tem histórico de lutas, qualificação pessoal e política e, acima de tudo, compromisso com você enquanto cidadão, ou cidadã, e enquanto povo. 
Você pode. Você é senhor da sua vontade. Você tem o poder de mudar o mundo. 

Então, mude...


OBS: Escrevi este texto para a campanha de um amigo em 2010. Achei ele hoje no meu arquivo e resolvi publicar aqui, até porque continuo acreditando em cada palavra.

9.9.11

Resgatando a classe média

Talvez o Brasil seja o único País do mundo em que a realidade é obrigada a se adaptar aos conceitos do Governo, e o mais curioso é que o PIG ( Partido da imprensa Governista ) adere a farsa e trata a ficção como fato inquestionável.
Na história recente do Brasil, dos anos 80 pra cá, mais especificamente, a classe média foi massacrada. Foi ela quem pagou, e muito caro, por todos os desmandos políticos, administrativos e econômicos, sendo quase   aniquilada. Com a recuperação econômica, no entanto, ocorrida nos anos 90 e atualmente consolidada, a Classe média começou a se recuperar. Mas só em termos.
Qualquer estudante de ensino médio sabe a importância da Classe média para o desenvolvimento de uma nação. É dela que saem os profissionais qualificados que vão formular e planejar o futuro, serão os médicos, advogados, engenheiros, agentes culturais, enfim, ela fornece às sociedades seus componentes básicos. Mas no Brasil a coisa é diferente... Graças aquele velho complexo de vira latas, ao qual se referia Nelson Rodrigues, a Classe média, aqui, é tratada como inimiga, como adversária, como um obstáculo à perpetuação da ignorância no poder. Faz-se de tudo para menosprezar-la. Até os indicadores foram mudados, ampliando conceito, na tentativa de inventar uma sociedade sem povo, nivelando todos ao nível de Classe média.
Não importa se não há formação nem condições sociais compatíveis, o fato é que quase todos foram, por decreto,  promovidos a Classe média... E esta, é claro, foi reduzida à uma vala comum sem direito a opinião, participação ou amor próprio. Os anos de estudos, a qualificação, a capacidade intelectual, tudo perdeu o sentido no cenário em que basta ser "militante", loura do tcham ou surfistinha para alcançar a realização profissional. Fica a pergunta no ar: Como resgatar a auto estima da Classe média em uma sociedade que aniquila seus talentos; onde a "esperteza" é mais importante que a qualificação?
Recentemente a classe média começou a reagir, principalmente nesta semana, com as Marchas contra a corrupção que assola o País. Bastou isso para ser tratada mais uma vez como inimiga pública. Portais governistas na internet desqualificaram as pessoas que participaram das marchas, taxando-as de todos os termos pejorativos disponíveis. É como se gritassem em alto e bom som: Roubamos o dinheiro de vocês quando bem entendemos, gastamos tudo com cachaça, se quisermos, e vocês têm que ficar quietinhos, pois somos nós quem mandamos nessa joça...
Na verdade a Classe média precisa mesmo reagir, precisa sair desse estado de sedação plena e retomar seu papel na história, por que isso seria muito bom para o Brasil. Não se pode restringir uma nação ao conceito do "Nós vai, nós foi"; não se pode nivelar o pensamento por baixo... por isso a Classe média é tão importante. 
Na verdade, todas as ações que pretendem abafar o grito da Classe média, extirpando sua participação na sociedade, vem da certeza de que é ela o referencial maior do povo brasileiro. Pra onde a Classe média for, o povo vai. Daí o medo que se tem dela.
As marchas contra a corrupção foram certamente um bom começo, mas a classe média não pode abaixar a cabeça. Pelo contrário, precisa ter orgulho de sua capacidade de mobilização e tomar, cada vez mais, as ruas. Talvez, como diz o outro, "Nunca antes na história" o Brasil tenha precisado tanto da Classe média, seja como depositária da capacidade técnica, profissional e intelectual do Brasil, seja como referencial de reação ao mandonismo desqualificado.