2.12.10

O assassinato oficial da liberdade ou: A DITADULA

Lula deixa o poder oficialmente em dezembro, mas ficou bem claro, hoje, que continuara dando as cartas no próximo governo. Em entrevista para rádios comunitárias, que funcionam como satélites do PT, o Presidente disse com todas as letras que o próximo Ministro das comunicações terá a tarefa de intervir na mídia, controlando a imprensa brasileira. 
Curiosamente, Lula e o PT foram, no decorrer dos anos, escandalosamente beneficiados pelos meios de comunicação no Brasil. 
Quando ainda era um ilustre desconhecido - um mero grevista do ABC - a imprensa, por meio de milhares de profissionais simpatizantes do PT, se mobilizava para dar alguma notoriedade à Lula, o nordestino que falava errado e representava uma “ameaça” para a ditadura. Para garantir a sua presença no segundo turno das eleições de 1989, inclusive, a TV Globo criou até personagens para novelas, com uma abordagem romântica, é claro, impregnados pela doutrina petista. 
Foi a imprensa a grande responsável pela gigantesca popularidade que Lula desfruta hoje. Mesmo diante de derrotas achapantes, a mídia sempre insistiu em outorgar-lhe uma auréola de injustiçado, de pobrezinho, de operário ingênuo que poderia ser o redentor dos pobres e miseráveis do País. Mesmo durante seu mandato a imprensa sempre foi benevolente com Lula, mesmo porque, se agisse de outra maneira, o atual presidente não resistiria a comparações com seus antecessores, por mais simples e simplórias que estas fossem. 
Se Getúlio deixou a industrialização do País e as leis trabalhistas, se JK deixou Brasília e a modernização da economia; se Itamar Franco restaurou a dignidade politica e Fernando Henrique, juntamente com o próprio Itamar, nos legou a estabilidade financeira e social, Lula, por mais popular que seja, não deixou absolutamente nada como legado. 
Por mais que a imprensa o adule, não há um só elemento que se possa admitir como marca do Governo Lula, exceto a corrupção escancarada e o aparelhamento do Estado. Algum petista apaixonado, e muito bem pago, pode até bater no peito e falar do PAC, mas o fato é que este, um mero conjunto de obras, não saiu do papel no Governo Lula e provavelmente não saíra também no Governo de sua empregada. 
Talvez nem 20% das ambições iniciais tenham sido executadas, por mais que a imprensa se “esqueça” de abordar esse tema. 
Em todas as áreas do Governo, Lula simplesmente deu continuidade ao trabalho de outros presidentes. Na economia, manteve a linha FHC; no social, seguiu Itamar; na arte de faturar cada ponto positivo, seguiu Getúlio... E assim, atravessou 8 anos sem identidade própria de governo, apesar de ter sua personalidade cada mais cultuada pela mídia. 
Todo os espaço midiático negado a Brizola, Arraes e outros tantos líderes brasileiros, foram dados de mão beijada à Lula. Mesmo assim, no entanto, o Presidente não está satisfeito. 
Ao que tudo indica teremos em breve uma liberdade tutelada. Sempre que alguém quiser publicar alguma coisa terá que pensar duas vezes, ponderar se o governo concorda ou não com tal matéria, artigo, ou mera expressão de opinião, para só então decidir se vale a pena publicar. 
Já vivemos um período assim, entre 64 e 85 do século passado, que se convencionou chamar ditadura. Nos dias atuais, é evidente, a coisa vai ser feita de forma diferente. Com sorrisos, ao invés de cassetetes, e com aprovação dos “representantes do povo” no congresso nacional. 
A grande pergunta que fica no ar é se a mídia em geral vai aderir ao conceito de “Mídia comunitária” e ficar caladinha em troca de generosos patrocínios ou se vai, de alguma forma, espernear, protestar ou até lutar contra o assassinato oficial da liberdade no Brasil. 
Quem cala, consente. Já diz o velho ditado. 


Vicente Portella 

29.11.10

De volta ao mundo real...

A retomada do morro do Alemão pelas tropas policiais foi um espetáculo e tanto. Talvez até entre para história como a primeira guerra sem confronto que se tem notícia desde o começo das eras. 
Diziam os “especialistas” que havia 600 bandidos armados até os dentes no topo daquele morro, tão temido nos últimos anos, e tido como inexpugnável, mas, por incrível que pareça, apenas uns poucos bandidos foram presos. Nem 10% do total previsto. 
Ficamos quase 48 horas ouvindo histórias fantásticas sobre as táticas militares e o poder de fogo dos bandidos e no final das contas, depois de tudo acabado, apareceram apenas algumas espingardas de atirar em compadre. As armas apreendidas não lembram nem de longe aqueles poderosos fuzis ostentados pela bandidagem em tantas e tantas reproduções televisivas. Na verdade, as armas de ontem pareciam mais restos da primeira guerra mundial. 
Apesar disso, no entanto, mesmo que frustrante do ponto de vista das prisões e apreensões, considero importantíssima a retomada do Alemão. Só fico me perguntando: e o resto? 
O tráfico continua senhor absoluto em cerca de 150/200 favelas do Rio de Janeiro, algumas, inclusive, famosíssimas, como Rocinha, Maré, Mangueirinha, etc. Em outras tantas, principalmente na Zona Oeste, quem manda é a milícia. O que estamos comemorando, então? Um primeiro passo? Tá legal, concordo. Se estamos empolgados apenas com a “descoberta” da nossa capacidade de reagir, maravilha. Nos basta então direcionar esta descoberta para dar prosseguimento ao combate. Mas se alguém acha que uma ação exitosa no alemão representa a vitória definitiva da sociedade contra a bandidagem, nesse caso estamos mal. Muito mal. 
Hoje é segunda feira. Passaram pouco mais de 24 horas da tal batalha do Alemão e a coisa continua “brabíssima”. 
Conversando hoje cedo, via internet, com uma amiga que trabalha em Inhaúma, descobri que lá o pânico e o medo continuam na moda. Tiroteio ainda é comum e helicópteros continuam assustando as pessoas. Fora do entorno do Alemão, portanto, tudo continua como dantes no quartel de Abrantes, sem qualquer motivo aparente para promover a “refundação” da cidade, como quer o Prefeito. 
Passado os efeitos alucinógenos da intervenção midiática, que transforma a dor real em obra de ficção, seria muito bom se as pessoas voltassem ao mundo real, colocassem os pés no chão... A vida não é filme para ser definida pela orientação de roteiristas e coreógrafos. A vida é algo mais complexo. 
Na verdade a guerra ainda não acabou, e, pelo menos na maior parte da cidade e do Estado, o fato é que ela nem começou ainda. O povo do Alemão tem todos os motivos do mundo para comemorar, mas o restante de nós, mortais comuns, ainda é refém da violência e da bandidagem. 

10.11.10

A bolinha de papel mais cara do mundo: 2,5 bi.

O Lula é um cara muito generoso. Deu um dinheirinho considerável para o Haiti, perdoou as dívidas de vária ditaduras africanas com o Brasil e agora deu mais 2 bilhões e meio de presente ao Sílvio Santos, o homem do baú, para socorrer seu banco, o Panamericano. 
Menos da metade dessa grana resolveria o problema de água da Baixada Fluminense ¹, mas Lula, na condição de Presidente altamente popular, com 345,33% ² de aprovação nas pesquisas, não precisa se dar ao luxo de atender a demanda de abastecimento de água do Zé povinho, então pode jogar dinheiro avanço entre seus aliados e amigos. Afinal de contas o dinheiro não é dele mesmo... 
Mas porque Lula daria tanto dinheiro para Sílvio Santos? É de se estranhar que alguém que prega intervenção estatal nos meios de comunicação seja tão condescendente com um de seus proprietários. Mas a campanha do segundo turno explica bem isso. 
SS e Lula tiveram um papinho reservado durante a campanha - quando SS disse que tentou vender uma Tele Sena para o Presidente - e logo depois disso o SBT suspendeu o debate que estava marcado entre Serra e Dilma. 
Naquele momento, a candidata do Presidente claudicava, perdia forças e era questionada por vários segmentos da sociedade por conta algumas de suas históricas posições políticas. Dilma tremia à cada encontro com Serra, perdia a linha, agredia e chegou até a defender de maneira velada sua amiga Erenice, insinuando que as acusações contra ela eram “armação” da imprensa. 
Logo depois de suspender o debate, quebrando um galhão e tanto para a escalafobética candidata, o SBT fez uma cobertura inacreditável da agressão sofrida por Serra no Rio de Janeiro, resumindo a ação das brigadas mussolinistas do PT à uma mera galhofa, uma bolinha de papel. Foi o SBT quem proporcionou ao Presidente da República, não apenas a minimização da atitude fascista de seus companheiros, mas, acima de tudo, a oportunidade de culpar a vítima e até a tentativa de negar o ataque. Lula deve realmente ter ficado muito grato ao “cumpanheiro” SS.³ 
Agora, passadas as eleições e com a vitória assegurada, entende-se a posição de Sílvio. Ganhar 2,5 bilhões de reais só pra suspender um debate e expor o adversário do Presidente ao ridículo é bom demais. Coisa simples e lucrativa para empresários da estirpe de SS. 
Certamente foi a bolinha de papel mais cara do mundo, mas e daí? Quem tá pagando a conta é o Zé povinho mesmo... E se alguma coisa der errado no novo Governo, a NeoCPMF já está na fita. Será uma bela reserva em caixa para situações semelhantes. 
A brigada fascista do PT pode ficar tranquila, o que não vai faltar é patrocínio para suas ações. 



1 – Esgoto, habitação, transporte... essas coisas então nem se fala. 
2 – Apesar de ter eleito sua ungida só aos 48 do segundo tempo e à duras penas. 
3 – É bom lembrar que logo depois, no debate da Globo, as regras e até o formato foram mudados para evitar o confronto que tanto prejudicava Dilma. 

8.11.10

Tropa de elite 2, a missão.

Quando o primeiro filme “Tropa de Elite” foi lançado, há alguns anos, boa parte da mídia, inclusive o jornal inglês The Guardian, - Conor Foley vociferou à plenos pulmões, taxando a obra como fascista. Daqui do nosso Blog eu discordei. Tratava-se apenas de uma abordagem realista da sociedade brasileira, focada no Rio de janeiro, com algumas pitadas de frustração sociológica. Pois bem, o segundo filme da série esta nos cinemas e arrasta multidões, com chances de se tornar o maior êxito do mercado cinematográfico brasileiro de todos os tempos.
O herói egocêntrico, Capitão Nascimento, volta como uma espécie de Rambo tupiniquim e desta vez faz questão de se justificar, de dizer que não é fascista. E isso é verdade. Trata-se apenas de um personagem voluntarista, insurreto e sem ideologia que aprendeu com a vida a resolver tudo na base da porrada. O Capitão Nascimento, na verdade, encaixa-se como uma luva em nossa cultura individualista e conspiratória. 
O primeiro filme foi interessante por implementar, artisticamente, um certo realismo, tanto em termos de roteiro quanto de interpretação e direção. Aliás, se há uma coisa que dignifica a obra são seus atores, sem demérito nenhum ao diretor, é claro. Além disso havia uma certa tendência à afronta do status quo, uma vontade de ser politicamente incorreto, talvez fundamentada nas experiências frustradas de alguns de seus idealizadores e na necessidade deles de vomitar essas frustrações, mesmo que fosse no colo do distinto público.
O segundo filme, entretanto, não é nada disso. Tecnicamente bem feito, bem interpretado, bem dirigido, o trabalho limita-se à uma colagem de fatos reais ocorridos em diferentes momentos de espaço e tempo, recriados ficcionalmente. É interessante. Mas o que antes tinha a intenção de meter o dedo na ferida, agora é apenas uma crônica social e política. Até mesmo o tempero sociológico teve sua dosagem alterada para menos.Muito menos.
Há, no entanto, um aspecto curioso deste novo filme: seus personagens e a relação que se estabelece com elementos reais entrelaçados aos fatos utilizados como referência para o roteiro.
A histórica rebelião no complexo prisional de Bangu, por exemplo, ocorreu no Governo Benedita, mas o Governador do filme se parece infinitamente mais com Cabral. O personagem Rocha, líder do esquema das milícias, é uma mistura clara de um ex vereador, atualmente preso, que comandava Campo Grande, com um falecido inspetor de polícia que atuava em Rio das pedras, ambos bairros da Zona Oeste dominados pelas milícias. Só que o Rocha do filme é policial militar e não civil. 
Muita gente ficou curiosa com o personagem do Deputado esquerdista - utilizado para limpar a barra do Capitão nascimento no seio da classe média, retirando-lhe a pecha de fascista - novo marido da ex mulher do herói. Arrisco-me dizer que o mesmo foi inspirado em Chico Alencar e Marcelo Freixo, bons Deputados e ídolos da garotada esquerdista do Rio. O “Fraga” mistura os dois.
Já o Deputado de Direita, o tal que é também apresentador de TV, me pareceu muito longe da figura do Wagner Montes, como disseram alguns por aí. Se assemelha muito mais à uma mistura de Datena e até do próprio Wagner, no aspecto televisivo, com alguns Deputados do PMDB na Alerj. Um deles, inclusive, ex Deputado, da Zona Oeste, cassado, acusado de corrupção.
Enfim, o “Tropa de elite 2” cumpre sua missão de aliviar a barra do ex fascista Capitão Nascimento junto a classe média, transformando-o em referência à partir de uma aliança com intelectuais de esquerda.
Na verdade isso não está muito longe da realidade, até Sarney e Collor se tornaram heróis ao se aproximarem dos ícones da intelectualidade consentida e oficialmente estabelecida. Coisas da vida. E viva o Brasil.


Vicente Portella

7.11.10

Sua excelência, a Presidenta...

Como diz o velho axioma, o jogo é jogado e o lambari é pescado. Dilma ganhou, Dilma leva. Essa é a regra do processo democrático. Acompanhei pela net, principalmente twitter, uma gama imensa de beocidades relativas ao resultado eleitoral. A pior delas foi a tentativa de se estabelecer uma divisão no Brasil agredindo os nordestinos por suas opções eleitorais. Isso é absurdo, nem vale a pena levar em consideração. Aliás, para quem não sabe, boa parte do cabedal cultural brasileiros vem do norte e do nordeste, que tem um povo fantasticamente criativo.
Dito isso, vamos a questão principal: reservo-me o direito de fazer oposição ao novo governo por uma simples questão de falta absoluta de afinidade. Não torço pra Dilma fazer besteira, destruir o País, nem levar a nação ao caos, e espero sinceramente que nada disso aconteça. Mas não coaduno com o aparelhismo nem com algumas atitudes que ressuscitam o modo mussolinista de ser. Não aposto na agressão como método de trabalho e não acredito que a orientação vencedora seja capaz de levar o Brasil à evolução, ao crescimento econômico e muito menos ao desenvolvimento cultural e educacional. O Enem e o banimento de Monteiro Lobato das esferas educacionais pelo Ministério da Educação por meia dúzia de obtusos corroboram com esse meu sentimento.
Reservo-me também o direito à crítica, ao uso do humor, da chacota e até do esperneio como estratégias de sobrevivência política e preservação dos neurônios frente ao governo que se avizinha. É direito meu e não abro mão.
Admito que a questão dos erros do Enem possa ser considerada pontual e creio até que o novo Ministro da Educação, por mais deseducado que seja, possa resolver o problema, mesmo que acabe aprovando todo mundo antecipadamente com alguma bela retórica alicerçada pela igualdade de direitos.
A Cultura, eu sei, vai continuar aparelhada, mas torço também para que o novo titular da pasta - ouvi dizer que é o Tiririca - obtenha êxito, mesmo que seja apenas com sua própria alfabetização. Isso já seria uma avanço fantástico, nunca antes ocorrido nesse País.
Desejo boa sorte à Erenice, ao Zé Dirceu, ao Delúbio, ao Genoíno e até mesmo àquele sujeito da Land Rover, cujo nome não me ocorre. Espero que todos fiquem muito bem posicionados no Governo , até porque, se eles estiverem ganhando muito bem, teoricamente, a necessidade de desvio de dinheiro público será menor.
Desejo muito boa sorte ao Lula em sua aposentadoria. Que ele possa contribuir com seu carisma e seu jeito simpaticão de ser para os avanços que o ABC paulista necessita. E acho muito bom ele se fixar por lá, pois não dou 6  meses para a Dilma começar a achar que ele só atrapalha e taxa-lo de estorvo, o que, convenhamos, pode ser algo terrivelmente perigoso. 
Que Deus proteja o Lula, que, afinal de contas, tem uma bela história de vida apesar de ter o dedo podre no que se refere à indicações.
Tenho dito.
OBS: Se a coisa complicar demais eu peço exílio à alguma nação estrangeira, desde que não seja Venezuela nem Irã.

5.11.10

A prova da extorsão...

É  ou não uso do poder público, conferido pelas urnas, pra ganhar dinheiro?
Como dizia Noel Rosa: 
E o povo, já pergunta com maldade... Onde está a honestidade? Onde está a honestidade?

30.10.10

Vamos errar de novo? Pergunta Ferreira Gullar.




FAZ MUITOS ANOS já que não pertenço a nenhum partido político, muito embora me preocupe todo o tempo com os problemas do país e, na medida do possível, procure contribuir para o entendimento do que ocorre. Em função disso, formulo opiniões sobre os políticos e os partidos, buscando sempre examinar os fatos com objetividade.Minha história com o PT é indicativa desse esforço por ver as coisas objetivamente. Na época em que se discutia o nascimento desse novo partido, alguns companheiros do Partido Comunista opunham-se drasticamente à sua criação, enquanto eu argumentava a favor, por considerar positivo um novo partido de trabalhadores. Alegava eu que, se nós, comunas, não havíamos conseguido ganhar a adesão da classe operária, devíamos apoiar o novo partido que pretendia fazê-lo e, quem sabe, o conseguiria. 

Lembro-me do entusiasmo de Mário Pedrosa por Lula, em quem via o renascer da luta proletária, paixão de sua juventude. Durante a campanha pela Frente Ampla, numa reunião no Teatro Casa Grande, pela primeira vez pude ver e ouvir Lula discursar.

Não gostei muito do tom raivoso do seu discurso e, especialmente, por ter acusado “essa gente de Ipanema” de dar força à ditadura militar, quando os organizadores daquela manifestação -como grande parte da intelectualidade que lutava contra o regime militar- ou moravam em Ipanema ou frequentavam sua praia e seus bares. Pouco depois, o torneiro mecânico do ABC passou a namorar uma jovem senhora da alta burguesia carioca.

Não foi isso, porém, que me fez mudar de opinião sobre o PT, mas o que veio depois: negar-se a assinar a Constituição de 1988, opor-se ferozmente a todos os governos que se seguiram ao fim da ditadura -o de Sarney, o de Collor, o de Itamar, o de FHC. Os poucos petistas que votaram pela eleição de Tancredo foram punidos. Erundina, por ter aceito o convite de Itamar para integrar seu ministério, foi expulsa.

Durante o governo FHC, a coisa se tornou ainda pior: Lula denunciou o Plano Real como uma mera jogada eleitoreira e orientou seu partido para votar contra todas as propostas que introduziam importantes mudanças na vida do país. Os petistas votaram contra a Lei de Responsabilidade Fiscal e, ao perderem no Congresso, entraram com uma ação no Supremo a fim de anulá-la. As privatizações foram satanizadas, inclusive a da Telefônica, graças à qual hoje todo cidadão brasileiro possui telefone. E tudo isso em nome de um esquerdismo vazio e ultrapassado, já que programa de governo o PT nunca teve.

Ao chegar à presidência da República, Lula adotou os programas contra os quais batalhara anos a fio. Não obstante, para espanto meu e de muita gente, conquistou enorme popularidade e, agora, ameaça eleger para governar o país uma senhora, até bem pouco desconhecida de todos, que nada realizou ao longo de sua obscura carreira política.

No polo oposto da disputa está José Serra, homem público, de todos conhecido por seu desempenho ao longo das décadas e por capacidade realizadora comprovada. Enquanto ele apresenta ao eleitor uma ampla lista de re- alizações indiscutivelmente importantes, no plano da educação, da saúde, da ampliação dos direitos do trabalhador e da cidadania, Dilma nada tem a mostrar, uma vez que sua candidatura é tão simplesmente uma invenção do presidente Lula, que a tirou da cartola, como ilusionista de circo que sabe muito bem enganar a plateia.

A possibilidade da eleição dela é bastante preocupante, porque seria a vitória da demagogia e da farsa sobre a competência e a dedicação à coisa pública. Foi Serra quem introduziu no Brasil o medicamento genérico; tornou amplo e efetivo o tratamento das pessoas contaminadas pelo vírus da Aids, o que lhe valeu o reconhecimento internacional. Suas realizações, como prefeito e governador, são provas de indiscutível competência. E Dilma, o que a habilita a exercer a Presidência da República? Nada, a não ser a palavra de Lula, que, por razões óbvias, não merece crédito.

O povo nem sempre acerta. Por duas vezes, o Brasil elegeu presidentes surgidos do nada -Jânio e Collor. O resultado foi desastroso. Acha que vale a pena correr de novo esse risco?

Ferreira Gullar

28.10.10

Ilmo Sr. Chico Buarque



Amigo Chico 
Muito te admiro 
O meu chapéu te tiro 
Muito humildemente 

Todo o meu povo 
agradece a blusa 
do PT  e recusa 
elegantemente 

Meu caro amigo 
Um voto sem motivo 
É algo explosivo 
Não me queira mal 

Se apostarmos 
Nas urnas erradas 
O Brasil se acaba 
Mergulha no caos 

Amigo velho 
Fugi do conselho 
Troquei teu vermelho 
Por um tom azul 

Mas quis o verde 
Que te quero verde 
Junto com o amarelo 
E o cruzeiro do sul 

Pintei um sol naquela tua estrela, 
não quero mais vê-la, 
Pus um branco sutil 

Virei-lhe o listrado do peito 
E nasceu desse jeito 
Uma bandeira do Brasil 



Com um abraço do seu maior admirador, Vicente Portella, que vota Serra 45

26.10.10

O Brasil do futuro – Serra Presidente

Dizer que Lula manteve as diretrizes econômicas de FHC seria chover no molhado. Até o atual Presidente do Banco Central , Henrique Meireles, é, como se sabe, um quadro do PSDB, eleito Deputado Federal em Goiás no mesmo ano em que Lula se elegeu Presidente. Sob o ponto de vista social a estrela do Governo Lula é o Bolsa família, programa que fundiu em um só os vários programas assistenciais de FHC, bolsa isso, bolsa aquilo, etc. Também nesta área, portanto, Lula seguiu os passos de FHC. 
Politicamente, a coisa não foi muito diferente. Lula e o PT se opuseram à todas as privatizações ocorridas no País, mas, curiosamente, nenhuma delas foi revertida. Muito pelo contrário. Lula até superou FHC em alguns casos, tanto na privatização da extração de petróleo, abrindo a Petrobras para empresas do mundo todo, como nas estradas, onde as privatizações ocorreram sem que as empresas favorecidas desembolsassem sequer um centavo. Lula doou as estradas alegando que os pedágios seriam menores e os investimentos maiores. Não foi isso o que aconteceu. 
Em termos de política externa, no entanto, Lula não seguiu FHC. Pelo contrário, fez exatamente o oposto. Nesta área pode-se dizer, com segurança, que Lula e PT adotaram uma plataforma absolutamente própria, original e até surreal, pois seu governo redirecionou todas as parcerias estratégicas do brasil. Atualmente, ao invés de termos como parceiros primordiais as grandes democracias do primeiro mundo, encravamos nossa âncora solidamente nos governos “revolucionários” do Irã, da Venezuela e em mais um amontoado de países africanos, nos quais Lula fez questão de abrir representações diplomáticas. Somos hoje aliados preferenciais de Ahmadinejad, de Chaves e de muitos dos ditadores que pululam em minúsculas e sangrentas republiquetas. Somos parceiros do apedrejamento de mulheres adúlteras, da bomba nuclear e da intervenção do Estado na vida do cidadão e na imprensa. Tornamo-nos amigos inseparáveis daqueles que defendem, oficialmente, o aparelhamento das instituições. 
Lula teve seus méritos, é verdade. Mas seus deméritos são infinitamente maiores. Essa outra face do Governo Lula, a que não seguiu os passos nem de FHC, nem da democracia, é algo tenebroso, catastrófico. Para garantir maioria no congresso, 20 anos de discurso pautado na ética não impediram Lula e PT de instituir o mensalão, instrumento de compra de parlamentares liderado por José Dirceu. Nunca na história desse País, como diz Lula, a corrupção, o roubo, a pilhagem do patrimônio público e a degenerescência política ocuparam um espaço tão portentoso na estrutura de um Governo quanto neste período pós mensalão. O Estado brasileiro transformou-se em uma versão piorada da famosa “Casa da mãe Joana” e os valores da sociedades foram estuprados em praça pública. 
Onde há dinheiro e poder há corrupção, dizem, mas no Governo Lula ela deixou de ser exceção para se tornar regra, uma coisa corriqueira jamais combatida nem pelo chefe do executivo. Ao contrário disso, Lula e PT, sempre que questionados, ou não sabiam de nada ou justificavam a ação danosa de seus parceiros apontando o dedo, criminosamente, contra adversários e os acusando de atos parecidos que, a bem da verdade, nunca ocorreram em proporções semelhantes. Ao invés de combater a corrupção o Governo Lula legalizou-a com a lógica do “ rouba, mas faz”. 
Tudo isso, a conivência, a leniência, a tolerância, o incentivo à tungagem da coisa pública como estratégia de perpetuação no poder, fizeram de Lula um líder menor. Alguém que usa seu prestígio junto as massas para obter lucros para si, para sua família – Lulinha – e seus companheiros. Mais que isso, o comportamento de Lula no exercício do poder, desmoraliza até mesmo as teses pseudo esquerdistas das quais o PT se apropriou nos seus vinte e tantos anos. 
Em síntese pode-se dizer que Lula até encheu a barriga de alguns pobres e enriqueceu seus companheiros, mas fez muito mal ao Brasil ao nivela-lo por baixo, ao tornar a desonestidade um hábito, uma ferramenta de trabalho, e ao apequenar o cargo político mais importante do País. 
Lula, na verdade, não é de esquerda nem de direita, é Lula. A prova disto é que, como último ato de sabotagem ao seu próprio partido, para não correr riscos durante o ostracismo que se avizinha, Lula resolveu apoiar um poste para sua sucessão, uma aventureira que nunca teve papel de destaque em nada do que fez em toda a sua vida. Uma pessoa que sempre foi subordinada e nunca representou ninguém além dela mesma. Dilma Roussef é um zero à esquerda. Lula até poderia usa-la para mostrar quem manda no PT, para deixar claro que o PT, para ele, Lula, não passa de massa de manobra. Impor Dilma ao Brasil, no entanto, é uma temeridade que trai até seus mais fiéis eleitores no seio do povo, pois, deste, Dilma nunca suportou nem o cheiro. Para garantir seu retorno ao Poder em 2014, Lula empurra pela goela da nação abaixo um purgante aditivado, apostando no caos. 
A sociedade, no entanto, não está encabrestada por Lula e pode reagir e escolher o melhor para o Brasil. Comparar Serra com Dilma é até covardia. Serra é de longe mais preparado, mais qualificado, mais experiente e, acima de tudo, honesto. 
O Brasil precisa de gente séria. Não se pode apostar o futuro do País no nivelamento por baixo. Precisamos de grandes governantes. Serra é estadista e em 40 anos de vida pública só fez o bem para o Brasil em todos os cargos que ocupou. 
Eleição não é Fla x Flu, nem Grenal, nem Bavi. Eleição é coisa séria. É o que define o futuro de uma nação. A escolha é entre o orelhão e o celular, entre as estatais para o PT e as estatais para o Brasil, entre Dilma, o atraso, e Serra, o futuro. E Serra é o melhor para o Brasil. Até o PT reconheceu isso ao dar continuidade ao Governo FHC, na economia e no social. Serra45. 


Vicente Portella

23.10.10

Pelé - Primeira crônica de Nelson Rodrigues sobre o Rei


Reparem na data e nas palavras do Nelson Rodrigues. Sensacional!



Santos 5x3 América, 25/02/1958, no Maracanã, pelo Torneio Rio-São Paulo

Depois do jogo América x Santos, seria uma crime não fazer de Pelé o meu personagem da semana. Grande figura, que o meu confrade Albert Laurence chama de “o Domingos da Guia do ataque”. Examino a ficha de Pelé e tomo um susto: — dezessete anos! Há certas idades que são aberrantes, inverossímeis. Uma delas é a de Pelé. Eu, com mais de quarenta, custo a crer que alguém possa ter dezessete anos, jamais. Pois bem: — verdadeiro garoto, o meu personagem anda em campo com uma dessas autoridades irresistíveis e fatais. Dir-se-ia um rei, não sei se Lear, se imperador Jones, se etíope. Racionalmente perfeito, do seu peito parecem pender mantos invisíveis. Em suma: — Ponham-no em qualquer rancho e sua majestade dinástica há de ofuscar toda a corte em derredor.
O que nós chamamos de realeza é, acima de todo, um estado de alma. E Pelé leva sobre os demais jogadores uma vantagem considerável: — a de se sentir rei, da cabeça aos pés. Quando ele apanha a bola e dribla um adversário, é como quem enxota, quem escorraça um plebeu ignaro e piolhento. E o meu personagem tem uma tal sensação de superioridade que não faz cerimônias. Já lhe perguntaram: — “Quem é o maior meia do mundo?”. Ele respondeu, com a ênfase das certeza eternas: — “Eu”. Insistiram: — “Qual é o maior ponta do mundo?”. E Pelé: — “Eu”. Em outro qualquer, esse desplante faria rir ou sorrir. Mas o fabuloso craque põe no que diz uma tal carga de convicção, que ninguém reage e todos passam a admitir que ele seja, realmente, o maior de todas as posições. Nas pontas, nas meias e no centro, há de ser o mesmo, isto é, o incomparável Pelé.
Vejam o que ele fez, outro dia, no já referido América x Santos. Enfiou, e quase sempre pelo esforço pessoal, quatro gols em Pompéia. Sozinho, liquidou a partida, liquidou o América, monopolizou o placar. Ao meu lado, um americano doente estrebuchava: — “Vá jogar bem assim no diabo que o carregue!”. De certa feita, foi até desmoralizante. Ainda no primeiro tempo, ele recebe o couro no meio do campo. Outro qualquer teria despachado. Pelé, não. Olha para frente e o caminho até o gol está entupido de adversários. Mas o homem resolve fazer tudo sozinho. Dribla o primeiro e o segundo. Vem-lhe ao encalço, ferozmente, o terceiro, que Pelé corta sensacionalmente. Numa palavra: — sem passar a ninguém e sem ajuda de ninguém, ele promoveu a destruição minuciosa e sádica da defesa rubra. Até que chegou um momento em que não havia mais ninguém para driblar. Não existia uma defesa. Ou por outra: — a defesa estava indefesa. E, então, livre na área inimiga, Pelé achou que era demais driblar Pompéia e encaçapou de maneira genial e inapelável.
Ora, para fazer um gol assim não basta apenas o simples e puro futebol. É preciso algo mais, ou seja, essa plenitude de confiança, certeza, de otimismo, que faz de Pelé o craque imbatível. Quero crer que a sua maior virtude é, justamente, a imodéstia absoluta. Põe-se por cima de tudo e de todos. E acaba intimidando a própria bola, que vem aos seus pés com uma lambida docilidade de cadelinha. Hoje, até uma cambaxirra sabe que Pelé é imprescindível em qualquer escrete. Na Suécia, ele não tremerá de ninguém. Há de olhar os húngaros, os ingleses, os russos de alto a baixo. Não se inferiorizará diante de ninguém. E é dessa atitude viril e mesmo insolente que precisamos. Sim, amigos: — aposto minha cabeça como Pelé vai achar todos os nossos adversários uns pernas-de-pau.


Nelson Rodrigues

20.10.10

Meninas da noite

Meninas da noite 
defloram a lua 
São belas atrizes 
e atuam 
no espaço ordinário 
entre o peito e a palavra 

Suas doces fragrâncias 
agravam 
as coisas do instinto 
Depois, vinho tinto 
suave ou rascante 
pra tornar gigantes 
os seres aflitos 



Meninas da noite 
dispensam os gritos 
das gargantas roucas 
Adoçam a boca 
com mel e saliva 
São como uma brisa 
suave e fresca 
na alma dos loucos 

Meninas da noite 
são flores pra poucos 
e afloram 
nos jarros vazios 
daqueles que amam 
os corpos e as almas 
mas, tolos, naufragam 
com todos os cios 
nas águas dos rios 
devassos e afoitos

18.9.10

Zeca Baleiro - Babylon

Paciencia - Lenine

Belchior - Galos Noites e Quintais

SÓ PRO MEU PRAZER

Belchior - Coração Selvagem

Temporada Das Flores - Leoni

Mulher Nova,Bonita e Carinhosa -Zé Ramalho

Zé Ramalho - O meu País

6.9.10

Seja o que Deus quiser

Lula é um grande líder popular. Dilma, não. Enquanto um representa a alma de um povo operário e semi alfabetizado que chegou ao poder para reverter pelo menos algumas das injustiças históricas cometidas contra ele, a outra representa a burocracia e a sede de poder à todo custo. Lula sonha alto e de forma coletiva, Dilma contenta-se com a possibilidade de vingança contra seus inimigos e adversários.
No primeiro mandato Lula quase foi emparedado por José Dirceu, que, lançando mão de sua força dentro do PT, aparelhou o Estado com seus aliados e promoveu toda sorte de desmandos, culminando com o mensalão, que envergonhou profundamente a parcela desavisada do PT, gente que acreditava no poder exercido de forma romântica e voltada para o bem.Lula deu corda o quanto pode e no fim deixou que Dirceu se enforcasse em suas próprias ambições. Mas o PT e Dirceu continuaram exercendo grande influência no Governo.
Dilma está muito mais para Zé Dirceu do que para Lula. É  autocrática e se considera portadora da razão mesmo que esta navegue a quilômetros de distância de seu cérebro.Se de Lula pode-se dizer que tem sentimento de povo, à Dilma não se pode atribuir sentimento algum. Trata-se de um robô programado por incontáveis teses partidárias focadas única e exclusivamente no umbigo e na vaidade intelectual de seus autores. São, em geral, teses que renegam os fatos caso estes não sejam condizentes com a tese formulada. Teses baseadas no interesses partidário, independente de qualquer outra coisa. Consideram-nas acima até mesmo do País e, principalmente do povo. Aliás, o povo, para esses "ideólogos", precisa ser tutelado, como criança. Lula geralmente ignora as tolices oriundas de seu partido, mas, vez por outra, acaba sendo pego no contra pé e tendo que se explicar.
Na prática, pode se dizer que Lula foi um vitorioso APESAR do PT. Nem sempre, no entanto, conseguiu se livrar dos entulhos partidários.
Agora mesmo, em plena campanha eleitoral, com Lula conduzindo os trabalhos e a candidatura da Barbie Guerrilheira indo de vento em popa, o PT volta a fazer lambança. Para eles o Estado lhes pertence e a máquina pública é uma extensão da máquina partidária, por isso consideram lícita qualquer ação, por mais danosa que seja, em nome da manutenção do poder. É como se o Estado fosse uma estrutura orgânica do partido cabendo à eles, os próceres Petista, determinar o que é bom ou ruim.
Na verdade a quebra de sigilo da filha de Serra é apenas um detalhe, apenas uma forma de mostrar quem manda, no melhor estilo “Ou faz o que eu quero ou eu divulgo tuas informações pessoais e sigilosas”.
O fato é que o Estado Brasileiro está entregue à uma súcia cruel, incompetente e completamente viciada em desmandos. O PT assimilou muito de seus parceiros que comandaram o Brasil nos últimos 40 anos: Sarney, Collor, Renam e urubus políticos.
Se Dilma ganhar, como tudo indica, o Brasil estará legitimando a insanidade. Nossa constituição diz que o poder emana do povo e se é isso que o povo quer, então é o que teremos. A Alemanha e a Itália já passaram por isso, o povo quis e sua vontade foi feita. O resto do mundo pagou caro, é verdade. Mas essas coisas fazem parte da história. Vez por  outra a democracia nos leva por túneis sombrios, mas não existe, pelo menos ainda, forma mais adequada de se exercer o poder. Espero que os próximos 4 anos passem rápido. E seja o que Deus quiser.

21.8.10

PEREGRINO 22

Estou convencido de que Dilma é uma candidata genérica. Marina tem muito mais a ver com o Lula molusco do que Dilma.Até porque esse papo de filhinha de papai mimada que vira guerrilheira nunca deu certo. Marina, como Lula, nasceu pobrérrima e ralou pra dedéu. Aliás, pra ser sincero, até o Serra, por mais atrasados que sejam seus companheiros de partido, ralou muito mais do que a Dilma entre o berço e a faculdade. Sei lá... Dilma me parece mais uma Barbie guerrilheira...


Vi pela TV hoje...Débio Cabral transformou o Rio na Suécia brasileira? Só agora entendi porque contrataram um cineasta à peso de ouro pra fazer a propaganda do boçal: tem que ter muita criatividade, talento e efeitos especiais. Vamos esclarecer as coisas... 
UPA - pobre que vai lá ganha um abraço..Uuuupaaa...e é mandado pra casa ainda doente.
UPP - Unidade Pirotécnica de Propina... eles entram e liberam o tráfico, aí nem precisa mais do bandido andar armado. 
E o que mais Débio Cabral fez?
NADA. O resto é do Lula Molusco

16.8.10

Vai sair uma borboleta dali?


Este vídeo (curta metragem) escrito, dirigido e editado por Fábio de Luca protagonizado pelo ator e professor de teatro Felipe e pelas atrizes Mariah Huguenin, Lucy de Campos e Hyago Sacalem, produzida por Fábio Oliviere e Jean Rizo, é uma resposta a uma das muitas declarações estapafúrdias de Sérgio Cabral a favor do aborto.

Operario em construcao

Tropa de Elite 2 - Trailer Oficial

11.8.10

PEREGRINO 22 - Retomando o fio da história


A Cinelândia, ontem, depois de tantos anos abandonada, voltou a ser o
coração e a alma do Rio de Janeiro. Gente vinda de todos os cantos do
Estado: Zona norte, zona sul, interior, Baixada... Materializou-se
mais uma vez o histórico poema de Castro Alves: A praça é do povo como
o céu é do condor.
O povo buscou a praça para fazer história, mais uma vez, atendendo ao
apelo do único líder popular brasileiro que continua fiel às suas
origens, Anthony Garotinho.
Herdeiro do legado e da tradição popular e trabalhista de  Getúlio
Vargas, Dary Ribeiro  e Leonel Brizola, Garotinho herdou também o
amor, o carinho e o respeito do povo por estes líderes e, em
contrapartida, como não poderia deixar de ser, herdou o ódio das
elites.
Pode-se dizer, sem medo de errar, que tudo já foi feito contra
Garotinho. Perseguições inúmeras, acusações levianas infindáveis,
agressões públicas absurdas e até mesmo, requinte da crueldade,
invasão de sua residência e constrangimento à sua família.E tudo com o
aval da mídia, exatamente como foi denúnciado por Getúlio em sua
belíssima carta testamento.

“Mais uma vez, a forças e os interesses contra o povo coordenaram-se e
novamente se desencadeiam sobre mim. Não me acusam, insultam; não me
combatem, caluniam, e não me dão o direito de defesa. Precisam sufocar
a minha voz e impedir a minha ação, para que eu não continue a
defender, como sempre defendi, o povo e principalmente os humildes.”

Garotinho, no entanto, não se deixa abater. Os que vem de longe, como
dizia Brizola, conhecem muito bem o enredo dessa trama e sabem que
nada é fácil para quem defende interesses populares, nacionalistas e
trabalhistas. Garotinho sabe, é claro, que os mais bem pagos
jornalistas do País tem a obrigação, quase que contratual, de
questionar, atacar e desqualificar o máximo possível os líderes
populares e suas propostas. Trata-se de uma questão de poder. Se o
povo assumir o controle de seu destino, as elites - os donos da mídia
- perdem a condição de estabelecer as regras do jogo. E, como se sabe,
eles querem ser os donos da bola, do campo e ainda insistem escolher
os árbitros.

Por tudo isso podemos afirmar que o povo, ontem, fez história na
Cinelândia. Eleitoralmente, foi o primeiro passo da campanha de
Peregrino para Governador. Politicamente, no entanto, foi a convocação
do povo para regair ao fascismo oficialmente instaurado no Rio de
Janeiro.
Quem faz a política do bem, visando o bem estar coletivo, a justiça e
o equilíbrio social, faz assim, como Garotinho. Fala diretamente ao
povo do qual, constitucionalmente, emana o poder. O contrário disso é
o elitismo, que flui pelos palácios, gabinetes, escritórios de grandes
corporações e se arvoram a roubar para si uma legitimidade que não
lhes pertence.
Enfim, o povo foi às ruas e eu estava lá. Posso dizer, com orgulho,
que estou colaborando com a retomada do poder para o povo do Rio de
Janeiro. Me emocionei, como muitos, ao ouvir Garotinho e Peregrino
retomando o fio da história.