30.6.07

Meu lugar

Viva à vida, viva ao povo
Viva ao Rio de Janeiro
Viva ao sol o ano inteiro
Às mulheres e ao mar

Viva à arte de encantar
Às belezas mais sutis
Bem mais luzes que Paris
Mais feliz que Calcutá

Viva ao povo da favela
À Portela, ao Fluminense
Ao jeito de ser “non sense”
Viva ao jardim de Alá

Viva às cores do planeta
Vivas ao meu mundo inteiro
Ao meu Rio, ao meu janeiro
Meu poema, meu lugar


Vicente Portella

29.6.07

Rui Barbosa....super atual

De tanto ver triunfar as nulidades,
de tanto ver crescer as injustiças,
de tanto ver agigantar-se os poderes nas mãos dos maus,
o homem chega a desanimar-se da virtude,
a rir-se da honra,
a ter vergonha de ser honesto.

(Rui Barbosa)

Ainda temos, no Rio de Janeiro, Deputados estaduais de verdade...

A Assembléia Legislativa do Rio de Janeiro, ALERJ, aprovou na última quarta-feira, 26/06, o Propar, Plano estadual de parcerias público-privadas. Na prática nossos nobres Deputados deram ao Governador Sérgio Cabral um cheque em branco, permitindo que ele venda, empreste ou simplesmente doe qualquer patrimônio público para a iniciativa privada. E a primeira vítima já esta escolhida: o maracanã.
Na prática o atual conceito de privatização é ainda mais nocivo do que aquele impetrado por Marcello Alencar e Fernando Henrique, pois se antes o patrimônio público era vendido, ainda que fosse sub avaliado, agora simplesmente passa-se o controle para uma empresa escolhida pelo governante. Simples assim. O governador dá para alguém aquilo que pertence ao povo.
Uma das únicas vozes destoantes foi a do Deputado Paulo Ramos, líder do PDT na casa.
" Não estamos aqui discutindo o Estado máximo ou o Estado mínimo, mas o Estado nenhum. Não posso adimitir que todas as áreas da administração sejam concedidas. É o reconhecimento da total incompetência do Estado". Afirmou o líder do PDT.
Os eleitores de Paulo Ramos devem realmente estar orgulhosos da postura lúcida do parlamentar, pois com as PPPs o Rio de Janeiro estará retroagindo políticamente.
As privatizações, repudiadas claramente nas urnas, servem sempre a alguns poucos poderosos que enriquecem em tempo recorde enquanto o povo paga a conta.

18.6.07

Cineclube Mate Com Angu completa cinco anos de atividade

Fazer cinco anos trabalhando com audiovisual na Baixada Fluminense é, de fato, algo que merece grande comemoração. E é isso que o Cineclube Mate Com Angu, de Caxias, promete fazer na noite do próximo dia 27 de junho: uma grande festa, à altura da trajetória do grupo.

O conceito da sessão Mate Ataca! é confraternizar o movimento cineclubista a partir da exibição de filmes de vários coletivos audiovisuais fluminenses, como o Cine Guandu, de Japeri, o Laboratório Cítrico, de Nova Iguaçu, o Cachaça Cinema Clube, do Centro, o Cineclube Pela Madrugada, da Zona Sul e o Cinemaneiro, da Maré.“O que o Mate Com Angu tem conseguido ao longo destes cinco anos é colocar Caxias no roteiro cultural do país, revelando a riqueza da cultura daqui”, define HB, um dos integrantes do grupo. “A Baixada é cinematográfica por excelência”, arremata HB.

No dia do evento o público poderá assistir ao curta-metragem "Lá no Fim do Mundo..." , roteirizado por Igor Barradas e que já chamou a atenção de públicos de vários lugares onde foi exibido como a Região dos Lagos, o Circo Voador e o Sesc São João. “Esse filme é especial pra gente por muitos motivos, mas principalmente por fazer uma investigação audiovisual do que é essa cidade mítica, Duque de Caxias. E o curioso é que onde o filme passa, as pessoas se identificam, mesmo nem sabendo onde fica a Baixada”, comenta Barradas. O filme, que mistura documentário e ficção, foi selecionado para o CineEsquemaNovo 2007, badalado festival que acontece em Porto Alegre no final deste mês.

A noite conta ainda com novas produções do Mate como Dinheiro Fácil, documentário de Fabíola Trinca, a animação As aventuras do Agente 77, de Cacau Amaral e Suburbana, novo clipe do rapper João Xavi, que também é integrante do grupo.

Para coroar a festa, haverá intervenções artísticas do coletivo Imaginário Periférico, forró pé-de-serra com o Trio de Dominguinhos do Recife e festa comandada por DJ Cézar Ray e DJ Brasília, este vindo diretamente da festa Phunk! para Caxias.

A sessão de aniversário do Cineclube Mate Com Angu será na quarta-feira, dia 27/06/2007, a partir das 20h, na Lira de Ouro, Rua Sebastião de Oliveira, 72, centro de Caxias, com entrada a dois reais.

Mais informações pelo e-mail matecomangu@curtacaxias.com.br ou pelos telefones 9300-2553 e 9288-3300.

14.6.07

O mito da caverna

Vivemos um momento altamente tranqüilo. Há mensaleiros, sanguessugas, policiais ladrões, Deputados safados, governantes corruptos, empresários canalhas... Ou seja, tudo dentro da mais rotunda normalidade para os padrões brasileiros... E isso desde o império, atravessando as tantas repúblicas velhas e novas que antecederam a nossa atual ré-pública. Há, no entanto um espírito de desconsolo no ar. Leões rugem como se estivessem diante de algo novo, inédito, singular...
- Talvez a culpa seja minha ao analisar a coisa assim. Não sei se estou preparado para compreender a hipocrisia vigente. E olha que ela vige desde que Cabral ( o outro, mais antigo) pôs seus pés em terras brasileiras, mas sei lá, nunca me acostumei.
Só para citar governos existentes desde o momento em que minha pobre memória quarentona foi capaz de registrar, vivemos a ditadura, os governos Sarney, Collor, Itamar, Fernando Henrique Horroroso e agora Lula. De todos, o único não “Doutor” é Lula. Rigorosamente todos os nossos governantes anteriores esquentaram com suas poderosas nádegas bancos acadêmicos e não apenas aqui, mas principalmente no exterior. Alguns, inclusive, certamente trouxeram das Havards da vida o costume arrogante de olhar o povo por cima e considerar ridícula, absurda ou “populista” qualquer formulação que não esteja plenamente dirigida a interesses estrangeiros ou de seus asseclas tupiniquins. E todos também, sem exceção, usaram a máquina pública como um mero depositário de fortunas a serem repassadas para as elites, inclusive familiares, seja por via direta ou indireta.
Como o hábito do cachimbo faz a boca torta, esse comportamento elitista e preconceituoso baseado na formulação de conceitos sempre lastreados por uma doutrina ou pensamento concebido e gerado em terras estrangeiras espalhou-se para todas as tendências ideológicas.
A mídia de um modo geral tem um papel fundamental na irradiação desta lógica. Desde o berço somos acostumados a idolatrar as coisas de fora, principalmente dos EUA, e vamos absorvendo como se fosse nossa a cultura deles. As distorções se agigantam de tal forma que chegamos a comemorar um tal “Dia das bruxas” que não tem sequer significado para nenhum de nós, e, como conseqüência, vamos deixando de lado a nossa própria forma de pensar; vamos cortando aos poucos nosso cordão umbilical. E não há nessa afirmação nenhum arremedo de xenofobia, mas uma simples constatação. Desacostumamo-nos, na verdade, a pensar com a nossa própria cabeça. Se “O globo” diz que o papa é ladrão, pedras ao papa. Se o “SBT” diz que tal novela é boa, odes a novela... E por aí vai... Todos os dias imensas cortinas de fumaça são colocadas diante de nossos olhos e as aceitamos sem pestanejar. Em suma: vivemos o mito da caverna, de Platão. Acreditamos no poder de sombras, em miragens e nem sequer questionamos isso. Tornamos-nos, de um modo geral, meros reprodutores da versão oficial estabelecida pelos órgãos de comunicação sem perceber que se trata na verdade de um círculo vicioso.
Tudo isso gera em nós uma espécie de fúria iconoclasta restritiva, pois ao mesmo tempo em que somos encorajados a destruir nossa própria imagem no espelho, vamos também absorvendo outras que não são nossas e nem se assemelham a nós. E pior, vamos adotando como referência os donos dessas imagens, permitindo que eles se tornem tutores da nossa cidadania. Acabamos, enfim, aceitando como correta a opinião de um jornalista que, ganhando 1 milhão de dólares por mês, assume uma posição ardorosamente contrária ao aumento de alguns reais no salário mínimo por conta de um pseudo risco ao equilíbrio da previdência. Não nos ocorre em nenhum momento que tudo não passa de uma grande falácia. Não se pode investir o dinheiro público em melhorias para o povo senão vai faltar para os empreendimentos privados. Se o governo gastar dinheiro em escola, aumento de salário, saúde, educação, CULTURA e etc. não vai ter como retirar bilhões do BNDES para financiar empresas de comunicação. É simples assim.
Chega a ser hilário, na verdade. Aqueles que assaltam os cofres públicos com a conivência de governantes e que enriquecem a sombra do erário são, desafortunadamente, também aqueles que nos incutem a máxima de que o poder que advém do voto é podre, corrupto e danoso... Transformam tudo em algo tenebroso diante dos nossos olhos para que tenhamos aversão ao poder e nunca queiramos exercê-lo.
É como se um seleto grupo de apreciadores de chope, por exemplo, estabelecesse uma terrível campanha contra a bebida, ressaltando todos os seus malefícios e inventando um amontoado de outros tantos, como estratégia para inviabilizar a concorrência.
Na verdade, onde há poder, infelizmente, há corrupção. E a única forma de reduzi-la é aumentar ao máximo o número de pessoas que o exercem este poder, ou seja, trazer o poder de verdade para as mãos do povo, e isso se faz de várias formas, mas a base de tudo, ao contrário do que dizem, é a CULTURA.
Um cidadão culto não se permite ser usado como massa de manobra nem fica vomitando conceitos designados pelas elites. Um cidadão culto não renega sua história, sua vida e sua arte para adotar a de outros. Um cidadão culto sabe que o mundo não é perfeito e não advoga sua perfeição, mas sim sua evolução. E acima de tudo sabe que só o andamento natural do processo social é capaz de consertar os erros e purgar os defeitos.
Lugar de corrupto é na cadeia, é verdade, mas só ao povo cabe, não apenas esta retórica, mas também a estipulação dessa sentença.


Vicente Portella

1.6.07

Ainda temos Senadores de verdade...é bom que se diga.

Simon: "Privatização da Vale ainda exige investigação"

A privatização da Companhia Vale do Rio Doce, no governo Fernando Henrique Cardoso, foi um negócio que ainda merece uma investigação mais rigorosa, na opinião do senador Pedro Simon (PMDB-RS).
"Essa empresa foi vendida por cerca de R$ 3 bilhões e hoje está valendo R$ 100 bilhões, um crescimento que chama a atenção", afirmou o senador, que destacou o fato da empresa, hoje, investir mais no exterior do que no Brasil.
"Poderia estar ajudando o desenvolvimento nacional", acrescentou.
As privatizações do governo FHC, defendidas com o argumento de que os recursos serviriam para reduzir a dívida brasileira, renderam mais de R$ 100 bilhões. A dívida, que era de cerca de R$ 60 bilhões no início do governo, oito anos depois aumentou para cerca de R$ 600 bilhões.

28.5.07

Jorge Coutinho eleito presidente do SATED-RJ

Artistas e técnicos disseram presente com alegria e entusiasmo nas eleições do SATED-RJ para renovação da Diretoria que vai dirigir os destinos da categoria no triênio 2007/2010. A Chapa única UNIÃO E TRABALHO, encabeçada por Jorge Coutinho, foi referendada nas urnas para dar continuidade ao trabalho que vem sendo desenvolvido com sucesso. Nas eleições dos dias 16, 17 e 18 de maio, participaram 544 associados, que votaram no Rio de Janeiro e nas delegacias sindicais dos municípios de Campos, Macaé, Petrópolis, Volta Redonda, Nova Iguaçu e São Gonçalo.
A Diretoria do SATED-RJ, sensibilizada, agradece o empenho, apoio e mobilização dos seus associados nas eleições. Foi uma demonstração de confiança no trabalho que vem sendo desenvolvido, que fortalece o vínculo com a categoria e o compromisso de manter acesa a chama da luta. Comprova mais uma vez que somente com ampla participação teremos um sindicato forte e democrático.

15.5.07

Futuro Deputado...

Essa foi a resposta de um determinado aluno à uma pergunta sobre o Vale do paraíba no vestibular da Gama Filho.
Certamente, continuando nessa linha e com essa incrível capacidade de dissimular e tentar iludir com palavras, o garoto acaba virando Deputado. Ou quem sabe Prefeito de alguma importante cidade brasileira.

Quem viver verá.

"Iluminados" querem destruir a FEUDUC

Era só o que faltava...
Um bando de "Iluminados", devidamente encastelados no poder, quer acabar com a FEUDUC- a Fundação Educacional de Duque de Caxias.
Se estes seres usassem seus poderes para o bem, poderiam contribuir, e muito, para a recuperação da instituição, que tem sido um dos principais instrumentos de formação de um pensamento qualificado na Baixada Fluminense. Mas ao invés disso, pretendem transforma-la em um mero polo tecnicista.
Mas as pessoas de bem da cidade ja estão reagindo. Um abaixo assinado liderado por algumas das personalidades que mais contribuiram para o desenvolvimento cultural e intelectual da cidade ja está circulando e ganhando adesões.
Transformar uma instituição de ensino filosófico em algo meramente tecnocrático e no mínimo covardia. E usar o poder político e a máquina pública para isso então, nem se fala... É uma completa inversão de valores.
Mas o povo do bem ja está se mobilizando. Em breve teremos atos públicos para impedir esta ação temerária.

14.5.07

Heraldo HB e Geraldo Azevedo no teatro Raul Cortez

Foto de Úrsula Nery

O cantor e compositor Heraldo HB inaugurou no último sábado, dia 13, o teatro Raul Cortez, em Duque de Caxias, abrindo o show de Geraldo Azevedo. Foram duas belíssimas apresentações nos dias 13 e 14, sábado e domingo.

Primeiro artista a subir ao palco do novo teatro para uma apresentação oficial, HB interpretou músicas suas e parcerias com outros artistas da cidade, como a belíssima "Seu menino", de HB e Canthídio, que levantou a platéia.

Geraldo Azevedo subiu ao palco logo depois de HB e saudou os presentes com um repertório fantástico, construído nos mais de 20 anos de uma carreira genial.

Canções como "Taxi Lunar", "Diana", "Dia Branco", "Caravana", entre tantas outras, foram cantadas em coro pela platéia, que participou ativamente do espetáculo.

Em uma platéia seleta, destacaram-se alguns dos mais importantes artistas e ativistas culturais da região, como André Oliveira ( produtor cultural ) e Igor Barradas ( Cineasta ), ambos do Cineclube Mate com Angú; Beto Gaspari (cantor e compositor) , Eve penha (atriz), Marivaldo Salles (músico ), mestre Russo ( capoeiristas ), Dejair Carneiro (escritor ) e muitos outros expressivos representantes da cultura local.

O Teatro Raul Cortez faz parte do Complexo Cultural Oscar Niemayer, que conta também com a bliblioteca pública leonel Brizola, e tem tudo para ser uma grande referência cultural não apenas da Baixada, mas do Estado do Rio de janeiro.

A grande expectativa da comunidade cultural é que o Teatro Raul Cortez possa ser utilizado como instrumento de mobilização e irradiação da cultura produzida na cidade, lançando mão do talento de nossos artistas para consolidar uma verdadeira política cultural.

7.5.07

Jorge Bodart canta em várias casas do Rio no mês de maio

O cantor, compositor e instrumentista Jorge Bodart estará se apresentando em várias casas do Rio de janeiro no decorrer do mês de maio.
Nas segundas feiras, 14 e 28 , e nos sábados 12 e 19 ele estará no Varandas Gourmet, sempre as 19 hs. A casa fica na rua do Lavradio, 74, Lapa - Tel 2508-8070.

Em todas a quartas feiras deste mês, às 20 hs. ele se apresentará também no Dom Lukas, que fica na rua Mem de Sá 89, Lapa. Tel 2508-8070.

E finalmente, em todas a sextas feiras de maio sua apresentação será no bar Chapéu de Couro, na rua Guilherme Maxwuel, em Bonsucesso, à partir das 20 hs. O tel do Chapéu de Couro é 3868-4676.

Quem for vai poder curtir MPB da melhor qualidade, inclusive com composições próprias de Jorge Bodart, que além de grande músico é tambem um compositor de primeira linha.

Certamente não é recomendável perder essa oportunidade de curtir uma boa música.

5.5.07

Brindemos

Um brinde as bocas beijadas na chuva
Um brinde as uvas
Aos seios
E aos ventres
Um brinde eloqüente as coxas e aos braços
Um brinde ao amasso
Dos corpos convulsos
Um brinde às línguas
Aos dedos
As frutas
Um brinde a gruta
A mata
Aos lábios
Um brinde ao cheiro e a temperatura
Um brinde a natura, ao sabor, a umidade
Um brinde a verdade exposta na flor
Um brinde a cor, ao formato e a textura
Um brinde a postura
A porta entreaberta
Um brinde a secreta passagem, ao talho
Um brinde ao orvalho, ao suor, a cereja
Um brinde a quem beija
A pétala aberta
Um brinde ao botão
Um brinde as mãos
Um brinde aos olhos e aos diamantes
Um brinde aos amantes
Um brinde a paixão

Vicente Portella

4.5.07

Por increça que parível....é verdade.

Marcha da maconha
Manifestantes usarão máscaras de Sérgio Cabral, de Gabeira e de Marcelo D2 na Praia de Ipanema no domingo
Michel Alecrim
Rio - Manifestantes farão uma caminhada na Praia de Ipanema, no domingo, a favor da legalização da maconha. Os organizadores do protesto defendem que a medida reduziria a violência. Desta vez, o movimento incentiva o uso de máscaras para quem não quer se expor. As imagens do governador Sérgio Cabral, do deputado federal Fernando Gabeira (PV) e do cantor Marcelo D2 estão disponíveis em site da Internet para serem impressas. Os três já defenderam a legalização da droga.

3.5.07

Um pouco de poesia...

Gozo

Poesia é tua carne
Teus dedos
Teus lábios grossos

Tua febre, teus remorsos
Tua sensação de gozo

Poesia é um ser raivoso
E amável
Que mora nos teus sentidos
Te invade pelos ouvidos
Boca, olhos e narinas
Te faz sutil e felina
Se aloja em teus orifícios

Poesia são teus vícios
Tua calma
Teu desespero
E todas as tuas virtudes

Poesia, são
Os grandes lábios
Da tua rosa perfeita

A forma como te deitas
Expondo as ancas e o cio

Teu eterno desvario
Teu medo da solidão

É o ferro quente que fere
A palma da tua mão

É tua honra
E teu censo

Teu torpor
E teus anseios

São milhões de devaneios
Correndo extasiados
No espaço do teu delírio

A poesia é um Rio
Que corre pelo teu corpo
Proporcionando conforto
Angústia e ansiedade

É a cor da tua vontade
É cada desejo teu

São dedos ágeis e leves
Te dando um carinho breve
No interior das coxas

Te envolve e te desabrocha
Te cala
E te faz gritar

Poesia é o sumo salgado
Que escorre pelo teu vórtice

Te leva a uma doce morte
E te faz ressuscitar

30.4.07

Sucesso de público de volta em cartaz...


Por quanto dinheiro e por quanto tempo você apostaria sua liberdade? Você é a favor ou contra a pena de morte? A APOSTA conta a história de Bóris, ilustre banqueiro e Yuri, um jovem advogado, que fazem uma aposta envolvendo toda a cidade e criando uma complicada polêmica entre os valores da liberdade e do consumo.
A APOSTA é uma daptação do conto de Anton Tchecov
Texto e direção: Rodrigo Rangel
Elenco:Luís Andrarreis - Alexandre QuintãoPaula Lacerda - Sarah SouzaIan Bara - Erick Vishwas
Teatro: Desculpe, Eu Sou Chique R. Alice 75 (em frente ao Centro China) - Laranjeiras - Tel.: 2225-6059
Sextas e Sabados as 21hs e Domingos às 20hs / Duração - 55 minutos R$ 20,00 inteira R$ 10,00 meiade 04 de maio a 01 de julho de 2007
Os atores aguardam sua PRESENÇA

26.4.07

Lavradio, anjo meu...


A Rua do Lavradio parece ser, como o nome sugere, apenas uma rua, mas é mentira. Bem mais que isso, a Lavradio é na verdade um grande mar que serve como passagem obrigatória para qualquer nau que pretenda navegar pela alma do Rio de Janeiro, pois quase tudo começou ali. De 1717 até hoje, cada pedra sua exala de tal forma cultura que com ela impregna profundamente o espírito de quem passa. Foi abrigo de teatros, personagens históricos e hoje toma pra si a responsabilidade de construir o futuro baseando-se na arte de resgatar o passado, como ocorre com a Feira do Rio antigo.
Da-se ao luxo também de ser exótica, pois dispõe de um Mangue, aliás, um Mangue seco. Seco de água, mas inundado de cachaça da melhor qualidade. Mais de cem, pra quem aprecia uma boa privação de sentidos.
Em suas esquinas brilham imensas estrelas, porém, modesta apesar da majestade, divide com a Mem de Sá a Estrela da Lapa e, com a Rua do Senado, o Nova esperança. Porque a Rua do Lavradio é assim: gera espontaneamente os mais nobres e lúdicos sentimentos. Muito provavelmente carrega consigo o destino de ser assim pra sempre.

25.4.07



Jorge Coutinho, o ator, esta entre os favoritos para ser presidente da TVE, a TV educativa do Rio de janeiro, atualmente comandada por paulistas. Seria um presentão para o Rio, pois, além de artista, Coutinho é carioca e certamente abriria espaço para os nossos talentos na emissora.

Caso Lula tome essa decisão a cultura do Rio agradecerá penhorada.

24.4.07

E por falar em Sabiá


No último dia 20, próximo passado, aportei no Cais da Praça Máua com a inteção de assistir ao espetáculo no Nosso Canto, do André Viana. Por um golpe de sorte, no entanto, cheguei bem antes da hora prevista e pude assistir a uma outra apresentação, a de Juliana Zanard.

Algo absolutamente belo. Voz lindíssima, repertório rico e variado, um violão majestoso, enfim, coisa rara de se encontrar por aí.

Ainda não sei qual a agenda de shows da Juliana, mas assim que souber prometo publicar aqui para que vocês tenham a oportunidade de conhece-la. Desde já, afirmo, vale a pena. Juliana é a prova irrefutável de que a arte esta viva e de que há vida inteligente nesse planeta.

Exílio voluntário


Como qualquer ser humano que se preza, e considerando que o ser humano é um animal político, resolvi tomar uma atitude extremamente radical, aos moldes dos velhos e bons guerrilheiros de 64. Frente a ditadura da mesmice e da hipocrisia; diante do caos político instalado no País, principalmente nas instancias intermediárias do poder, completamente tomadas por idiotas, obtusos, bandidos públicos e fascínoras políticos de toda sorte, optei por um exílio voluntário.
Abri mão dos largos benefícios conferidos a mim por minha terra natal, a outrora velha e boa Duque de Caxias, e exilei-me na Lapa. Não exatamente Lapa, é verdade. Mas entre ela e o Bairro de Fátima.
Confesso aos amigos que os sacrifícios aqui são enormes, fantásticos, incomensuráveis...
Para se ter uma idéia, quase todas as noites sou obrigado a conviver com uma gigantesca estrutura cultural que espalha-se pelas ruas e invade indiscriminadamente casas, prédios, bares, lojas etc...algo terrível para quem havia se desacostumado destas práticas desde a ascenção do império Zitumano, quando a atividade cultural foi abolida em minha cidade natal, até os dias atuais.
Ver-me agora anexado novamente a toda uma gama de atividades artíscas causa pânico, paúra, desnorteamento. Para regozijo deste pobre escriba, no entanto, a sorte as vezes nos sorri. Não raramente temos encontrado outros refugiados vagando artísticamente pelas bares, becos e casas de shows dessa que é a terra que me serve como abrigo.
Jorge Bodart, vire e mexe empresta voz e violão ao Dom Lucas, na Men de Sá, e torna a vida de exilado algo plenamente suportavel, diria até interessante, ou mais, gratificante.
André Vianna e a troupe do Nosso Canto aportaram dia desses no Cais da Praça Máua, algo fantástico para quem ja não conta com a sombra proporcionada pelas palmeiras da boa terra, nem mais escuta o canto do sabiá, que, pelo visto, tambem abondonou a terra natal e se refugia por essas plagas.
Até mesmo o Mate com angú, do jovem e bom HB, novo libélo de resistência cultural duquecaxiense tem desfilado por aqui, no Circo Voador, coroando de exito uma ainda curta existencia povoada por criatividade, cultura e indignação.
Não. Não me limito às visitas patrícias, pois meu exílio é amplo, geral e completamente irrestrito.
Para adequar-me a nova terra sucumbo aos seus encantos, mesmo que para mim, as vezes seja um martírio. Imponho-me a frequencia ao Bar Brasil, não somente pelo prazer e muito menos por este oferecer, talvez, o melhor chope do mundo, mas pela busca da adaptação. Bebo um chope e os olhos lacrimejam pois vem-me a lembrança do meu segundo lar, o Mira Serra. Mas, mecanicamente, após um parco momento de angústia, sigo para o Nova República, um rodísio justo e quase perfeito. E depois, geralmente, vago pela Lapa, mais ou menos, creio, da mesma maneira que Chico vagava por Roma e Caetano por Londres. Acalanta-me, no entanto, o belo desfilar de beldades. Moças de todas as partes. Como diria Vinícius, umas difíceis, outras fáceis, exatamente da forma mais correta que há para se extrair toda a poesia da vida.
Como não sou Pero Vaz e a vida caminha, encerro aqui este relato que se trata do meu exílio. Voluntário, é bom que se diga, nesta terra em que se cantando, quase todas dão.
Abraço fraterno aos patrícios com os votos de que nossa terra um dia volte a ser governada por seres humanos normais. Se é que isso ja ocorreu em algum momento.

Sem mais, despeço-me
Da Lapa par o mundo, Vicente Portella