E a total incompreensão.
Que paralisa os guerreiros.
Completa, sem reticências,
Apagou os almirantes
Carlos Drummond de Andrade
Não tenho vergonha de dizer que estou triste,
Elomar Figueira Mello estará no Rio nos próximos 3 dias. Quem conhece, sabe a rara oportunidade que isso representa. Pra quem não conhece o Bode Véi... Na minha singela opinião, Elomar daqui a uns 30 anos será reconhecido como um dos maiores gênios da música mundial. Sua obra tem algo de mágico, atávico, árido e lírico, sei lá... Fora que o sujeito é um figura; não se deixa filmar, tem uma produção altamente rebuscada, toca pracarái, mora numa fazendo do interior da Bahia criando bodes (o bode Orelana, famoso personagem do Henfil é baseado em um bode dele). Ficou muito conhecido pela série de apresentações que percorreu o país e resultou em dois discos espetaculares, Cantoria 1 e 2, junto com Xangai, Vital Farias e Geraldo Azevedo. Ano passado conseguiram convencê-lo de que ele devia transforma sua fazenda numa fundação para, entre outras coisas, manter sua obra e editar as partituras de sua produção mais operística-erudita. Com isso, ele voltou a se deixar filmar e fotografar, coisa que a mais de 20 anos ele não deixava fazer... Rústico, com a cara curtida pelo sol da caatinga, contestador da cultura de massa, o sujeito é radical naquele sentido que o Marx dizia. Em épocas de banalização de tudo como a nossa, é um cara necessário, se não como um contraponto, pelo menos como uma bandeira lembrando a gente que existem muitos mundos possíveis. Uma história pra ter uma idéia de como o cabra é peculiar: recentemente teve uma pendenga com um vizinho. Saiu a cavalo e ficou uns dez dias sumido. Isso meu amigo Ricardo Harduim tentando contato com ele pra ver assuntos de agenda e coisa e tal. Quando finalmente conseguiram encontrá-lo, ele explicou o caso; disse que saiu para planejar uma defesa jurídica para o caso com o vizinho. Indagado porque não contratava um advogado, a resposta veio rápida: "como? esses advogados NEM FALAM LATIM!" Lá embaixo tem uns links do youtube pra dar uma olhada. Também tem o site, que aliás, fica hospedado comigo. Tem texto pra caramba, mas vale a pena pelo menos dar uma visita nas imagens do dia-a-dia do sujeito. E também a homenagem que a TV Cultura fará pra ele na próxima sexta.
ARCOS DA CARIOCA - Atualmente Arcos da Lapa
2 – SÉCULO XIX
3- NA PASSAGEM DO SÉCULO XIX PARA O SÉCULO XX
5- SÉCULO XX – O ADVENTO DA MODERNIDADE
Composição: Livardo Alves - Orlando Tejo - Gilvan Chaves Gravada por Zé Ramalho
Certamente a ONU adotou critérios políticos para a inclusão do Brasil entre os 70 países do mundo com maior IDH. Nada, além disso, justifica tamanha falácia.
É o último dia de dezembro
Não quero mais te falar de amores
Dedos meus
A insanidade e a covardia se apossaram mais uma vez do Rio de Janeiro. Ao contrário de outras vezes, no entanto, experimentei ambas hoje bem de perto. A vida de um amigo meu, Léo, foi roubada, tomada pela ignorância humana atualmente à serviço do caos.
Preciso arrumar as coisas
Fugindo da lembrança de nossos toscos governantes fui tomar um chope no Carlitos, na Lapa, um bar que fica exatamente no entroncamento entre a Rua do Riachuelo e a Mém de Sá. A frente do bar é escancarada para os Arcos da Lapa e o mesmo tem como vizinho o circo voador, que fica bem ao lado. O chope é bom e a comida é simples e muito boa. Mas acima de tudo a localização estratégica do bar agrada bastante.
Senti-me bastante angustiado com a postura nazi-fascista do Governador Sérgio Cabral Filho. Essa coisa de defender a esterilização em massa de mulheres pobres é muito cruel para a minha geração. A tentativa de entender tamanha boçalidade me levou a reflexões várias.
Creio que Sérgio Cabral esteja com algum problema grave. Deve ter batido com a cabeça em alguma pedra em uma das várias viagens que fez desde a posse. Só isso explicaria seu comportamento. Ou então foi o tal vírus que, dizem as más línguas, atacou seu cérebro há alguns anos, quando ainda era Deputado Estadual, graças à ingestão de carne de porco com procedência duvidosa.
Tá chovendo muito por aqui, mas isso todo mundo sabe. O que ninguém sabe é do meu receio de que a Lapa se transforme naquela cidade submersa da música do Chico, Futuros amantes. Fiquei tão impactado com a chuva que, preso dentro de casa, tive a impressão de ter visto o Bar Brasil passar boiando pela minha janela. Mas na verdade essa chuva é boa, muito boa. O sistema de abastecimento de água já estava quase comprometido por conta da estiagem. No interior já tinha rio sequinho. Só fico me perguntando se precisava cair toda a água disponível no planeta num dia só. Mas enfim, esse não é meu departamento e o nosso amigo lá em cima deve saber o que faz.
Há também outros pontos positivos nessa chuvarada. Pela primeira vez em muito tempo os jornais de TV não abrem e fecham suas matérias falando mal do Rio de janeiro, o que já é um avanço. No máximo estão dizendo que o Rio virou um rio, e isso, justiça seja feita, é verdade. O túnel Rebouças que o diga. Se caísse um pouquinho mais de terra no desabamento o túnel se tornaria obsoleto, pois a passagem entre zona norte e zona sul estaria finalmente desimpedida.
Achei engraçado o Prefeito maluquinho botar a culpa na Cedae. Chove de matar sapo afogado e o cara diz que a culpa é justamente da Cia. de águas. Se ele estivesse dando entrevista da Califórnia, diante dos incêndios que rolam por lá, culparia os bombeiros. Ou então o Arnold Shuarzeneger, por interpretar mal a situação. E ainda dizem por aí que o Marketing político é coisa de gente inteligente. Ledo engano. Política é cada vez mais a arte de por a culpa em alguém, e nisso César Maia é mestre.
Enfim, é isso. Amanhã o dia deve ser de sol e espero que o brilho se espalhe por todo o Rio de janeiro. E se o sol não vier amanhã vem depois e tudo certo. O Rio é solo sagrado. E se consegue sobreviver aos seus governantes não é a chuva que vai vencê-lo.