23.10.07
O extreminador de favelados
17.10.07
Bar novo na Lapa: o Bar das quengas
Abriu um bar novo na Lapa, o “Bar das Quengas”. Na verdade não é novo, mas quando mudei pra cá estava fechado, Então
O ambiente é legal, tudo muito bem transado. Garçons, ao estilo Rio antigo, vestidos de malandro típico com chapéu e tudo. Chapéu panamá, se não me engano, e usando camisa listrada, como no samba genial de Assis Valente. Isso sem falar nas garçonetes, belíssimas, cujas roupas estilísticas não me ocorrem, pois o fato de estarem vestidas soou-me como uma terrível maldade. Fiz questão de apagá-las ( as roupas, não as meninas) da memória.
Passei lá dia desses, mas como já estava vindo de outras plagas a capacidade de observação já estava consideravelmente reduzida. Era uma terça-feira, e mesmo assim estava lotado. Bebi em pé umas duas ou três cervejas em um cantinho do bar que me pareceu cuidadosamente projetado para isso: beber em pé e sentir-se bem.
Do meu ponto de visão ( não necessariamente de equilíbrio aquela altura do campeonato) pude reparar a presença de muitas mulheres bonitas, o que faz com que qualquer bar se torne ainda mais simpático e atraente, principalmente atraente.
Vou voltar lá uma hora dessas... Cerveja gelada e mulheres bonitas são sempre um lenitivo no fim dos dias estranhos, chatos, individualistas e insensíveis atravessados por todos nós atualmente.
Pra quem quiser um oásis fugidio neste nosso imenso deserto existencial, o Bar das quengas fica entre a Men de Sá, a Washington Luiz e a Ubaldino do Amaral. Praticamente em frente ao Restaurante Nova República. Vale a pena.
15.10.07
Chegou a "Tropa de elite"
Como os amigos devem ter percebido, não ando com muita vontade de escrever. Por isso tenho postado textos alheios como forma de homenagear outros autores e ocultar minha preguiça intelectual. Confesso à vocês no entanto que minha preguiça advém do fato de as coisas estarem muito ruins no Brasil.Mas enfim, como assisti hoje, no cinema, ao filme “Tropa de Elite”, resolvi fazer uma reflexãozinha.
Já tinha assistido à famosa cópia pirata do filme e as diferenças entre esta e a oficial são poucas. Fiquei intrigado, no entanto, com o vendaval de cacetadas que alguns "especialistas" reservaram para o filme nos veículos de comunicação. Teve até um blogueiro do "Globo", cujo nome não chega a me ocorrer nem de longe, que acusou o filme de ser reacionário. Curioso, muito curioso...
Na verdade trata-se de um filme de ação, tecnicamente bem feito, que aborda o tema social de uma maneira diferente daquela convencionalmente usada na arte brasileira.
O filme não é genial, mas impactante. Não é verdade que se trate de uma abordagem do ponto de vista de um policial, como defendem alguns de seus criadores, pois não creio, sinceramente, que a maioria dos policias do Rio de janeiro viva o conflito existencial experimentado pelo personagem principal, Capitão Nascimento. A mim me pareceu mais uma abordagem política e sociológica, bem ao estilo de Luiz Eduardo Soares, co autor do livro “Elite da tropa”. E com uma visão correta em vários aspectos, diga-se de passagem.
Outra coisa a me chamar a atenção foi a estratégia usada para a divulgação do longa de José Padilha, esta sim, genial. Espalhar cópias piratas "sem querer" entre os camelos da cidade certamente foi uma coisa fundamental até para garantir a chegada do filme às telas de maneira satisfatória. Seus criadores, é claro, já tinham plena consciência da capacidade polêmica do filme e agravaram isso.
Quanto às criticas publicadas contra o filme, uma coisa me intrigado: todos os anos assistimos a uma infinidade de filmes americanos apoiados em personagens bem próximos ao Capitão Nascimento. Charles Bronsom, Chuck Norris, Vam Dame, Steve Segal e tantos outros entulham nossas telas desde os anos 60/70 com personagens cujo perfil é moldado na referencia pessoal de mundo e na capacidade de infringir a lei em nome da própria justiça. Nunca vi, no entanto, alguém acusa-los de reacionários com tanta veemência. Será que a revolta é só porque o Capitão do Bope não é dublado?
Aliás, quanto ao Bope, o filme é completamente favorável à este. Chegando até mesmo à imputar ao batalhão uma referencia anti-corruptiva em meio ao caos absoluto. E à isso, realmente, não estamos muito acostumados.
Como se sabe, vivemos no País do caos e a cada trimestre precisamos de alguém transformado em Judas ou inimigo público número 1 para purgar nossas iras.
A bola da vez é o Senador Renan Calheiros, e devemos agradecer a nossa querida imprensa por esta terapia psicanalítica coletiva.
De resto é tocar a vida entre congressistas toscos, desgovernadores e desgovernantes, sempre tendo como referência o mais absoluto caos, característica maior do Brasil. Este sim, tão reacionário quanto qualquer País terceiro mundista.
Se der certo, poderemos eleger alguém decente um dia... Quem sabe?
Se der errado, a gente convoca o Capitão Nascimento pra resolver a questão.
17.9.07
FATO CONSUMADO: Djavan despetala a flor-de-lis e toca fogo no capim do Cerrado
Na segunda metade da década de 1970, com as gravações de Fato Consumado (75), Flor-de-Lis (76) e Cerrado (78), Djavan, um jovem negro da periferia de Maceió, AL, balançava as estruturas da música popular brasileira, trazendo para o seio da “flor amorosa” mais uma das muitas possibilidades do samba.Era a sincopação dos anos 40 levada a extremos que nem a bossa-nova ousara. Era o samba entortado e ainda mais balançado que o do “balanço zona sul” de Orlann Divo e seu chaveiro – que, aliás, está de volta. Era, enfim, o samba feito para dançar. E os frutos dessa safra bendita são, até hoje, mais de 30 anos passados, presença obrigatória no repertório de qualquer bom baile (e não arrasta-pé) que se preze.
Mas esse samba radicalmente sincopado de Djavan parece que só agradava, pelo menos no Rio, àquela parcela da população que, por razões econômicas, de moradia e de oportunidades, permanece afastada do chamado “circuito cultural”, que vai dos aeroportos aos vernissages; dos teatros às livrarias; e que, da zona sul pra cá, chega no máximo até a Candelária. Enxergando, certamente, poucas possibilidades de mercado junto a esse público de “duros”, a indústria fonográfica transnacional, pelo que supomos, parece ter convencido Djavan a jogar seu irresistível sincopado fora para produzir uma obra mais alinhada com o pop-rock hoje hegemonicamente vigente em escala planetária. Aí, o Djavan internacionalizado chegou até Stevie Wonder, Carmen McRae, Al Jarreau e Manhattan Transfer. No que fez muito bem, também achamos. Só que nós aí, literalmente, perdemos o rebolado.
Agora, lançando um novo disco (ainda não ouvimos, mas temos certeza de que é bom), Djavan volta ao samba, saúda animadoramente a Cidade Maravilhosa numa letra de levantamento da auto-estima dos cariocas e, em entrevista a O Globo (09.09.07), dispara contra os detratores de sua estética:
“– A questão é que não admitem que um nordestino, negro, filho de uma lavadeira, nascido num gueto de Maceió, no segundo estado mais pobre do Brasil, possa ter um olhar amplo e pessoal das coisas.”
E arremata Djavan, do alto de suas já venerandas tranças, jogando na lata do entrevistador aquela pergunta que todos nós fazemos há muito tempo:
“ – Você já percebeu que não existem críticos negros nas redações? Seja de música, literatura, cinema, teatro... O Brasil avançou pouco nesse campo.; um exemplo como o de Joaquim Barbosa (...) é exceção entre nós”.
A afirmação e a pergunta de Djavan – aliás, lançadas no momento em que algumas colunas de amenidades tentam desqualificar o ministro Barbosa, mostrando-o como um “famoso” deslumbrado – ficam no ar. E suas respectivas respostas podem ser a chave para entendermos porque se procura também desqualificar todo samba que busca se renovar a partir da reprodução de suas próprias células e não beijando a mão do rap, do funk, da moda hip-hop enfim.
Através do que disse Djavan, podemos pelos menos intuir o porquê de o músico negro brasileiro, quando pensa e se posiciona criticamente, ser sempre tornado invisível pela mídia dominante. E podemos finalmente ter uma idéia, nesse caso específico, do quanto é importante termos, nas faculdades de Comunicação e correlatas, tantos afro-descendentes quanto aqueles que, nas redações, nos estúdios, nos espaços onde hoje se produz, comercializa e avalia a verdadeira Cultura Nacional, servem cafezinho, fazem faxina, levam mensagens, carregam equipamentos e fazem segurança.
por Nei Lopes
Do Site "Meu Lote"
http://neilopes.blogger.com.br/
10.9.07
Arte na veia: " o dia sem lei !"
O dia sem lei! celebra 1 ano na próxima quarta, 12 de setembro!na poesia apresentamos
as clássicas e as inéditas de Tubarão!
a arte sensível de Barbarella Jovanholi & Carlitos do Novos Uivos
Sylvio Neto e suas baitas intervenções poéticas
nas artes visuais juntamos
a exposição de fotografias intitulada Feixe Confabulado de Fernanda Augusta
com o happening e a exposição de artes plásticas do Identidade Óbvia
mais a construção Perfis Provisórios(interferência - instalação - escultura) de Pilar Rocha com participação de Bia Pimenta
no teatro vislumbramos
a Cia.2EnCena com a montagem de "Oração", do espanhol Arrabal
na música temos
a esperta tradição do samba com a Velha Guarda Musical da Grande Rio
o rock anos 70 do Magia Elétrica
e canjas por todos os lados com os camaradas que fazem o dia sem lei! acontecer
A partir das 20h30 (mesmo!), no Ponto de Cultura Lira de Ouro que fica na Rua Sebastião de Oliveira, 172. Calçadão de Caxias.
espalha pra geral que vai sair um ônibus da lapa, bem debaixo dos arcos, por volta das 19h.
O retorno tá previsto pra 00h, mais ou menos.
poesia, beijos, música, abraços, performances e afagos dos catatônicos de o dia sem lei!
4.9.07
29.8.07
Cidadã indignada: caridade com o dinheiro alheio
Carta aberta para Renato Aragão, o nosso Didi. Há alguns meses você vem me escrevendo pedindo uma doação mensal para enfrentar alguns problemas que comprometem o presente e o futuro de muitas crianças brasileiras. Eu não respondi aos seus apelos (apesar de ter gostado do lápis e das etiquetas com meu nome para colar nas correspondências).
Achei que as cartas não deveriam sem endereçadas à mim. Agora, novamente, você me escreve preocupado por eu não ter atendido as suas solicitações. Diante de sua insistência, me senti na obrigação de parar tudo e te escrever uma resposta.
Não foi por "algum" motivo que não fiz a doação em dinheiro solicitada por você. São vários os motivos que me levam a não participar de sua campanha altruísta (se eu quisesse poderia escrever umas dez páginas sobre esses motivos). Você diz, em sua última carta, que enquanto eu a estivesse lendo, uma criança estaria perdendo a chance de se desenvolver e aprender pela falta de investimentos em sua formação.
Didi, não tente me fazer sentir culpada. Essa jogada publicitária eu conheço muito bem. Esse tipo de texto apelativo pode funcionar com muitas pessoas mas, comigo não. Eu não sou ministra da educação, não ordeno as despesas das escolas e nem posso obrigar o filho do vizinho a freqüentar as salas de aula. A minha parte eu já venho fazendo desde os 11 anos quando comecei a trabalhar na roça para ajudar meus pais no sustento da família. Trabalhei muito e, te garanto, trabalho não mata ninguém. Estudei na escola da zona rural, fiz supletivo, estudei à distância e muito antes de ser jornalista e publicitária eu já era uma micro empresária.
Didi, talvez você não tenha noção do quanto o Governo Federal tira do nosso suor para manter a saúde, a educação, a segurança e tudo o mais que o povo brasileiro precisa. Os impostos são muito altos! Sem falar dos impostos embutidos em cada alimento, em cada produto que preciso comprar para minha família.
Eu já pago pela educação duas vezes: pago pela educação na escola pública, através dos impostos, e na escola particular, mensalmente, porque a escola pública não atende com o ensino de qualidade que, acredito, meus dois filhos merecem. Não acho louvável recorrer à sociedade para resolver um problema que nem deveria existir pelo volume de dinheiro arrecadado em nome da educação e de tantos outros problemas sociais. O que está acontecendo, meu caro Didi, é que os administradores, dessa dinheirama toda, não tem a educação como prioridade. O dinheiro está saindo pelo ralo, estão jogando fora, ou aplicando muito mal. Para você ter uma idéia, na minha cidade, cada alimentação de um presidiário custa para os cofres públicos R$ 3,82 (três reais e oitenta e dois centavos) enquanto que a merenda de uma criança na escola pública custa R$ 0,20 (vinte centavos)!
O governo precisa rever suas prioridades, você não concorda?
Você diz em sua carta que não dá para aceitar que um brasileiro se torne adulto sem compreender um texto simples ou conseguir fazer uma conta de matemática. Concordo com você. É por isso que sua carta não deveria ser endereçada à minha pessoa. Deveria se endereçada ao Presidente da República. Ele é "o cara". Ele tem a chave do cofre. Eu e mais milhares de pessoas só colocamos o dinheiro lá para que ele faça o que for necessário para melhorar a qualidade de vida das pessoas.
No último parágrafo da sua carta, mais uma vez, você joga a responsabilidade para cima de mim dizendo que as crianças precisam da "minha" doação, que a "minha" doação faz toda a diferença. Lamento discordar de você Didi. Com o valor da doação mínima, de R$ 15,00, eu posso comprar 12 quilos de arroz para alimentar minha família por um mês ou posso comprar pão para o café da manhã por 10 dias.
Didi, você pode até me chamar de muquirana, não me importo, mas R$ 15,00 eu não vou doar. Minha doação mensal já é muito grande. Se você não sabe, eu faço doações mensais de 27,5% de tudo o que ganho e posso te garantir que essa grana, se ficasse comigo, seria muito melhor aplicada na qualidade de vida da minha família.
Você sabia que para pagar os impostos eu tenho que dizer não para quase tudo que meus filhos querem ou precisam? Meu filho de 12 anos quer praticar tênis e eu não posso pagar as aulas que são caras demais para nosso padrão de vida. Você acha isso justo? Acredito que não. Você é um homem de bom senso e saberá entender os meus motivos para não colaborar com sua campanha pela educação brasileira.
Outra coisa Didi, mande uma carta para o Presidente pedindo para ele selecionar melhor os professores. Só escolher quem de fato tem vocação para o ensino. Melhorar os salários, desses profissionais, também funciona para que eles tomem gosto pela profissão e vistam, de fato, a camisa da educação. Peça para ele, também, fazer escolas de horário integral, escolas em que as crianças possam além de ler, escrever e fazer contas, possam desenvolver dons artísticos, esportivos e habilidades profissionais. Dinheiro para isso tem sim! Diga para ele priorizar a educação e utilizar melhor os recursos.
Bem, você assina suas cartas com o pomposo título de Embaixador Especial do Unicef para Crianças Brasileiras e eu vou me despedindo assinando...
Quinta, 23 de agosto de 2007.
Eliane Sinhasique
Mantenedora Principal dos Dois Filhos que Pari
P.S.: Não me mande outra carta pedindo dinheiro. Se você mandar, serei obrigada a ser mal educada: vou rasgá-la antes de abrir.
23.8.07
FEBEAPA - Cabral da um tiro na testa...de Getúlio
Santa ignorância... 20.8.07
Um governo de muletas
Há certas questões em que a genética não influencia absolutamente nada. Como pode um governador que é filho de uma professora com um conselheiro do Tribunal de contas do município ser tão mau, tão insensível em relação aos servidores públicos?O reajuste imposto pelo governo de 25% em dois anos não chega nem a ser ridículo. Na verdade uma proposta completamente ridícula seria pelo menos o dobro do reajuste que foi estabelecido e com um prazo bem mais curto para a aplicação. E o que é pior: não se deram nem ao luxo de ouvir ninguém, de receber os representantes dos trabalhadores. Nem sequer fingem ser um governo democrático.
O Governo diz que não tem dinheiro. Mentira. O secretário Joaquim Levy vive por aí se orgulhando do dinheiro que juntou nesses oito meses no cargo. O problema é que nunca tem dinheiro para o que é importante, pois o Governo tem valores inversamente proporcionais ao da sociedade.
Duvido que qualquer cidadão em sã consciência considere que um professor não mereça um salário digno ou que importante mesmo seja gastar dinheiro com essas bobagens que os governos atuais consideram fundamentais. Não creio que ninguém defenda a tese de que um policial tem que por sua vida em risco em troca de um salário medíocre.
Mas essa, infelizmente, é a lógica dos governantes chamados neoliberais. Ao estado, sua máquina e seus servidores, nada. Aos banqueiros, via superávit primário, tudo.
Perguntar não ofende: o que o secretário Joaquim Levy pretende fazer com os 2 bilhões que tem em caixa, segundo ele próprio?
E mais: se não for para investir nos serviços essenciais à população, inclusive nos servidores que prestam estes serviços, para que serve o Estado? Para que pagamos impostos?
Com a palavra o Governador
Vestibular para candidatos
Eu estava aqui matutando – como bom matuto... Bem que poderiam inventar um vestibular para políticos. Não nos moldes tradicionais, é claro, pois a intenção não seria - nem poderia ser - auferir o nível acadêmico do candidato. Isso não seria democrático. Até porque tem muita gente boa por aí que, mesmo analfabeta, tem mais cultura e inteligência na ponta de um dedo do que muitos secretários que andaram respondendo pela pasta Cultura em vários governos municipais, estaduais, e até bem pouco tempo, federais. Esse vestibular que elucubrei seria diferente de todos.O primeiro teste seria para avaliar a relação entre o candidato e o dinheiro. Pondo o cara trancado numa sala ao lado de uma mesa apinhada de dólares, uma comissão avaliaria suas reações. Se esfregasse as mãos estampando um sorriso abobalhado no rosto já estaria reprovado de cara. Se desse um sorriso daqueles que esboçam superioridade no manuseio da questão também. No primeiro caso ficaria claro que o sujeito quer um mandato só pra ficar rico, e no segundo, só pra aumentar sua fortuna.
Segunda prova: o candidato tem que nomear dirigentes para 5 estatais, numa lista de dez instituições públicas: Bancos, fundos de pensão, Cias de habitação, água e esgoto, Escolas, hospitais etc. Se começar pelos bancos e fundos de pensão, já sabe, pau nele. Essa é tão óbvia que se posta em prática quase todo o congresso nacional ficaria sem direito a uma nova candidatura.
Na terceira etapa seria avaliada a capacidade do candidato de ficar sozinho com uma mulher bonita. Algo assim teria poupado tanto Fernando Henrique como Renan Calheiros de uma baita dor de cabeça. Afinal de contas ambos engravidaram jornalistas da Rede Globo e, apesar das penas diferenciadas, ficou provado que nenhum dos dois consegue resistir aos pecados da carne. Nada demais, caso não fosse a gente que pagasse a conta depois.
Outro teste poderia ser o de resistência: depois de estabelecida a opinião do candidato sobre uma determinada questão, dez lobistas diferentes o visitariam, cada um com uma proposta mais irrecusável que a anterior para que esta posição fosse mudada. A nota seria de acordo com a capacidade de o candidato resistir a um n° maior de lobistas.
Enfim... Inúmeros outros testes poderiam ser incluídos nesse vestibular: tamanho da cueca, conhecimentos gerais de banqueiros, corrida ao dólar e até mesmo um teste de apreço pessoal do candidato por seus familiares.
Nada disso, é claro, impediria a podridão reinante. Mas pelo menos seria engraçado vê-los se sujeitando a tudo isso e tentando enganar a banca examinadora em nome do exercício do poder.
6.8.07
Eu também cansei...mas foi muito antes
Muito antes dos guerrilheiros dos Jardins, eu já havia cansado. Cansei, por exemplo, de ver essa elite sebosa vomitando regras a serem seguidas pelo povão. Cansei de ver o dinheiro brasileiro concentrado em meia dúzia de mãos enquanto a grande maioria agoniza à olhos vistos. Cansei de ver o povo, que sustenta essas mesmas elites, sem trabalho, sem casas, sem hospitais dignos. Cansei de ver os riquinhos no poder dizendo para os pobres comerem brioches na falta de pão. Cansei das marchas especializadas em defender poderes absolutos para quem tem família rica, tradição e propriedade. E eles diziam que a marcha era com Deus, pois até Deus eles consideram uma propriedade deles.Cansei, mas cansei mesmo, de assistir ao comportamento dessa gente quando está no poder. De vê-los idolatrar a América e ridicularizar o Brasil e sua gente. De ouvi-los defender o lucro em detrimento do ser humano, a crucificação dos pobres - e negros - e o recrudescimento das leis contra aqueles que não tem dinheiro, que não tem eira nem beira.
Cansei de ver essa gente rica conspirando contra qualquer governo que não tenha nascido de seu próprio ventre, desde Getúlio, passando por Jango e Brizola, até os dias de hoje. Cansei de ler os artigos de seus asseclas desqualificando o povo para o direito do voto, alegando que este não estaria preparado para escolher seus representantes. Cansei de ver estes mesmo personagens, e seus pais, e seus avós, e seus bisavós, reivindicando uma sociedade escravocrata, onde trabalhadores não teria direito sequer aos benefícios da CLT. Aliás, estas mesmas vozes costumavam dizer que a abolição da escravatura representaria a falência do País, pois os donos da riqueza não poderiam suportar a “perda” de mão de obra gratuita.
Cansei de ver essa elite branca e rica desprezar e humilhar o povo. De vê-los defender ações políticas covardes e mesquinhas unicamente para garantir-lhes o exercício do poder.
Cansei, mas cansei de verdade. Cansei ainda antes de nascer. Cansei durante os anos a fio em que esta súcia governou o Brasil e transformou-o no que ele é hoje.
E justamente por estar cansado, obrigo-me a estar mais atento. De olhos mais abertos para estas manobras ilegítimas e golpistas contra a democracia e contra o povo brasileiro.
Como dizia a canção, é preciso estar atento e forte. As viúvas da ditadura estão aí, batendo a nossa porta. Tão acostumados estão a tomar para si as riquezas do Estado, tendo-o a seu serviço, que agora querem também tomar nossa consciência. Querem nos convencer de que somos desprovidos de inteligência e que o poder deve ser exercido absolutamente pelas elites. Temos que ter cuidado com essa gente. Eles não valem o ar que respiram.
2.8.07
Pan...Pan....Pan, Pan,Pan
Dia desses passei numa banca de jornal e as manchetes me pareceram assustadoras. Era o dia seguinte da festa de encerramento do PAN, e os jornais “Extra” e “Meia Hora” comemoravam a volta dos ataques policiais a comunidades carentes. Quando digo comemoravam, não é uma força de expressão. É fato. Um deles dizia o seguinte: “Não é ouro, nem prata, nem bronze. É chumbo”. Esta manchete era ilustrada pela foto de um policial, de aparência bastante feroz, gesticulando e com meio corpo pra fora da janela de uma viatura da corporação. O outro jornal dizia que com o fim do PAN a polícia voltava a dar um “Sacode” nas favelas. Não tive como deixar de pensar na pobreza de espírito da nossa imprensa.Em tempos idos a coisa funcionava assim. Tempos de ditadura e esquadrão da morte. Com a redemocratização do Brasil, no entanto, lembro-me que o Governador Brizola quando empossado proibiu terminantemente as ações terroristas do Estado contra os pobres no Rio de Janeiro. A mídia não lhe deu tréguas jamais, pois o fato de não permitir o uso da força policial como estratégia de intimidação ( Como na foto acima, da década de 80 ) e muitas vezes de assassinato de inocentes, fez com que esta mesma mídia o transformasse em persona nom grata para sempre.
No decorrer dos anos, como não podia deixar de ser, a própria sociedade foi desenvolvendo valores mais próximos à civilidade e a partir de um determinado momento se chegou até a separar as imagens do criminoso e do pobre, constatando-se que uma coisa nada tem a ver com a outra.
Recentemente, porém, sofremos um grave refluxo. O atraso, a arbitrariedade e a apologia ao extermínio de pobres e negros em comunidades carentes voltaram a ser tônica nos discursos das autoridades, e com isso, é claro, aquela velha mídia retomou sua retórica fascista.
A própria questão do PAN tem uma simbologia importante quando se analisa este comportamento da mídia. Foram quase 4 bilhões em dinheiro público gastos na promoção dos jogos. Dinheiro que daria para urbanizar pelo menos algumas das muitas favelas do Rio de Janeiro, acabando com os atuais becos insalubres das comunidades carentes que servem como escudos para marginais de toda ordem. Mas a mídia não toca nesse assunto nem se interessa em fazer tais comparações.
A mídia sabe muito bem que não há no Rio grandes plantações de drogas, nem laboratórios para refino de cocaína e muito menos fábricas capazes de gerar as armas pesadas do tráfico. Assim como sabe que grande parte da criminalidade vem das drogas. Mas também não toca nesse assunto nem se interessa por ele. Prefere defender a exposição dos pobres aos ataques policiais e, quando algo ocorre fora do combinado, apontar os “culpados” com dedo em riste.
É bem mais fácil e mais lucrativo. Depois é só convidar os verdadeiros controladores do caos para uma entrevista amena, com direito a pose e discurso de pseudo-indignação. E ainda se ganha um dinheirinho extra com a veiculação das “Campanhas” pela paz, contra a corrupção e “otras cositas más”.
23.7.07
Brazil-zil-zil...( Com Z mesmo )
A mídia malha a situação e poupa a oposição, com empenho e desfaçatez dignos da medalha de ouro, recordistas mundiais. E me permito contar um episódio que remonta à segunda 16, e que não foi registrado por jornal algum, ou por qualquer órgão midiático.O governador do Paraná, Roberto Requião, naquela tarde visita o presidente Lula no Palácio do Planalto, para um encontro como de hábito cordial. Em seguida, o governador, em toda a sua corajosa imponência, dirigi-se ao Comitê de Imprensa do próprio Palácio.Requião tem sido um dos alvos preferidos dos ataques da mídia. Suas relações com os jornalistas são tensas, mas ele não hesita na provocação, e pergunta por que, em outros tempos, “vocês não falaram do filho de Fernando Henrique?” Outro rebento fora do matrimônio, como no caso de Renan Calheiros. A aventura de FHC, do conhecimento até do mundo mineral, é anterior à sua primeira eleição em 1994, e a jovem brindada pelos favores do príncipe dos sociólogos foi mais uma jornalista em atividade em Brasília, Miriam Dutra.A pergunta de Requião deixa os credenciados do comitê entre atônitos e perplexos. Alguém balbucia que a comparação não cabe, os casos são diferentes. Impávido, o governador ergue o sobrolho e clama: “Por quê?” Logo explica: “Quem sustentou o filho do ex-presidente foi, desde o nascimento, uma empresa privada, a Globo da família Marinho”.A bem da tranqüilidade familiar de FHC, e do seu desempenho na Presidência, Miriam Dutra e seu filho foram enviados ao exterior, no resguardo. Consta que voltaram para o País faz pouco tempo. Fez-se o silêncio no comitê, e o governador se foi, a dar risadas.Agora, sou eu quem pergunta: alguém leu, ou ouviu, relato desse episódio? E então, volto à carga: qual é o país do mundo que se diz democrático, e goza de liberdade de expressão, onde um governador de estado, ou qualquer figura pública importante, fala de um ex-presidente da República igual a Requião, diante de uma matilha de perdigueiros da informação, e a mídia fecha-se em copas? Não conheço outro, além do Brazil-zil-zil.Várig na origem do "caos" aéreo
Em nenhuma democracia séria do mundo, jornais conservadores, de baixa qualidade técnica e até sensacionalistas, e uma única rede de televisão têm a importância que têm no Brasil.. Nesta manhã de sol de inverno, entre uma partida e outra do fracasso retumbante que é o Pan do Rio, reproduzo aqui reflexões que recolhi de um amigo, que não comunga da Teologia da Privatização.
. Na origem do que a mídia conservadora (e golpista) chama de “caos aéreo” ou “apagão aéreo” está o Governo Lula deixar que a Varig fosse privatizada.
. O fim da Varig e sua compra por uma empresa privada entregaram o comércio da aviação no Brasil na bandeja para duas empresas privadas que ainda precisam provar a sua idoneidade e o respeito ao consumidor.
. TAM é o que é – como qualquer passageiro pode comprovar.
. Antes de tudo, o lucro. O serviço ao passageiro, depois a gente acerta.
. A Gol, é o que é: as mutretas com o ex-senador Roriz e o dinheiro do BRB falam por si próprios.
. Por que o Governo Lula deixou a Varig ir para o buraco ?
. Porque o Governo Lula tem medo de ser “esquerdista”.
. Porque o Governo Lula só agora, parece, vai botar a Anac atrás da TAM e da Gol.
. Porque o Governo Lula tem medo de afrontar a elite branca (e separatista, no caso de São Paulo), que se expressa na mídia conservadora (e golpista).
. Agora, os epígonos da Teoria da Privatização correm para 1) construir um aeroporto na Grande São Paulo; 2) privatizar a Infraero.
. Privatizar a Infraero será entregá-la, por exemplo ao Daniel Dantas.
. Que é capaz de vender a pista principal de Congonhas ao Beto Carreiro.
. E construir um aeroporto na Grande São Paulo ...
. É melhor, antes, dar um pulo a Lisboa e Londres.
. Há décadas que Lisboa e Londres tentam construir alternativa a Portela de Sacavém e a Heathrow.
. Lá também tem Ibama, moradores, ONGs, direitos constituídos, Constituição.
. Não é assim, construir em seis meses e encher o bolso das empreiteiras (da Linha 5...)
Reproduzido do Blog Conversa afiada, de Paulo Heinrique Amorim
19.7.07
O caos nosso de cada dia
No comecinho da década de 80 ler era um vício para nós, na época, adolescentes. Havia uma coleção chamada " Para gostar de ler", responsável por nos apresentar aos mais variados autores de crônicas e poesia do País. Lia-mos Rubem Braga, Lourenço Diaféria, Vinícius de Moraes, Carlos Drumond de Andrade, Rubem Fonseca, Luiz Fernando veríssimo e muitos outros autores. Devorava-mos de tudo, ávidamente. Um autor dessa época, Carlos Eduardo Novaes, escreveu, ainda nos anos 70, entre outros, um livro de grande sucesso chamado "O caos nosso de cada dia", uma abordagem do cotidiano brasileiro extremamente bem escrita e maravilhosamente bem humorada. Nesse livro havia uma crônica chamada "Congonhas: uma, duas, várias vergonhas". Já naquela época considerava-se um absurdo a construção de um aeroporto em uma área densamente habitada ( como se vê na foto ).Vicente Portella
12.7.07
Coma poesia
Coma a letraA sílaba
A palavra
Coma inteiro o poema
Com a avidez de quem lavra
A terra tenra e macia
Coma o verbo, a verve, a expressão
Coma a insinuação
do belo
Em cada mero detalhe
Coma tudo e embaralhe
No cérebro
As sensações
Do que choca e extasia
Coma o verso e a poesia
Como quem bebe uma lágrima
Num cálice de cristal
Coma o bem e coma o mal
Mas coma tudo aos pedaços
Coma com sofreguidão
Coma todo o proseado
Assim como o esfomeado
Devora o pão e a carne
E deixe escorrer, suave
Dos cantos da tua boca
O sumo da amplidão
Poema da partida
Quando você vai emboraA noite estrangula o dia
Eu sinto a asfixia
Se alojar em meus pulmões
Não consigo respirar
Porque você é meu ar
Meu vinho
Meu alimento
Minhas alucinações
Quando você vai embora
A escuridão me devora
E chove aos borbotões
Na face oculta da lua
Eu choro sobre uma grua
Observando as canções.
Vicente Portella
10.7.07
Senso de injustiça
Pode-se fazer transações obscuras com dinheiro público e depois arranjar uns bois pra justificar patromônio adquirido com mutreta; pode-se sair de um cargo público com um patrimônio ,mil vezes maior do que o que se tinha quando eleito; pode-se comprar mansões em Miami ou em Angra dos Reis por valores que ultrapassam em milhões a renda oficial estabelecida pelo cargo que se ocupa; pode-se até instituir ou receber mensalão ou mensalinho à vontade com o dinheiro público...Mas não se pode calçar meia dúzia de ruas em benefício da população. Isso sim, causa asco e revolta ao poder judiciário.
No País do "VALE TUDO", beneficiar pobres é crime eleitoral. Deve ser por isso que Renam, Roriz e tantos outros mandatários brasileiros não movem uma palha para beneficiar os pobres. Desviar dinheiro público pode, mas beneficiar o povo é motivo para a cassação de mandato e inelegibilidade. Não sou do PMDB, nem sou próximo de Rosinha e Garotinho, mas é preciso que se diga: o que estão fazendo para impedi-los de exercer seus direitos políticos chega a ser ridículo.
Vicente Portella