19.5.10

O ocaso do PDT

Durante muitos anos de minha vida militei no PDT. Ainda garoto, no começo dos anos 80, fiquei fascinado, como tantos outros, pelo raciocínio apurado e pela oratória ágil de Leonel Brizola. Com o tempo fui aprendendo que aquele homem de sotaque forte e voz firme tecia teses completamente apaixonantes sobre o povo brasileiro. Em um mundo novo – pós ditadura – que se dividia entre oportunistas de direita, dispostos a tomar o Brasil para si, e intelectuais de esquerda, propensos à tutelar os brasileiros sob uma lógica academicista , Leonel Brizola era o único fato realmente novo. 
Não pretendia se apossar do Brasil e nem tutelar ninguém. Defendia apenas a emancipação completa do povo brasileiro, hipótese rechaçada pelo primeiro grupamento e condenada pelo segundo, por motivos diferentes. 
Uns, os direitistas, sempre acharam que o povo serve apenas para pagar as contas e servir de andaime ou trampolim para as pretensões dos mais abastados, e outros, os academicistas, sempre consideraram que o povo não tem “condições intelectuais” para compreender as coisas e decidir por si próprio.
Ancorado nos ideias getulistas e convicto de que ambos estavam errados, Brizola estabeleceu no Rio de janeiro uma trincheira de lutas, após a fundação do seu PDT – Partido Democrático Trabalhista. O Governo aqui estabelecido à época cultivava o hábito de espancar trabalhadores, tratar como bandidos quaisquer moradores de comunidades carentes e estabelecer como limite ideológico/geográfico para os investimentos do poder público as divisas da zona sul do Rio de janeiro. 
Eleito Governador Brizola inverteu essa lógica. Mesmo angariando para si o ódio dos poderosos,  redescobriu e reinventou a Baixada, a Zona oeste da capital, o interior e as comunidades carentes de todo o Estado, passando a tratar seu moradores como cidadãos ao invés de bandidos. Liderado por Brizola o PDT se tornou o partido das massas, das pessoas comuns que reconheciam em Brizola um aliado sob todos os aspectos.
Nos vinte anos seguintes Brizola teve influência decisiva em todas as eleições que ocorreram no Rio de janeiro. Quase todos os Governantes do Rio desde então, até 2006, passaram pelas trincheiras do PDT. O atual governo do estado, no entanto, é composto por aquela velha mentalidade oligárquica, sendo a antítese de tudo que Brizola defendeu a vida inteira.
O Governo aqui estabelecido hoje (exatamente como aquele que Brizola combateu e venceu) cultiva o hábito de espancar trabalhadores, tratar como bandidos quaisquer moradores de comunidades carentes e estabelecer como limite ideológico/geográfico para os investimentos do poder público as divisas da Zona sul do Rio de janeiro ( a repetição é proposital), a única diferença é que os dirigentes do  PDT de hoje, sem a “incômoda” presença de Brizola para lhes impôr o viés ideológico e popular, apoiam todas estas atrocidades.
Por incrível que pareça – soube disso com pesar – o PDT resolveu assimilar o ideário político combatido por Brizola a vida inteira e apoiar, no Rio de Janeiro – justamente aqui – este estafeta da direita chamado Sérgio Cabral.  Logo o PDT, principal responsável pelo fim das oligarquias PMDBistas no estado, decidiu, de bom grado, se tornar vassalo destas oligarquias.
Felizmente Brizola não está aqui para ver seu legado vendido e entregue aos históricos adversários  do povo Fluminense.
Ao PDT que está aí não interessa as escolas, tanto que Cabral não construiu nenhuma. Não lhe interessa mais o respeito aos professores, pois à estes Cabral dedica o espancamento em praça pública. Não interessa mais ao PDT  que está aí a integridade e o bem estar dos moradores pobres das favelas do Rio, para os quais Cabral reserva, como instrumento de dominação, o “Caveirão”, e, por fim, lamentavelmente, não consta mais no rol de  valores do NeoPDT a defesa dos servidores públicos – civis ou militares -  pois para apoiar esta coisa chamada Sérgio Cabral é necessário não cultivar qualquer respeito ou estima por este conjunto de trabalhadores.
Posso assegurar, portanto, como uma espécie de “Beatles” temporão, que o sonho acabou. O meu PDT, aquele fundado por Brizola, não é, definitivamente, este que aí está, cada vez mais parecido com o PMDB de Cabral.
Pode até ser que um dia ele ressuscite, pois em suas bases estão, ainda, muitos companheiros comprometidos com a emancipação do povo brasileiro e em desacordo com a atual direção partidária. 
De certo, estes companheiros não marcharão com Cabral, pois, quem nasceu no seio do povo, sabe o quanto essa gente cabralista é nociva. Verdadeiros trabalhistas não embarcariam nesta canoa furada por nada, muito menos por trinta dinheiros.
Enfim, podemos assegurar que o espírito das lutas de Leonel Brizola ainda está muito vivo em todos nós, e algo assim, que não é mercadoria, não pode ser vendido. Uma legenda política, por mais histórica que seja, passa, mas o sentimento da militância fará com que tudo seja reconstruído, tijolo por tijolo, sob uma outra bandeira. Assim como o PTB que está aí não é mais o de Getúlio, o PDT que está aí, da mesma forma, não é mais o de Brizola. Mas os sentimentos de povo e de País ainda nos habitam para que possamos construir o Brasil do futuro. E iremos fazê-lo. Começando com o apoio ao companheiro Garotinho para Governador.


Vicente Portella

17.5.10

A criação da leitura

No princípio eram as vogais. Pareciam um bando de arainhas metamórficas  e foi difícil compreender que aqueles rabiscos esquisitos eram dotados de algum significado.
Faça-se a luz, disse alguém em um determinado momento, e então surgiram as consoantes.
A mim pareceu em um primeiro instante que aquelas eram as irmãs mais velhas das vogais. Que ao pegarem-nas pelas mãos emprestava-lhes sentido. Era como se as consoantes levassem as vogais para a escola. O B levando pela mão o A, o E, o I, o O e o U, formando BA, BE, BI, BO , BU, que, à rigor, ainda não dizia nada com exatidão, mas já se afigurava mais interessante.
De repente, não mais que de repente, os membros daquela imensa família começaram a se misturar indiscriminadamente, de forma até meio pecaminosa, incestuosa, e passaram a se reproduzir em frases, períodos, parágrafos, páginas, livros e enciclopédias.
No começo foi uma coisa espantosa, mas em algum lugar entre a frase e a página ou entre a página e o livro, eu acabei me afeiçoando a todos e entrando para a família. 

OBS: A professora Adriana Albuquerque nos pediu que escrevesse um pequeno texto descrevendo nossas primeiras experiências e sensações com leitura. Ei-lo.

15.5.10

Erupção

Trezentos e cinquenta sóis
Uma língua como a tua
Meus dedos batendo os nós
Na porta da alma nua
Misturado em teus lençóis
O cheiro da tua carne
E os raios alvos da lua


E você desnorteada
Amarfanhando os cabelos
Gerando no cerebelo
Imagens de mil cenários
Eu tonto incendiário
Absorvendo teu fogo
Dama, diva, dona, jogo

Senhora dos meus delírios
Escrava dos meus encantos

Dedos, bocas, seivas, canto
Voz, sorriso, sensações
Diversas e variadas

As palmas das tuas mãos
Devidamente espalhadas
Por dentro dos meus sentidos

A explosão nos meus ouvidos

O corpo em erupção.

13.5.10

Quem tem medo de Garotinho?

A notícia que rolou ontem na internet, dando conta de que Cabral mandou comprar o espaço utilizado por Garotinho na Rádio Melodia, me obrigou à algumas reflexões.
Porque será que Cabral tem tanto medo de Garotinho?
Se a gente raciocinar direitinho, é fácil perceber que Cabral só chegou onde está graças ao ex Governador. Deputado Estadual medíocre, Cabral limitou sua atuação ao apoio integral dado à Marcelo Alencar, principalmente no projeto de privatização do Estado, e seria Deputado Estadual pelo resto da vida se Garotinho não o tivesse apoiado para o Senado. Antes de Garotinho Cabral jamais havia ganho uma eleição majoritária. Chegou inclusive a jogar a toalha em uma disputa pela Prefeitura, certa vez, por exclusivo senso de ridículo.
Mantendo a parceria com o ex governador, Cabral chegou ao governo com esmagadora maioria de votos entre as populações mais pobres do Estado, mas depois de eleito tratou logo de se distanciar destes eleitores, voltando-se exclusivamente para a zona sul da capital.
É necessário que se diga, no entanto, à bem da verdade, que não é apenas Cabral quem tem medo de Garotinho.
A Rede Globo, madrinha dileta de cabral, também tem muitos motivos para detestar Garotinho, seja pela independência do político de Campos- imune às suas costumeiras manipulações, assim como Brizola - seja pela impossibilidade de continuar arrecadando monumentais verbas publicitárias, como ocorre no Governo atual. Até do ponto de vista político a Globo tem suas justificativas para temer Garotinho. Os Marinho, como se sabe, consideram um absurdo gastar dinheiro público com iniciativas populares desde o tempo dos Brizolões. O povo, para eles, serve muito bem para bancar a audiência de suas novelas, mas não merece tratamento igualitário, nem justo. O poder deve ser reservado aos ricos, vaticina a Globo. E por isso teme Garotinho.
O PT ( Lula é uma coisa e o PT é outra bem diferente) , que nunca elegeu ninguém para um cargo expressivo no Rio de Janeiro, com exceção de Benedita da Silva, eleita uma vez para o Senado e, posteriormente, Governadora na aba de Garotinho, também teme Garotinho. Tanto que, no primeiro dia do Governo Rosinha, Zé Dirceu deu ordens para que a União confiscasse toda a receita do Estado. O PT do Rio prefere ver o Estado entregue às baratas e às quadrilhas políticas, das quais eventualmente participa, do que colaborar com a ascensão de um líder popular. É o medo de perder o paupérrimo espaço político que tem.
Em escala menor, muitos outros grupamentos temem Garotinho. Jovens riquinhos da zona sul, engajados em movimentos pela liberação das drogas que nunca vão além de seus próprios interesses umbilicais; pseudo intelectuais de todas as matizes, temerosos de que teses reais embotem suas frágeis formulações midiáticas; grupos variados de mini poderosos que temem a amputação de seus tentáculos entranhados nos aparelhos do poder, enfim, não são poucos os que têm medo de Garotinho.
Efetivamente, no entanto, todos estes grupamentos, ainda que somados, são menores, infinitamente menores, que a população do Rio de Janeiro. A Baixada, o interior, as zona oeste e norte da capital; em todas as áreas onde há concentração de trabalhadores, donas de casa e jovens responsáveis, gente preocupada com sustento e desenvolvimento de suas famílias, as pesquisas são favoráveis à Garotinho.
O povo, como se dizia nos tempos de Brizola, não é bobo e sabe muito bem quais são os interesses que estão por trás dos ataques e agressões sofridas pelo líder do PR. Trata-se exclusivamente do medo que as elites nutrem de perder o seu poder.
O povo confia em Garotinho. O que amedronta o povo é a sede insana de poder e dinheiro, principalmente o público, que as elites brasileiras demonstram, e exatamente por isso se resguarda.
Na verdade estas elites temem o povo, que se apega à Garotinho para se defender do chicote dos poderosos.

3.5.10

Sérgio Sampaio - Eu quero é botar meu bloco na rua



Há quem diga que eu dormi de touca
Que eu perdi a boca, que eu fugi da briga
Que eu caí do galho e que não vi saída
Que eu morri de medo quando o pau quebrou

Há quem diga que eu não sei de nada
Que eu não sou de nada e não peço desculpas
Que eu não tenho culpa, mas que eu dei bobeira
E que Durango Kid quase me pegou

Eu quero é botar meu bloco na rua
Brincar, botar pra gemer
Eu quero é botar meu bloco na rua
Gingar, pra dar e vender

Eu, por mim, queria isso e aquilo
Um quilo mais daquilo, um grilo menos disso
É disso que eu preciso ou não é nada disso
Eu quero é todo mundo nesse carnaval...

Eu quero é botar meu bloco na rua
Brincar, botar pra gemer
Eu quero é botar meu bloco na rua
Gingar, pra dar e vender

2.5.10

Zeca Baleiro - Antes do Show em Caxias o artista conversou com o Jornal Imprensa

Entrevista:Adilson Sarpi Fotos: Rafael Barreto

O cantor e compositor Zeca Baleiro (batizado José Ribamar Coelho Santos) fez uma bela apresentou no Teatro do SESI de Duque de Caxias no dia 9 de abril. O show foi o primeiro da serie no circuito cultural SESI-RJ, tendo como ponto de partida Duque de Caxias, percorrendo depois todos os Teatros SESI do Grande Rio. A apresentação foi uma retrospectiva de sua carreira e que durou quase duas horas. As canções foram valorizadas em arranjos acústicos de Tuco Marcondes, responsável pelas guitarras, violões e vocais. O repertório incluiu criativas baladas já consagradas pelo público como “Telegrama” e “Quase nada”, além de composições do CD “O Coração do Homem-Bomba, Ao Vivo (Ao Vivo Mesmo)”, CD lançado em dezembro, o décimo autoral de sua carreira. Em 1997, ano em que lançou o primeiro disco, “Por onde andará Stephen Fry?”, foi escolhido o “melhor cantor” pela Associação Paulista de Críticos de Artes.




Aqui em Duque de Caxias, como nas demais cidades da Baixada Fluminense, temos uma população que “respira” a cultura nordestina, pessoas que vieram das regiões Norte e Nordeste. Como você, que está vindo pelo Circuito Sesi, percebe isso?

Zeca Baleiro - Na verdade, eu já toquei aqui na região, algumas vezes. Em Nova Iguaçu, em alguns lugares do povo, no Rio, em Lonas Culturais, que também tem esse perfil. É essa “mistura louca” do Brasil, né, bacana. E é um povo que sempre me surpreende, é muito bem informado. Vai de encontro aquele clichê de que as pessoas da periferia do Brasil não têm informação, não tem cultura. Acho bacana isso, gosto de viver esse clichê contestado. As pessoas me pedem coisas que eu já nem sei mais tocar, o lado B do meu disco... (risos...) O que mostra que é uma gente que conhece profundamente.

Isso te sensibiliza, saber que o público está antenado com sua música, com seu trabalho?

Zeca Baleiro - Sim, até por uma fome própria. Porque as pessoas tentam fazer um bom trabalho, porque sabemos que não é fácil realizar um circuito como esse que estou fazendo, seis sete, shows, é muito difícil. E essas pessoas que moram nesses lugares, estão naturalmente mais afastadas dos eventos culturais que estão acontecendo. E mais difícil, por exemplo, uma exposição interessante sair lá do centro do Rio ou de qualquer outra instituição e vir pra cá. Então as pessoas têm que se deslocar, a “fome” tem que ser maior para as pessoas buscarem essa informação.

Você sente essa conexão com o Maranhão, com o subúrbio de lá, com as regiões periféricas?

Zeca Baleiro - Acho que periferia é periferia em qualquer lugar. Não dá pra comparar a periferia do Rio com a de São Paulo, a de São Luiz, ou de qualquer outro lugar. Mas o nome já é metafórico, explica tudo. O fato de eu ser do Maranhão faz com que eu me sinta também de uma periferia. Da periferia do Brasil, se você pensar em termos nacionais. Eu e minha geração, meus amigos músicos, artistas, a gente também se sentiu por muito tempo apartado de tudo. Hoje com essa tecnologia toda, essa revolução digital, as pessoas lá do interior do Maranhão têm acesso as informações que a gente não poderia ter. Eu me lembro pra comprar um disco, tinha que ser por reembolso postal, pagar o selo, uma dificuldade. As lojas não achavam os paradões de sucesso. É o que eu te digo, a “fome” pessoal de cultura e de informação tem que ser maior, pra compensar a falta.

Esse show que você vai fazer agora, abre uma série de seis apresentações do Circuito Sesi. É isso?

Zeca Baleiro - Sim. Hoje faço aqui, amanhã faço Jacarepaguá, e volto semana que vem a Itaperuna, Centro do Rio, Macaé, Campos...

Com um palco pequeno, o show é mais intimista? Como é isso?

Zeca Baleiro - Sim. Naturalmente e é inevitável. E agente cria uma atmosfera que propicia isso. Sou eu e o Tuco Marcondes, só, que é um músico que toca vários instrumentos e tal... Mas a própria atmosfera então pra criar mesmo essa atenção, essa concentração. É diferente de tocar em uma praça, com banda, coisa que eu costumo fazer, e que também gosto de fazer, não tenho nenhuma preferência. Mas aqui eu acho que cria outro tipo de atenção, rola muita conversa, pra “desmonotizar” o show. É legal papear, eu sinto que as pessoas gostam da prosa, a gente conta a história de como nasceu certa música, “causo” e etc... e eu adoro fazer esse formato. E também faz tempo que eu não faço coisas aqui no Rio, digamos nesse extrato, nessa esfera. Eu tenho feito shows de turnê mas circuitos normais, Circo Voador, Canecão... Mas eu adoro fazer, já fiz outras vezes em outras instituições também e adoro. Vem aí um público até atípico, né, que tem essa oportunidade, do lado de cá, na rua, no bairro (risos)...

E você no circuito internacional. O “Rock in Lisboa” que será no mês que vem, é sua primeira experiência internacional?

Zeca Baleiro -
Não, eu tenho feito coisas...

Nesse porte?


Zeca Baleiro É, um evento nesse porte, acho que é primeira vez. E também num contexto diferente, que é um palco alternativo onde vai rolar encontros entre artistas brasileiros e portugueses, que os produtores julgam que temos afinidade. Eu vou dividir o palco com Jorge Palma, que é um cantor, compositor meio com o pé no blues e no rock, assim. Muito interessante. Martinho da Vila também vai participar, acho que vai ser um evento bem bacana. Portugal é um lugar onde eu tenho ido há uns 10 anos. Meus discos têm sido lançados lá. Nos outros lugares são coisas mais eventuais, na Argentina também, eventualmente tenho acontecimentos assim, mas Portugal é uma coisa mais regular. A Som Livre de lá que se extinguiu não sei por que, no início da minha carreira, lançou uns 4 ou 5 discos meus lá.

É uma “veia lusitana” então?

Zeca Baleiro - (Risos...) É a “veia lusitana”... tá lá... e é um lugar bacana. As pessoas têm muita curiosidade por brasileiro, assim, o ano inteiro lá. De Ivete Sangalo a Adriana Calcanhoto. Tem um espaço muito grande lá. Pelo menos uma vez por ano, a gente faz alguma coisa lá.

Pegando o gancho desse circuito que você está fazendo, do “Rock in Lisboa”, como é a questão da fama? Isso te assusta, já assimilou? Como você administra isso?

Zeca Baleiro - Vai mudando com o tempo, né cara... A fama sempre foi para mim, isso é bem pessoal, a conseqüência do trabalho público, seja o jogador de futebol, ator, locutor, cantor, que se expõem publicamente. Naturalmente você conquista alguma fama em maior ou menor grau, né. E pra mim isso sempre foi uma coisa assim.... Eu nunca desejei “fama”. A fama nunca foi um objetivo pra mim. Hoje há uma inversão tamanha de valores, as pessoas desejam primeiro ser famosas e os “Big brothers” aí da vida estão pra legitimar isso. Primeiro desejam ser famosos, depois têm o trabalho, né. Primeiro conquista a fama, depois vai estudar pra ser atriz e tal, isso é uma inversão completa. A fama deveria ser uma decorrência, uma conseqüência de um trabalho bem feito, de um tempo de estudo, de uma maturação qualquer. Isso tudo que eu falo não é um estudo acadêmico, mas eu criei minha “cartola”. Meu primeiro disco foi gravado aos 31 anos, tardio se comparado a outras gerações, como do Chico Buarque, que grava muito cedo, com 19, 20 anos. Mas pra mim foi bom, passei dos 20 aos 30 me enlouquecendo, me perdendo, me achando na vida e criando meu repertório, de tudo que eu faço hoje. Então a fama veio em decorrência disso. Já me assustou mais, hoje em dia não. Eu aprendi.

Você consegue andar nas ruas tranqüilamente?

Zeca Baleiro - Ando, tomo café na padaria, converso com as pessoas, recebendo uns tapinhas nas costas, dou uns também (risos...).

É uma questão de postura?

Zeca Baleiro Tem que desmistificar um pouco, não supervalorizar. É difícil porque, se você aparece na televisão, se você tem uma atividade pública, as pessoas às vezes te colocam. Não é nem você que se coloca, as pessoas às vezes vem com receio de falar com você. Tem assédios super simpáticos: “Poxa, minha filha te ouve desde a barriga, tem três anos, adora suas músicas”, são coisas super simpáticas de ouvir, prazerosas, que alimentam seu trabalho. Você também tem os desagradáveis, mas... Às vezes você tá lá no aeroporto, caidão, cansado, desanimado, deprimido. Aí vem alguém e fala que “você” foi importante em sua vida. Uma vez num pós show, veio uma moça grávida, com um cara. Aí ele falou assim “Tá vendo isso aí? foi a lenha” (risos...) É o nome de uma música minha, né... Aí você passa a fazer parte da vida das pessoas, eu acho isso muito bacana.

24.4.10

Elegia - Caetano Veloso


Deixa que minha mão errante adentre

atrás, na frente, em cima, em baixo, entre

Minha América, minha terra à vista
Reino de paz se um homem só a conquista

Minha mina preciosa, meu império
Feliz de quem penetre o teu mistério

Liberto-me ficando teu escravo
Onde cai minha mão, meu selo gravo

Nudez total: todo prazer provém do corpo
(Como a alma sem corpo) sem vestes

Como encadernação vistosa

Feita para iletrados, a mulher se enfeita

Mas ela é um livro místico e somente
A alguns a que tal graça se consente
É dado lê-la

De Augusto de Campos / Péricles Cavalcanti

Aplausos ao Mussarela

Ando meio sem tempo. Como voltei a estudar, depois de velho, e a rotina de trabalho anda meio bicuda, é cada vez mais raro eu conseguir um tempinho para vir aqui postar algo. Essa escassez de tempo não me permitiu, por exemplo, convidar a galera, com antecedência, para a homenagem feita pela Alerj ao bar do Mussarela.
Pra quem não sabe, o Mussa é, de longe, o maior empreendedor de Duque de Caxias. De uma barraquinha de meia porta herdada no fim dos anos 80, Carlos Antônio, o Mussarela, construiu um dos restaurantes mais importantes do Rio de Janeiro, com vária referências na mídia, reconhecimento público e citação no livro "Guia de botequins do Rio de Janeiro". Diga-se de passagem que é a única casa comercial fora da capital carioca a constar entre os melhores. Mussarela construiu isso tudo trabalhando muito e contando basicamente com a família e com os amigos.
No último dia 17 de abril o bar e cachaçaria Mussarela recebeu uma Moção de Aplausos da Assembléia Legislativa do Rio de Janeiro, entregue pessoalmente pelo Deputado Paulo Ramos. Já havia recebido várias homenagens da Câmara de Caxias pelo seu trabalho e certamente merece todas.
Pra quem não conhece, trata-se de um dos melhores restaurantes do Estado, com comida nordestina da melhor qualidade - um amigo meu às vezes vem do Recreio para Caxias só para comer a picanha de sol servida no Mussarela - e além disso, da carne de sol e do aipim que derrete na boca, o bar conta também com 297 tipos diferentes de cachaça - não confundir com aguardente- e por isso é também cachaçaria, promovendo degustações regulares.
Mussarela e Lúcia, sua esposa, estão de parabéns pelo reconhecimento e pela homenagem.

OBS: Achei essa foto aí em cima na internet. Mussarela, um casal de amigos e a Lúcia. Peço a devida licença aos donos da foto para publicação.

18.4.10

PR faz congresso e avisa: Garotinho voltou

Cheguei agora -Fui com meu amigo Flávio Guedes- do congresso do PR, Partido da República  , que lançou a pré candidatura de Anthony Garotinho para o Governo do Estado do Rio de Janeiro. 
Além de lançar Garotinho ao Governo e Manoel Ferreira para o Senado, o congresso aprovou também um programa de Governo, apresentado e coordenado por Fernando Peregrino, Presidente do Instituto Republicano, para o qual o PR recolheu contribuições de milhares de militantes em todas as regiões do Estado.
Entre outras coisas, o planejamento propõe a recriação da Secretaria de Defesa Civíl, anexada à Saúde por Sérgio Cabral; a retomada do projeto original de Brizola e Darcy para os Cieps e a criação da Universidade Estadual da Baixada, nos moldes da UEZO - Universidade da Zona Oeste, criada no Governo Rosinha.


Sopa de marreta


Em seu discurso Garotinho reivindicou as bandeiras do nacionalismo e do trabalhismo, de Brizola e Getúlio, e afirmou que não tem mais volta, sua candidatura veio para ficar. 
Elevando o tom , o ex Governador assumiu sua parcela de culpa na ascensão de Cabral mas deixou claro que vai para o confronto direto com o atual Governado e chamou de traidores todos aqueles que foram beneficiados politicamente nos Governos Garotinho/Rosinha e hoje se escondem atrás de cargos no atual governo do Estado.
Garotinho bateu firme também na política fascista de segurança pública, que invade favelas à tiro, defende o aborto como meio de acabar com a criminalidade e chama as mulheres pobres de fábricas de bandidos.


- Os marginais  do Rio de Janeiro não estão nos úteros das mulheres pobres, como disse Cabral. Estão, sim, no Palácio Guanabara. É lá que estão os bandidos atualmente.


Garotinho defendeu também uma política de habitação e a construção de casas populares - no seu Governo e no de Rosinha foram mais de 30 mil - como forma de dar dignidade para as pessoas morarem. Rosinha chegou a lembrar como os dois ex governadores foram criticados quando construiriam o conjunto Nova Sepetiba, na Zona Oeste, voltado para a moradia de pessoas mais pobres.
Para Garotinho, teremos em novembro uma batalha entre o bem e o mal, personificado por Cabral, e o ex Governador promete retomar o Estado do Rio para o povo carioca e Fluminense, sendo um Governador de verdade ao invés de um mero corretor dos interesses de uma parcela da Zona sul da capital.


O ex Governador desafiou Cabral, inclusive, a provar como arranjou dinheiro para comprar sua mansão em Mangaratiba, afirmando que certamente não foi com dinheiro de salário, seja como Deputado, Senador ou Governador. Garotinho disse ainda que pretende lavar o Palácio Guanabara com água oxigenada e a ALERJ com criolina, pois o que existe hoje dentro da casa legislativa é podridrão.
Caso já tenha recebido informações sobre o discurso, Cabral deve estar em pânico, pois ficou claro que Garotinho não vai alivia-lo na campanha.
A VIVO RIO ficou  pequena  para a quantidade de congressista. Muita gente acompanhou do lado de fora o pronunciamento do líder do PR.
"Unidos nós podemos mudar o Estado do Rio", afirmou Garotinho ao final do discurso, sendo aplaudidíssimo pela multidão presente.

12.4.10

Arena canta Zumbi





Estatuinha
( Edu Lobo e Gianfrancesco Guarnieri ) - Clique no título


Se a mão livre do negro tocar na argila
o que é que vai nascer ?
Vai nascer pote pra gente beber
nasce panela pra gente comer
nasce vasilha, nasce parede
nasce estatuinha bonita de se ver
Se a mão livre do negro tocar na onça
o que é que vai nascer ?
Vai nascer pele pra cobrir nossas vergonhas
nasce tapete pra cobrir o nosso chão
nasce caminha pra se ter nossa Ialê
e atabaque pra se ter onde bater

Se a mão livre do negro tocar na palmeira
o que é que vai nascer ?
Nasce choupana pra gente morar
e nascem as rêdes pra gente se embalar
nascem as esteiras pra gente deitar
nascem os abanos pra gente se abanar
oi que é pra gente abanar
pra gente abanar (BIS)


7.4.10

MP: Lei da mordaça ou de responsabilidade pública?

O Deputado Paulo Maluf é, de longe, uma das figuras mais nefastas do cenário político brasileiro. Não pairam dúvidas quanto a isso. Mas daí a se execrar a proposta de lei que regulamenta a atividade do Ministério Púbico só porque foi o Deputado paulista quem a propôs, vai uma longa distância. 
A instituição do MP foi criada na constituição de 1988 sem qualquer preocupação com possíveis desvios de seus promotores, e, na prática, acabou virando, em certos casos, uma incubadora de monstrinhos. 
Qualquer jovem recém saído da faculdade de Direito pode fazer concurso para o MP e se for aprovado e convocado, passa a ganhar imediatamente mais de 20 vezes o salário de um professor em final de carreira. Como se não bastasse isso - a falta de critérios e níveis para ascensão profissional - os membros do MP contam também com uma intocabilidade inadmissível em tempos democráticos. 
Para se ter uma idéia, qualquer membro do poder Executivo, se for comprovado que agiu de ma fé no exercício do cargo, pode ser afastado, deposto e até preso. Collor e Arruda são provas disso. 
No poder Judiciário ocorre o mesmo, como ficou comprovado com o Juiz Lalau e outros magistrados pegos com a boca na botija. 
E, finalmente, no poder Legislativo, Zé Dirceu e Roberto Jéferson serviram muito bem para provar a todos nós que o sistema, mesmo que esporadicamente, funciona. 
Com o MP, no entanto, não há nada disso. Tudo ocorre a bel prazer de cada um dos procuradores, pois, como eles próprios se orgulham em dizer, cada procurador é, em si o Ministério público. Cada procurador acumula em suas mãos os poderes da instituição. 
Havia, por exemplo, nos tempos Fernando Henriquistas, um procurador do MP de Brasília, se não me engano, que infernizava os membros do Governo. Dizem que era petista e que usava seu cargo para cumprir os papéis legalmente vedados ao partido. Não sei se é verdade, mas o fato é que depois da eleição de Lula o Sr. Luiz Fernando, o tal procurador, nunca mais foi visto na mídia. 
No Rio de Janeiro, nos dias atuais, temos um caso parecido. Mesmo com todas as provas gritantes, estampadas no Estadão ou na Folha de São Paulo, o MP do Rio não se posiciona  diante do fato de a mulher do Governador ser advogada de concessionários e fornecedores do Governo. Mesmo que o escândalo chegue ao ponto de o Governador beneficiar descaradamente, com extensão de prazo nas concessões e até mudança de leis, os clientes de sua querida e amada esposa. 
Se em Brasília e Rio, antiga e atual capital do País, o MP age assim, imagine-se em outros locais de menor visibilidade no Brasil inteiro? 
Por conta disso tudo, na qualidade de cidadão, não posso concordar que o MP seja regulado apenas por uma instituição própria, composta por promotores.
O Conar pode dar-se ao luxo de se auto regular porque, em última instância, o próprio consumidor pode rejeitar o produto de uma propaganda ruim. O que não é o caso da população diante de possíveis desmandos do MP. 
O fato é que levamos muito tempo - 389 anos – para conseguir instalar no Brasil uma República e não há motivo algum para que mantenhamos principados ou quaisquer outras ilhas monárquicas dentro da estrutura formal do Estado republicano. 
O MP precisa, sim, continuar investigando a tudo e a todos, dentro, porém, dos limites de uma lei estabelecida democraticamente pela sociedade através de seus representantes. 
Pode até ser que Paulo Maluf não seja o parlamentar mais indicado para conduzir este debate – e de fato não é - mas ele precisa ocorrer.
O MP, na figura de cada um dos procuradores do órgão, precisa ser responsável pelos seus atos, como ocorre com qualquer um de nós, mortais comuns.

6.4.10

Quem sabe então, o Rio será alguma cidade submersa... Zona sul paga o pato

O Rio de Janeiro pagou caro pela incompetência de seus dirigentes, Prefeito e Governador. Qualquer cidadão carioca ou fluminense sabe que o Rio sofre com chuvas fortíssimas nessa época do ano. São as chamadas águas de março, cantadas por Tom 
Jobim.
Só o Prefeito e o Governador não sabem disso.
Desde janeiro de  2009 no cargo, Eduardo Paes foi incapaz, durante todo esse tempo, de mandar limpar bueiros e galerias de águas pluviais na cidade. Pelo contrário, reduziu as verbas nessa área em mais de 70%. O resultado foi a tragédia. 
Por mais que Sérgio Cabral vá para a televisão defender seu pupilo e fazer campanha, o fato é que a cidade, assim como o Estado, está abandonada. 
Num esforço desesperado de justificar o injustificável, Cabral, diante dos microfones da Globo, TODOS  à sua plena disposição, preferiu, ao invés de apresentar soluções, botar a culpa do caos nos moradores de favelas, mostrando que além de incompetente é covarde.
O problema que ataca o Rio não vem das favelas, nem de qualquer área carente, mas sim do desgoverno. O caos se deu no asfalto, inclusive da Zona sul, graças, única e exclusivamente, à inércia de Cabral e seu estafeta, Eduardo Paes.
Na verdade a própria população da Zona sul pagou caríssimo pelo apoio que dá a ambos. Em troca de votos e apoio a Zona sul recebeu esgoto e enchente.
Nada disso aconteceria se os compromissos de Eduardo Paes com a cidade fossem maiores do que aqueles que ele tem com o mundo financeiro.
Tanto o Prefeito quanto seu chefe, o (des) Governador, perdem o foco governamental quando vêm possibilidades de lucro a sua frente, por isso, ao invés de cada um fazer seu trabalho, preferem negociar prazos de concessões de serviços públicos, ignorando, inclusive, a própria instituição dos serviços públicos em si..
Cabral chegou a dizer na imprensa que os problemas são técnicos e devem ser respondidos pelos responsáveis técnicos, pois ele é "apenas" Governador. Ao que parece, crê, piamente, que o cargo se resume ao direito de passear pelo mundo - Paris, New York, etc - às custas da população que paga impostos.
Eduardo Paes chegou à, ele mesmo, dizer que seu governo merece nota abaixo de zero. Tem toda razão. Nem ele nem Sérgio Cabral merecem ter seus Governos aprovados pela população. Um deles, Sérgio Cabral, será defenestrado em novembro. O outro, demora mais um pouco. Certamente, no entanto, o povo terá muito prazer em apea-lo do cargo em 2012.
Se querem apenas fazer seus negócios, que não seja na vida pública, e sim na privada.

3.4.10

O Teatro é nosso!

Recebi, por e-mail, do Antônio Carlos Theko, um convite para participar do site "O teatro é nosso" e da Campanha que se propõe a defender a criação de um centro cultural em cada cidade brasileira com mais de 20 mil habitantes. Não apenas dou força, como convida o site, como me proponho a colaborar como for possível.
A idéia é, segundo o site, "criar um espaço multicultural e funcional que, além de um teatro de qualidade – que é o núcleo fundamental do Projeto –, privilegia também as mais diversas formas de manifestações artístico-culturais, como: salas de cinema, biblioteca, salas de exposições, salas para eventos e palestras, espaços para cursos e oficinas de teatro, artesanato, artes plásticas, pintura, música, dança, entre outras formas de expressões artísticas. Esses Centros contarão também com um espaço multimídia (telecentro com computadores conectados à internet), para fomentar a inclusão digital nesses municípios e, ainda, espaços destinados ao comércio. Contendo lojas, praça de alimentação e outros espaços comerciais."
Já assinei o manifesto e aderi a campanha, pois está mais do que na hora do Brasil começar a caminhar como um País maduro, livre e independente, e a cultura é a única forma de se chegar à isso.
Agradeço ao Antônio Carlos Theko pelo convite e, de minha parte, convido todos os amigos do Blog para "Dar uma força", como sugere a campanha.

2.4.10

Lero lero - Evoé mestre Edu Lobo

Eu sei de tudo...

Ando meio fora do ar em termos de internet. Como voltei a estudar, meu tempo tem sido prá lá de escasso. Como gostam de dizer os advogados, ando assoberbado.
Continuo, no entanto, mesmo que, claudicantemente, acompanhando as coisas que acontecem por aí.
Sei, por exemplo, que o LHC deu certo lá na Suíça e que o FHC continua dando errado e falando besteira direto no Brasil. Dia desses, inclusive, diante do desespero de se sentir rifado dentro do próprio PSDB, e ex Presidente deu um jeito de se encontrar com o Roriz, ex Governador do DF. Pra quem não sabe, comparado ao Roriz o Arruda pode ser considerado um mero trombadinha.
FHC faz isso de sacanagem, claro. Ou o Serra o reconhece como capa preta ou ele vai se encontrando com essas figuras pelo Brasil inteiro, como forma de desgastar a imagem ( e a careca ) do tucano paulista. É a vingança de FHC.
Aqui no Rio também ando atento. O Estado, eu sei, está virando um baita parque de diversões. Tem até trem fantasma. Aliás, um Deputado do PSOL foi para a televisão denunciar as mutretas do Governo, falando inclusive que a mulher do Governador é advogada do metrô, o que é a mais pura verdade, e foi impedido pela “justiça”.
Não sei qual o critério do Juiz - ou Juíza - do caso, mas que a coisa me pareceu estranha, isso pareceu. Se a ALERJ tem a função de fiscalizar o Governo, porque calar um dos únicos deputados – O nome do Deputado é Marcelo Freixo - que cumprem seu papel dignamente? Parafraseando Shakespeare, há mais mistérios entre o executivo e o judiciário do que pode supor nossa vã filosofia...
Estou atento também ao caso Lindberg – Homem, branco e riquinho. O sujeito ganhou de lavada da Benedita da Silva – Mulher, negra e favelada - nas prévias do PT e saiu da Prefeitura de Nova Iguaçu, para concorrer ao senado, debaixo de um tiroteio de denúncias.
Dizem que Piscianni, Capo da “Cosa nostra” Fluminense e adversário de Lindinho na corrida pelo Senado, liberou um cascalho bom para o jornal O Dia (1) descer a lenha no PTista, atual "melhor" amigo de Sérgio Cabral. Lindberg, injuriado, jurou vingança.
De royalties eu também tenho conhecimento, mas nem falo mais nada. Acho melhor discutir isso depois de janeiro, quando o Rio já terá um Governador de verdade novamente. Por enquanto, com o Estado acéfalo, é melhor nem falar nada.
Mas, como disse lá em cima, ando assoberbado. Por isso tirei o fim de semana para atualizar o Blog. Aliás, amanhã – Sábado – vai rolar uma coisa realmente importante: a Ana Paula Miguez, cantora, compositora e parceira tanto do poeta Valdo Couto, quanto do velho e bom Canthídio, vai se apresentar na Lona Cultural Gilberto Gil – Dá-lhe Ministro... – em Realengo, abrindo o show de lançamento de DVD do cantor Francis. 
Ainda não conheço o trabalho da Ana Paula, mas pelo que o Valdo e o Canthídio já me disseram, vale super a pena conferir. Arte de verdade é coisa rara nos tempos bicudos em que vivemos.


(1) - Venderam o jornal O Dia. Já diziam antes que o jornal era vendido, mas agora é à vera. Um grupo português comprou o diário carioca.

25.3.10

O Escravo da matemática


24 de março de 2010 por Dacio Malta 

De Elio Gaspari:
    “Em 2008, quando Lady Gaga gravou seu primeiro álbum, já se tinham passados seis anos do dia em que Grigori Perelman resolvera a Conjectura de Poincaré, um dos maiores mistérios da matemática. Num mundo que consome celebridades, a história de Perelman merece cinco minutos de atenção.
Ele é um matemático russo, de 43 anos, já passou meses sem trocar de roupa, raramente corta as unhas, a barba ou o cabelo. Vive com a mãe em São Petersburgo, tem horror a jornalistas e viveu sete anos praticamente recluso. Nem e-mails respondia. Quando esteve nos Estados Unidos, a base de sua alimentação era pão preto e iogurte. Recusou cátedras nas universidades de Princeton, Berkeley, Stanford e no MIT. É um excêntrico, mas é um excêntrico que tem bastante a ensinar. Até que ponto vive-se melhor parecendo maluco do que deixando-se bafejar pela celebridade?
Superando ciúmes, intrigas e rivalidades, Perelman acaba de conquistar o prêmio dos “Problemas do Milênio”, com direito a um cheque de US$ 1 milhão, concedido por uma fundação americana, por ter decifrado um dos sete grandes mistérios da matemática. Em 2006, ofereceram-lhe um honraria considerada equivalente a um Nobel de matemática. Recusou-a.
Para os leigos (como o signatário), a Conjectura de Poincaré é algo incompreensível. Ainda assim, pode-se perceber que Poincaré, um matemático francês que morreu em 1912, deixou para o mundo uma conjectura. Mais difícil será entender o que significa o segundo mistério: “A existência de Yang-Mills e a falha na massa”.
Perelman resolveu a conjectura em 2002. Em vez de mandar seu trabalho para uma revista científica, onde um painel de estudiosos estudaria a consistência dos argumentos, simplesmente jogou os textos na internet, num arquivo público de trabalhos acadêmicos. O trabalho não dizia que a conjectura havia sido resolvida, essa tarefa cabia a quem o lesse. (Um matemático gastou três meses para entendê-lo.) A comunidade dos sábios consumiu dois anos estudando, invejando e, em alguns casos, buscando uma falha na explicação. Perda de tempo.
Quando Perelman foi convidado por Princeton, pediram-lhe um currículo. Respondeu que, se não sabiam quem ele era, não deveriam convidá-lo. Como o MIT chamou-o depois que resolveu a Conjectura de Poincaré, recusou porque deveriam tê-lo chamado antes. Num último convite podia ganhar quanto quisesse e fazer o que quisesse durante o tempo que bem entendesse. Respondeu que estava comprometido com seus alunos do ensino médio de São Petersburgo, o que nem era verdade.
Perelman ofendeu-se quando o “New York Times” disse que ele sustentava que resolvera a conjectura para ganhar US$ 1 milhão. Afinal, estudava o problema muito antes de o prêmio surgir e não sustentava coisa alguma. Decifrara a Conjectura de Poincaré, ponto.
Perelman é um matemático excêntrico e, pensando-se bem, Lady Gaga é uma roqueira quase convencional. Assim as coisas ficam fáceis e pode-se ir em paz ao próximo show. Contudo o mundo fica mais interessante quando se sabe que o negócio de Perelman é outro. Os matemáticos podem viver num mundo de liberdade e rigor absolutos. Ele escolheu uma vida de total integridade, sem concessões a coisa alguma. Ninguém manda nele, só a matemática, num diálogo que dispensa outras vozes”.

Nota do editor: Esse cara, o Gregori, é meu novo herói...