21.3.10

Virá

Um dia me virá
a dama
e me fará
canções
pregando ilusões
por toda minha cama

E me dará na boca
a gota
que faltava
pra compor meu copo
transbordando o mundo

Um dia me virá
a dona
que ainda ontem
pairava ofegante
sobre o quarto
mudo


E me dará na boca
o leite
da flor mais ardente
caldo seiva sumo

Um dia me virá
a ama
pra me incentivar
desejos
raros e insanos

Me dará na boca
o beijo
que sufoca o medo
de inventar mais planos

19.3.10

Tempos mudernos

Torceram
o pescoço da arte
Quebraram
a coluna do tempo
Tornaram
a utopia um desastre
Sangraram
a beleza por dentro

No campo
onde havia papoulas
Plantaram
canhões barulhentos
Encheram
de barro as lavouras
Vedaram
a paixão com cimento

Pros corpos
febris dos amantes
Criaram
milhões de sentenças
Do entulho
forjaram diamantes
Do amor
fabricaram doenças

Estrangularam
os sonhos
Castraram
qualquer pensamento
Inventaram
medos bisonhos
Roubaram
a candura do vento

Torceram
o pescoço da arte
Sangraram
a beleza por dentro
Tornaram
a utopia um desastre
Trocaram
as noções do meu senso

Mas sabe-se
que o mal não vigora
Tem horas
que ao invés do lamento
Quem sofre
poe as mangas de fora
E esfola
os barões do tormento

18.3.10

Um sonho quase real

Saí da passeata em defesa dos royalties completamente frustrado. Foi o ato político mais despolitizado da história da humanidade. Não houve discurso, marcação de posição, nada. Na prática ninguém teve a chance de defender os direitos, nem do Rio de Janeiro nem do Espírito Santo. A coisa se resumiu a um show de artistas contratados para o evento.
Na volta, cansado, peguei um ônibus pra casa, adormeci e acabei tendo um sonho estranho. Sérgio Cabral, no meu sonho, renunciou ao Governo do Estado alegando a necessidade de se dedicar a um novo negócio de família. Um circo que herdou de um parente distante falecido repentinamente, de desgosto.
Disposto a tocar o negócio, Cabral levou consigo uma parte de seus auxiliares no governo do Rio, o chamado núcleo duro. Aplicando no novo negocia a mesma lógica com que vinha dirigindo o Estado. No entanto, a coisa não deu muito certo.
Na tentativa de trazer mais público para o espetáculo resolveram investir em publicidade e inovação, por isso, numa ação que pretendia ser genial, rasparam a juba do leão alegando que os administradores passados eram incompetentes e não sabiam tratar do animal direito. Raspar a juba do bicho era, segundo propaganda distribuída, a forma mais moderna de se atrair público nos países europeus. Foi um fracasso, é claro. O leão ficou parecendo leoa e perdeu toda a sua auto estima. O público, por sua vez, ficou indignado e vaiou o domador. Mas os pelos da juba, vendidos no mercado negro, renderam um bom dinheirinho.
Em seguida, Cabral criou uma comissão para avaliar as condições do elefante, reservando, inclusive, uma boa quantia em dinheiro para investir em alimentação, banho e tosa. Mas a tal comissão passou tanto tempo discutindo outras comissões que se esqueceu de tratar do animal. A fera emagreceu terrivelmente e, por conta da fome, adquiriu uma fraqueza crônica, ficando impedido de desfilar pelo picadeiro.
Com o anão aconteceu algo ainda mais bizarro. Surgiu uma proposta financeira, de um laboratório americano que decidiu testar um novo hormônio usando o pobre anão como cobaia. O coitadinho cresceu, inviabilizando para todo o sempre qualquer possibilidade piadística para o público.
Aos poucos, cada uma das atrações foi ficando inviabilizada. A mulher barbada foi assediada por um poderoso membro da nova direção e resolveu fugir. O mágico ficou constrangido com a performance financeira dos novos chefes, muito melhor que a dele, e abandonou a profissão. O engolidor de fogo perdeu espaço quando começaram a surgir incêndios, nas áreas administrativa e financeira, com queima de documentos importantes, e o culparam pelo acidente. Foi demitido. O Homem bala, coitado, foi vendido aos traficantes de uma favela do Rio como inovadora e poderosa arma de guerra e quando os bandidos descobriram que não era nada disso, executaram o rapaz.
Uma parcela mais apaixonada do público ainda tentou salvar a instituição do fracasso absoluto. Se propuseram até a revezar no papel de palhaço, já que o profissional, por conta das vicissitudes, havia perdido completamente a graça.
Cabral, no entanto, não permitiu que o povo se metesse nisso. Já havia feito um acordo com uma milionária rede de TV para ele mesmo fazer o papel de palhaço.
Mas e se o público não gostar? Perguntou alguém da platéia.
- Que se dane – respondeu o ex governador às gargalhadas.
- Os contratos assinados já me garantem grana suficiente para uma boa temporada em Paris.
Acordei com o motorista do ônibus me chamando. Havia chegado meu ponto. Sonho estranho, né?

16.3.10

Vereador verde oliva processa blogueiro

Um Vereador do Rio, tal de Messina - deve ser parente da Messalina - está processando o blogueiro Ricardo Gama.
"Crime" do Gama: reproduzir nota do O Dia acusando o edil de faltoso. Vivemos uma democradura?
Alardeiem por aí que a ditadura está de volta, trazida pela mãos de um Vereador do PV.
Será que o cara processou o jornal "O Dia". Claro que não... coragem assim só contra blogueiros.
Anotem o nome desse cara, é Messina. Ele é verde. Verde oliva, é claro.
Guardem o nome dele junto com o título de eleitor.

13.3.10

Rio, verás que um filho teu não foge à luta!

O Rio de janeiro está sendo ameaçado em suas riquezas, sua integridade e seu desenvolvimento social, por isso, o Rio precisa de todos nós.
A constituição de 1988 determinou que o Estado do Rio de Janeiro – assim como os municípios produtores de petróleo e os que abrigam refinarias - receberiam royalties, uma indenização pelos danos causados durante o processo de extração e beneficiamento do óleo.
Desde então muitos avanços têm ocorrido no Rio de janeiro, inclusive a histórica dívida do Estado para com a União foi equacionada com base nos Royalties do petróleo pelo ex Governador Anthony Garotinho, o que proporcionou o equilíbrio necessário para que o Rio de janeiro inaugurasse uma importante fase de investimentos e desenvolvimento econômico.
Mas o Rio de janeiro, no entanto, já havia sido terrivelmente prejudicado pela própria constituição quando a bancada paulista no congresso modificou a cobrança de ICMS sobre o petróleo, que diferentemente de todos os outros produtos tributáveis, passou a ter sua cobrança feita no destino ao invés de na origem. O Rio de janeiro produz 85% do petróleo nacional, mas São Paulo é o maior consumidor. Graças a isso, um casuísmo dos congressistas, o Rio de janeiro perdeu uma receita fantástica de ICMS.
Agora, rasgando todos os conceitos básicos consagrados pela constituição de 1988, a constituição cidadã, nas palavras de Ulisses Guimarães, a Câmara dos Deputados aprovou uma emenda constitucional, teratológica em sua essência, que sequestra, retira, toma, confisca, rouba os royalties do Rio de janeiro e redistribui para todos os Estado e municípios brasileiros uma indenização que é nossa por Direito. Primeiramente trata-se de uma demagogia, pois o Fundo de participações dos municípios já cumpre o papel de redistribuir as riquezas que pertencem a União. Posteriormente, trata-se de uma covardia. Uma ação articulada contra o Rio de janeiro.
Na prática, é como se um trabalhador que recebe uma indenização por algum dano sofrido por parte do patrão, fosse obrigado a dividir o dinheiro recebido com todos os outros trabalhadores de sua empresa, mesmo que estes não tenham sofrido nenhuma agressão ou ameaça.
Para nós, cidadãos do Rio de janeiro, independente de quem esteja à frente do Governo do Estado, por mais pusilânime que seja, ou dos municípios envolvidos, essa ação da Câmara representa um dano terrível, irreparável, que pode levar nossa economia ao fundo do poço.
Certamente são milhares, senão milhões de empregos que estão em jogo. É nossa economia, nosso desenvolvimento, nossa capacidade de caminhar com as nossas próprias pernas e construir nosso próprio futuro. Todos nós estamos ameaçados. Não podemos, portanto, abrir mão de lutar pelo Rio de janeiro e pelo futuro da nossa população, do nosso povo. O Rio de janeiro na verdade somos todos nós. Cada operário e cada professor, cada servente e cada profissional liberal, cada mandatário e cada cidadão comum que tem seu projeto de vida ancorado em qualquer uma de nossas cidades.
Cada um de nós, por berço ou adoção, é filho do Rio de janeiro, e não poderíamos, jamais, nos esquivar de combater o bom combate. Vamos sim, lutar pelo Rio de janeiro.
Quarta feira, dia 17 de Fevereiro, às 16 Hs, na cinelândia, nosso compromisso é com nosso Estado e com cada uma de nossas cidades e municípios. Vamos mostrar para o Brasil inteiro e, principalmente, para a Câmara dos Deputados, que aqui vive um povo hospitaleiro, mas que sabe ser guerreiro quando necessário e que jamais foge à luta.


Vicente Portella

6.3.10

Entrevista com Ana Jensen, a Secretária de Cultura de D. de Caxias

Nosso Blog entrevista Ana Jensen, secretária municipal de Cultura e Turismo de Duque de Caxias.


Formada em Educação Artística e técnica em Planejamento, áreas em que atua desde a década de 70, quando se formou pela UERJ – Universidade do Estado do Rio de Janeiro. Ana Jensen é funcionária federal e municipal (no Rio), e trabalhou no estado durante o governo Marcello Alencar.
Em um papo descontraído em seu Gabinete, na Secretaria Municipal de Cultura e Turismo, a Secretária falou de sua história, de sua formação, de sua chegada à Caxias, do que já foi realizado nesse primeiro ano de trabalho e dos projetos que tem para Cultura e para o Turismo municipal.
O jornalista Eldemar de Souza conduziu a entrevista que teve também as participações do cantor e compositor Beto Gaspari e do escritor Vicente Portella. Fica constatado que, depois de inserir Duque de Caxias no cenário cultural do Estado e preparar sua inserção em esfera nacional, há muito para ser feito ainda, mas o caminho está sendo percorrido com profissionalismo e competência.

Relação com o Prefeito
O meu contato com Zito vem desde a sua primeira eleição, em 96, pelo PSDB. Eu era um quadro do partido desde o final dos anos 80, quando ele foi criado. Antes, eu era filiada ao Partidão (PCB), onde ingressei nos tempos da faculdade.

Formação profissional e política

Eu entrei na UERJ em 1974, o reitor era Aloysio Teixeira. Naquele tempo, a Universidade tinha um pessoal muito bom, politicamente, e era quase impossível ser universitário sem se envolver com a política. Então, lá tinha gente do Partidão, do MR-8 e outras organizações clandestinas de esquerda. Aí, eu optei pelo PCB, que tinha uma proposta mais coerente com a minha posição: oferecia uma resistência à ditadura mais qualificada, não pregava a luta armada, e tal...
Como só tinham dois partidos, todo esse pessoal de esquerda votava no MDB. Fiz campanha pro Marcelo Cerqueira, pro Lysâneas Maciel, pro Raimundo de Oliveira... Mas, na eleição de 82, o PCB rachou: uma parte apoiou o Brizola, no PDT, e outra permaneceu fiel ao PMDB, apoiando o Miro Teixeira. E eu fiquei com eles.


Experiência no Estado
Quando surgiu o PSDB, formado por boa parte da elite pensante do PMDB de São Paulo, como Fernando Henrique Cardoso, Mário Covas, Franco Montoro e outros, o Artur da Távola, então deputado federal pelo PMDB fluminense, também aderiu a nova sigla. E como nós éramos muito amigos, ele me convidou para coordenar a sua campanha para o Senado, nas eleições de 94. Aí, eu me filiei ao PSDB, onde estou até hoje, e me engajei na campanha do Marcello Alencar, que havia deixado o PDT, e concorria ao governo do estado. Ele foi eleito e eu passei quatro anos no Palácio Guanabara, como sub-chefe da Casa Civil, acumulando, depois, a coordenação do projeto Comunidade Solidária (da dona Ruth Cardoso), no Rio. O último cargo que ocupei no estado foi de vice-presidente de Planejamento da Suderj. Na ocasião, eu era secretária geral do Diretório Estadual do PSDB.


Vinda para Caxias
Portanto, eu vim pra Caxias por conta da minha aproximação com Zito. Ainda no segundo mandato dele, lá pelos dois últimos anos do seu governo, ele me chamou pra conversar. A primeira proposta foi para ser secretária de Meio Ambiente. Mas, antes disso, fui convidada pela Andréia, para ser sua chefe de gabinete, em Brasília, mas também não aceitei. Como ultimamente eu estava presidente do Instituto Teotônio Vilella e trabalhava na Alerj( Gabinete do Deputado Luiz Paulo), nem trabalhei nas últimas campanhas do Zito.
Quando ele se elegeu, agora, queria que eu viesse pra cá, na área de Planejamento. Como sou professora de Educação Artística e tenho, também, serviços prestados no campo do Planejamento de Gestão Pública, disse pra ele que gostaria de fazer algo neste sentido, na Cultura. Até então, o meu conhecimento da Baixada Fluminense se restringia ao campo sociológico.


Arrumando a casa
Quando cheguei aqui, na Secretaria, trazida pelo Amorelli, vice prefeito, fui recebida pela Magali Machado, que era subsecretária. O então secretário, Marquinho Peçanha, eu não conheço até hoje. Eu já conhecia a Magali, dos tempos em que ela era deputada estadual pela Igreja Universal. Nesse dia, eu fui apresentada, também, ao João Carlos, que é o meu sub.
Foi muito difícil botar ordem na casa. Só consegui tomar pé da situação, através da equipe que já trabalhava aqui há muito tempo, como o Beto Gaspari, a Rosa Leite, a Regina Caldas, enfim, pessoas dispostas a colaborar. Logo de cara, descobri que a Secretaria não possuía um organograma. O que havia – que pudesse ser chamado assim – era um documento obsoleto, datado de 1991. As pessoas eram nomeadas para um cargo, mas, quase sempre, exerciam outro completamente diferente. O Chiquinho Maciel, por exemplo. É uma pessoa por quem tenho um profundo respeito, mas seu nome constava como diretor do Museu, quando, na verdade, ele exercia toda a sua eficiência como apresentador do Forró da Feira, nos fins de semana.
Aí, nós fizemos um novo organograma. Hoje, todo mundo está em seu devido lugar. Fizemos um planejamento de política de cultura – tudo com a colaboração da equipe – apresentado e aprovado pelo Conselho Municipal de Cultura, numa de suas reuniões ordinárias, e apresentamos também à imprensa, numa entrevista coletiva convocada em meu gabinete.


Centro Cultural Oscar Niemeyer
O Centro Cultural tem que ser uma referência, não só aqui como na Baixada Fluminense, pois nenhum outro município tem algo assim. Eu já pedi ao prefeito, para transferir a Secretaria para o prédio do Mercado Popular em frente ao Centro cultural. Aquele prédio, com uma pequena reforma, pode ser transformado em local de exposição. Tem um espaço grande, que pode abrigar o Centro de Tradições Populares. No térreo, daria para criar uma seção de café literário, com música ao vivo, dois telões...
A gente tem, além da manutenção e reestruturação da própria Secretaria, 05 eixos principais de políticas públicas para a cultura, que vão desde o inventário dos bens culturais e turísticos do município, passando pelo fortalecimento da produção, dinamização do ambiente cultural, melhoria da acessibilidade, até o fortalecimento dos canais de representação. Como programa de um destes eixos, pretendemos implementar um curso de formação e capacitação cultural, com o apoio de um escritório modelo, que acompanhará o trabalho dos agentes que participarão deste curso e outros mais que venham procurar a Secretaria, para formatação de projetos, captação de recursos, assessoria de mercado, programação visual, questões contábeis e jurídicas, etc. Faremos um cadastramento de profissionais e informações; com esse cadastramento e a qualificação dos nossos produtores, pretendemos que eles não precisem ficar tão dependentes do poder público. Aí, sim, você está fomentando a produção cultural. Já na área de turismo, temos também pólos a serem explorados. Apesar de que o turismo não é uma coisa fácil de se trabalhar em Caxias ainda, até mesmo por conta de sua aproximação com o Rio.


Teatros Raul Cortez e Armando Mello
Outra coisa é a utilização dos teatros Armando Mello e Raul Cortez, que são equipamentos públicos e precisam ser utilizados como tal. Não dá pra . Não dá pra realizar ali, solenidades de formatura e reuniões religiosas e nem permitir que o equipamento público seja utilizado como propriedade de alguém, como uma coisa privada. Ora, se o Estado é laico, a religião é algo de foro íntimo. Então, que o pastor faça seus cultos na igreja. As escolas também não podem mais fazer formatura ali. Temos feito um esforço muito grande, para fazer um intercâmbio com outras prefeituras e praças, visando à formação de platéias. Já conseguimos, inclusive, numa parceria com a Secretaria de Estado de Cultura, levar nossos artistas para apresentações no Teatro Gláucio Gil e receber artistas do município do Rio em nossos aparelhos culturais.


Captação de recursos
Eu estou formando uma equipe, para que a gente possa captar recursos. A dificuldade é a lentidão com que as coisas ocorrem. Para resolver esse problema, a gente está fazendo este processo: primeiro estamos fazendo a inserção de Caxias à realidade desse esforço nosso de costurar com nove secretarias. Entre outros projetos, vamos sugerir o Trem da Cultura, com a Supervia, por exemplo. Mas tudo depende da legislação, a gente teve uma reunião com o ministro da Cultura, sobre as mudanças na Lei Rouanet, que inclusive propiciarão repasses diretos, do Fundo Nacional de Cultura para o Fundo Municipal de Cultura. Isso já nos dará uma agilidade maior. Estamos estudando um projeto já enquadrado na Lei de ICMS, para a realização de uma Semana Literária. Estamos caminhando para captar esses recursos da seguinte forma: apresentamos nossos projetos a quem esteja habilitado a formatar, enquadrar nas Leis de Incentivo, e captar; por outro lado estamos pesquisando projetos que já estejam enquadrados nestas Leis, e que possam acontecer em Duque de Caxias, daí procuraremos as empresas atuantes no município, prováveis patrocinadores e/ou apoiadores, indicando a eles estes projetos como sendo de interesse para a política pública de cultura para a cidade.
A Débora Cocker dançou aqui para oito mil pessoas, sem qualquer ônus pro erário, graças à Lei Rouanet, e em seguida foi se apresentar em Nova York. Lá o espetáculo foi caríssimo, mas aqui o povo assistiu sem pagar nada. E ela vai voltar agora, em abril. Estou correndo atrás, para trazer o espetáculo da Clarice Lispector, dia 4 de março. O Raul Cortez reabre o ano com um espetáculo da Elizabete Savala.

Estrutura da Secretaria e ampliação das atividades para outros distritos
É um outro eixo de nossa política cultural. Temos três salas de leitura (bibliotecas públicas), hoje a gente tem a Casa Brasil, centro de inclusão digital e de difusão cultural que conta com um telecentro, um laboratório de metareciclagem, um laboratório de audiovisual, e diversas atividades culturais, além de oficinas, num convênio com o governo federal, através do CNPq. Este equipamento prevê também a instalação de uma rádio comunitária, até o presente momento ainda não regulamentada pelo Ministério das Comunicações.
Temos o Museu, que na verdade não é um museu, pois não tem acervo. A intenção é fazer daquilo ali uma outra idéia de museu, alguma coisa que venha a funcionar bem naquele local. Um centro multicultural.
Temos uma escola de artes, criada em 1991, e temos uma proposta para implementá-la, mas até hoje não encontramos um espaço físico. Essa escola de arte, que só existe de direito, passaria a existir de fato.
Outra idéia é criar a Escola Municipal de Música, e fora do 1º Distrito. Já fizemos até contato com a Escola de Música Villa-Lobos, no intuito de assinarmos um convênio de cooperação...
Queremos fazer um convênio com a Faetec, que quer fazer um trabalho no Armando Mello. Eles têm técnicos e poderiam fazer alguma reforma no teatro e pagariam os profissionais.
Vamos fortalecer os conselhos de representação, como já estamos fazendo com os Conselhos Municipais: de Cultura,de Defesa dos Direitos do Negro e Promoção da Igualdade Racial e Étnica e incentivando a criação do Conselho Municipal de Turismo.

1.3.10

Valsa de uma cidade

Vi no blog do Dacio Malta, o Alguém me disse , e não resisti. Rita Lee, uma paulistana legítima e maravilhosa, cantando uma homenagem ao Rio de janeiro. A cidade hoje faz 445 anos. Ela merece.


http://youpode.com.br/blog/alguemmedisse/2010/03/01/valsa-de-uma-cidade


A Rita é tão fantástica que já foi citada em canções por Chico e Caetano separadamente. Evoé Rita.

Quando a idade chegar...

Fiz aniversário dia desses – 26/02 - e recebi mensagens paca de felicitações. Muito legal. Amigos novos e antigos fazendo contato via Blog, Orkut, Email e até mesmo – quem diria? - pelo velho e bom telefone. Heraldo HB escreveu um texto no relinkare que me deixou até meio besta.
Na verdade essa manifestação dos amigos aliviou minha terrível carga aniversarial.
Por conta de um dente siso inflamado, passei a semana de molho. Antibióticos em doses cavalares. Além do mais, prevendo a ação do tempo, resolvi voltar à estudar – Dessa vez termino a faculdade, juro.
No Brasil “muderno” quem não tem “diproma” é considerado inútil, sendo assim, acabei passando a noite do meu aniversário estudando – até as 23hs – e fui pra casa sequinho. Sem beber uma gota.
Enquanto isso, em Brasília, a coisa pegava fogo com uma olímpica "cassada" à uma amostragem de ladrões públicos ( Digo amostragem porque, aqui, combate a corrupção é que nem pesquisa eleitoral, se faz por amostragem. Se a cada ano prenderem um, o povo fica feliz e acha que instalou-se a moralidade).
No Rio os trens pegavam no tranco e o Metrô nem isso. Mas eu não estava nem ligando. De certa forma já ando anestesiado, imune as roubalheiras e a falta de Governos. Se o povo não liga, o MP não liga, a Alerj não liga e até mesmo a imprensa faz um esforço desgraçado para ignorar isso tudo, quem sou eu para ficar reclamando?
O Rio de janeiro é governado por pessoas que fazem o termo CIDADÃO ganhar uma especial conotação de diminutivo, mas e daí? Ninguém mais liga para essas coisas.
Pensando nessas coisas me lembro do poema de Affonso Romano de Santana, “Que País é este?”. Penso também no Affonso em sí, que sumiu, de uma hora para outra, desta mesma imprensa que insiste em se fazer de cega. De repente, não mais que de repente, me privaram das velhas crônicas do mestre. Aliás, jornais atualmente não se dão ao trabalho de contratar cronistas. Uma meia dúzia de sabujos é suficiente para manter os leitores na coleira, distantes e sem notícias de vida inteligente. De resto, é louvar o Deus mercado e defender a venda de tudo que se mova como forma de obter lucro para alguns poucos, como ocorre em qualquer País de terceiro mundo.

19.2.10

Jornalismo de "resultados"

A imprensa brasileira foi invadida nos últimos anos por uma série de colunistas de R$ 1,99, gente barata porque escreve aquilo que convém à seus patrões mesmo que para tanto se sujeite a margear, e às vezes até ultrapassar, as fronteiras do ridículo.
De um modo geral, costumam avaliar Governos pela capacidade que esses demonstram de gerar lucros para seus empregadores, pois assim, ao que tudo indica, suas próprias merendas são engordadas um pouquinho à cada canetada subserviente.
Dentre o amontoado de bobagens que leio no dia a dia, me chamou a atenção um artigo escrito no Jornal O Globo – só podia ser – e reproduzido no Blog do Ricardo Gama - de um certo Luiz Garcia, que pelo texto e pelas teses deve ser parente próximo do Sargento Garcia, aquele que vivia tentando prender o Zorro.
A pena do moço, provavelmente comprada com os 180 milhões prometidos à mídia, faz elogios rasgados a Sérgio Cabral, a quem certamente ama de paixão, e desce a lenha em Garotinho e Rosinha. Normal para quem ganha a vida escrevendo para o jornal dos Marinho. Curiosa, no entanto, é a forma como moço se arvora a ensinar a candidata Dilma Roussef a “escolher” seus aliados. Fica evidente que o escriba não tem a menor noção de quais sejam as raízes políticas da candidata do PT.
Historicamente Sérgio Cabral sempre esteve ombreado com a concepção política mais conservadora e elitista possível. Quando os líderes do campo ideológico e popular – Lula, Brizola, Arraes, Prestes - se uniam, em vários momentos, para desapear do poder aqueles que levaram o País ao fundo do poço, Garotinho e Dilma sempre estiveram com eles, enquanto Cabral estava do outro lado, alinhado com o que havia de pior na política brasileira.
Serviu indiscriminadamente à Sarney, FHC, Collor, etc, e traiu à todos os que lhe ajudaram a chegar onde chegou. Sérgio Cabral, enfim, nunca pode ser companheiro de Dilma, pois sempre esteve lendo na cartilha da direita fascista que dominou o Brasil até bem pouco tempo atrás.
Tudo isso poderia ser colocado na conta do passado, sem ressentimentos, se ao menos Cabral respeitasse o povo do Rio de Janeiro que lhe outorgou um mandato. Mas, nem isso.
Em três anos como Governador o único legado de Cabral é o espancamento público à professores e servidores em geral. Não há em todo o Estado uma só obra - uma escola, um hospital, uma creche – que possa se dizer ter sido construída por Cabral. Trata-se portanto de um Governo muito além do desastroso. Na verdade um desgoverno que tem como base única e exclusivamente operações financeiras, seja nos milhões distribuídos a mídia para comprar penas de aluguel ou na portentosa especulação, inclusive imobiliária, que transforma o Governo do Rio em um mero balcão de bons negócios para alguns poucos.
Poderia aqui pedir uma reflexão ao Sr. Sargento Garcia sobre o tema da coisa pública, mas sei que seria chover no molhado. O máximo de reflexão permitida à colunistas assim, acostumados a viver  na iha de Circe, é aquela que se restringe ao financiamento dado a outros colunistas, como aquele, que Cabral deu à Ancelmo Góis. Este colunista deve sonhar todos os dias com os 309 mil reais - do meu, do seu, do nosso dinheiro - que foram dados de presente àquele.
Enfim, boa parte da nossa dita grande imprensa se resume à isso. Ficar na boca de espera pelos afagos financeiros do poder.
Um Governo que equacionou a dívida do Estado, recuperou a indústria naval, formulou o Polo petroquímico, levou a universidade pública para zona oeste, criou redes sociais de proteção aos mais necessitados, entre outras muitas coisas, como foi o de Garotinho e Rosinha, eles chamam de desastroso. Bons, para eles, são os governos que distribuem dinheiro público para seus patrões. Ainda bem que sua excelência, o povo do Rio de Janeiro não pensa como eles e nem vota neles.
Como diz o outro, vida que segue...

8.2.10

Cabral costeia o alambrado...


Sérgio Cabral sempre foi um grande especialista em traição política. Apesar de estar no PMDB, sempre cultivou o espírito tucano, fazendo seus ninhos em cima dos muros e abandonando-os à qualquer ventinho mais forte.
Nos últimos anos, para chegar onde chegou, traiu Marcelo Alencar, Cesar Maia, Garotinho, Molon e até Pisciani, a quem ainda tem como aliado apesar de ter vendido sua candidatura ao senado em passado recente e estar prontinho para vende-la de novo.
Enfim, cabral traz, tatuada na testa, a marca da traição.
Neste momento, tomado pelo rancor, pelo ódio que lhe é companheiro constante, Cabral afia seu punhal preparando-o para cravar nas costas de Lula e Dilma Roussef.
Acostumado ao golpismo absoluto que sempre lhe rodeou e com a personalidade frágil, típica dos meninos mimados, nascidos em berço de ouro, Cabral só tem se postado junto à Lula para usufruir das benesses do Governo Federal, afinal de contas, apesar de não ter nenhuma afinidade com conceitos políticos populares, lhe é de grande valia tomar para si as obras que a União faz no Rio de Janeiro, já que ele próprio não fez nenhuma em 3 anos e meio de Governo.
Em breve, podem ter certeza, pegando um gancho qualquer nos acontecimentos políticos, Sérgio Cabral vai anunciar seu rompimento com Lula e Dilma e, consequente, apoio a Serra( ou Aécio), pois esta é a sua natureza e aqueles são seus verdadeiros parceiros de jornada - E não vai aqui nenhum demérito a Serra ou Aécio, pois estes, provavelmente, adotam suas concepções políticas por convicção, sem enganar ninguém, e não por necessidade de trair, como o Governador do Rio.
Enfim, Lula e Dilma que se preparem. Depois de se fartar, Sérgio Cabral lhes cuspirá no rosto e correrá para a imprensa fingindo indignação. Como diria o velho Brizola, o rapaz esta costeando o alambrado.

2.2.10

Aos pedacinhos...

Globo News - Filho de coronel PM é preso assaltando. Comentário de uma “especialista” da GloboNews: os Pais precisam estar atentos à possíveis más influências externas que os filhos possam sofre...
Pergunto eu, precisa ser especialista em alguma coisa para recomendar isso? É o Óbvio..putzz


Botafogo - O Botafogo está pensando em contratar a mulher do Sérgio Cabral para reverter a chinelada que tomou do Vasco. Bobagem. Há quem garanta que ela é aluna de Eurico Miranda.


Adriana Ancelmo comentando, poeticamente, o episódio do trem do Metrô que desmontou em pleno uso...
Oh , pedaço de mim...Oh metade arrancada de mim...


E o Carlos Minc, hein... Anda sumido. O povo de angra está com uma baita saudade dele...


O Serra, eu não digo... Já foi Presidente da UNE e coisa e tal... Mas se a Marina Silva se misturar com o Aécio, tenho certeza que nasce uma nota de dólar... Verdinha, verdinha...


Votei no Gabeira para Prefeito e agora ele é candidato a Governador. Voto no Garotinho, mas fico pensando numa coisa... Será que Gabeira, em campanha, vai defender a liberação da maconha?


Por falar em maconha, algum assessor deveria conferir a data de validade das coisas que Sérgio Cabral anda consumindo. Contratar Tony Blair para organizar olimpíadas? O cara ta ficando viajandão... Nem o Paulo Coelho, nosso mago gente boa, aguentou essa insanidade...

Light, Barcas, Metrô e a mulher do Governador. Privatizaram o tudo no Rio

A Light, empresa distribuidora de energia elétrica do Rio de janeiro, é, por assim dizer, uma das coisas mais vergonhosas produzidas pelo gênero humano em termos de corrupção. Desde a sua chegada ao Brasil, via Brascan, o chamado “polvo canadense” goza de excelente relações com o poder estabelecido, sempre a custa de muito dinheiro. Seu primeiro Presidente, Alexandre Makenzie, foi o “padrinho” oculto de Assis Chateaubriand por muitos anos e principal avalista na construção de seu império de comunicação.
No começo de suas operações no Rio de janeiro controlava bondes e outros serviços graças a uma concessão, de 100 anos, adquirida junto aos governantes da época. Curiosamente, quando faltavam apenas dez anos para expirar a concessão o “Governo” brasileiro, em plena ditadura militar, “comprou” a Light. Na verdade, o que passaria para o poder da união sem qualquer ônus foi comprado a peso de ouro em 1978. O fato ficou marcado nos anais da história como um dos maiores esquemas de corrupção da época. Foi um exemplo clássico do “de graça” que sai caro.
Pois bem, sob administração pública a Light acabou crescendo, concentrando-se na distribuição de energia, ampliando consideravelmente sua clientela e recebendo muito, muito investimento público.
Na década de 90, no entanto, já robusta e reestruturada, a Light foi privatizada pelo gênio da camelotagem estatal, também conhecido como o príncipe da moeda, Fernando Henrique Cardoso.
Seu comprador, o obscuro grupo Vicunha, presidido por um certo senhor Benjamim Stenbruch, não desembolsou um centavo sequer para adquirir o controle acionário da empresa. Pagou a entrada – cerca de 500 milhôes de reais, se não me engano – em papeis podres, títulos sem qualquer valor real no mercado, e ainda recebeu, uma semana depois, um “empréstimo” de 600 milhões de reais, via BNDES, para “capitalizar” a empresa.
Na realidade, graças ao monumental embuste que apelidaram de processo de desestatização brasileiro, os novos donos da Light, além de não gastar um tostão para adquiri-la, ainda ganharam uma gorjeta de 600 milhões, e as ações da empresam passeiam até hoje pelo mercado financeiro fazendo alegria e fortuna de muitos especuladores do mercado financeiro.
Aliás, para quem não sabe, o Governo Brasileiro atualmente é – de novo – o maior acionista da Light, com cerca de 38% das ações, apesar de abrir mão do seu controle administrativo.
Pois bem. Esta é a história da Light. Um opíparo bife de picaretagem mergulhado no molho denso da corrupção e servido em bandeja de ouro aos donos do poder.
A outra ponta, no entanto, aquela que paga a conta, ou seja, os CLIENTES da Light, população de boa parte Rio de Janeiro, foi historicamente tratada como lixo durante todo esse período, e, mesmo diante destas tenebrosas transações, a Light continua apresentando um dos piores serviços de distribuição de energia do planeta.
Em períodos de verão, como o atual, as cidades abastecidas pela Light se transformam em verdadeiros pisca piscas gigantes, pois a incompetência técnica e desleixo administrativo da empresa não permitem sequer que a energia flua de seus cabos com a regularidade e a intensidade que deveriam seguir um padrão. Tanto em termos domésticos quanto no atendimento a empresas a Light é uma tragédia.
Sua incapacidade em operar o sistema é gritante e para constatar isso basta que qualquer cidadão tente utilizar seus aparelhos domésticos em determinados horários. Computadores, geladeiras, ares condicionados, todo e qualquer aparelho elétrico é uma vítima em potencial da Light. E pior, quando sua incompetência em prestar os serviços a que se propõe faz com que estes aparelhos queimem, a Light conta com toda a conivência do Governo do Estado e das agências reguladoras - tanto a estadual quanto a nacional – para continuar causando prejuízos à população.
Nunca é demais informar, inclusive, que a capacidade de causar prejuízos adquirida com o decorrer dos anos pela Light não se limita à sua desastrosa ação doméstica. Além de ela própria se incumbir de nos privar de energia elétrica, ainda age grandiosamente para que o abastecimento de água seja interrompido. Vira e mexe a desqualificação técnica da Light faz com que as máquinas da Estação de tratamento do Guandu não funcionem por falta de energia. Ou seja, não satisfeita em tratar mal seus clientes, o império da corrupção exporta sua inoperância para outras empresas, e até mesmo para Cias públicas, dando subsídio à outros incompetentes que passam a alegar falhas da Light como justificativas para sua própria desqualificação.
A bem da verdade, trata-se de uma incomensurável covardia. A mesma empresa que se notabiliza por cobrar valores indevidos e enriquecer às custas de mutretas e tramoias aplicadas contra seus clientes, recusa-se à prestar serviços básicos que são de sua exclusiva responsabilidade.
Nós, população, somos reféns da incompetência e da ma fé da Light e, apesar de não recebermos a prestação de serviços de forma digna, somos obrigados a pagar a conta – que não é barata - religiosamente todos os meses. E não há como nem a quem reclamar. Trata-se de um monopólio cujas ações desastrosas são apoiadas pelo Governo do Estado e pelas agencias reguladoras, o que nos torna escravos da corrupção. Curiosamente, inclusive, esse comportamento deletério não se resume a Light. Pelo contrário, espalha-se de forma padronizada por todas as prestadoras de serviços do Rio de Janeiro, desde a SuperVia, que tem por hábito mandar seguranças espancarem sua clientela, até as barcas, que recebem subsídios governamentais para não funcionar, passando pelo morfético Metrô, que larga seus pedaços pelo caminho como se não tivesse a menor obrigação de dar satisfação aos seus usuários.
Todas estas operadoras são concessões do Estado, privatizadas de graça e distribuídas à amigos.
Mas o que causa realmente uma imensa sensação de impotência é saber que a própria esposa do Governador os defende, até em tribunais se necessário, e intermedia privilégios para seus clientes junto ao marido.
Não se trata mais de serviços privatizados, mas de Governo privatizado.
Os serviços públicos não mais são norteados pelo interesse da população, pois o próprio Estado, que deveria estar a serviço do povo, também não mais pertence a esse povo.
Diante de nós só se apresentam duas possibilidades:
Ou nos acomodamos e permitimos que o próprio Estado seja tomado do povo e entregue a senhores vis, transformando todos nós em sub cidadãos, ou nos organizamos para reagir e preparar a retomada do Estado para a população.
Particularmente, não tenho talento para ser escravo de quem quer que seja.

25.1.10

Pobre Rio de janeiro:um governo apodrecido


Desde o começo do (Des)governo Sérgio Cabral ficou evidente sua concepção meramente financista. Todos os discursos e ações do desgovernador e seus asseclas foram única e exclusivamente voltadas para a captação de dinheiro.
Dinheiro mesmo, é bom que se destaque isso, e não recursos financeiros, na acepção mais ampla da palavra. Os recursos, no sentido clássico, geram capacidade de investimentos para o poder público, já o dinheiro, propriamente dito, serve apenas para enriquecer os governantes.
Todas as possibilidades da teratologia administrativa, visando acumular dinheiro, foram postas em prática por Cabral. Chegou-se até, cúmulo do absurdo, à tomar 300 milhões da Cedae, que ao invés de investir esse dinheiro na melhoria da distribuição de água na Baixada, por exemplo, doou a quantia exorbitante ao governo do Estado, invertendo completamente a lógica da administração pública. Ao invés do Estado investir na Cia pública, foi a estatal quem subsidiou o Estado. Na prática, o poste mijando no cachorro.
Do ponto de vista imobiliário, Cabral e sua turma fizeram a festa. Toda sorte de esquema foram montados para privilegiar a especulação e até mesmo terrenos públicos serviram como moeda de barganha – denúncia publicada na revista época – para tenebrosas transações.
As concessionárias de serviços públicos, privatizadas , pareciam tão seguras de si, mesmo prestando serviços de péssima qualidade a população, que as pessoas de bem já desconfiavam que, de alguma forma, havia participação das mesmas na cornucópia dos poucos poderosos do Estado do Rio de Janeiro.
A SuperVia espancando clientes, as barcas naufragando, o Metrô esfacelado tratando pessoas como se fosse gado e o governo se fingindo de morto. A cada catastrófica atuação de uma concessionária o chefe do executivo ou emudecia ou transbordava de marketeira indignação como se nada daquilo fosse de responsabilidade sua. Microfones e holofotes franqueados a custa de muito ouro pago por nós, mortais comuns, a própria imprensa se incumbia de analisar os fatos e distribuir pelas redações “especialistas” adestrados para isentar o Governador de qualquer responsabilidade. Tudo era culpa , como afirmou Sérgio Cabral, dos “vagabundos” que utilizavam os serviços.
De repente, não mais que de repente, surge aos olhos de todos a prova cabal dos lucros que essa gente tem com o sofrimento do povo. A própria primeira dama - Deu no Estadão -materializa-se como o drama primeiro de um desgoverno notório ao assinar, como advogada, uma petição em defesa do Metrô.
Na prática é a esposa do Governador defendendo, em nome do Direito, que uma concessionária de serviços públicos possa tornar a vida do povo miserável.
Em um País civilizado, como a França, onde se situa Paris, que Sérgio Cabral tanto adora, isso seria motivo suficiente para que o governante fosse defenestrado do cargo. Se fosse Prefeito de Paris, certamente Cabral não escaparia impune.
No Brasil, entretanto, mais especificamente no Rio de Janeiro, infelizmente, há uma mídia doutrinária bancando o interesse daqueles que são seus sócios, Deputados aliados disposto a qualquer coisa para defender o chefe e um sentimento perene de impunidade que permite a manutenção de pessoas assim no poder, mesmo que estejam com as mãos definitivamente enlameadas.
Na prática, o escândalo do Rio de janeiro – a mulher do Governador ganhando dinheiro de uma das piores concessionárias de serviço público do Estado – é, do ponto de vista moral e ético, dez vezes pior do que os esquemas de mensalão em Brasília. Mas aqui a mídia permanecerá muda e acoberta seus sócios. Mesmo porque, com os 180 milhões reservados à publicidade em 2010, muito possivelmente é ela própria, a mídia, a principal beneficiada pelo mensalão de Cabral e família.
Lembra até a frase daquele velho ministro pego em flagrante: o que é bom a gente fatura. O que é ruim a gente esconde. Não temos escrúpulos.
A frase pode servir muito bem como abertura dos manuais de redação da imprensa do Rio de Janeiro.
Se cobrir vira circo, se cercar vira cadeia.


OBS: O Estadão (SP) publicou hoje que a esposa de Cabral defende vários fornecedores do Rio em processos contra o Estado governado por seu marido. E pior, as empresas defendidas por Adrina Ancelmo ( Sobrenome também de um certo Cabo cuja memória envergonha o País) ganham regularmente aditivos em seus contratos e prorrogações de concessões, beneficiadas pelo próprio Governador.

22.1.10

Um guerreiro chamado Brizola


Se vivo fosse, Brizola completaria hoje 88 anos. O jovem, nascido em Carazinho, RS, entrou na vida pública pelas mãos de Getúlio Vargas e fez história como um dos homens públicos mais importantes de sua geração. Foi o único brasileiro, até hoje, em toda a nossa história, a ter a confiança e o respeito do povo para Governar dois Estados, Rio Grande do Sul e Rio de Janeiro.
Por onde passou, Brizola deixou sua marca. Em seus governos estabeleceu marcos históricos em termos de educação, tanto no sul quanto no Rio de janeiro, e até hoje é impossivel andar por terras fluminenses sem se deparar com o legado de Leonel Brizola.
Os Cieps, a Linha vermelha, o Sambódromo e as casas populares são, sem dúvidas, ícones brizolistas, mas acima de tudo, Brizola foi o grande responsável por uma concepção política que inseriu o cidadão comum, o povo, no contexto de prioridades políticas dos Governantes.
Até sua primeira eleição no Rio de Janeiro, em 1982, uma vitória histórica - inclusive contra a poderosa Rede Globo, que havia montado a fábrica de fraudes do Proconsult - Baixada, Zona Oeste e interior do Estado eram áreas esquecidas, abandonadas pelo poder público. Brizola deu voz e vez às populações dessas regiões e desviou o eixo de investimentos do Governo estadual, eternamente focado na Zona sul da antiga Guanabara, estabelecendo novas regras de cidadania e participação política. Fez no Rio de janeiro o que seu líder, Getúlio Vargas, fez no Brasil. Trouxe o povo para participar do poder, redimensinando a forma de se fazer política.
Brizola foi o primeiro Governante pós ditadura a proibir a polícia de invadir a casa dos pobres e espancar  as pessoas nas favelas e áreas carentes do Rio, graças à isso foi acusado de conivência com a bandidagem. Na concepção obtusa do poder de então - que ainda resiste em alguns aspectos - a pobreza era diretamente relacionada com a bandidagem, sendo assim, as elites que defendiam perseguições e espancamentos sumários inspirados na condição social, consideravam absurda a orientação do Brizola.
Para se ter uma idéia de sua liderança junto ao povo do Rio de janeiro, de 1982 até 2006, dois anos depois de sua morte, pouquíssimos foram os Governantes cariocas e Fluminenses à não passarem por seu gupamento político.
O papel de Brizola na reconstrução do Brasil depois da ditadura foi fundamental para nosso desenvolvimento, e se suas obras, principalmente os Cieps, não tivessem sido destruídos por outros governantes, certamente não viveríamos a situação de violência urbana que vivemos hoje.
Da lembrança que nos traz hoje seu aniversário, a melhor parte é sabermos que Brizola deixou seguidores. Ele se foi, mas por aqui ficaram seus amigos, seus alunos e seus colaboradores.
Nas próximas eleições, por exemplo, em outubro de 2010, dois de seus mais próximos colaboradores estarão participando diretamente do pleito no Rio de Janeiro. Cesar Maia, disputando o Senado, e Anthony Garotinho, seu herdeiro natural, disputando o Governo do Estado.
Mais do que detectar a influencia do antigo líder e constatar o acerto da concepção de políticas populares, esse fato comprova o quão temerário pode ser um governo descompromissado com seu povo, como é o atual Governo do Estado.
Mas do que nunca é necessário não apenas lembrar, mas acima de tudo, evocar, reivindicar e restabelecer a concepção política de Leonel Brizola. Uma concepção em que o povo é o senhor do seu próprio destino e principal prioridade do governante.

21.1.10

PAC do Alemão - casas são biodegradáveis...



O Governo do Rio de janeiro - se é que pode-se chamar isso de Governo- é realmente genial. Depois de manter trancada uma piscina que o Lula construiu em área carente, para não haver risco dos pobres "estragarem" uma obra tão bonita, Sérgio Cabral inovou agora na construção das casas do PAC no morro do Alemão.
Sempre antenado às questões ecológicas  Cabarl resolveu construir os apartamentos com material biodegradável - Deve ter sido idéia do MINC - ou seja, o troço se desfaz na água. 
É mais ou menos como se um submarino fosse construído com cortiça para não correr o risco de afundar.
Cabral considera que de uma só tacada resolveu dois problemas: um ecológico, outro de higiene. Ecológico, porque o tijolo comprado pelo Presidente da EMOP - um tal de Ícaro Morrendo - ao se diluir na água, não polui. Higiênico, porque sempre que chover os moradores serão obrigados a tomar banho.
Segundo Ícaro Morrendo, o tijolo biodegradável foi inventado pela COOPE  e fabricado por presidiários especialmente para fazer uma surpresa ao Presidente Lula, financiador das obras do PAC.
O Presidente - especula-se - esperava uma obra convencional, daquelas que as pessoas entram e ficam protegidas da chuva, mas o (en) Gov. Sérgio Cabral resolveu fazer uma surpresa ao amigo.
- O Lula pode ficar surpreso, mas no final vai entender que se a gente não fizer assim esse povo nem banho toma  - Resumiu o Governante.

18.1.10

Sérgio Cabral inaugura Trem fantasma no RJ


O (En) Gov do RJ, Sérgio Cabral, inaugurou hoje o trem fantasma do Rio de janeiro. Percorrendo três estações do subúrbio completamente desgovernado e em alta velocidade, a viagem do trem tentou simbolizar o espírírito político do Governo do estado do Rio, algo completamente acéfalo.  
Ao final da trágicômica viagem Cabral, segundo populares, teria comentado com um de seus assessores: 
- Tá vendo? Trem rápido pra cacete e esses vagabundos ainda reclamam. Toma conta desse trem aí que eu vou me mandar Paris.


De acordo com algumas informações colhidas entre poderosos agentes do Governo, Sérgio Cabral, o (En) Gov do RJ, assegurou que a Supervia e seus proprietários não precisam ficar preocupados com o ocorrido, pois a empresa conta com a máxima confiança do governante.


- A imprensa não vai fazer escândalo com isso, pois é nossa parceira. E, de mais à mais, se der algum bode, a gente arranja um Zé Povinho qualquer para assumir a culpa. 
O Jornal nacional e o RJ TV vão assumir nossa versão numa boa. Vocês vão ver - teria dito, em off, um assessor que não quis se identificar.

16.1.10

Curtinhas e não necessariamente grossas


Marina pode virar vice de Serra - Tucanos e Verdes buscam apoio de Sérgio Cabral - O pai - por afinidade de olheiras. Em caso de vitória certamente a mídia aproveitaria o gancho para convida-los  a protagonizar uma nova versão cinematográfica da "Família Adams". Até a política nacional Brasileira sofre graves influências de Hollyhood.


Sérgio Cabral - O filho - pode se mudar para o Rio de janeiro em Abril para concorrer as eleições. Legislação obriga 6 meses de domicílio eleitoral. Depois da derrota volta para Paris, é claro.


O filme Lula - O filho do Brasil - Continua gerando polêmica. O Diretor, Fabio Barreto, sofreu acidente de carro - Dizem que foi macumba do DEM. O PSDB, por precaução, entrou na justiça para impedir o Discovery de exibir documentário entitulado: Lula Gigante. E agora, o mesmo PSDB quer dar o troco e contratar o cineasta José Mojica Marins  para fazer um filme sobre FHC. O título seria algo parecido com " FHC - O filho da ... " ( Eles estão pensando ainda na conclusão do título).


Ciro Gomes pode não ser candidato - Setores importantes do PSB defendem que o partido deve continuar sendo reserva de mercado do PT. O PSB só deixou de ser submisso ao PT em 2002 e Garotinho paga o pato até hoje por ter sido candidato a Presidente pelo Partido.

14.1.10

Debilóides querem destruir a Lapa


Os debilóides que assumiram o poder no Rio de janeiro estão atacando novamente. Desta vez os canhões da mediocridade, muito bem lubrificados pela ganância, estão voltados para a Lapa.Querem construir um espigão, um arranha céu imenso, no centro nevrálgico do reduto cultural carioca.
Tenho um sentimento bastante peculiar pela Lapa. Morei ali por dois anos, mas cultuei o espirito do Bairro a vida inteira, por isso sinto-a um pouco minha. Desde a Rua da Lapa até a Frei Caneca, sinto que quase tudo ali me pertence um pouquinho, ou pelo menos há um pedaço meu em cada bar, teatro, casa de show ou monumento. 
A Lapa tem uma aura tão mágica que jamais um Governante qualquer, por mais obtuso que fosse, ousou tentar profana-la.  Bons Governantes, aliás, jamais pensariam nisso.Seria, como sugere o nome da deliciosa casa de samba, um sacrilégio.
Vivemos, no entanto, uma era insensata, onde os poderosos são tão desqualificados, tão obtusos, tão apequenados diante das coisas da vida, que consideram esperteza ganhar um dinheirinho - ou dinheirão - para prestar favores ao mercado imobiliário - ou a qualquer outro mercado - mesmo que isso signifique aniquilar para sempre uma parte da alma de uma das cidades mais lindas do mundo. Isso não é esperteza, mas, covardia. Não é uma atitude diferente daquela de vender armas à terroristas. É uma profunda demostração de desprezo pelos valores comuns de toda uma sociedade. Beira à psicopatia.
Mas nem tudo está perdido, ainda. As pessoas de bem, cariocas de todos os cantos do planeta, estão reagindo à esta estupidez. Já há inclusive um Blog - Deus proteja os blogueiros - o Salve a Lapa , arrecadando assinaturas para um abaixo assinado que pretende se contrapor a ação temerária da Prefeitura. Eu já assinei, com orgulho e convicção, e espero que muitos outros assinem.
É bom lembrar que ninguém sai de casa, ou entra na internet, nem estuda ou se encanta pela personalidade de Prefeitos e Governantes irresponsáveis, mas milhões de pessoas interagem todos os dias com a Lapa, seja in loco ou à distância, por tudo que ela representa.
A Lapa é nossa. É um bem cultural do Rio de janeiro, do Brasil e do mundo.Parafraseando Quintana, em relação aos debilóides que estão no poder, "Eles passarão, e a Lapa, passarinho"...

13.1.10

Privatizaram a natureza...Deu nisso.


Com esse solzão imenso pendurado em nossas costas, nem dá para raciocinar direito. Um calorzinho até que é bom, muito bom. Mas assim é demais. Nem tenho saído muito de casa, pois temo deparar com alguma imagem terrível de pessoas derretendo no meio da rua ou avenidas encharcadas de suor ao invés de águas da chuva. De qualquer modo este verão está sendo feito de dramas: ou as enchentes castigam as cidades e matam pessoas, ou o sol insuportável suga as energias e impõe a inércia.
Para quem mora na beira da praia ou em algum outro espaço onde haja água e vento, é claro, a coisa certamente não é tão desesperadora. Deve ser o caso daquele pessoal que naufragou a COP15. A grana falou mais alto e eles estabeleceram a postura oficial de nem ligar para o aquecimento global, por isso o clima está se vingando.
Na Europa e na América do norte a neve tem assumido um papel bem parecido com esse que o calor excessivo exerce aqui. Caos.
Seria mais suportável, obviamente, se ainda restassem rios e florestas, mas uns viraram banheiro coletivo e depósitos de lixo, outras, viraram banquinhos de boteco.
Na Baixada Fluminense, por exemplo, não há um só rio digno do nome e não há ninguém que faça algo a respeito, pois a questão ecológica, como todo o resto, se transformou em algo meramente financeiro, do tipo: se pagar, pode poluir à vontade. Inventaram até os tais créditos de carbono para garantir um ca$calho à quem for legal e estragar menos rios e florestas que os outros. Foi a forma que encontraram para "privatizar" a natureza.