22.11.08

Ana de Amsterdam

Sou Ana do dique e das docas
Da compra, da venda, das trocas de pernas 
Dos braços, das bocas, do lixo, dos bichos, das fichas
Sou Ana das loucas 
Até amanhã
Sou Ana
Da cama, da cana, fulana, sacana 
Sou Ana de Amsterdam
Eu cruzei um oceano
Na esperança de casar
Fiz mil bocas pra Solano
Fui beijada por Gaspar
Sou Ana de cabo a tenente
Sou Ana de toda patente, das Índias
Sou Ana do oriente, ocidente, acidente, gelada
Sou Ana, obrigada
Até amanhã, sou Ana
Do cabo, do raso, do rabo, dos ratos
Sou Ana de Amsterdam
Arrisquei muita braçada
Na esperança de outro mar
Hoje sou carta marcada
Hoje sou jogo de azar
Sou Ana de vinte minutos
Sou Ana da brasa dos brutos na coxa
Que apaga charutos
Sou Ana dos dentes rangendo
E dos olhos enxutos Até amanhã,
Até amanhã, sou Ana
Das marcas, das macas, da vacas, das pratas
Sou Ana de Amsterdam



OBS - A foto lá em cima é da atriz Flávia Fernandes na pele de "Beatriz dos Anjos", espetáculo roteirizado e dirigido por Dani Francisco, com base no poema " A canção de Beatriz" de Ruy Espinheira Filho.

20.11.08

Aviso aos navegantes..

Neste sábado, 22/11, tem Show do Jorge Bodart no Galeto do Juca -  Av. Presidente Kenedy. Fica ao lado do Bradesco, em frente ao banco do Brasil, perto das Sendas e um pouquinho antes da Biblioteca Leonel Brizola. Com todas essas referências é impossível não encontrar.
O Show começa às 19 hs e a casa tem chope gelado a preço bom.
Quem estiver na Zona Oeste e quizer curtir o som de Bodart mais cedo um pouco, no sábado mesmo, pode ir ás 13 hs no Destilados Bar, dentro do Shoping Bangú.
E depois tem mais. Segunda no Shoping do Méier, Dias da Cruz, ás 19 hs. MPB da melhor qualidade e com auxílio luxuoso da banda Fusion.
 O que vale mais à pena nisso tudo é curtir o som de Jorge Bodart, um dos melhores profissionais do Rio de janeiro. Pode ir que é dica boa.

A bela canção de Elomar na voz aveludada de Francisco Aafa

O pidido 

Já qui tu vai lá prá fêra

Traga di lá para mim
Agua do fulô qui chêra
Um nuvelo e um carmim
Trais um pacote de misse
Meu amigo ah se tu visse
Aquele cego cantadô!
Um dia ele me disse
Jogano um mote de amô
Qui eu havéra de vivê
Pur esse mundo
E morrê ainda em flô
Passa naquela barraca
Daquela mulé reizêra
Onde almuçamo paca
Panelada e frigidêra
Inté você disse uma lõa
Gabano a boia bôa
Qui das casa da cidade
Aquela era a primêra
Trais pra mim vãs brividade
Qui eu quero matá a sôdade
Fais tempo qui fui na fêra
Ai sôdade...
Apois sim vê se num isquece
Quinda nessa lua chêa
Nós vai brincá na quermesse
Lá no Riacho d'Arêa
Na casa daquêle home
Feitecêro e curadô
Que o dia intêro é home
Filho do Nosso Sinhô
Mais dispois da mêa noite
É lubisome cumedô
Dos pagão qui as mãe isqueceu
Do batismo salvadô
E tem mais dois garrafão
Cum dois canguin responsadô
Apois sim vê se num isquece
De trazê ruge e carmim
Ah se o dinheiro desse!
Eu quiria um trancilin
E mais treis metro de chita
Qui é preu fazê um vistido
E ficá bem mais bunita
Qui Madô de Juca Dido
Qui Zefa de lô Joaquim
Já qui tu vai lá prá fêra
Meu amigo trais
Essas coisinhas para mim...

18.11.08

Tesão é tesão e pronto...

Brindemos

 

Um brinde as bocas beijadas na chuva

Um brinde as uvas

Aos seios

E aos ventres

Um brinde eloqüente

As coxas e aos braços

Um brinde ao amasso

Dos corpos convulsos

Um brinde às línguas

Aos dedos

As frutas

Um brinde a gruta

A mata

Aos lábios

Um brinde ao cheiro e a temperatura

Um brinde a natura, ao sabor, a umidade

Um brinde a verdade exposta na flor

Um brinde a cor, ao formato e a textura

Um brinde a postura

A porta entreaberta

Um brinde a secreta passagem, ao talho

Um brinde ao orvalho, ao suor, a cereja

Um brinde a quem beija

A pétala aberta

Um brinde ao botão

Um brinde as mãos

Um brinde aos olhos e aos diamantes

Um brinde aos amantes

Um brinde a paixão

11.11.08

O cheiro da madrugada

Tem dias, em que a noite confunde a gente.

O sujeito chega, puxa a mesa da bodega, se aconchega e, de repente, nem sabe mais por que águas a própria alma navega.

E a lucidez segue assim em interminável refrega com a pobre da insensatez.

O dia chega e diz não.

A noite, sopra um talvez.

Já a doida madrugada, feroz e destrambelhada, em completa embriaguez, diz: agora, meu amor.

E as pernas entorpecidas se arvoram em merecida e lúdica caminhada.

No meio da noite, a estrada, nem parece com a balbúrdia que se encontra de dia. 

É luz piscando nos olhos, botequins pelas esquinas, um certo ar de festejo, a boca aberta pro beijo, decotes, saias, meninas...

O cheiro delas escorrendo pelo brilho das estrelas, tomando o cérebro inteiro e impregnando as narinas.

A noite deveria ser algum tipo de canção dessas que nunca termina.

Com acordes absolutos penetrando pelos tímpanos e se apossando do espírito

ou algum tipo de verso majestoso e impenetrável. 

Algo assim inenarrável, um experimento empírico por sua essência, abstrato.

E a madrugada, não o dia, deveria ser seu quarto para acomodar os partos insanos da poesia.

6.11.08

Nasce uma nova era

Barak Obama é negro, mas é muito mais que isso. A simbologia racial é forte, porém, Obama foi muito mais longe. Diante de uma América destroçada pela ganância financista e belicista ele soube resgatar valores fundamentais para qualquer grande nação. Ao invés de pregar guerras e invasões, lugar comum para líderes americanos, pregou consciência e igualdade. Obama fez com que o mundo olhasse novamente para os EUA, não com olhos de quem odeia uma nação cruel, invasora e monopolista, e sim como quem busca uma saída para um processo político mundial enlameado por vícios e controlado por loucos.
Querendo ou não, os EUA influenciam o mundo. Quando o País mais rico e poderoso do planeta se apossa de outra nação, única e exclusivamente para lançar mão de suas riquezas naturais, como ocorreu no Iraque, o mundo começa a acatar a pilhagem como uma coisa lícita. Por outro lado, se a nação mais desenvolvida aponta valores humanísticos e culturais como prioritários, os outros Países também o seguem. É assim no Brasil, na América latina - onde o Brasil é referência - e é assim no mundo.
Desde Martin Luter King a América vem tendo sonhos de igualdade, sempre transformados em pesadelos por uma elite branca, cruel e endinheirada,  contra a qual o pastor negro manteve o dedo e a voz em riste. Como disse o próprio Luter King, os maus gritavam e os bons silenciavam. Essa lógica se espalhou pelo mundo, inclusive Brasil, alçando ao poder homens maus, incompetentes e descompromissados.
Não se pode dizer, é claro, que a era da estupidez e da mediocridade política tenha terminado. Mas o fato é que a nação líder do mundo conseguiu reverter um processo histórico de dominação e eleger um cidadão de origem humilde amparado em valores fundamentais completamente esquecidos, coisas como liberdade, igualdade e respeito aos direitos de todos. É importante frisar que nada na campanha de Obama foi fundamentado na boçalidade conservadora religiosa, pelo contrário. O discurso com essa tônica, vindo de uma mulherzinha tola do Alasca, foi sumariamente derrotado.
Torci para Obama e torço para que, junto com ele, venha um período de valorização da dignidade humana na política mundial. Para que o processo político volte a ser dirigido pelos mais qualificados, e não pelos mais "espertos", como acontece aqui. Torço para que a politiquinha do assistencialismo - muleta, dentadura, centro social pago com nossos impostos e coisas do gênero - seja definitivamente banida por esse vento inspirador que sopra da América.
Na verdade, creio que, como disse certa vez Vinícius, "a coisa não demora".
Lula, aqui, guardadas as devidas proporções e apesar da obsessão da turma do PT, e aliados, por cargos, maracutaias  e mordomias, representou um avanço nesse sentido. A vitória de Obama agora solidifica essa tendência em nível mundial.
Definitivamente o mundo quer algo novo. Algo que não seja podre nem baseado na podridão política. A humanidade, creio, está gritando por mudanças e elas estão ocorrendo. Os negros   e pobres espalhados pelo planeta vão agora se sentir no direito de exercer de forma mais ampla sua cidadania, sendo médicos, engenheiros, advogados, operários ou Presidentes de algumas repúblicas espalhadas pelo mundo. Li um texto sobre isso no Blg Leia junto (http://leiajunto.wordpress.com) , do Cesar Barroso e concordo plenamente.
Enfim, mundo reinicializado, estamos diante de uma nova era. Que venha a esperança e nos tire pra dançar.

1.11.08

Caxias é uma festa...

A revitalização cultural da nossa velha e boa Duque de Caxias vem rolando de vento em popa. Na quinta, dia 30, um belo espetáculo no teatro Raul Cortes homenageou a Lira de ouro e seus mais de 50 anos de história na cidade. O primeiro a se apresentar foi o Grupo Austeros Andantes, composto por uma garotada altamente talentosa, tanto em letra quanto em melodia. Creio que ainda vamos ouvir falar bastante neste grupo, pois a criatividade por eles apresentada é coisa rara e surgem, claro, como algo novo, porém, ancorado por uma sólida base inicial.
Depois dos Austeros foi a vez de Heraldo HB. Aliás, registre-se aqui: a apresentação do artista iniciada com a canção "Pedido" de Elomar Figueira de Melo, pareceu ter ocorrido com a intenção de deixar evidente para a platéia, desde o começo, de que ocorreria ali uma manifestação do belo. Algo deslumbrante. O repertório cuidadoso e lapidado de Heraldo HB deixou a galera em estado de graça.
Logo depois veio Beto Gaspari extremamente bem acompanhado. Ricardo Barbieri (Cello) , Roberto Brevilato (Violão), Stanley Neto (Sax, gaita e clarineta) e Carlinhos Lima (percussão). Essa turma que faz história na cidade já há algum tempo, emprestou brilho e emoção à um espetáculo belíssimo, com destaque para as canções "Feitiço" de Gaspari e Bravilato, e "Veia" de Gaspari e Barbieri.
O encerramento coube ao Grupo Nosso Canto, com Beto Cavaco, André Viana e cia. Samba de primeiríssima qualidade, como sempre. Poesia pura.
Como todo o tempo do mundo parecia ser pouco para curtir tudo o que acontecia, a turma, quase toda, deu uma esticada até o Bistrô, novo útero da cultura caxiense, estendendo o êxtase pela madrugada. 
Na Sexta-feira, ainda com saudades da quinta, fomos, eu e alguns amigos, ouvir Canthidio no Boitequim, um simpatissímo boteco que fica na Ouro preto, 105 - 25 de agosto. Praticamente começamos tudo de novo. Com o auxílio luxuoso do poeta Valdo Couto e canja do compositor Gentil Nogueira, Canthídio empolgou a clientela do bar e provou mais uma vez que a cultura Caxiense está de pé e à ordem.
Encerramos novamente no Bistrô, é claro. Melhor chope da cidade e convergência natural para os fazedores de cultura. 
O fato é que Duque de caxias anda respirando arte, e isso é muito bom. Pra todos nós.

OBS: Na imagem acima Canthídio em 3 tempos. No Boitequim e no Bistrô,  primeiro com Heraldo HB e depois em apresentação solo.

29.10.08

Ressaca eleitoral no Rio

Passadas as eleições, há ainda um certo ar de ressaca espalhado pela cidade. De um lado, os vitoriosos que comemoram, de outro, os derrotados que lamentam. Na verdade, o Rio de Janeiro continua pertencendo a todos, independente de quem esteja ou venha a estar sentado na cadeira de prefeito.

Como disse certa vez o ex-primeiro-ministro inglês Wuston Churchil, a democracia é o pior dos regimes, exceto todos os outros. E sem dúvidas foi a democracia quem venceu no Rio e no Brasil inteiro.

Tenho observado, no caso do Rio, um portentoso sentimento de frustração por parte dos eleitores do Gabeira, entre os quais me incluo, devido tanto à derrota quanto à margem mínima de diferença nos votos, mas é preciso que se entenda que democracia é isso. É a vontade popular determinando o poder constituído. Eduardo Paes, a partir de janeiro, será o prefeito de todos os cariocas. Felizmente, é assim que funciona.

Por mais apaixonadas que sejam as manifestações dos eleitores de Gabeira, principalmente no vasto mundo virtual, o processo eleitoral em si não pode ser desqualificado em função de seu resultado. Os cariocas escolheram Paes e ele será o prefeito de todos. Herdará, é claro, toda a gama de problemas típicos de uma cidade grande e exigente como é o Rio. Precisamos, portanto, torcer para que ele encontre as soluções necessárias.

O carioca, em termos gerais, sempre nutriu um apurado senso crítico, que, acompanhado do bom humor e de um jeito de ser especial, constituem a alma da cidade. E o Rio é assim, muito provavelmente, desde Estácio de Sá.

27.10.08

Navegando à esmo...

Papear é bom... mesmo quando não se tem nada de concreto para dizer. A gente fica naquela coisa que o Millôr chama de vaguidão específica. Aliás, escrever também é bom e ler melhor ainda. Sempre que sinto o mundo prestes a acabar me refugio em Quintana, pelo lado da poesia, e Garbriel Gracia Marques pelo lado da prosa. 
Dia desses mesmo li sobre o tal LHC - a máquina do fim do mundo - e corri pra Quintana. Não acreditei, é claro, que a máquina vá fazer grandes estragos. Se  nome dela fosse FHC eu ficaria muito mais temeroso. Mas deixa isso pra lá...
Andei lendo também Nostradamus. Acho fantástico esse lance de alguém sempre atribuir as catástrofes cotidianas à alguma profecia sua. Em sua genialidade o profeta francês é tão genérico que em suas centúrias cabem qualquer coisa.
Fico imaginando, se o Maccain ganhasse nos EUA, qual seria a profecia para se encaixar no fato?
" Quando a besta quadrada levantar a cabeça ao norte o mundo explodira". Será que tem alguma centúria assim? Mas na verdade estou tranquilo. Dizem que vai dar Obama, que apesar de também ser americano é muito menos bélico que o velhinho republicano. 
No Brasil, por outro lado, a coisa anda meio doida. Marta Suplicy, quem diria, insinuou que o adversário era gay pra tentar desqualifica-lo. Isso é grave. É o poste mijando no cachorro. Historicamente sempre assistimos aos candidatos de direita usando raça, credo, gênero, sexualidade e outras coisas de ordem pessoal para atacar seus adversários, geralmente de esquerda, lançando mão de toda sorte de preconceitos. Ver a Marta, agora, dando uma de puritana preconceituosa chega a ser chocante. Fica parecendo cada vez mais que a esquerda de quem vai é a direita de quem vem. Ainda bem que ela perdeu as eleições. se eu votasse em Sampa também não daria meu voto a ela.
De resto, o calor tá de matar. Estou pensando seriamente em tirar umas férias na Dinamarca. Eu ia pra Suiça, mas fiquei com medo do LHC. Um pastor amigo meu disse que é coisa do Dêmo. Aliás, um pastor altamente confiável, pois trata-se de um pastor alemão.

22.10.08

O sonho não vai acabar...

A chama não se apagou
Nem se apagará
És luz de eterno fulgor
Candeia ( e Luiz Carlos )

O tempo que o samba viver
O sonho não vai acabar
E ninguém irá esquecer
Candeia ( e Luiz Carlos )

Todo tempo que o céu
Abrigar o encanto de uma lua cheia
E o pescador afirmar
Que ouviu o cantar da sereia
E as fortes ondas do mar
Sorrindo brincar com a areia
A chama não vai se apagar
Candeia ( e Luiz Carlos )

Onde houver uma crença
Uma gota de fé
Uma roda, uma aldeia
Um sorriso, um olhar
Que é um poema de fé
Sangue a correr nas veias

Um cantar à vontade
Outras coisas que a liberdade semeia
O sonho não vai acabar
Candeia ( e Luiz Carlos )


Luiz Carlos da Vila e Adilson Victor

18.10.08

Toda nudez será castigada, de novo...

Acho que Nostradamus estava certo, estamos mesmo próximos do fim do mundo. É a única explicação plausível para alguns fenômenos recentes. Não falo do El nino, da camada de ozônio, do buraco negro, nada disso. Me refiro à boçalidade que se apossa do planeta nos últimos anos. 
Depois de se consolidar no mundo, chegando inclusive a eleger o presidente dos EUA 8 anos atrás, a idiotice vem chegando com uma força avassaladora ao Brasil.
No Planalto, no congresso, na imprensa, no judiciário - ah, o judiciário, a sandíce agora está chegando ao meio artístico.
Chegando é modo de dizer, é claro. Na verdade, desde os anos 80 aconteceu um lance interessante nas artes brasileiras. Algumas famílias privilegiadas resolveram se livrar dos filhos menos competentes jogando-os na vida, no caso, a artística. Desenvolvemos assim toda uma casta de atores, músicos, cantores e humoristas com pedigree. Foram filhos de banqueiros, políticos e famílias abastadas que foram, por assim dizer, "dominando o cenário".
Uma destas figuras é um cara que fez um manifesto moralista dia desses. Como ator o rapaz é uma bomba, mas tem uma árvore genealógica e tanto. Avô diretor do Banco do brasil e tudo. Aliás, pasmem... O moço é primo de um Ex-presidente da República. Um certo Ociólogo chamado Fernando Henrique Cardoso, não sei se vocês lembram.
Pois bem, refletindo sobre as sábias palavras do Ministro da Defesa, Nelson Jobim, que citando Nelsom Rodrigues afirmou que " Os idiotas estão perdendo a modéstia", o rapaz resolveu expor sua verve em público.
Na verdade nem chega a ser uma verve, está mais para verborragia. Mas o fato é que o tal primo do FHC resolveu reivindicar para si a liderança da neo TFP - Tradição, família e propriedade - e propôs que a nudez seja banida da arte nacional. Um artista de verdade, principalmente ator, jamais defenderia tese tão insana. Mas como o rapaz na verdade não é do ramo, apenas apegou-se à ele como meio de vida e ocupação de espaço para a família,  adotou o obscurantismo como forma de ganhar publicidade extra.
Só pra registrar, no século passado vivemos uma ditadura terrível e muita gente boa foi torturada e morta em defesa da liberdade, inclusive a de expressão. Até meados dos anos 80 a arte era censurada e vários artistas tiveram seus trabalhos cassados, entre outras coisas, pelo falso moralismo vigente que proibia qualquer cena de nudez.
Agora que já lembramos disso tudo o melhor a fazer é esquecer o tal manifesto moralista do primo do FHC.
Um sujeito que faz abaixo assinado na escola dos filhos para demitir um professor só porque o mesmo escreve poemas eróticos deveria ser proibido de pisar no palco. E simplesmente não merece sequer ter seu nome citado. Que caia no limbo.

Deu no Boca de ovo...

Boca de ovo, para quem não sabe, é o apelido carinhoso pelo qual a gente chamava o Anselmo Gós no tempo do JB. Eu era leitor aasíduo, e assim a gente acaba se sentindo íntimo do colunista diário à ponto de trata-lo com essa intimidade toda. Mas era só coisa de leitor mesmo, garanto. Nunca nem vi o Ancelmo pessoalmente, mas o cara me parece gente boa paca.

"Beiço eleitoral

Amanhã, às 11h, a chapa vai esquentar na sede do Partido Republicano Brasileiro. (Não ligou o nome à pessoa? É o do Crivela.) Circula na internet um e-mail convocando todos que têm dinheiro a receber por conta da campanha recém-encerrada - para o candidato, que ficou no primeiro turno - e até agora... nada.

A idéia - está no e-mail, ao menos - é "reivindicar pacificamente" os direitos de cada credor. A conferir."

Nota do Blog:

Sugiro que a fatura seja entregue a Eduardo Paes, beneficiário do espólio da Igreja Universal do reino de Deus. Tanto o Bispo Macedo - Padrinho de Crivela - quanto Serginho - Capo do Eduardo Paes - têm grana de sobra pra pagar a conta. Isso eu garanto. Basta passar a sacolinha.


17.10.08

Nota do Leia Junto, Blog do Cesar Barroso...

Candidatos trocam piadas ao invés de farpas
Num jantar beneficente à noite en Nova York, McCain e Obama deixaram para trás as diferenças e tentaram ser o mais cordiais possível. A piada de McCain: “Os democratas já estão atacando Joe, o Encanador, esse homem honesto, trabalhador, que não vai ganhar o suficiente para pagar todos os impostos do plano de Obama. Mas o que eles não sabem é que Joe recentemente assinou um bom contrato com um casal rico para cuidar dos encanamentos de suas sete residências”, referindo-se ao número de casas que ele e Cindy possuem. A piada de Obama: “Ao contrário dos rumores, não nasci numa manjedoura. Nasci em Krypton e fui mandado aquipor meu pai, Jor-el, para salvar o planeta Terra”, numa referência ao Super-Homem.
Podem visitar, certamente vale à pena.

14.10.08

Bistrô Brasil: a nova cara da cultura Caxiense

A palavra "Bistrô", ao contrário do que se pensa, não tem origem francesa e sim russa. Quando Pedro, o Grande, expulsou Napoleão de Paris, suas tropas ocuparam a cidade e os soldados russos quando iam aos restaurantes gritavam "bistrô, bistrô, que quer dizer "rápido, rápido".

Um Bistrô é definido no dicionário como um restaurante ou bar pequeno e simples, porém muito aconchegante. Nesse tipo de estabelecimento, a convivência e as relações pessoais têm tanta importância quanto à qualidade do serviço. Um Bistrô tradicional não costumava nem ter cardápio, sendo o próprio chef quem conversava com o cliente, sabendo das suas preferências e preparando a refeição ao seu exato gosto, o que tornava o serviço único e extremamente pessoal.

Hoje bistrô é basicamente sinônimo de pequenos, tradicionais e charmosos restaurantes de inspiração francesa.

No próximo dia 17/10, nossa cidade estará experimentando a sensação de reunir amigos em um legítimo Bistrô, com direito à chope gelado, papo do bom, cultura, diversão e arte da melhor qualidade.

Eduardo Prates e Marcelo Moura estarão inaugurando o Bistrô Brasil, espaço que promete se firmar como a nova cara da cultura caxiense.

Na verdade, à partir do dia 15 a casa já estará aberta ao público, pois os sócios, ambos professores, não poderiam permitir que o dia do mestre passasse em branco. A grande festa, no entanto, será mesmo no dia 17, sexta-feira, com a presença de artistas da música e do teatro.

Estaremos lá, é claro. E desejamos à casa uma vida bastante longa, para que possamos saciar nossa sede - de chope - e alimentar nossas almas com cultura e arte.

Evoé Bistrô Brasil! 

9.10.08

Os reféns do Deus Mercado

Eu não queria tocar no assunto, mas é humanamente impossível. Para todos os lados que se olha, vê-se alguma informação sobre a crise americana ou seu efeitos. Nesse caso, sucumbo a mesmice.
Desde o final da década de 80, nossos bravos especialístas econômicos, quase todos ícones da mídia, defendem a tese de que o estado é inútil e que uma divindade denominada Mercado é a única capaz de trazer a paz e o bem comum a todos os povos. Na verdade, todos estes especialistas foram, e são até hoje, muito bem pagos para defender esta tese à exaustão.
No brasil, inclusive, seguindo esta tendencia mundial de idolatria ao Deus mercado, o Estado foi demolido na era FHC. Tirando a Petrobrás, a Caixa e o Banco do Brasil, não sobrou pedra sobre pedra. Há quem defenda a tese de que FHC na verdade nunca foi Presidente da República, mas apenas um camelô do alheio.
Pois bem... A Roma moderna, a matriz de todos os objetivos financeiros imagináveis, está agonizando aos olhos do mundo exatamente pela falta de capacidade do Mercado de resover seus próprios problemas. 
O Estado, quem diria, está sendo usado de forma escândalosa para restabelecer a paz financeira mundial. Foi de 700 bi, da bolsa da viúva, o montante total aplicado pelo Estado americano para a salvação da economia mundial.
A coisa parece terrível, mas olhando de perto é ainda pior. Qualquer ser sensato poderia prever essa hecatombe. Isso nos faz refletir sobre os reais motivos da tragédia.
Em primeiro lugar, as crises do sistema financeiro costumam ser cíclicas, o que faz com que as medidas necessárias para aliviar seus efeitos sobre o mercado sejam altamente previsíveis. Nesse caso, porque isso não aconteceu? Achar que o mundo financeiro foi pego de surpresa é no mínimo ingenuidade. Em Wall Street, o mais bobo é capaz de dar nó em pingo de éter com luva de box e no escuro.
Em segundo lugar, desde a Unificação Européia e do advento do Euro, o dolár e o poder de fogo americano vem se reduzindo bastante. Não bastasse isso, a América Latina começa a dar sinais de independência econômica, ou, pelo menos, de uma vontade política em obtê-la. O que poderia ser ainda mais danoso para a concepção imperial da America do norte.
Pois é... não posso afirmar que nada tenha sido planejado nem proposital, nem mesmo 11 de setembro. Mas o fato é que já ouvi falar de muita gente boa que pôs fogo na própria casa para receber o dinheiro do seguro. 
Gente sem escrúpulos, claro. Mas que ocupava a casa incendiada. Em alguns casos o contratato de aluguel estava bem no finzinho e não havia mais a mínima esperança de renovação.  

7.10.08

Profeta preve vitória de Gabeira

“Quando os ímpios chegarem ao poder no mais belo Estado de um certo País ao sul, e o caos se estabelecer na cidade cujo nome remete às primeiras águas correntes do ano, o verde florescerá de forma magnífica e formará uma imensa onda que virá  restabelecendo a paz e a alegria das pessoas que vivem na cidade mais de bem com a vida do planeta”

Michel de Nostragamus

Nos últimos 500 anos nenhum vidente conheceu a fama e o prestígio de Michel de Nostradamus, nascido na França em 14 de dezembro de 1503, neto de um astrólogo e apaixonado por fazer prognósticos. Até os 

dias de hoje, aqui e ali, dependendo das circunstâncias, alguma das suas profecias, sempre registradas em linguagem enigmática, são lembradas para confirmar algum tipo de acontecimento sensacional. Como a vitória de Gabeira, por exemplo.

6.10.08

Voltemos à poesia...

Nestes tempos atuais, tão bicudos, fico pensando cá com meus botões: será que ainda existe no mundo espaço para a delicadeza? Qualquer um que anda nas ruas de qualquer grande cidade do planeta tende a responder essa pergunta negativamente. São bandidos, traficantes, políticos, mau amados, maus amantes, é tanta coisa que explode diariamente por aí que a gente acaba desacreditando do belo. Fica no ar aquele texto do Rui Barbosa sobre o homem acabar por sentir-se envergonhado pela sua própria honestidade.
Mas na verdade, bem no fundo, a coisa não é tão feia quanto se pinta. Ainda há por aí muita gente bela de corpo e espírito tentando impor à vida uma condição de dignidade e beleza. E pasmem, essa gente é maioria. O problema é que as manchetes só dão espaços aos maus, aos repugnantes e aos corruptos e aí a gente acaba acreditando que  eles são maioria, mas isso não é verdade.  Isso pode até vender jornal e instaurar o pânico coletivo. Mas é só isso.
Hoje mesmo tive uma prova de que ainda há espaço para o sublime na alma humana. Almoçando com o amigo Beto Gaspari, no bar do Zequinha, dentro do mercado municipal, tive a grata surpresa de encontrar com Frascisco Buscácio, seguramente um dos poetas mais importantes da nossa cidade. No próximo dia 11 de outubro Buscácio estará completando 90 anos de idade e de poesia. Data que merece ser comemorada com avidez, pois, se os poetas são seres raros de um modo geral, Buscácio, em especial, é um ser ainda mais raro. Dono de uma vasta obra, da-se ao luxo de cultivar o parnasianismos em jarros de cristal, sendo fiel ao seu tempo e a sua vocação para a perpetuação do belo.
A obra de Buscácio é em si uma prova irrefutável de que ainda existe no planeta terreno fértil para se cultivar nobres sentimentos. Aliás, utilizando-se da poesia, estes sentimentos tem a tendência natural de se espalhar por aí contaminando jovens de todas as idades com o vírus do amor à arte. Ser inoculado com este vírus é uma maneira bastante interessante de comemorar os 90 anos de Francisco Buscácio no dia 11 de outubro. Afinal de contas, a arte pode ser tomada em doses homeopáticas ou ser diretamente injetada na veia. Não importa. O importante é o quanto de beleza isso gera.
 

5.10.08

Ganhei no Rio e perdi em Caxias...

Eleição não é esporte, mas da um certo prazer saber que seu voto ajudou a eleger alguém. Me senti assim em relação ao Gabeira, no Rio. Meu voto ajudou a garanti-lo no segundo turno. O meu e mais o de um montão de cariocas.
Em Caxias, no entanto, perdi feio. Além de não eleger meu candidato a Prefeito, nenhum dos meus amigos conseguiu se eleger Vereador. Parece até inhaca...Mas enfim, o que se há de fazer?
Em Duque de caxias, onde a coisa se encerrou no 1º turno, resta-me desejar boa sorte ao novo Prefeito e ficar torcendo para que seu novo Governo seja melhor que os anteriores. Zito terá uma nova chance e espero que a use bem. A cidade precisa de Governantes que pensem grande.
No Rio ainda vou estar na batalha, afinal de contas há um segundo turno inteiro pela frente para virarmos o jogo e fazer com que Gabeira chegue ao final dessa batalha em 1º lugar.
Tomara que isso tudo passe rápido e que o Rio de Janeiro seja o grande vencedor dessa disputa. 

2.10.08

Crivela declara apoio à Gabeira

Recebi esta foto por e-mail de um amigo e não há como não entende-la como uma mensagem subliminar. O Bispo, ou ex-Bispo, Marcelo Crivela parece deixar bem clara sua opção para o segundo turno das eleições cariocas: é Gabeira na cabeça.
Aliás, por falar nisso, e os candidatos a Vereador?
No Rio tem o Stepan Nercessiam que é um bom sujeito e merece o voto da galera da cultura, até pelo bom mandato que exerceu. Certamente será um dos puxadores de votos do PPS. 
Aqui em Caxias há dois candidatos com forte identifcação na área cultural: Luiz Tavares, grande incentivador e colaborador da cultura Caxiense, e André de Oliveira, militante histórico do PSB e também com forte lastro de militancia cultural.
A Baixada, é claro, sofre muito mais com a ausência de mandatários compromissados com a cultura do que o Rio de janeiro. Na verdade, na maioria dos casos, aqui na Baixada, nem medianamente cultos os candidatos são. Exatamente por isso a agonia da região cresce e se propaga. Ainda há por aqui políticos fazendo política com bica dágua, com ambulância, aquelas coisas todas que a gente sabe. Coisas tipo, propor a revogação da lei da gravidade para construir uma ponte de projeto inexequivel.
Mas a coisa esta mudando de vagarinho. Na medida em que a região evolui estas figuras vão se diluindo e até os coroneis vão sendo rebaixados a sargentos, depois cabos, soldados, até darem baixa de vez da vida pública. Maravilha.
Mas enfim, vamos ás urnas. Saber que o Crivela vai votar no Gabeira até anima a gente um pouco... 

25.9.08

15 milhões é grana paca...

Cá pra nós, eu acho que a campanha de Eduardo Paes subiu no telhado. Apesar de inchado pela mídia governista, não creio que o candidato do destemperado Serginho Cabral deva sobreviver às denuncias, todas documentadas, expostas pelo Deputado Comte Bitencourt na Alerj. ( Para quem não leu segue o link do discurso do Deputado: http://www.alerj.rj.gov.br/assuntos2.htm )

Pega mau pra dedéu um candidato a Prefeito dar um prejuízo de 15 milhões à uma empresa pública do Estado.

Nenhum jornal deu a notícia, é claro. Afinal de contas a verba publicitária do Palácio Guanabara deu um salto muito maior do aquele da Russa bonitona nas olimpíadas de beijim. Coisa de dez vezes mais o que havia sido previsto. Não há veículo de comunicação de massa que resista a tanta grana. Sabe como é, né?


Apesar de tudo, porém, O Prefeito Cesar Maia, que não tem nada a perder, publicou os detalhes sórdidos da transação em seu ex blog. Tim-tim por tim-tim. Página por página. E não tem jeito. A assinatura do candidato está lá para quem quizer ver.


No caso do Rio de janeiro, pelo menos, foi o próprio candidato quem deu um tiro no pé ( preservando o bolso, é claro ). Pior foi na Baixada, onde o Governador anda fazendo capanha invertida. Fala tanta besteira que acaba ajudando os adversários de seus candidatos. Isso quando não impõe a presença de verdadeiros pela-sacos, sem voto nem legitimidade, na campanha televisiva. Cruz credo.


Sinceramente, este comportamento verborrágico do Governador não anda me cheirando bem.

23.9.08

Tem doido pra tudo...

Dia desses parei num bar para comprar cigarros e assisti à um debate curioso. Dois sujeitos já a meio caminho - e mais um pouquinho - do porre discutiam entusiasmadamente. Um defendendo Barack Obama e o outro John Mccain.
Nenhum dos dois me pareceu ser eleitor na terra do Tio Sam, mas o grau de paixão que cada um punha em sua defesa era algo espantoso.
Cá com meus botões, fiquei me perguntando: que diabos é isso? O que faz com que dois cidadãos brasileiros, terceiro mundistas natos, adotem para si valores americanos?
Que a classe média alta adote esse tipo de comportamento é até natural. Desde o século retrasado ela tem por hábito envergonhar-se do País que seus pais e avós criaram. Antigamente queriam ser europeus e hoje têm como referência os americanos. Mas, dois operários? Isso pra mim é novidade. Se o Obama fosse " O Brahma" eu entenderia. Afinal de contas, cerveja faz parte da nossa cultura popular. Mas não é. O nome do cara é Obama, parecido com Osama, e talvez até sua plataforma seja resgatar o que o quase homônimo pôs abaixo: a auto estima americana. Seria até interessante o slogam. Obama vai erguer o que o Osama jogou no chão. Mas nem sei se é esse o caso, mas enfim...
O fato é que o povaréu esta muito mais interessado nas eleições na matriz do que aqui na filial. Vai ver o povo acha que importante mesmo, é quem manda lá e considere nossos governantes como boy de luxo. Sei lá...
O interessante é que, segundo os doutos de plantão, algo entre 60 e 70% da população não está, literalmente, nem aí pra hora do Brasil. Eleição para maioria é uma coisa que ocorrerá num futuro distante, e, exatamente por isso, quase ninghuém tem a menor idéia de em quem vai votar. Não sei se é extrema sapiência ou uma bobagem infinita, mas o fato é que Obama e Maccain exercem mais liderança sobre o cidadão Brasileiro nesse momento do que a grande maioria dos candidatos tupiniquins. Daí é simples deduzir que, ou Obama e Maccain são muito bons, ou nossos candidatos são muito ruins. Modestamente, aposto na segunda opção.
De qualquer forma, como tem doido pra tudo, estas coisas acabam não fazendo a mínima diferença.

IPC ( Importante pra Caramba): Decidi que vou votar no Gabeira. Pelo menos estarei dando uma chance de sobrevivência à inteligência carioca.

18.9.08

Um poema...

Ana
Nua
Amua
Franze o cenho
E sua

Languidez
Ardor
Vontade

Arde
O lábio
A flor
A pétala
A base da última vértebra
A língua
A boca
O corpo
Arde

Largo
o afazer e venho
Dar-te
O amor
O beijo


Estabelecer
em ti
a central do meu desejo
Explorando dobras
Furnas
Escaninhos...

Dou-te mil carinhos
Meu luxurioso enlevo

Abro-te inteira
e bebo
Em teu cálice sagrado
O sumo da vida eterna

Recôndito portal
Caverna
Por onde passeio impune

A fúria
A febre
O êxtase

Um deus gozador nos une
A imensidão nos integra

17.9.08

Minhas cidades...

Existem, certamente, várias maneiras de se definir uma pessoa. Profissionalmente, por nível educacional, cultural; pelo lugar onde mora, pelas coisas que gosta, enfim, cada um define o seu semelhante e a si próprio de acordo com a identificação que se tem de um determinado aspecto daquela pessoa. Eu, pessoalmente, gosto de me definir como um Caxiense, ou Duque Caxiense, depende do grau de intimidade.
Quem me conhece sabe que eu amo profundamente a cidade do Rio de janeiro, mesmo porque foi a cidade em que trabalhei durante toda minha vida, desde os 14 anos, e morei durante um bom tempo em vários momentos e Bairros diferentes. Mas sabe também que minha paixão por Duque de Caxias é uma coisa avassaladora.
Assisti aflito o agravamento dos contrastes entre o Rio e Caxias no decorrer dos anos. Enquanto a capital se agigantava dotando a cidade de uma estrutura privilegiada, dignificava a Zona Oeste, aprimorava ainda mais a beleza da Zona sul e recuperava a história fantástica do Centro, Duque de Caxias minguava. Enquanto uma evoluía a outra parecia cada vez mais fadada ao limbo.
A realidade que sempre me agoniou, no entanto, caprichosamente começou a se inverter. De quatro anos para cá, Caxias deu início a um ciclo de evolução fantástico enquanto a capital definha a olhos vistos.
A mais bela cidade do Brasil vive hoje um drama terrível que abala todas as suas estruturas. Tráfico de drogas, favelas, degradação social... Tudo de ruim vem crescendo e se fortalecendo no Rio de Janeiro.
Enquanto isso Caxias se qualifica cada vez mais para o futuro. Se na década de 80 os jovens caxienses não tinham perspectivas profissionais, hoje contam com uma universidade federal, uma estadual e várias universidades privadas, instituições importantes e reconhecidas como Fundação Getúlio Vargas e PUC. Olhando para o futuro, a cidade investe em sua infra-estrutura duplicando avenidas importantes, fazendo obras capazes de nos proporcionar um mínimo de dignidade enquanto cidadãos, fortalecendo o comércio e a indústria locais, a cultura, a educação, enfim... Duque de Caxias se prepara para o futuro. Tudo isso me faz vibrar enquanto caxiense, embora a condição atual do Rio de janeiro me deprima.
Curiosamente, aliás, as duas cidades da minha vida são a primeira e a segunda economias do Estado.
Estou dizendo tudo isso por uma questão bem simples: eleições. Tanto o Rio de Janeiro quanto Caxias, assim como outras 5 mil e tantas cidades do Brasil, vão às urnas mês que vem escolher seus Governantes.
Na capital, sinceramente, a coisa anda indigesta. Nenhum dos candidatos tem o perfil que me faria empolgar. Gosto, por exemplo, do Gabeira, um sujeito intelectualmente qualificado. Mas não consigo deixar de associá-lo a um ser exclusivo da Zona sul. É claro que isso não o desqualifica como pessoa ou como profissional, muito pelo contrário. Mas não vejo a restrição geográfica como algo recomendável a um candidato.
Eduardo Paes e Solange são mais ou menos a mesma coisa. Sustentam-se unicamente por seus respectivos padrinhos, sendo que Solange leva vantagem no item fidelidade, pois nunca trocou de Padrinho.
Crivella, pra mim, nem conta. É candidato de uma igreja e não da cidade e nem de sua população. Nada contra o Senador, mas também nada a favor. Chico, Molon e Paulo Ramos, na verdade estão fazendo campanha pela reeleição em seus respectivos cargos. Chico com a retórica udenista de esquerda, Molon com absolutamente nada e Paulo Ramos com o histórico do PDT. No fundo o objetivo é 2010.
Sobra a Jandira, na qual eu naturalmente não voto, por pura falta de afinidade. De um modo geral o caos está estabelecido no Rio e o imenso vazio político que se formou na cidade é certamente um dos responsáveis pelo seu declínio.
Em Caxias a situação é exatamente oposta. Com apenas duas candidaturas concorrendo de fato - e uma terceira apenas marcando (ou desmarcando) posição - a eleição na nossa cidade é praticamente plebiscitária. De um lado Zito, com seu legado de 8 anos de Governo, e do outro Washington, em pleno exercício de seu primeiro mandato. Não há como deixar de tomar posição.
Eu, particularmente, não tenho e nunca tive nada contra o Deputado Zito, mesmo porque vendetas pessoais nunca fizeram meu estilo. E independente de qualquer coisa considero os governos dele e de Washington incomparáveis.
Pode-se dizer que há dez anos atrás a demanda caxiense era por asfalto apenas, e talvez isso seja verdade. Pode-se dizer que as pessoas adoram pracinhas com trem de manilha, tudo bem, eu compreendo. Acredito muito, porém, no futuro de Duque de Caxias. Creio que a cidade pode se desenvolver muito mais e gerar riquezas e qualidade de vida para seus filhos.
Sempre desejei que nossos filhos e filhas tivessem acesso a qualificação profissional de verdade, com nível universitário e salários dignos. Sempre apostei na cultura e na educação como molas mestras do desenvolvimento nacional, principalmente na atuação local, no município. Por tudo isso peço, educadamente, aos amigos que possam estar votando em outro candidato que me perdoem. Mas em Duque de Caxias meu candidato é Washington Reis.
Se outro candidato qualquer for vitorioso, tudo bem. Vida que segue. Mas vou torcer sempre por uma Duque de Caxias melhor e mais qualificada.
Quanto ao Rio, ainda tenho alguns dias para escolher o candidato menos pior...

10.9.08

E Fausto Wolff se foi...

Dentre todos os escritores brasileiros, Fausto Wolff foi certamente um dos meus autores preferidos. Conheci seus textos no fim da adolescência através de um livro seu cujo título ainda hoje me parece bem sugestivo: Venderam a mãe gentil.
Em leituras coletivas, eu e alguns amigos, davamos gargalhadas homéricas com alguns textos e apredíamos a refletir seriamente com outros. Era um tempo bom. Lia-se por prazer. E Fausto, com seus textos, proporcionava aos seus leitores prazeres infinitos em várias frequências distintas.
Com o tempo, é claro, vieram muitos outros livros, inclusive " Matem o cantor e chamem o garçom ", um dos meus favoritos e que me levou inclusive a dedicar um poema do meu primeiro livro ao seu personagem principal, Parsifal.
Por uma simples questão de evolução natural fui conhecendo e me envolvendo com a obra de Wolff e, consequentemente, descobrindo um período da vida brasileira em que a inteligência era apreciada e incentivada. Isso dito assim, hoje em dia, pode até parecer mentira, mas é a mais pura verdade.
O garoto que ininiciou a carreira como funcionário de jornal no Rio Grande e acabou se tornando um dos melhores jornalistas e escritores do Brasil, acabou me ensinando através de sua pena a amar a palavra escrita.
Os talentos fervilhavam naquela geração Pasquim, mas Wolff se destacava por conta de uma questão específica: a paixão. Seus textos eram contagiosos na acepção mais ampla da palavra. Alguns faziam rir, outros refletir, outros relaxar, mas cima de tudo seus textos faziam sentir. impossível ficar imune.
Conheci-o na época em que era Diretor da Fundação Rio e mantivemos contato durante algum tempo. Inclusive quando se candidatou a Deputado Federal, claro, contou com meu voto. Seria uma possibilidade fantástica contar com Fausto Wolff no parlamento brasileiro, pra dizer o mínimo.
Quando " A mão esquerda" foi publicado, já não tinhamos mais contato. Comprei o livro para matar as saudades dos textos de Wolff e fiquei impactado. Li, como se dizia antigamente, de uma sentada só. Uma obra magnífica.
Alguém, não lembro quem, disse certa vez que os textos de Wolff pareciam ser escritos com cinzel e martelo. É a mais pura verdade. seus textos eram arte pura.
O homem que poetizou seu próprio algoz se foi na sexta-feira passada. Agora, livre da tal da embolia, deve estar em algum lugar do espaço tomando um baita porre com os amigos que se foram antes dele. Deve estar satisfeito. O brasil atual, sem debates, sem paixões, sem genialidades, xôxo e politicamente correto do ponto de vista midiático deve ter imposto um tédio terrível ao bardo gaúcho.
Pior do que Fausto previa, a mãe gentil foi vendida sem licitação e com preço superfaturado. Coisa grotesca demais para quem ama o belo e tem um compromisso claro com vida.
Mas não há de ser nada. Outros Faustos certamente virão. Afinal de contas, a vida, apesar das comédias e tragédias, ou até mesmo por causa delas, continua vindo em ondas como o mar.
Evoé Fausto. Evoé Vinícius.

18.8.08

Vida que segue...

Passei um tempão sem atualizar o blog. Problemas múltiplos e variados andaram desabando sobre minha vasta cabeleira.
Nesse meio tempo aconteceu muita coisa, sendo que a mais chata, e também mais recente, foi a partida do Caymi.
Tanto picareta passeando por ai e a morte acha de abraçar logo nosso poeta baiano.
Sacanagem isso.

Entre as coisas que aconteceram na minha ausência pode-se colocar também, com menos destaque, é claro, o início da campanha eleitoral mais xôxa da História. Um bispo, uma bateirista, um ex-guerilheio, um estafeta do governador e uma cambona do Prefeito são os principais candidatos. O do PT nem conta, o cara já nasceu sem votos. O pior é que ainda sou obrigado a sair de casa pra votar em um destes zeros à esquerda. Maldade isso. Ainda me candidato a Deputado só pra defender a adoção do voto facultativo.
Falando em acontecências, e as olimpíadas? Pra nós esta mais para olimpiádas. Todos os queridinhos da mídia estão fazendo feio paca e até agora só ganhamos uma medalha de ouro. Aliás, ganhamos não. O Cesar Cielo ganhou. Todo o mérito é dele, a gente só vai na aba da comemoração.
Se nossos governantes fossem menos abtusos as coisas seriam diferentes. O que não nos faltam são garotos e garotas talentosas em várias modalidades esportivas. Mas o Brasil não gosta dos seus filhos. Fazer o que, né?
Mas é isso. Espero não demorar tanto para atualizar novamente.
OBS: A foto do Cesar aí em cima é pura falta de opção, mas o fato é que tem umas 10 amebinhas disputando a cadeira dele e pelo nível dos candidatos e parece que corremos riscos terríveis . Quem viver verá.

25.4.08

Pedacinhos....

Gabeira - Como era de se esperar, um amigo jornalista me desceu a lenha nos comentários por conta da brincadeira com o Gabeira. Quero deixar bem claro no entanto que nada tenho contra o Deputado/guerrilheiro ipanemenho. Mas não tem jeito...não tinha como perder a piada.

Balões - Fiquei sabendo que há um movimento fantástico no Rio de janeiro. Servidores públicos, inclusive PM e Policiais civis, estão se unificando com os moradores das favelas. O objetivo é fazer uma vaquinha que torne possível a compra de 10 mil balões de gás para amarrar em Sérgio Cabral. Se o padre sumiu com mil balões, espera-se que com 10 mil o Governador vá parar na estratosfera.

Seu Joge - O cantor deu um belo esporro no Rio de Janeiro - e em seus governantes, é claro. Quem leu a matéria hoje no jornal O Dia deve ter ficado feliz. Pelo menos os da minha geração, acostumados que foram com artistas pensadores e reflexivos. Ao defender a qualidade das ações culturais paulistas em contraposição ao oba-oba carioca, Seu Jorge resgatou uma lógica de nelson Rodrigues. Parafraseando o mestre: O Rio de janeiro não tem cidadania, tem paisagem... Salve Jorge.

FHC - O ex-presidente do Brasil, quem diria, foi escolhido como um dos 100 intelectuais mais importantes do planeta. Pena que esse mimo não tenha vindo antes de 94. Poderiamos ter trocado um presidente sofrível por um intelectual brilhante.

Campos - Alexandre Moncaiber, responsável por um desvio - comprovado - de aproximadamente 250 milhões na Prefeitura de Campos, interior do Rio de Janeiro, voltou a ser Prefeito graças a uma liminar do STJ. Isso prova definitivamente que a justiça é realmente cega.

Onda na baía - Depois do terremoto, temos agora um quase maremoto. Honra seja feita: nem no tempo do Marcello Alencar, que bebia paca, o Rio de Janeiro sofria tanto de ressaca.

24.4.08

Rumo ao primeiro mundo...Ou....Porque me ufano do meu País

Já faz algum tempo, ouço dizer que o Brasil caminha acelerado rumo ao primeiro mundo. Agora é definitivamente incontestável: já temos terremoto. Só falta guerra - declarada oficialmente - e maremoto.
Isso me lembra aquela história do Juca Chaves na década de 70. Diante das dificuldades do País, o governo militar criou um slogam publicitário: O Brasil esta a beira do abismo. Mais tarde, para convencer a população dos avanços governamentais criaram outro slogam: O Brasil deu um passo a frente. Pois é. Estava na beira do abismo e deu um passo a frente. Logo depois veio outro slogam ufanista: Ninguém segura esse País. Dito e feito, a vaca foi para o brejo.
Atualmente, no entanto, o quadro é animador. Nossa violência urbana, que tanto colabora para o sucesso de nossa mídia, já esta bem próxima daquela que vivia New York em passado recente. O que já nos permite fabricar um super herói bem ao estilo de Rodolfo Giuliani. Nosso consumo de drogas esta gloriosamente avançando, bem próximo aos índices das principais metrópoles do planeta. E isso nos torna de fato um País "muderno". Há no entanto uma meia dúzia de ingratos que acha pouco e promove passeatas em prol de mais maconha. Tem gente que nunca está satisfeita, não é mesmo?
Não podemos, inclusive, esquecer a questão do aborto. Já há quem defenda publicamente tal prática, outro fator que demonstra nossa escalada à "mudernidade".
Se somarmos todos estes dados e considerarmos o fato de já termos terremoto, teremos uma leitura clara quanto a disparada do Brasil rumo aos píncaros da glória.
Se fizermos nosso dever de casa direitinho, desmatando, concentrando renda, atendendo aos interesses das grandes corporações mundiais, aniquilando pobres, negros e índios...coisas simples assim, tá arriscado até ganharmos uma poltrona bonita no conselho de segurança da ONU.
Ainda falta a tsunami, é verdade. Como se sabe, nenhum País do terceiro mundo é matéria de capa no New York Times sem ser devastado por uma boa tsunami, mas ainda chegaremos lá... Nossa gloriosa Petrobrás vem trabalhando com afinco para que nosso subsolo oceânico adquira buracos imensos. Depois disso é só esperar um pouquinho. A natureza faz o resto.
Tenho a certeza que por uma questão de hábito, o Governo vai acabar beneficiando São Paulo com a Tsunami, como faz com os royaltes do petróleo, em detrimento do Rio de Janeiro.
Quero desde já declarar aqui meu apoio a tal concepção governamental. E digo de público. São Paulo merece muito mais uma tsunami do que a gente aqui no Rio. Sampa é muito mais "muderna", não há nem como discutir isso.
Enfim, estamos entrando de uma vez por todas em uma nova era. E viva o Brasil muderno...
Viva eu! Viva tu! Viva o rabo do tatu!