Sou Ana do dique e das docas22.11.08
Ana de Amsterdam
Sou Ana do dique e das docas20.11.08
Aviso aos navegantes..
Neste sábado, 22/11, tem Show do Jorge Bodart no Galeto do Juca - Av. Presidente Kenedy. Fica ao lado do Bradesco, em frente ao banco do Brasil, perto das Sendas e um pouquinho antes da Biblioteca Leonel Brizola. Com todas essas referências é impossível não encontrar.A bela canção de Elomar na voz aveludada de Francisco Aafa
O pidido
Já qui tu vai lá prá fêra
Traga di lá para mim
Agua do fulô qui chêra
Um nuvelo e um carmim
Trais um pacote de misse
Meu amigo ah se tu visse
Aquele cego cantadô!
Um dia ele me disse
Jogano um mote de amô
Qui eu havéra de vivê
Pur esse mundo
E morrê ainda em flô
Passa naquela barraca
Daquela mulé reizêra
Onde almuçamo paca
Panelada e frigidêra
Inté você disse uma lõa
Gabano a boia bôa
Qui das casa da cidade
Aquela era a primêra
Trais pra mim vãs brividade
Qui eu quero matá a sôdade
Fais tempo qui fui na fêra
Ai sôdade...
Apois sim vê se num isquece
Quinda nessa lua chêa
Nós vai brincá na quermesse
Lá no Riacho d'Arêa
Na casa daquêle home
Feitecêro e curadô
Que o dia intêro é home
Filho do Nosso Sinhô
Mais dispois da mêa noite
É lubisome cumedô
Dos pagão qui as mãe isqueceu
Do batismo salvadô
E tem mais dois garrafão
Cum dois canguin responsadô
Apois sim vê se num isquece
De trazê ruge e carmim
Ah se o dinheiro desse!
Eu quiria um trancilin
E mais treis metro de chita
Qui é preu fazê um vistido
E ficá bem mais bunita
Qui Madô de Juca Dido
Qui Zefa de lô Joaquim
Já qui tu vai lá prá fêra
Meu amigo trais
Essas coisinhas para mim...
18.11.08
Tesão é tesão e pronto...
Um brinde as bocas beijadas na chuva
Um brinde as uvas
Aos seios
E aos ventres
Um brinde eloqüente
As coxas e aos braços
Um brinde ao amasso
Dos corpos convulsos
Um brinde às línguas
Aos dedos
As frutas
Um brinde a gruta
A mata
Aos lábios
Um brinde ao cheiro e a temperatura
Um brinde a natura, ao sabor, a umidade
Um brinde a verdade exposta na flor
Um brinde a cor, ao formato e a textura
Um brinde a postura
A porta entreaberta
Um brinde a secreta passagem, ao talho
Um brinde ao orvalho, ao suor, a cereja
Um brinde a quem beija
A pétala aberta
Um brinde ao botão
Um brinde as mãos
Um brinde aos olhos e aos diamantes
Um brinde aos amantes
Um brinde a paixão
17.11.08
16.11.08
11.11.08
O cheiro da madrugada
Tem dias, em que a noite confunde a gente.
O sujeito chega, puxa a mesa da bodega, se aconchega e, de repente, nem sabe mais por que águas a própria alma navega.
E a lucidez segue assim em interminável refrega com a pobre da insensatez.
O dia chega e diz não.
A noite, sopra um talvez.
Já a doida madrugada, feroz e destrambelhada, em completa embriaguez, diz: agora, meu amor.
E as pernas entorpecidas se arvoram em merecida e lúdica caminhada.
No meio da noite, a estrada, nem parece com a balbúrdia que se encontra de dia.
É luz piscando nos olhos, botequins pelas esquinas, um certo ar de festejo, a boca aberta pro beijo, decotes, saias, meninas...
O cheiro delas escorrendo pelo brilho das estrelas, tomando o cérebro inteiro e impregnando as narinas.
A noite deveria ser algum tipo de canção dessas que nunca termina.
Com acordes absolutos penetrando pelos tímpanos e se apossando do espírito
ou algum tipo de verso majestoso e impenetrável.
Algo assim inenarrável, um experimento empírico por sua essência, abstrato.
E a madrugada, não o dia, deveria ser seu quarto para acomodar os partos insanos da poesia.
6.11.08
Nasce uma nova era
Barak Obama é negro, mas é muito mais que isso. A simbologia racial é forte, porém, Obama foi muito mais longe. Diante de uma América destroçada pela ganância financista e belicista ele soube resgatar valores fundamentais para qualquer grande nação. Ao invés de pregar guerras e invasões, lugar comum para líderes americanos, pregou consciência e igualdade. Obama fez com que o mundo olhasse novamente para os EUA, não com olhos de quem odeia uma nação cruel, invasora e monopolista, e sim como quem busca uma saída para um processo político mundial enlameado por vícios e controlado por loucos.1.11.08
Caxias é uma festa...
A revitalização cultural da nossa velha e boa Duque de Caxias vem rolando de vento em popa. Na quinta, dia 30, um belo espetáculo no teatro Raul Cortes homenageou a Lira de ouro e seus mais de 50 anos de história na cidade. O primeiro a se apresentar foi o Grupo Austeros Andantes, composto por uma garotada altamente talentosa, tanto em letra quanto em melodia. Creio que ainda vamos ouvir falar bastante neste grupo, pois a criatividade por eles apresentada é coisa rara e surgem, claro, como algo novo, porém, ancorado por uma sólida base inicial.29.10.08
Ressaca eleitoral no Rio

Passadas as eleições, há ainda um certo ar de ressaca espalhado pela cidade. De um lado, os vitoriosos que comemoram, de outro, os derrotados que lamentam. Na verdade, o Rio de Janeiro continua pertencendo a todos, independente de quem esteja ou venha a estar sentado na cadeira de prefeito.
Como disse certa vez o ex-primeiro-ministro inglês Wuston Churchil, a democracia é o pior dos regimes, exceto todos os outros. E sem dúvidas foi a democracia quem venceu no Rio e no Brasil inteiro.
Tenho observado, no caso do Rio, um portentoso sentimento de frustração por parte dos eleitores do Gabeira, entre os quais me incluo, devido tanto à derrota quanto à margem mínima de diferença nos votos, mas é preciso que se entenda que democracia é isso. É a vontade popular determinando o poder constituído. Eduardo Paes, a partir de janeiro, será o prefeito de todos os cariocas. Felizmente, é assim que funciona.
Por mais apaixonadas que sejam as manifestações dos eleitores de Gabeira, principalmente no vasto mundo virtual, o processo eleitoral em si não pode ser desqualificado em função de seu resultado. Os cariocas escolheram Paes e ele será o prefeito de todos. Herdará, é claro, toda a gama de problemas típicos de uma cidade grande e exigente como é o Rio. Precisamos, portanto, torcer para que ele encontre as soluções necessárias.
O carioca, em termos gerais, sempre nutriu um apurado senso crítico, que, acompanhado do bom humor e de um jeito de ser especial, constituem a alma da cidade. E o Rio é assim, muito provavelmente, desde Estácio de Sá.
27.10.08
Navegando à esmo...
Papear é bom... mesmo quando não se tem nada de concreto para dizer. A gente fica naquela coisa que o Millôr chama de vaguidão específica. Aliás, escrever também é bom e ler melhor ainda. Sempre que sinto o mundo prestes a acabar me refugio em Quintana, pelo lado da poesia, e Garbriel Gracia Marques pelo lado da prosa. 22.10.08
O sonho não vai acabar...

18.10.08
Toda nudez será castigada, de novo...
Acho que Nostradamus estava certo, estamos mesmo próximos do fim do mundo. É a única explicação plausível para alguns fenômenos recentes. Não falo do El nino, da camada de ozônio, do buraco negro, nada disso. Me refiro à boçalidade que se apossa do planeta nos últimos anos. Deu no Boca de ovo...

Boca de ovo, para quem não sabe, é o apelido carinhoso pelo qual a gente chamava o Anselmo Gós no tempo do JB. Eu era leitor aasíduo, e assim a gente acaba se sentindo íntimo do colunista diário à ponto de trata-lo com essa intimidade toda. Mas era só coisa de leitor mesmo, garanto. Nunca nem vi o Ancelmo pessoalmente, mas o cara me parece gente boa paca.
"Beiço eleitoral
Amanhã, às 11h, a chapa vai esquentar na sede do Partido Republicano Brasileiro. (Não ligou o nome à pessoa? É o do Crivela.) Circula na internet um e-mail convocando todos que têm dinheiro a receber por conta da campanha recém-encerrada - para o candidato, que ficou no primeiro turno - e até agora... nada.
A idéia - está no e-mail, ao menos - é "reivindicar pacificamente" os direitos de cada credor. A conferir."
Nota do Blog:
Sugiro que a fatura seja entregue a Eduardo Paes, beneficiário do espólio da Igreja Universal do reino de Deus. Tanto o Bispo Macedo - Padrinho de Crivela - quanto Serginho - Capo do Eduardo Paes - têm grana de sobra pra pagar a conta. Isso eu garanto. Basta passar a sacolinha.
17.10.08
Nota do Leia Junto, Blog do Cesar Barroso...
Num jantar beneficente à noite en Nova York, McCain e Obama deixaram para trás as diferenças e tentaram ser o mais cordiais possível. A piada de McCain: “Os democratas já estão atacando Joe, o Encanador, esse homem honesto, trabalhador, que não vai ganhar o suficiente para pagar todos os impostos do plano de Obama. Mas o que eles não sabem é que Joe recentemente assinou um bom contrato com um casal rico para cuidar dos encanamentos de suas sete residências”, referindo-se ao número de casas que ele e Cindy possuem. A piada de Obama: “Ao contrário dos rumores, não nasci numa manjedoura. Nasci em Krypton e fui mandado aquipor meu pai, Jor-el, para salvar o planeta Terra”, numa referência ao Super-Homem.
14.10.08
Bistrô Brasil: a nova cara da cultura Caxiense

A palavra "Bistrô", ao contrário do que se pensa, não tem origem francesa e sim russa. Quando Pedro, o Grande, expulsou Napoleão de Paris, suas tropas ocuparam a cidade e os soldados russos quando iam aos restaurantes gritavam "bistrô, bistrô, que quer dizer "rápido, rápido".
Um Bistrô é definido no dicionário como um restaurante ou bar pequeno e simples, porém muito aconchegante. Nesse tipo de estabelecimento, a convivência e as relações pessoais têm tanta importância quanto à qualidade do serviço. Um Bistrô tradicional não costumava nem ter cardápio, sendo o próprio chef quem conversava com o cliente, sabendo das suas preferências e preparando a refeição ao seu exato gosto, o que tornava o serviço único e extremamente pessoal.
Hoje bistrô é basicamente sinônimo de pequenos, tradicionais e charmosos restaurantes de inspiração francesa.
No próximo dia 17/10, nossa cidade estará experimentando a sensação de reunir amigos em um legítimo Bistrô, com direito à chope gelado, papo do bom, cultura, diversão e arte da melhor qualidade.
Eduardo Prates e Marcelo Moura estarão inaugurando o Bistrô Brasil, espaço que promete se firmar como a nova cara da cultura caxiense.
Na verdade, à partir do dia
Estaremos lá, é claro. E desejamos à casa uma vida bastante longa, para que possamos saciar nossa sede - de chope - e alimentar nossas almas com cultura e arte.
Evoé Bistrô Brasil!
9.10.08
Os reféns do Deus Mercado

7.10.08
Profeta preve vitória de Gabeira
“Quando os ímpios chegarem ao poder no mais belo Estado de um certo País ao sul, e o caos se estabelecer na cidade cujo nome remete às primeiras águas correntes do ano, o verde florescerá de forma magnífica e formará uma imensa onda que virá restabelecendo a paz e a alegria das pessoas que vivem na cidade mais de bem com a vida do planeta”

Michel de Nostragamus
Nos últimos 500 anos nenhum vidente conheceu a fama e o prestígio de Michel de Nostradamus, nascido na França em 14 de dezembro de 1503, neto de um astrólogo e apaixonado por fazer prognósticos. Até os
dias de hoje, aqui e ali, dependendo das circunstâncias, alguma das suas profecias, sempre registradas em linguagem enigmática, são lembradas para confirmar algum tipo de acontecimento sensacional. Como a vitória de Gabeira, por exemplo.
6.10.08
Voltemos à poesia...
Nestes tempos atuais, tão bicudos, fico pensando cá com meus botões: será que ainda existe no mundo espaço para a delicadeza? Qualquer um que anda nas ruas de qualquer grande cidade do planeta tende a responder essa pergunta negativamente. São bandidos, traficantes, políticos, mau amados, maus amantes, é tanta coisa que explode diariamente por aí que a gente acaba desacreditando do belo. Fica no ar aquele texto do Rui Barbosa sobre o homem acabar por sentir-se envergonhado pela sua própria honestidade.5.10.08
Ganhei no Rio e perdi em Caxias...
Eleição não é esporte, mas da um certo prazer saber que seu voto ajudou a eleger alguém. Me senti assim em relação ao Gabeira, no Rio. Meu voto ajudou a garanti-lo no segundo turno. O meu e mais o de um montão de cariocas.2.10.08
Crivela declara apoio à Gabeira
Recebi esta foto por e-mail de um amigo e não há como não entende-la como uma mensagem subliminar. O Bispo, ou ex-Bispo, Marcelo Crivela parece deixar bem clara sua opção para o segundo turno das eleições cariocas: é Gabeira na cabeça.25.9.08
15 milhões é grana paca...
Cá pra nós, eu acho que a campanha de Eduardo Paes subiu no telhado. Apesar de inchado pela mídia governista, não creio que o candidato do destemperado Serginho Cabral deva sobreviver às denuncias, todas documentadas, expostas pelo Deputado Comte Bitencourt na Alerj. ( Para quem não leu segue o link do discurso do Deputado: http://www.alerj.rj.gov.br/assuntos2.htm )Pega mau pra dedéu um candidato a Prefeito dar um prejuízo de 15 milhões à uma empresa pública do Estado.
Nenhum jornal deu a notícia, é claro. Afinal de contas a verba publicitária do Palácio Guanabara deu um salto muito maior do aquele da Russa bonitona nas olimpíadas de beijim. Coisa de dez vezes mais o que havia sido previsto. Não há veículo de comunicação de massa que resista a tanta grana. Sabe como é, né?
Apesar de tudo, porém, O Prefeito Cesar Maia, que não tem nada a perder, publicou os detalhes sórdidos da transação em seu ex blog. Tim-tim por tim-tim. Página por página. E não tem jeito. A assinatura do candidato está lá para quem quizer ver.
No caso do Rio de janeiro, pelo menos, foi o próprio candidato quem deu um tiro no pé ( preservando o bolso, é claro ). Pior foi na Baixada, onde o Governador anda fazendo capanha invertida. Fala tanta besteira que acaba ajudando os adversários de seus candidatos. Isso quando não impõe a presença de verdadeiros pela-sacos, sem voto nem legitimidade, na campanha televisiva. Cruz credo.
Sinceramente, este comportamento verborrágico do Governador não anda me cheirando bem.
23.9.08
Tem doido pra tudo...
Dia desses parei num bar para comprar cigarros e assisti à um debate curioso. Dois sujeitos já a meio caminho - e mais um pouquinho - do porre discutiam entusiasmadamente. Um defendendo Barack Obama e o outro John Mccain.Nenhum dos dois me pareceu ser eleitor na terra do Tio Sam, mas o grau de paixão que cada um punha em sua defesa era algo espantoso.
Cá com meus botões, fiquei me perguntando: que diabos é isso? O que faz com que dois cidadãos brasileiros, terceiro mundistas natos, adotem para si valores americanos?
Que a classe média alta adote esse tipo de comportamento é até natural. Desde o século retrasado ela tem por hábito envergonhar-se do País que seus pais e avós criaram. Antigamente queriam ser europeus e hoje têm como referência os americanos. Mas, dois operários? Isso pra mim é novidade. Se o Obama fosse " O Brahma" eu entenderia. Afinal de contas, cerveja faz parte da nossa cultura popular. Mas não é. O nome do cara é Obama, parecido com Osama, e talvez até sua plataforma seja resgatar o que o quase homônimo pôs abaixo: a auto estima americana. Seria até interessante o slogam. Obama vai erguer o que o Osama jogou no chão. Mas nem sei se é esse o caso, mas enfim...
O fato é que o povaréu esta muito mais interessado nas eleições na matriz do que aqui na filial. Vai ver o povo acha que importante mesmo, é quem manda lá e considere nossos governantes como boy de luxo. Sei lá...
O interessante é que, segundo os doutos de plantão, algo entre 60 e 70% da população não está, literalmente, nem aí pra hora do Brasil. Eleição para maioria é uma coisa que ocorrerá num futuro distante, e, exatamente por isso, quase ninghuém tem a menor idéia de em quem vai votar. Não sei se é extrema sapiência ou uma bobagem infinita, mas o fato é que Obama e Maccain exercem mais liderança sobre o cidadão Brasileiro nesse momento do que a grande maioria dos candidatos tupiniquins. Daí é simples deduzir que, ou Obama e Maccain são muito bons, ou nossos candidatos são muito ruins. Modestamente, aposto na segunda opção.
De qualquer forma, como tem doido pra tudo, estas coisas acabam não fazendo a mínima diferença.
IPC ( Importante pra Caramba): Decidi que vou votar no Gabeira. Pelo menos estarei dando uma chance de sobrevivência à inteligência carioca.
18.9.08
Um poema...
AnaNua
Amua
Franze o cenho
E sua
Languidez
Ardor
Vontade
Arde
O lábio
A flor
A pétala
A base da última vértebra
A língua
A boca
O corpo
Arde
Largo
o afazer e venho
Dar-te
O amor
O beijo
a central do meu desejo
Explorando dobras
Furnas
Escaninhos...
Dou-te mil carinhos
Meu luxurioso enlevo
Abro-te inteira
e bebo
Em teu cálice sagrado
O sumo da vida eterna
Recôndito portal
Caverna
Por onde passeio impune
A fúria
A febre
O êxtase
Um deus gozador nos une
A imensidão nos integra
17.9.08
Minhas cidades...
Existem, certamente, várias maneiras de se definir uma pessoa. Profissionalmente, por nível educacional, cultural; pelo lugar onde mora, pelas coisas que gosta, enfim, cada um define o seu semelhante e a si próprio de acordo com a identificação que se tem de um determinado aspecto daquela pessoa. Eu, pessoalmente, gosto de me definir como um Caxiense, ou Duque Caxiense, depende do grau de intimidade.Quem me conhece sabe que eu amo profundamente a cidade do Rio de janeiro, mesmo porque foi a cidade em que trabalhei durante toda minha vida, desde os 14 anos, e morei durante um bom tempo em vários momentos e Bairros diferentes. Mas sabe também que minha paixão por Duque de Caxias é uma coisa avassaladora.
Assisti aflito o agravamento dos contrastes entre o Rio e Caxias no decorrer dos anos. Enquanto a capital se agigantava dotando a cidade de uma estrutura privilegiada, dignificava a Zona Oeste, aprimorava ainda mais a beleza da Zona sul e recuperava a história fantástica do Centro, Duque de Caxias minguava. Enquanto uma evoluía a outra parecia cada vez mais fadada ao limbo.
A realidade que sempre me agoniou, no entanto, caprichosamente começou a se inverter. De quatro anos para cá, Caxias deu início a um ciclo de evolução fantástico enquanto a capital definha a olhos vistos.
A mais bela cidade do Brasil vive hoje um drama terrível que abala todas as suas estruturas. Tráfico de drogas, favelas, degradação social... Tudo de ruim vem crescendo e se fortalecendo no Rio de Janeiro.
Enquanto isso Caxias se qualifica cada vez mais para o futuro. Se na década de 80 os jovens caxienses não tinham perspectivas profissionais, hoje contam com uma universidade federal, uma estadual e várias universidades privadas, instituições importantes e reconhecidas como Fundação Getúlio Vargas e PUC. Olhando para o futuro, a cidade investe em sua infra-estrutura duplicando avenidas importantes, fazendo obras capazes de nos proporcionar um mínimo de dignidade enquanto cidadãos, fortalecendo o comércio e a indústria locais, a cultura, a educação, enfim... Duque de Caxias se prepara para o futuro. Tudo isso me faz vibrar enquanto caxiense, embora a condição atual do Rio de janeiro me deprima.
Curiosamente, aliás, as duas cidades da minha vida são a primeira e a segunda economias do Estado.
Estou dizendo tudo isso por uma questão bem simples: eleições. Tanto o Rio de Janeiro quanto Caxias, assim como outras 5 mil e tantas cidades do Brasil, vão às urnas mês que vem escolher seus Governantes.
Na capital, sinceramente, a coisa anda indigesta. Nenhum dos candidatos tem o perfil que me faria empolgar. Gosto, por exemplo, do Gabeira, um sujeito intelectualmente qualificado. Mas não consigo deixar de associá-lo a um ser exclusivo da Zona sul. É claro que isso não o desqualifica como pessoa ou como profissional, muito pelo contrário. Mas não vejo a restrição geográfica como algo recomendável a um candidato.
Eduardo Paes e Solange são mais ou menos a mesma coisa. Sustentam-se unicamente por seus respectivos padrinhos, sendo que Solange leva vantagem no item fidelidade, pois nunca trocou de Padrinho.
Crivella, pra mim, nem conta. É candidato de uma igreja e não da cidade e nem de sua população. Nada contra o Senador, mas também nada a favor. Chico, Molon e Paulo Ramos, na verdade estão fazendo campanha pela reeleição em seus respectivos cargos. Chico com a retórica udenista de esquerda, Molon com absolutamente nada e Paulo Ramos com o histórico do PDT. No fundo o objetivo é 2010.
Sobra a Jandira, na qual eu naturalmente não voto, por pura falta de afinidade. De um modo geral o caos está estabelecido no Rio e o imenso vazio político que se formou na cidade é certamente um dos responsáveis pelo seu declínio.
Em Caxias a situação é exatamente oposta. Com apenas duas candidaturas concorrendo de fato - e uma terceira apenas marcando (ou desmarcando) posição - a eleição na nossa cidade é praticamente plebiscitária. De um lado Zito, com seu legado de 8 anos de Governo, e do outro Washington, em pleno exercício de seu primeiro mandato. Não há como deixar de tomar posição.
Eu, particularmente, não tenho e nunca tive nada contra o Deputado Zito, mesmo porque vendetas pessoais nunca fizeram meu estilo. E independente de qualquer coisa considero os governos dele e de Washington incomparáveis.
Pode-se dizer que há dez anos atrás a demanda caxiense era por asfalto apenas, e talvez isso seja verdade. Pode-se dizer que as pessoas adoram pracinhas com trem de manilha, tudo bem, eu compreendo. Acredito muito, porém, no futuro de Duque de Caxias. Creio que a cidade pode se desenvolver muito mais e gerar riquezas e qualidade de vida para seus filhos.
Sempre desejei que nossos filhos e filhas tivessem acesso a qualificação profissional de verdade, com nível universitário e salários dignos. Sempre apostei na cultura e na educação como molas mestras do desenvolvimento nacional, principalmente na atuação local, no município. Por tudo isso peço, educadamente, aos amigos que possam estar votando em outro candidato que me perdoem. Mas em Duque de Caxias meu candidato é Washington Reis.
Se outro candidato qualquer for vitorioso, tudo bem. Vida que segue. Mas vou torcer sempre por uma Duque de Caxias melhor e mais qualificada.
Quanto ao Rio, ainda tenho alguns dias para escolher o candidato menos pior...
10.9.08
E Fausto Wolff se foi...
18.8.08
Vida que segue...
Passei um tempão sem atualizar o blog. Problemas múltiplos e variados andaram desabando sobre minha vasta cabeleira.25.4.08
Pedacinhos....
Gabeira - Como era de se esperar, um amigo jornalista me desceu a lenha nos comentários por conta da brincadeira com o Gabeira. Quero deixar bem claro no entanto que nada tenho contra o Deputado/guerrilheiro ipanemenho. Mas não tem jeito...não tinha como perder a piada.Balões - Fiquei sabendo que há um movimento fantástico no Rio de janeiro. Servidores públicos, inclusive PM e Policiais civis, estão se unificando com os moradores das favelas. O objetivo é fazer uma vaquinha que torne possível a compra de 10 mil balões de gás para amarrar em Sérgio Cabral. Se o padre sumiu com mil balões, espera-se que com 10 mil o Governador vá parar na estratosfera.
Seu Joge - O cantor deu um belo esporro no Rio de Janeiro - e em seus governantes, é claro. Quem leu a matéria hoje no jornal O Dia deve ter ficado feliz. Pelo menos os da minha geração, acostumados que foram com artistas pensadores e reflexivos. Ao defender a qualidade das ações culturais paulistas em contraposição ao oba-oba carioca, Seu Jorge resgatou uma lógica de nelson Rodrigues. Parafraseando o mestre: O Rio de janeiro não tem cidadania, tem paisagem... Salve Jorge.
FHC - O ex-presidente do Brasil, quem diria, foi escolhido como um dos 100 intelectuais mais importantes do planeta. Pena que esse mimo não tenha vindo antes de 94. Poderiamos ter trocado um presidente sofrível por um intelectual brilhante.
Campos - Alexandre Moncaiber, responsável por um desvio - comprovado - de aproximadamente 250 milhões na Prefeitura de Campos, interior do Rio de Janeiro, voltou a ser Prefeito graças a uma liminar do STJ. Isso prova definitivamente que a justiça é realmente cega.
Onda na baía - Depois do terremoto, temos agora um quase maremoto. Honra seja feita: nem no tempo do Marcello Alencar, que bebia paca, o Rio de Janeiro sofria tanto de ressaca.
24.4.08
Rumo ao primeiro mundo...Ou....Porque me ufano do meu País
Já faz algum tempo, ouço dizer que o Brasil caminha acelerado rumo ao primeiro mundo. Agora é definitivamente incontestável: já temos terremoto. Só falta guerra - declarada oficialmente - e maremoto.Isso me lembra aquela história do Juca Chaves na década de 70. Diante das dificuldades do País, o governo militar criou um slogam publicitário: O Brasil esta a beira do abismo. Mais tarde, para convencer a população dos avanços governamentais criaram outro slogam: O Brasil deu um passo a frente. Pois é. Estava na beira do abismo e deu um passo a frente. Logo depois veio outro slogam ufanista: Ninguém segura esse País. Dito e feito, a vaca foi para o brejo.
Não podemos, inclusive, esquecer a questão do aborto. Já há quem defenda publicamente tal prática, outro fator que demonstra nossa escalada à "mudernidade".
Se somarmos todos estes dados e considerarmos o fato de já termos terremoto, teremos uma leitura clara quanto a disparada do Brasil rumo aos píncaros da glória.
Se fizermos nosso dever de casa direitinho, desmatando, concentrando renda, atendendo aos interesses das grandes corporações mundiais, aniquilando pobres, negros e índios...coisas simples assim, tá arriscado até ganharmos uma poltrona bonita no conselho de segurança da ONU.
Ainda falta a tsunami, é verdade. Como se sabe, nenhum País do terceiro mundo é matéria de capa no New York Times sem ser devastado por uma boa tsunami, mas ainda chegaremos lá... Nossa gloriosa Petrobrás vem trabalhando com afinco para que nosso subsolo oceânico adquira buracos imensos. Depois disso é só esperar um pouquinho. A natureza faz o resto.
Tenho a certeza que por uma questão de hábito, o Governo vai acabar beneficiando São Paulo com a Tsunami, como faz com os royaltes do petróleo, em detrimento do Rio de Janeiro.
Quero desde já declarar aqui meu apoio a tal concepção governamental. E digo de público. São Paulo merece muito mais uma tsunami do que a gente aqui no Rio. Sampa é muito mais "muderna", não há nem como discutir isso.
Enfim, estamos entrando de uma vez por todas em uma nova era. E viva o Brasil muderno...
Viva eu! Viva tu! Viva o rabo do tatu!